Do Urbanismo em Braga

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«Braga é uma cidade sem sorte, porque o tempo não se aliou a ela e porque ela não se aliou ao rio. E porque foi tratada com a leviandade de alguém que recebe uma fabulosa herança que não lhe custou a ganhar. Braga é uma cidade sem sorte, a não ser a sorte de haver nela uma música visual que soa acima de qualquer ruído. Mas, nos últimos anos, Braga foi aquilo que nos envergonha. Abriu-se o tempo do desprezo para com ela, iniciou-se um caminho que levaria ao precipício. Tudo se passou ao contrário. Tudo parece trocado. Até as palavras com que nomeamos os seus males e os seus bens. Braga é hoje uma cidade enlouquecida pelos maus tratos. É uma cidade onde avançou o que devia ter parado e onde parou o que devia ter avançado.»

Assim escreve Pedro Antunes, parafraseando José Manuel dos Santos. Depois da praça desfeita, do rio esquecido e do mercado abandonado, o urbanismo em Braga volta a ser notícia.

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10 comentários:

  1. Meu querido amigo, mais um post para te acusarem da colagem à oposição. Até já estás sempre a repetir os temas que perde a piada. Mas tu lá sabes. E sabes também que eu não sou dos vão com o Mesquita à bola, mas sempre o prefiro a ele do que a estes pedantes que acham que t~em o rei na barriga: está tudo mal, Braga é uma desgraça, a terra dos outros é que é boa, mas vieram na enchurrada lá de Trás os montes e não quiseram sair mais de cá.
    É a vida.

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  2. o comentário anterior é da máquina de propaganda da câmara. todos percebem!!! dispensam-se os ataques ad hominem ao autor do blogue.

    Ainda por cima neste post só se limita a elencar links para outros textos sem sequer emitir opinião!!! haverá algum mal em divulgar estes links???

    PÁREM!

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  3. Não há cidades sem sorte. As cidades são sempre a consciência cultural e cívica de quem as povoa.
    Nem a questão litora vs. interior me parece relevante neste pormenor. Vejamos a pujança de Viseu e a beleza ímpar de Évora. Braga foi dilacerada por vias rodoviárias que a segmentaram ainda mais num conjunto quase autónomo da bairros como acontece em S. Victor. Urbanizações como a U. Europa são monumentos à fealdade paredes meias com a sucata que dá as boas vindas a quem chega do Porto. A entrada de Guimarães em todo o limite do parque da ponte, muro incluído, tem um ar sinistro. O Carandá não tem adjectivação possível. Predominantemente nova, Braga tem um ar envelhecido; edifícios monotonamente revestidos a ladrilho castanho ou acastanhado, muito dele caído são recorrentes. A Quinta de Portas mete dó. A mistura sem nexo de habitação com armazéns e indústria. O amontoado de apartamentos do Feira Nova ou Peões logo seguidos duma vastidão de moradia geminadas na baixada do Cávado como se fosse Los Angeles. O Centro maltratado e deserto sem que outras centralidades tenham sido criadas. A Catedral do Andebol e o 1.º de Maio cartazes da decrepitude. O Tech Valley que não foi. A política do segredo ou da surdina.
    Enfim, a pacata cidade onde nasci já não existe. O que lá plantaram é um nojo.

    Fiquem Bem,

    Bernardo Pereira - Coimbra

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  4. Enfim é cêdo para campanha eleitoral, mas entendo alguns desabafos.Braga cresceu, naturalmente a planificação merecerá comentários, mas Urbanismo não casa bem com capitaliasmo e interesses privados.Urbanismo e ambiente, duas áreas sensíveis e importantes, direi mesmo indispensáveis ao progresso.Será que durante 30 Anos alguém na cidade pensou em termos ambientais ou mesmo urbanísticos? Meus caros ao olhar em redor, confesso tenho alguma dificuldade em ver planeamento, preocupação com o espaço, com o respirar ar puro, com o lazer, enfim coisas de um sonhador numa cidade mais virada para os estádios e grandes eventos...sonhos, porque a realidade continua a ser algo sem pressa...

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  5. Curiosidade da fotografia... não havia melhor recolha sobre o assunto do que edificios erguidos em tempos do Salazar? Bem podiam tirar a fotografia um pouco mais abaixo, sempre mostrarva o desinteresse dos proprietarios pela manutenção das fachadas... ja precisavam de uma pintura.

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  6. Braga é um bom case study acerca de Urbanismo e da evolução das tecnicas e legislação sobre o assunto. Lembrando que ferramentas como o PDM ainda se encontram a ser optimizadas e que estamos a avaliar 30 anos, algo que em outros concelhos não estariamos a falar desta forma, é bom perceber o efeito de um crescimento rápido de uma cidade, face ao planeamento possivel nos aspectos do ordenamento, do ambiente, da vivência dos municipes, entre outros aspectos.
    As cidades inteligentes, de futuro ou também as chamadas cidades criativas, devem dar origem a novas politicas autarquicas, particularmente em concelhos como o de Braga que já atingiram maturidade em termos de infraestruturas como saneamento, distribuição de agua, rede pré-escolar e escolar, etc... que podemos classificar como primeira geração de politicas autarquicas.

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  7. EM verdade vos digo, Atrás de mim virá quem bem de mim falará! - Obviamente que este ditado não poderá nunca acontecer nesta cidade. Duvido que as gerações vindouras digam bem da herança que vão receber. Quem dirige os destinos desta milenárica cidade, teve a oportunidade áurea de criar uma cidade modelo. Uma cidade que pudesse servir de exemplo e que servisse quem lá mora, no entanto, tudo se perdeu ao submeter os interesses do todo aos interesses de alguns. Nada foi planeado, tudo foi improvisado depois de alguns "iluminados" terem definido, sem rei nem roque, a cidade que agora conhecemos. O urbanismo e o planeamento desta cidade terminaram nos idos de 50, desde lá, muitos atropelos se fizeram, a zona histórica foi bastante descaracterizada, o potencial arqueológico (e turistico) desperdiçado, a qualidade de vida dos cidadãos comprometida com o crescimento desorganizado que não previu zonas de lazer e serviços que beneficiassem os muitos. Apenas alguns sairam a ganhar, com os bolsos engordados pelos lucros e pela corrupção.

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  8. Se por aí dizem que o Sócrates está condenado a ser reeleito nas próximas legislativas, desde logo por ausência de alternativa, também em Braga o muito que foi mal feito, ou mal planeado, é em grande parte culpa de o Mesquita não ter oposição em 33 anos de poder...
    Uma boa oposição faz um bom poder.
    Até hoje, ou amanhã, ou depois, ainda não vi alguém que se destacasse para lhe fazer frente e o obrigar a actuar doutra forma.
    Tão culpados são uns como outros: uns por não fazerem tudo depressa e bem, outros por falta de comparência.´
    Venha o diabo e escolha. Como costuma dizer-se, estrume por estrume, o do costume.

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  9. Amigos permitam-me vos acoselhe a leitura do Correio do Minho de hoje 30/04/08 sobre um prédio de 6 andares numa Freguesia "quase rural" a escassos 8 Kmºs de Braga---Tadim.Ao que chegam os autarcas e o poder local em especial, que permitem descaracterizar uma aldeia, abrindo precedentes deste tipo-.Que raio de planeamento é esse de construir numa aldeia com menos de 1000 habitantes prédios altos?Que interesses estão ocultos? Porque acontece isto numa Camara e junta PS? Um dia destes vou in loco, ver para crer.Assim vai a política, porque acredito está em causa muito mais que um erro, mas interesses económicos...compadrios ou ignorância sobre o que deve ser um verdadeiro planeamento Urbanístico.

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  10. Algumas críticas à forma como Braga tem crescido e que merecem uma reflexão profunda quando se quer desenhar a cidade onde queremos que os nossos filhos vivam e construam as suas famílias.Gosto de viver em Braga, moro em Braga por opção e é uma cidade que oferece quase tudo o que oferecem as grandes metrópoles num ambiente acolhedor dos pequenos centros urbanos. Para reflectir e procurar fazer melhor.

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