Avenida MarginalContradições da manifestação: a história de uma crise - sem revisionismos

| Partilhar
1. Foi durante muito tempo consensual que o sistema educativo vigente em Portugal tinha graves lacunas. A falta de avaliação sempre foi um dos maiores problemas porque potenciava o desleixo e incentivava a indigência. O diagnóstico, aliás, não variava muito; ministros da Educação, sindicalistas e professores convergiam na necessidade de mudança.

2. Houve esforçadas tentativas de reforma por parte de vários Governos. As reformas esbarraram sempre na intransigência de sindicalistas, professores acomodados e paladinos dos “direitos adquiridos”. Apesar da urgência de reformas, o nosso sindicalismo caracterizou-se sempre pela absoluta incapacidade de propor (ou sequer aceitar) a mais pequena mudança.

3. A reforma da actual ministra da Educação reuniu as críticas de vários sectores, segundo os quais os professores não teriam sido ouvidos no processo. É natural que assim seja. Os rostos mais visíveis da representação pública dos professores fecharam sempre as portas ao diálogo. Qualquer reforma teria sempre de ser feita sem ouvir a classe porque, sempre que foi ouvida, a classe esteve contra a mudança. Foi claro desde muito cedo que quem quisesse mudar não poderia ouvir e que quem quisesse ouvir acabaria sempre por ouvir a mesma coisa. E, no fim, não se mudava nada.

4. As mudanças impostas pela actual ministra da Educação não parecem ser as mudanças de que o sistema educativo precisava. Os sindicatos afirmam que boas alterações só se fazem depois de ouvidos os professores, mas é por demais óbvio que os professores nunca estiveram interessados em ser ouvidos, a não ser para manter o status quo. É, aliás, curioso reparar que, apesar de já termos visto todos os sindicatos a criticarem o sistema de avaliação, ainda não ouvimos nenhum a propor um sistema de avaliação diferente. Os sindicatos criaram o seu próprio problema. A corda deixou de esticar.

5. A manifestação do sábado passado juntou dezenas de milhares de professores em Lisboa. Os professores estavam unidos. Contestaram a ministra num momento em que podiam ter dado um passo em frente: passar da contestação para a proposta. Uma boa proposta de avaliação seria irrecusável no contexto em que era formulada: com a ministra presa por arames, com Portugal a assistir e com o apoio em peso da classe. Não foram tão longe; ficaram-se pelo barulho.

6. Esta incapacidade de propor alterações - mesmo nas situações em que seriam mais facilmente aceites - revela, mais uma vez, que as propostas dos sindicatos definem-se mais pelo que não querem do que por aquilo que querem. Reconhecendo, como reconhecem, a podridão do actual sistema, o mínimo que se exigia era uma proposta alternativa que contemplasse algum mecanismo de avaliação. Essa pecha revelou que, para os sindicatos, o problema não é esta avaliação. O problema é mesmo a avaliação.

7. É possível afirmar que esta aversão à avaliação não é transversal a toda a classe e que há bons professores dispostos a serem avaliados e que aceitariam de bom grado uma proposta mais razoável do que a da ministra. Mas esses professores não são o rosto visível da manifestação de sábado. A manifestação de sábado teve como protagonistas os mesmos protagonistas dos últimos 20 anos; os mesmos que, durante esse tempo, optaram sempre por ser forças de bloqueio. A manifestação de sábado mostrou que o diálogo continua impossível, porque os protagonistas, os métodos e os objectivos continuam os mesmos. A manifestação de sábado foi a confirmação do que já se sabia: as reformas, quaisquer que sejam, terão de ser feitas contra os professores; ou, pelo menos, contra estes representantes dos professores.

8. Na RTP 1 ouvimos uma senhora em lamentos sinceros por “levar porrada dos alunos”. Curiosamente, é contra a avaliação que está a protestar, e não contra a “porrada”, contra os “alunos”, ou contra a “porrada dos alunos”. Os sindicatos conseguiram capitalizar o descontentamento agregado dos professores e apresentá-lo ao país e ao Governo apenas como efeito da indignação gerada pelo sistema de avaliação proposto pela ministra. É uma vitória para os sindicatos, que revela outra coisa importante: os poderes instalados estão mais preocupados em defender os maus professores da avaliação do que em encontrar solução para os problemas reais dos bons professores. Nunca houve 100 mil manifestantes a exigir o combate à violência dos alunos contra os professores. Estes sindicatos não são só um entrave à avaliação. São um obstáculo a um bom sistema de ensino.

9. Comentários à minha entrada anterior mostram que a questão se polarizou de tal forma que o diálogo se tornou, de facto, impossível. Apesar de ter escrevido que o sistema de avaliação proposto não me parecia o mais indicado, disse-se que apoio a ministra e até me conotaram com o PS. O debate de ideias tornou-se uma luta política em que todos têm de estar comprometidos. Quem não está com os professores tem de estar com a ministra. Desnecessário será dizer que isto inviabiliza que se encontre um meio-termo que satisfaça as duas partes. O diálogo morreu.

10. Acusaram-me ainda de não dar os professores o direito de se manifestarem. Erro crasso. Dou todo o direito e, em certas circunstâncias, até apoio. Acho que é o caminho a seguir. Aliás, sugiro que vão mais longe. Não se fiquem pelo protesto. Proponham. Já disseram o que não querem. Agora, o mais difícil: dizerem o que querem. Sim, na avaliação também. Para quem anda há tanto tempo a exigir diálogo, não ficava nada mal.

29 comentários:

  1. É típico do português querer que todos sejam explorados porque ele também o é. É o legado do salazarismo ainda bem fresco nessas cabeças aparentemente tão modernaças, misturado com um bocadinho de enrabamento mental capitalista, quotidiano, através dos "media" e da indústria de entretenimento. Pedro Romano que aqui falou contra os profs "de classe média" devia antes preocupar-se com os recibos verdes, contratos precários, salários de merda, horários de escravidão, em vez de querer que todos sejam tão explorados como ele. E é por isso que quem trabalha no privado não faz greves e depois ladra quando os outros têm tomates e dignidade para as fazer. Esses é que são os verdadeiros carneiros e são tão carneiros, que nas próximas eleições estão lá batidos a dar os votos aos cavalos que os enrabam todos os dias e a acenar bandeiras em nome da "liberdade". "Liberdade" de terem que se matar uma vida a trabalhar para comprar casinha e carro e telemóvel 3G.

    A escola pública é que é preciso defender. Em vosso nome. Senão os nossos irmãos, filhos, terão que pagar e, azar, se não tiverem $, sujeitarem-se a ir para o que ficar do sistema de ensino público.

    Devia-se discutir como melhorar os resultados: diminuir turmas, dar condições nas salas, responsabilizar alunos, pais e também profs (claro!), inovar nos métodos de ensino, ser exigente. O problema aqui é que o ME não apresenta soluções nestes campos caralho. O que eles fazem é dizer: "a culpa disto tudo é dos profs portanto vamos apertar com eles!". Resultando em: avaliação dos profs, no novo estatuto do aluno (ainda mais permissivo), no novo modelo de gestão das escolas (mais autoritário), na brilhante ideia de meter alunos com problemas nas mesmas turmas dos restantes, etc. Mas o que eles não dão é: novos métodos para ensinar, novos programas, menos disciplinas, menos carga horária, mais condições materiais, e isto tudo era o que esses cabrões deviam andar a fazer lá no ME. O problema é que aquela merda está sob controlo do Min. Finanças portanto os bestas só estão a pensar é como poupar $ com os profs e ao mesmo tempo conseguir umas lindas estatísticas para apresentar lá para 2010 à União Europeia.

    ResponderEliminar
  2. aplaudo a intervenção do bento x, porque é mesmo verdade. obrigada por sintetizar tão bem toda esta situação.

    já agora, quem, há um ano e tal, começou a guerrinha parva foi a ministra. ou dizer "perdi os professores mas ganhei a população" não é cortar o diálogo pela raíz?

    ResponderEliminar
  3. "Perdi os professores mas ganhei a população."

    Esta frase resume tudo! Agora ela está a mudar de discurso e a dizer que todos os profs são excelentes profissionais! O Sr. Romano, pelo contrário, diz que são todos uns desleixados e indigentes!!! Eu digo que são uma amostra do país, temos de tudo, como na profissão do Sr. Romano!

    O Sr. Romano deve conhecer alguns maus professores e depois, extrapola para a classe!

    O problema NÃO É A AVALIAÇÃO!!!

    Leia a legislação que este ministério promolgou, informe-se e depois escreva!

    Informe-se também sobre a carreira política e profissional do Secretário de Estado Valter Lemos!

    O Senhor é muito repetitivo, nota-se que não leu nada sobre estas novas reformas e bate sempre na mesma tecla!

    Informe-se!

    ResponderEliminar
  4. Desculpem quebrar o consenso reinante, mas alguém chegou a ler o post? São só 10 pontinhos, não dá assim tanto trabalho.

    ResponderEliminar
  5. O ministro da Saúde caiu sem manifestações dos médicos. Estes sabem protestar de um modo mais civilizado!

    Sem barulho.

    ResponderEliminar
  6. Caro Pedro Romano

    Quem parece que não sabe ler é o senhor! Para além de insultar a classe docente, muitos deles ensinaram-lhe a ler e a escrever, também se acha mais iluminado do que os outros que passam por esta avenida!

    Diga lá a sua profissão que eu arranjo-lhe mil e um exemplos de mau profissionalismo!

    Já agora, não quer ser professor?

    ResponderEliminar
  7. Comentários como o de José Manuel não ajudam em nada.
    Concordo com boa parte do post, contudo é um pouco ofensivo e é normal que não seja bem interpretado por muita gente. Principalmente se for um professor a ler.
    Desvalorizar a manifestação e reduzi-la apenas a barulho é claramente errado meu caro Pedro Morgado. Concordo quando dizes que o dialogo é algo que os professores não querem, mas tenho que discordar no ponto da manifestação.
    O clima estabelecido por este governo é insuportavel e o 25 de abril parece um fantasma a pairar no ar.
    O sistema de avaliação é necessário, mas não da maneira que o governo quer.

    ResponderEliminar
  8. Os professores que temos são um retrato de um país acomodado que espera que tudo apareça caído do céu.

    Hoje em dia vai para professor quem não tem média para entrar em outra faculdade ou quem não tem outra alternativa. Raríssimos são os casos daqueles que optam pela carreira docente por se sentirem vocacionados para tal. Não entendo pois não são assim tão mal remunerados e têm uma carga horária de fazer inveja ao comum dos trabalhadores. Para já não se falar num período de férias como mais ninguém tem.

    Por que reclamam? Faltam condições? Sim é verdade. Existem problemas na colocação dos professores? Sim, é verdade. A avaliação não é feita correctamente? Sim, é verdade. No entanto, quem entrou numa carreira contrariado e sem sentir vocação vai sempe reclamar e sentir-se insatisfeito. Essa é que é a verdade.

    Ensinar requer talento para tal. A grande maioria dos nossos professores de hoje não têm talento, vocação nem motivação. Por muitos protestos que façam a situação não vai mudar. A mudança tem que começar neles mesmos.

    ResponderEliminar
  9. Como segundo exercício de provocação não está mal. Está até melhor que o anterior. O Pedro Romano está a treinar para provocador. Tudo bem. Até acho que fazem falta. O que não percebe é que a rua é o último recurso. Não é na rua que se avançam com propostas. Como pode dizer que uma classe não apresenta proposta? Desconhece o autismo do ME. Desconhece os insultos ao professores nos últimos 3 anos? Afinal quem não quer negociar? O que o Pedro Romano ainda não percebeu é que os provocadores são úteis. Ou já terá percebido?

    ResponderEliminar
  10. Em parte tem razão, aliás, o artigo do Prof. César das Neves no DN também fala dos males de que enferma esta classe.
    Também eu já falei sobre isto, num blogue amigo (e de professores), e também eu já disse que os professores estão à beira de perder a razão quando deviam/podiam ter posto toda a opinião pública do seu lado. Mas, enfim, os sindicatos também são política e essa tem razões que vão muito além da vida e do bem geral dos professores.
    Só uma pequena nota nota final: no parágrafo 9., retire o "escrevido"... é que o correcto é "escrito"...

    ResponderEliminar
  11. Isto é a censura ao contrário feita pelos verdadeiros "democratas". Um gajo apoia a ministra é logo acusado de ser assessor do governo, chamam-lhe nomes, etc...! Deve ser a isto q chamam asfixiamento democrático!
    Qto a comparações de um governo democrático eleito com maioria absoluta com o velho abutre são de uma ignorância total ou desonestidade intelectual nojenta tal ordem q nem merecem troco!
    Desde quando é q os profs têm de ser ouvidos acerca da avaliação? Alguma vez o patrão pergunta aos empregados se eles estão de acordo com a avaliação implementada? Isso é q era bom!

    ResponderEliminar
  12. O Pedro Romano tem naturalmente direito à sua opinião, mas não pode simplesmente distorcer os factos como lhe interessa. Alega que os professores nunca quiseram ser ouvidos senão para manter tudo na mesma. Seria assim uma reacção injusta. Será?

    O Pedro Romano tem as suas leituras preferidas. É fácil saber quais são. Basta seguir a agenda das suas publicações e ler o que aqui publicou. Nada de errada. Apenas faltará alguma originalidade.

    Mas leia essas opiniões, mas leia também outras coisas. Leia por exemplo o que disse alguém que fez parte da equipa técnica do Ministério da Educação (ME) encarregada de estudar as mudanças a introduzir na avaliação de desempenho dos professores: "(...) reparei que a intenção era criar um mecanismo que obrigasse dois terços dos professores a ficarem a meio da carreira, ainda por cima sem a garantia de que os que iriam ter acesso ao topo da carreira fossem os melhores.". Percebe agora porque foram tantos em Lisboa? Não foram "estes representantes dos professores", foram os professores representados que foram a Lisboa.

    Deixo-lhe duas leituras que recomendo. Pode comprovar qual é o objectivo da avaliação proposta. Tudo se resume a criar um mecanismo de controlo de despesa. E isso não é avaliação.

    Como é que o Pedro Romano reagiria como estudante se soubesse que estavam a criar um mecanismo para garantir que apenas x% terminassem os seus estudos? Tudo para garantir a permanência no ensino superior e respectivas proprinas, ou para que as taxas de desemprego não subissem?

    É que ninguém duvida da agenda desta avaliação.

    O Pedro Romano entende que se alguém "inviabiliza que se encontre um meio-termo que satisfaça as duas partes. O diálogo morreu." Na sua opinião quem matou o diálogo?


    http://ferrao.org/2008/02/ramiro-marques-avaliao-de-professores.html

    http://jn.sapo.pt/2008/03/04/nacional/alunos_ser_mais_penalizados_pela_ava.html

    ResponderEliminar
  13. Chega de filosofar sobrwe nada.Compete aos sros Professores apresentar propostas e ao Ministério estudar as propostas, tudo o mais é conversa fiada e politica suja.O País tem problemas sérios e não parece nem uma manifestação orquestrada nem uma Ministra impulsiva, tenham razões pa~ra clamar vitória...

    ResponderEliminar
  14. Não parece o srº Pedro tenha abordado a questão de forma errda, porém também se trata de uma opinião, que julgo bem argumentada.O bom senso é que tarda em chegar aos intervenientes...

    ResponderEliminar
  15. Tanto barulho por tão pouco. Já nos Anos 90 em Portugal havia avaliações de quadros e funcionários de diversas categorias e nunca se manifestaram desta forma.O Principio da audiência, o direito a ser ouvido e ver fundamentadas as opiniões, sempre foram um garante para quem era avaliado...

    ResponderEliminar
  16. OK avaliar é também apreciar competências e daí decorre que quem avalia demonstre motivos,argumentos, factos, competências etc,etc.Depois sucedem-se necessáriamente fases de audição,prova,fundamentação e recurso ou contestação.Não existe nada de anormal numa avaliação, quando ao avaliado são garantidos meios de contestar,provar e argumentar.

    ResponderEliminar
  17. Excelente post.

    É verdade que os professores nunca se juntaram, nestes quase 35 anos de liberdade, para procurar um ensino melhor. Uma manifestação deste tamanho cai em descrédito, face ao resto da população, muito por isto. Nunca lutaram pelo melhoramento do ensino/educação. Sempre lutaram, quase sempre pelos sindicatos, e agora em massa contra reformas que os afectam a eles próprios. É sensato questionar a credibilidade e a moralidade de tal manifestação. Se é verdade que sempre se queixaram que estava algo mal, nunca se mexeram. Por isso cai no ridículo um protesto desta dimensão "contra" um regime de avaliação (que, sublinhe-se, perfeito ou imperfeito: é sem qualquer dúvida melhor do que o status quo). Isto que escreve é em linha com o ponto 8.

    Há um anónimo que se escandaliza com isto: «"(...) reparei que a intenção era criar um mecanismo que obrigasse dois terços dos professores a ficarem a meio da carreira, ainda por cima sem a garantia de que os que iriam ter acesso ao topo da carreira fossem os melhores."»

    Mas não percebe, como todo o resto da população, que é impossível existirem 100% de excelentes? Não percebe o que significa o mérito? Não percebe que é impossível chegarem todos ao topo da carreira? Claro que é com isso que se pretende mexer. Claro que é com isso que se pretende acabar, de uma vez por todas. Os que merecerem lá chegar, lá chegarão. Está mais do que na hora de afastar os piores: e olhe que há aí muitos professores em lista de espera, muitos recém licenciados, que, não tendo muita experiência, terão uma melhor formação do que muitos que foram para o Ensino por não ser possível outro emprego (ou pelas garantias e segurança que um emprego no Estado sempre deu - acabe-se com isso de uma vez por todas!).

    Outro anónimo escreve:

    «O que não percebe é que a rua é o último recurso. Não é na rua que se avançam com propostas. Como pode dizer que uma classe não apresenta proposta?»

    Diga-me duas coisas:

    1. Indique-me um link onde a FENPROF propõe um modelo de avaliação alternativo.
    2. Explique-me para que serviu a manifestação, já que a FENPROF se recusa, unilateralmente, a encetar qualquer diálogo pós-'manif'. É por estas e por outras que muitos professores foram verdadeiramente aldrabados. Muitos (é ver as reportagens) diziam apenas que eram contra a avaliação. Contra o quê na avaliação? Contra a avaliação... É a desinformação total, a carneirização total. Mas disto já fala, muito bem, o pedro romano no ponto 7. Deviam ter exigido, já há muito, a demissão dos elementos que constituem a FENPROF. Mas como em qualquer corporação, o status quo é muito bonito, especialmente quando trás verdadeiros luxos, como a garantia de, eventualmente, chegar ao topo da carreira. A garantia de chegar aos 65 anos (até esta legislatura até tinham o privilégio de se reformar bem mais cedo, dependendo do seu trajecto) e ter 2200-2500€ de reforma, independentemente do mérito de toda uma carreira. E repare que nem digo que seja muito ou pouco. Todos recebem, mais ou menos, isso. Nem me importo que os melhores recebam mais. Desde que os piores recebam menos.

    ResponderEliminar
  18. Anónimo:
    «Como é que o Pedro Romano reagiria como estudante se soubesse que estavam a criar um mecanismo para garantir que apenas x% terminassem os seus estudos?»

    Haja bom senso. Estamos a partir dum sistema em que se avança até ao fim pelo mero decurso do tempo.

    Não tente comparar isto com os alunos. Os alunos chegam à universidade por mérito! Dentro da universidade, então, vale sobretudo o mérito. E por mérito entenda-se que existem maus, medíocres, bons, muito bons e excelentes. Isso é existir mérito. Claro que uma pauta - um teste escrito - está cotado de 0 a 20 e isso implica uma certa objectividade. Para isso existem as orais. Para isso existem as dissertações. Para separar o joio do trigo.

    Avançando os docentes na carreira pelo mero decurso do tempo, qualquer sistema de avaliação é melhor do que isso. É uma inevitabilidade. Mesmo que seja um sistema imperfeito, é impossível ser pior!

    Não fosse a analogia entre alunos e professores extremamente infeliz, a tentativa de comparar o término dos estudos com o topo da carreira é absurdo. Qualquer aluno, desde que estude, é capaz de terminar os estudos. Com que nota? Isso depende do mérito. Existem alunos de 10, 12, 14, 16, 18, etc. Também existem professores maus, medíocres, bons, muito bons e excelentes. Deixam de poder terminar a carreira? Sinceramente, espero que não deixem terminar - ser professor até ao fim da vida -, dado que existe muita procura de emprego e pouca oferta - daí que seja legítimo desejar que apenas os melhores estejam dentro da classe. Mas olhe que o mesmo se passa com os alunos universitários. Se chumbarem X anos (é uma regra relativamente recente), salvo erro 2x o número necessário de anos necessário para terminar o curso - ou seja, aplica-se aos muito maus -, ficam afastados do ensino superior. Não podem terminar os estudos.

    ResponderEliminar
  19. Era bom alguém moderar os comentários.

    ResponderEliminar
  20. as últimas notícias dizem que a burra já começou a urinar,para trás, como é normal

    ResponderEliminar
  21. «Só uma pequena nota nota final: no parágrafo 9., retire o "escrevido"... é que o correcto é "escrito"...»

    Olhe que não, Ângela. Uma coisa fica escrita depois de ter sido escrevida. :)

    É como o morto e o matado. Se eu tivesse matado o meu irmão, ele agora estaria morto (soa mal mas é assim).

    ResponderEliminar
  22. pedro romano

    http://www.priberam.com/duvidas/duvidas_detalhe.aspx?Id=1049

    ResponderEliminar
  23. Anónimo,

    No meu prontuário, a forma escrevido é indicada como correcta. E o prontuário não é assim tão velho quanto isso.

    Mas estive a passar os olhos pela explicação do Priberam e de facto realça-se o termo em causa. Diz-se que o escrevido é "desaconselhado". Leva-me a pensar que não será, em rigor, incorrecto.

    Mas obrigado pela dica. Vou procurar mais informação e, se estiver errado, comprometo-me a corrigir a gralha e a dar a mão à palmatória. Escrever num blogue é tramado: somos avaliados até por aqueles que não conhecemos :)

    ResponderEliminar
  24. Fazemos as leituras que queremos e contra isso nada. O facto de ter aqui deixado claro a opinião sobre este sistema de avaliação de uma pessoa que esteve no grupo de estudos do ministério, uma pessoa que era amigo pessoal do secretário de estado e que saiu quando se apercebeu das reais motivações deste sistema de avaliação não vale nada. Um outro leitor chega mesmo a transformar essas opiniões em anónimas. Não, as opimiões são de Ramiro Marques e podem ser lidas numa entrevista ao JN aqui ( http://jn.sapo.pt/2008/03/04/nacional/alunos_ser_mais_penalizados_pela_ava.html ).

    Quanto à progressão automática, a mesma entrevista explica bem quem acabou com o exame para a passagem do 7º para o 8º escalão. Foi um governo socialista em que este PM era ministro.

    É engraçado é que o autor deste post, que tanto gosta de comentar os comentários dos outros, continue a ignorar esta opinião.

    Um sistema de avaliação deve ter como objectivo aumentar a qualidade. Uma empresa não se importa de premiar todos os seus colaboradores porque isso é sinal de sucesso. Uma empresa não cria um sistema de avaliação com o objectivo de gestão de custos, cria é um sistema que aumente resultados. Este sistema faria com que uma empresa falisse por abaixamento de resultados. A analogia com os estudantes é perfeitamente legítima, porque pode ser que com um exemplo mais próximo ao autor do texto ele perceba a questão. E não tenham dúvidas que tudo o que se procura é estrangular a saída.

    Termino a esclarecer que não sou Professor, ainda que os tenha na família. E também não sou comunista, mas recordo um poema que começa assim: "Primeiro levaram os comunista; mas me importei com isso; eu não era comunista".

    ResponderEliminar
  25. «É engraçado é que o autor deste post, que tanto gosta de comentar os comentários dos outros, continue a ignorar esta opinião.»

    Não, não ignoro. O anónimo é que continua a ignorar o que eu escrevi. E insiste no erro de quem quem não está com os sindicatos tem de estar com o Governo.

    Isso é ridículo, como é evidente. Não se exige compromisso político para debater o problema. Eu dediquei um ponto a denunciar esta falsa dicotomia. Mas, pelos vistos, nem que escrevesse um post inteiro.

    ResponderEliminar
  26. O meu reparo surgiu apenas porque, para além de não soar bem, sempre aprendi o verbo não se conjugava desse modo e nunca o encontrei em gramáticas e dicionários.
    E o reparo foi só porque achei que o texto estava bem escrito e devia evitar-se aquele pequeno "erro"...
    Mas acho que fui mal entendida...

    ResponderEliminar
  27. É compreensível que quem não está por dentro não tenha conhecimento do que se passa. Posso dar uma mãozinha e oferecer uma ligação para o blogue de um professor onde se trata de construir um modelo alternativo de avaliação.
    F. Manuel Rodrigues, Professor na EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa, também propõe uma outra forma de avaliação, mas, devido à extensão do documento, é impossível (e desaconselhável, como "escrevido" :)), colá-la aqui.
    Mais propostas têm surgido mas não é de mais realçar que antes da avaliação apresentada por este governo, existia já uma aprovada por um governo de Cavaco Silva.
    Já agora, pergunto-lhe, Pedro Romano, embora nada o obrigue a responder, que interesse tem nesta questão da avaliação dos professores, para tanto tempo seu lhe dedicar?

    ResponderEliminar
  28. «Posso dar uma mãozinha e oferecer uma ligação para o blogue de um professor onde se trata de construir um modelo alternativo de avaliação.»

    Muito curiosamente, não vi nenhum sindicalista a pegar no post em questão na manifestação da semana passada. Parece-me que o Pedro Leite e o professor em causa não estão com os professores. Como é estar deste lado da barricada? :)

    Ah, e a proposta de avaliação começa com uma extremamente dialogante exigência de demissão da ministra.

    «Mais propostas têm surgido mas não é de mais realçar que antes da avaliação apresentada por este governo, existia já uma aprovada por um governo de Cavaco Silva»

    Era para rir?

    «Já agora, pergunto-lhe, Pedro Romano, embora nada o obrigue a responder, que interesse tem nesta questão da avaliação dos professores, para tanto tempo seu lhe dedicar?»

    Caro Pedro, tenho um espaço semanal neste blogue e há que o ocupar de alguma forma. Mesmo, assim, só abordei este tema em dois dos seis ou sete posts que já escrevi. Não me parece um exagero.

    Por outro lado, as únicas vezes que vi o Pedro Leite comentar neste blogue foram para tratar deste assunto. Parece-me que, em termos percentuais, o Pedro está muito mais comprometido com este tema do que eu. :)

    ResponderEliminar
  29. "... tenho um espaço semanal neste blogue e há que o ocupar de alguma forma" (Pedro Romano). Eu não conseguiria dizer melhor.

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores