(In)Coerências

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João Cardoso Rosas, a propósito das vagas em Medicina, revolta-se afirmando que «em nome da defesa pura e simples de interesses corporativos impede-se uma grande quantidade de jovens de escolher a via de acesso à profissão para a qual se sentem vocacionados.» Estranho argumento num momento em que se anuncia o aumento das vagas em Medicina Geral e Familiar (à custa da diminuição de outras especialidades), impedindo uma grande quantidade de médicos de escolher a via de acesso à especialidade para a qual se sentem vocacionados...

8 comentários:

  1. Há já algum tempo que falo dessas incoerências e proponho algumas alternativas. Contudo cada vez mais penso que os políticos são piores do que burros com palas. Pode ser visto, actualmente, em várias salas de cinema por este país fora, um filme que retrata isso mesmo: "Peões em Jogo" (Lions for lambs). Em política os erros do passado são para repetir no presente e no futuro...

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  2. Pedro,

    Ou foste muito rápido ou então não consigo alcançar a coerência do teu argumento!

    O que é que uma coisa tem a ver com a outra?

    O título define-te ou apenas é aplicável ao JCR?

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  3. É muito mais grave o estrangulamento vocacional efectuado do secundário para a universidade... do que da universidade para a Ordem.

    Aliás, alterar o ratio das vagas das especialidades não tem implicação alguma sobre o que Professor João Rosas afirmou.

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  4. Curioso é que não existe nenhum impedimento em relação à repetição de exames e concurso a vagas, na transição do secundário para o universitário.
    Mas mesmo no acesso à Universidade, sou a favor de um acesso não dependente apenas de notas (sejam elas de médias, exames, ou mais qualquer coisa que inventem). Com cunhas ou sem cunhas defendo a valorização curricular e a entrevista. Uma vez mais pergunto: Como são seleccionados os empregados de empresas como a SONAE? Será por média de curso? Será por um único exame? Ora bem se está bem para o sector privado porque não está para o público?

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  5. Pois... É que como o osso já mencionou, cada vez mais quem não consegue a especialidade que deseja à 1ª tentativa fica condicionado a essa mesma escolha. Há dois concursos separados: um para aqueles que ainda não escolheram e outro para quem repete o exame da especialidade. O segundo tem muito menos vagas e variedade do que o primeiro. Se me correr mal o exame, se mudar de ideias depois de um contacto mais profundo com a especialidade que escolhi (que até poderia ser a minha 1ª escolha), fico limitada para o resto da minha vida nessa situação.

    No ensino secundário, todos os alunos concorrem minimamente (digo minimamente devido à coexistência actual de alunos de diferentes reformas) em pé de igualdade para as mesmas vagas, independentemente de já terem repetido os exames nacionais meia-dúzia de vezes ou de serem até licenciados.

    Para além disto, o afunilamento do secundário para a faculdade parece-me muito menos grave, porque houve um investimento muitíssimo menor de ambas as partes (pessoal e Estado) e o número de vagas actual não se coaduna, a meu ver, com a imagem de "coitadinhos" que se quer passar (1400 vagas quando há poucos anos atrás entravam pouco mais de 500). Mesmo que o método de selecção (com o qual eu não concordo inteiramente, porque creio que se deveria avaliar outras qualidades - não estou a falar de vocação porque isso é impossível de ser avaliado - como capacidade de trabalho, interesses diversificados, pessoas que tragsam algo mais para a profissão médica, etc) se mantenha, o ensino secundário português é cada vez mais uma anedota de facilidades, daí que as médias continuem tão elevadas apesar do aumento estrondoso do numerus clausus e também vem daqui a minha opinião relativamente ao estrangulamento: o ensino secundário e o ensino superior são cada vez mais dois universos completamente díspares, e considerar mais grave um estrangulamento no final de um 12º ano irrisoriamente acessível é quase um insulto para quem acaba um curso no ensino superior, seja lá ele qual for.

    E a afirmação do Prof. José Rosas tem implicações sobre o ratio das vagas: não cabe na cabeça de ninguém dizer que um médico anatomo-patologista, imagiologista, cirurgião geral ou neurocirurgião está igualmente vocacionado para medicina geral e familiar (até pode estar da mesma forma como eu também estou vocacionada para história, mas são coisas completamente diferentes que implicam qualidades diferentes, sem qualquer tipo de garantia que um bom neurocirurgião seja também um bom médico de família).

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  6. Parece que Medicina provoca algum mal estar em alguns licenciados.Porque será? Não entendo a preocupação com um Curso que suponho bem de saúde, quando deviam preocupar-se em preparar alunos para a vida activa e desafiar o Governo a criar postos de trabalho para os milhares de jovens licenciados.Vamos atacar as causas do desemprego e admitir que o problema da Medicina está na distribuição dos seus agentes pelas zonas do interior...

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  7. O que me parece estar aqui em questão é o facto de grande parte dos médicos portugueses não se dedicar à especialidade pela qual se sente mais atraído mas sim para uma que pode, até, nem ter tanta vocação.

    Assim não me parece adequado a discussão sobre o haver ou não emprego para os médicos ("coitadinhos" que eles são...dizem alguns).

    Sou aluno do 6ºano de Medicina e não me preocupo, efectivamente e por agora, com o desemprego (assumo que não vivemos esse problema de forma tão acentuada).

    O que me preocupa agora, é a dificuldade que encontro para frequentar a especialidade que desejo, porque quero entrar para Cardiologia ou Cirurgia Geral.

    Muitos dirão que, se não entrar, problema meu!!!
    Eu diria que, se não entrar, problema dos doentes, porque à semelhança do que ocorre (infelizmente) com muitos médicos, não estarei a dedicar-me ao que realmente me atrai e pelo que me sinto capaz de lutar até ao fim, descobrir novas terapias, novos medicamentos, investigar, etc.

    Estarei a dedicar-me ao que o Sr. Ministro bem entender (na sua ideia de "especialidades necessárias").

    O facto é que, e digam o que disserem, um médico não é um Jornalista, um Arquitecto ou um Engenheiro Civil (tenho muito respeito por estas e demais profissões e não é meu desejo atacar esses profissionais).
    Apenas o digo porque um Jornalista que goste de fazer notícias de desporto, não tem, à partida, problemas para noticiar temas como a Politica ou a Sáude.
    Mais importante ainda é a possibilidade de se nesse jornal não o deixam dedicar-se aos temas que prefere, tentar um outro jornal, ou até a rádio ou a televisão para ser um jornalista de desporto. Basta tentar mudar e ter um pouco de sorte.

    O mesmo se passa com o Arquitecto ou o Eng. Civil que pode mais ou menos escolher as obras nas que participa ou então mudar de empresa.

    Essa é a grande diferença para um Médico (para além de que com a saúde não se deve brincar...) é a de que mesmo que queira mudar de "jornal" ou de "empresa de construções" não o podemos fazer.
    Resta-nos aguentar com a especialidade para a que nos atiraram, o resto da vida.

    Será pior ou não que não entrar em Medicina depois do Secundário?
    Será justo?
    Será bom para a Medicina em Portugal?
    Será bom para a assistência sanitária prestada à população portuguesa?
    Será bom para a saúde dos portugueses?

    Como sempre, esta é a minha humilde opinião.
    Espero os vossos comentários sobre o tema (comentário do Pedro Morgado incluído:)

    Bom 2008 e que o novo ano nos traga saúde (a nós) e aos políticos lhes traga ordem para a escala de valores a partir da qual governam este país.

    Deixo-vos uma frase da minha autoria:

    “Primeiro (sobre)viver, segundo viver com saúde e depois o resto...”

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  8. Um Curso... e depois? A vida não acaba aí. Condenados a lutar com ou sem vontade, estamos apenas iludidos sempre prontos a aproveitar o que surja como mais valia.Hoje o Curso, amanhã talvez um Jaguar e aos poucos vamos esquecendo os outros, aqueles a quem atropelamos, os que na vida por vezes gostariam de ter pão.Um Curso sendo útil e necessário, representando um sonho e uma realização, será suficiente para se tornar no centro dos debates ou mesmo facto capaz de fazer esquecer todas as restantes realidades?...

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