Avenida Central

O Norte Sem Norte | 2

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«Parece que continuamos a olhar para asa obras não do ponto de vista do interesse nacional, mas com as decisões assentes em outros critérios. Para as migalhas, não vai haver dinheiro. Mas para a terceira travessia do Tejo e para o novo aeroporto, o dinheiro não vai faltar certamente» [Rui Moreira, Público]

Reagindo ao anúncio do atraso de dois anos na construção da Linha de Alta Velocidade entre Porto e Vigo, Rui Moreira coloca o dedo na ferida aberta pelas sucessivas discriminações que o Norte tem sofrido em termos de investimento público. A situação começa a ser insustentável, mas é preciso dizer-se que a responsabilidade é, quase em exclusivo, dos quatro milhões de nortenhos e dos seus políticos tão mediáticos como Valentim Loureiro, Fernando Gomes, Armando Vara, Fátima Felgueiras ou Mesquita Machado.

Louva-a-Deus | 3

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tuela
© Dario Silva, 01-11-2009

O comboio já não é para todos, o comboio já não pertence a Trás-os-Montes. E como a Linha do Tua nunca alcançou as margens do Tuela, o diabo escolheu hoje outro modo de transporte.

Onde os Ciclos não são Curtos

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Se os ciclos de notícias têm sido curtos em Portugal (Moura Guedes e Madeira, por exemplo), que se pode esperar dos media de um outro país? O erro da Ferreira Leite promete não desvanecer até ao final.

TGV: Histórias de Verdades Convenientes

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Confesso não entender a posição da Manuela Ferreira Leite em relação ao TGV. O problema não é a justificação dada: «O país tem um nível de endividamento tal que não pode neste momento construir» [IOL]. É uma justificação perfeitamente legítima e, realmente, um receio dos eleitores. O problema é que, não obstante o circunstancialismo da crise económica, a preocupação com o excessivo endividamento do país já é uma realidade há décadas. É-o hoje, como o era há 6 anos atrás. No que toca ao problema do endividamento, nada mudou. Ao circunstancialismo da crise, acresce o de o PSD ter passado para a oposição e as eleições se aproximarem.

É claro que não há problema algum em fazer evoluir as suas opiniões, mas, como é igualmente claro, desde que as razões para essa súbita mudança sejam devidamente explicadas. E o problema é que essa mudança não foi explicada e só por alguma espécie de delírio é que se poderá pensar que Portugal não estava endividado no início da década. Facto que torna ainda mais necessárias estas explicações, pois já na altura era uma posição perfeitamente defensável. Até porque hoje se dá um outro circunstancialismo: o de o PSD não ser governo como o era nessa época.

Acontece que face às posições adoptadas pela Ferreira Leite no passado recente como responsável pela pasta das Finanças, de cuja anuência semelhante decisão política estará sempre dependente, face às decisões publicadas em Diário da República e ao acordado a nível internacional, é absolutamente necessário explicar esta volta de 180º. A força das declarações de passadas tornam manifestamente insuficientes as parcas explicações hoje dadas.

Pois não só ela e o governo acreditavam na viabilidade da construção de 4 linhas de TGV, como consideravam que: «A rede ferroviária de alta velocidade assume-se como um projecto de investimento estruturante que permite o desenvolvimento de competências empresariais próprias, assegurando a participação de empresas e indústrias locais nas diversas fases do projecto incluindo execução e operação, contribuindo para o crescimento do produto interno bruto e induzindo a criação de emprego sustentado, factor decisivo da coesão social do País.» [Resolução do Conselho de Ministros n.o 83/2004]; entre outras considerações como: «[o TGV] irá representar um aumento em 2,8 por cento do PIB, criar cerca 91.500 postos de trabalho, beneficiar 81 por cento da população» [Público]

Por tudo isto e ainda que o argumento "endividamento" seja em si mesmo válido, a posição da Manuela Ferreira Leite é, salvo melhores explicações da própria, insustentável.

Inquirida sobre o assunto, decidiu fugir para a frente e atacar Espanha - e não só - ao mesmo tempo que dava um tiro no pé, pois o problema do endividamento não é novidade, ao confessar ter participado numa decisão que, na sua tese, visa o melhor interesse de Espanha, que conhecerá bem, e um interesse que terá prosseguido no passado. Abrindo assim um incidente internacional ainda como candidata e deixando dúvida: se se propõe a rasgar acordos internacionais em que ela participou e com os quais concordou, como governante, o que poderá acontecer a outros acordos internacionais? Quando seria de esperar que ela desalinhasse do PNR e recuasse um pouco na questão de Espanha, apenas reforçou essa ideia nos dias seguintes. Existe uma diferença enorme entre fazê-lo assim, unilateralmente, ou sentado à mesa com a outra parte. A demonstração deste radicalismo e inépcia diplomática é um mau agoiro. A Ferreira Leite conseguiu pegar no TGV e criar um problema para ela própria.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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