Da Liberdade Religiosa

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Flare and minaret
© Akmal al-Taqi (Cynic)

Mais de cinquenta e sete por cento dos suíços expressaram em referendo a concordância com a proibição da construção de minaretes nas mesquitas daquele país. Contra todas as expectativas, a proposta da direita e da extrema-direita foi aprovada, configurando uma exemplar «vitória do medo» e um «duro golpe para a liberdade religiosa».

As relações entre o Estado e as religiões têm sido um tema extremamente sensível e polémico na Europa. Por um lado, as Igrejas Cristãs não têm reagido da melhor forma à progressiva separação entre Estado e religião, pretendendo continuar a utilizar os meios do Estado para a expressão das suas crenças e defendendo o dispêndio de fundos públicos em iniciativas de cariz religioso. Se é verdade que foram cometidos alguns excessos anti-religiosos em determinados períodos da história, é um facto que a multiplicidade de crenças e não crenças que compõe a sociedade dos nossos dias já não se compadece com a usurpação dos bens e espaços do Estado para benefício das crenças de alguns.

Por outro lado, a Europa tem dado alguns sinais de intolerância perante crenças emergentes no seio da nossa sociedade e, curiosamente, são precisamente os sectores mais conservadores e altamente reaccionários à laicidade do Estado que têm alimentado o discurso do medo e da discriminação. Tal como sublinham os bispos suíços, o referendo do passado Domingo é um «duro golpe na liberdade religiosa», uma ameaça para a estabilidade do país e um péssimo acto de diplomacia, a confirmar todas as perversões dos referendos e a dar razão ao argumento de que não se devem referendar os direitos civis das minorias.

A liberdade religiosa, tal como a laicidade do Estado, é um pilar fundamental da sociedade democrática em que acreditamos, não podendo hipotecar-se às mãos de qualquer medo ou devaneio extremista. A Suíça é uma lição para todos nós.

12 comentários:

  1. Ora nem mais. Muito bem dito.

    Bjs*
    Olga

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  2. 1. Os resultados na suiça são um escrutínio directo, logo, democrático.

    2. A democracia é a ditadura da maioria.

    3. Uma recusa a referendos pressupõe então uma atitude de medo da resposta popular, logo ir-se-ia contra a vontade do povo, logo seria anti-democrático.

    4. A mesma recusa poderia impor o que se chamaria a ditadura das minorias.

    5. A democracia é a pior inimiga da própria.

    6. Continuo sem ver nada melhor que democracia.

    conclusão:

    a democracia é uma merda, ainda assim, é o que temos, e antes isto que outra coisa. ou entáo inventa-se um teste de cidadania, e logo se vê quem pode votar...


    em relação aos minaretes, tenho pena que os suiços se estejam a tornar cada vez mais xenófobos. ainda não percebo porque raio se questionou sequer se podiam ou não colocar os minaretes. acho que nenhum suiço pede permissão a ninguém se quiser colocar um crucifixo no topo do telhado.

    já agora proíbam a publicidade, e os logos e marcas expostos em todo lado. afinal de contas, o consumismo é uma religião que pode ofender quem está em desacordo com o capitalismo.

    abraços e beijos,

    ps: sou agnóstico, democrata e em vias de decidir se sou um mac ou um pc.

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  3. Ivan,

    1. A democracia pode ser directa ou representativa. Uma não é menos democrática que a outra.

    2. A democracia não é a ditadura da maioria. Há valores na própria democracia que não são referendáveis. Se assim fosse, a própria democracia poderia ser referendada e perder.

    3. Não há medo nenhum do juízo popular quando recuso referendos. Entendo é que a democracia representativa é a melhor forma de governar um país.

    Quanto ao resto, estamos de acordo!

    Abraço,
    PM

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  4. Pedro, só estava a gozar com a situação, porque de certa forma, há sempre por onde pegar, é esse o defeito da democracia.

    pessoalmente detesto referendos. não gosto de ter um modelo representativo para umas coisas e directo quando não ser quer assumir responsabilidades, que no fundo, é quando se decide referendar. a história das ditaduras das maiorias e minorias é só para reforçar que há sempre alguém ofendido nas suas liberdades mesmo num acto democrático. nem que não seja porque não se pode fazer a vontade a todos.


    já devias saber que 2 terços do que está nos meus comentários são só para atiçar a fogueira, normalmente não estou de acordo com o que ponho no comentário... concluir no mesmo raciocínio que a democracia é a ditadura da maioria, para logo a seguir dizer o contrário era só para me armar em sofista.

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  5. Obrigado Pedro, pelas tuas sempre excelentes contribuições :)

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  6. Relativamente a este assunto, considero que esta foi uma decisão corajosa dos Suiços, contra todas as opiniões dominantes, venceu a mais lógica. E venceu apesar de muitos suíços que queriam votar sim à proibição terem votado não. Muitos suiços, como o resto do mundo ocidental, estão reféns do politicamente correcto e do que o islão em geral e alguns muçulmanos fanáticos em particular, possam fazer. Por isso muitos que votaram não fizeram-no porque temiam represálias económicas, políticas ou terroristas por parte do islão.
    E notemos que apesar de politicamente incorrecto, mas lógico, este voto contra os minaretes, não foi um voto contra a liberdade religiosa, porque ninguém proibiu a construção de mesquitas, nem muito menos a liberdade de cada um ter a sua religião, agora ter que levar com um minarete folclórico e parolo, discordante de tudo o que está à volta com um almoadem ou muezim do alto da sua almádena a chamar os crentes à oração, isso já é outra história.
    Coloco aqui a ligação a um post do blog fiel-inimigo (http://fiel-inimigo.blogspot.com/2009/11/reciprocidade-religiosa.html) que acho deveras pertinente e sagaz.

    Quando os países islâmicos forem tolerantes, e deixarem de perseguir os cristão, ateus, agnósticos, budistas e animistas, hindus e sihks, bahais e zaroastianos, iazidis e, permitirem a livre construção de templos de outras religiões e a proselitismo das mesmas, só então o ocidente deveria abrir totalmente as suas portas ao islamismo (mas nunca ao islão - islão é submissão).

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  7. Acho muito bem essa proibição. A Suiça e terra dos Suiços e quem deve decidir são os Suiços o seu destino no seu própio território.Era o que mais faltava os árabes tomar conta da Europa ocidental. Bem a minha mãe me dizia " se deres uma mão, querem logo tudo o resto.

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  8. Democracia tem que ver com liberdade. Liberdade de escolha. Mesmo que essa escolha seja errada. Estabelecer que determinados assuntos não são à partida referendáveis porque o cidadão comum não tem discernimento para tal é a meu ver um caminho perigoso. É o mesmo principio de dizer que os mesmos não têm discernimento para escolher convenientemente os seus lideres e por isso se devem sujeitar à vontade de outros cidadãos mais "conscientes".

    Não quero com isto dizer que concorde com a decisão dos suíços, mas parece-me mais importante tentar perceber porque é que decidiram assim, ao invés de discutir se lhes deveria ter sido dado o direito de decisão

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  9. Isto é com cada atrocidade que se lê aqui, maiores do que a ignorância e xenofobia de 57% dos suíços e de quem propôs esse referendo.

    Com que então, os senhores acreditam piamente que a remoção e proibição de minaretes vai impedir a propagação desse demónio que são os muçulmanos nesta Europa que pertence aos cristãos causasianos [/modo irónico desligado]. A isso chamo de falta de massa encefálica.

    Por outro lado, acreditar que isso é a causa para uma diáspora de muçulmanos pela Europa? Radicais e fanáticos?
    Meus amigos, se querem falar de fanáticos, comecem por vocês mesmos (as vossas visões são fanáticas) e pelo fanatismo e histeria da cultura religiosa judaico-cristã dos EUA, da Europa e da América do Sul, por exemplo.

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  10. «Depende daquilo que o povo votar. Se o povo votar aquilo que é politicamente correcto então o povo é sábio e o seu voto a melhor forma de aferir a justeza das propostas dos políticos, sobretudo se estes forem tidos como progressistas. Se o povo não vota aquilo que antecipadamente se decidiu que devia votar então o povo passa a dividir-se em rurais atrasados versus urbanos avançados. Claro que existem variações desta dicotomia. Admite-se que existam camponeses conscientes, particularmente na América Latina, e urbanos xenófobos, sobretudo na Europa rica. Esta catalogação intelectual dos eleitores além reconfortante teve o poder genesíaco de fazer brotar na Suíça uma população camponesa capaz de rivalizar com Portugal nos anos 50, pois terão sido esses camponeses atrasadíssimos que votaram contra a construção de mais minaretes. Curiosamente as mesmas vozes que, pegando no caso suíço, se insurgem agora contra o estatuto do referendo não perdoam ao Supremo Tribunal e aos militares hondurenhos terem declarado inconstitucional a realização de um referendo através do qual o então presidente Zelaya pretendia alterar a constituição do país de modo a prolongar o mandato presidencial.»

    muito bem escrito por helena matosno blasfemias

    «A democracia não é a ditadura da maioria. Há valores na própria democracia que não são referendáveis. Se assim fosse, a própria democracia poderia ser referendada e perder.»

    e quem determina quais são os valores não referendáveis? tu?

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  11. e mais, e se um povo referendar um regime e preferir outro que não a democracia; não está no seu direito?

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  12. Pois eu acho que não sabe do que fala. O que está acontecer é uma invasão de mulçumanos, de todos os pontos cardeais para o centro da Europa.. Até aqui tudo bem. Sou totalmnte favoravel as migrações e ao acolhimento da diferença. O que acontece é que estas vagas de imigrantes não têm o mínimo de consideração pela cultura que os acolhe. A Europa com a política da tolerancia está a viver a mercê da falta de tolerancia deles. As coisas pela Europa central estão a chegar ao limite do possível..pertinho de explodirem. O referendo na Suiça é só espelho disso. Não me venham con tretas que os suiços são xenofobos.. são um pais que sempre acolheu e tratou bem os seus emigrantes. Agora não se curva à intolerancia dos mulçumanos... Se eu gostava de ter visto rejeitada a proposta. Claro que sim.. mas tb gostava de ver as muheres sem véus na rua (a cumprir o elementar das regras de segurança), os homens na cadeia por lhes baterem, gostava que se pudesse continuar a desejar bom natal ( coisa que ja nao se pode fazer em inglaterra), que as crianças fossem obrigadas a ir a escola, .. gostava e não ter de usar lenço quando vou aos paises deles, gostava que as igrejas cristas nao fossem perseguidas por eles, gostava que os homossessuais nao fossem mortos, as mulheres nao fossem escravas, ... eu gostava e imagino todos gostavamos. Mas parece estar dificil. Depois quem paga sao os sirenetes

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