Livre de Crucifixos | 2

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“Esquecem-se que, se lhe retirarem o cristianismo, a Europa fica sem nada”, criticou o responsável, em resposta à sentença do tribunal. O veredicto sustenta que a existência de crucifixos nas escolas “contraria o direito dos pais de educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças e a liberdade religiosa aos alunos”

De acordo com Carlos Aguiar, para que haja coerência no veredicto, seria necessário “demolir ou retirar os símbolos do cristianismo, existentes em todas as cidades europeias
[ComUM e Correio do Minho]

Não sei bem exactamente que famílias é que esta "Associação Famílias de Braga" pretende representar, mas parece-me não compreender nada bem aquilo que foi decido pelo tribunal. Não se nega a herança cultural cristã da Europa. De forma alguma.

Nega-se a existência de uma pseudo-laicidade do Estado, em favor de uma verdadeira laicidade. A decisão não pactua com a existência de religiões de Estado, ainda que estas o sejam apenas de facto e que se manifestem de formas mais ou menos dissimuladas, mais ou menos oficiais. E decide-o em nome da liberdade religiosa.

A associação demonstra algumas dificuldades em compreender como é que a presença de símbolos, concretamente, nas salas de aulas vem “contraria[r] o direito dos pais de educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças e a liberdade religiosa aos alunos”. Porventura esta associação não conceberá uma "liberdade religiosa" e "educação dos filhos" sem referências religiosas cristãs/católicas em edifícios do Estado.

Não entenderá, igualmente, o que significa laicidade. A laicidade não significa ateísmo e a "demoli[ção] dos símbolos do cristianismo". A laicidade é a atitude mais aberta e tolerante que um Estado pode ter em relação à Religião, não se intrometendo, não tomando posição a favor de coisa alguma. Esta, ou existe, através de uma efectiva separação entre o Estado e a Religião, ou não existe de todo. Não há espaço para meio termo. Sendo que esta decisão só vêm ampliar essa liberdade religiosa e de educação. Enfim, beatices.

8 comentários:

  1. No Georden também nos pronunciamos sobre este "assunto".

    Obrigado pelo artigo, mais sério, mas com o mesmo espírito.

    Abraço.

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  2. Tudo isto me suscita dois comentários: primeiro onde fica a liberdade daqueles que exactamente querem que o crucifixo esteja? Isto no espírito do estado laico que não interfere no exercício livre de qualquer religião, o chamado estado laico; segundo, sabem-me dizer quantas salas de aulas têm afixados os ditos crucifixos que incomodam tanta gente? Já vais há uns anos, mas em todas as salas das escolas preparatórias e secundárias, então assim chamadas, não via um sequer para amostra.
    O que me leva a concluir: mais do que uma preocupação pela laicidade do estado isto manifesta é uma clara atitude xenófoba e provocatória.
    Já agora, porque não são devolvidos todos esses símbolos maléficos para o estado laico que se encontram às toneladas nos museus, «escolhas de educação»?, ou porque destruídos todos os edifícios religiosos como fizeram os talibãs com as imagens de Buda?

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  3. Sinceramente não sei quem, é pior quem proibe ou quem diz algumas desta frases... um simples crucifixo numa sala ou seja lá onde for vai influênciar a escolha da religião de uma criança?
    Só mesmo para rir!
    E se todas crianças quiserem lá o crucifixo, ele pode estar?
    Será que uma criança ou o professor pode levar um crucifixo ao peito? Não terá o mesmo ou mais impacto que um crucifixo na parece! O professor na sala de aula também deve ser laico, mais sendo funcionário público não deve influenciar os seus alunos...
    O caso dos museus (locais públicos é um excelente caso!)
    Com pouco esforço arranjo mais uma dúzia de teorias destas!
    Isto são problemas levantados por quem não tem mais que fazer e não tem que fazer com o dinheiro de todos nós, em Portugal (onde isto foi discutido quase até à estupidez) quer na UE.

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  4. Um estado laico devia ter 80%dos seus feriados baseados na religião cristã?
    Se é para acabar com tudo que tenha religião/estado é por aqui que temos que começar... e queria ver quantos é que concordavam com isso! mudava logo tudo de opinião(menos os patrões obviamente)
    Por mim era acabar com eles, isso sim resolvia alguns problemas do país e aumentava a produtividade!

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  5. Foram tempos de acreditar cegamente e dogmaticamente em religião e nos seus principios. Hoje à luz da ciência e sem qualquer hesitação devemos discutir aberta e sincera discussão e troca de idéias. A laicidade do Estado não se compadece com escolhas religiosas. Igreja Católica e os seus crentes que muito devemos respeitar não têm direito de ter numa escola pública qualquer símbolo da sua ideologia. Ao fazê-lo estão a propor que outras o façam. Inclusive os não crentes, que já ocupam um razoável espaço neste País. Para a Igreja chegaram os indesejáveis tempos de aceitar as dúvidas, enfrentá-las e não mais explicá-las com o inexplicável. A não fazê-lo e a continuar irredutíveis arriscam-se a ter cada vez mais só seguidores nos mais limitados. Infelizmente para ela é o que se está a presenciar cada vez mais. Liberdade consciente de escolha e não influenciada, especialmente quando se trata de crianças. Felizmente muito está a mudar nesta região de Braga com as novas gerações.

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  6. Miguel Braga,

    «Já agora, porque não são devolvidos todos esses símbolos maléficos para o estado laico que se encontram às toneladas nos museus, «escolhas de educação»?, ou porque destruídos todos os edifícios religiosos como fizeram os talibãs com as imagens de Buda?»

    Como disse acima: A laicidade não significa ateísmo e a "demoli[ção] dos símbolos do cristianismo"."

    «O que me leva a concluir: mais do que uma preocupação pela laicidade do estado isto manifesta é uma clara atitude xenófoba e provocatória.»

    Como também disse acima: "A laicidade é a atitude mais aberta e tolerante que um Estado pode ter em relação à Religião, não se intrometendo, não tomando posição a favor de coisa alguma.", antes, alheando-se e permitindo uma total liberdade confessional, sem nenhuma espécie de "sugestões", por mais subliminares ou tradicionais que sejam.

    Não há nenhuma espécie de xenofobismo ou provocação. Pelo contrário, há uma demonstração de tolerância e isenção em relação a todas as religiões, católico-cristãs incluídas.

    Paf,

    «Isto são problemas levantados por quem não tem mais que fazer e não tem que fazer com o dinheiro de todos nós, em Portugal (onde isto foi discutido quase até à estupidez) quer na UE.»

    Pertence ao tipo de problemas que as maiorias não sentem mas que logo sentiriam se fossem minoria. Tratam-se de direitos fundamentais, pelo que a sua pertinência é inquestionável.

    «Um estado laico devia ter 80%dos seus feriados baseados na religião cristã?»

    Também não concordo. É altamente discriminatório e contrário à liberdade religiosa. Uns têm direito a feriados oficiais para praticarem (ou não) certo ritual da sua religião, outros não.

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  7. De qualquer forma, nem os italianos andam a usar os argumentos que por Portugal andam a usar... Centram a questão na herança cultural e defendem o crucifixo como um símbolo também cultural, que transcende a religião, pois sabem que, de outra forma, não têm razão alguma.

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  8. Caro Jorge Sousa, Não sei qual o dicionário que usa, mas tolerância significa tudo menos o que pretende aqui demonstrar. Tolerar seria no mínimo permitir, não banir como quer fazer, seja banir em relação a uma minoria seja banir em relação a uma maioria. Mas curioso é que o verdadeiro sentido de tolerância somente seja usado por alguns defensores da laicidade do estado quando querem tornar-se defensores de alguma minoria, dizendo que as concepções de uma maioria nunca se podem impor a uma minoria, por isso é preciso respeita-la mostrando tolerância para com todos.
    E a justificação para a manutenção dos feriados para todos é de «morte»!! «Uns têm direitos e feriados para praticarem outros não». Aqui praticar já é um direito, direito que se entende que o estado deve defender, porque quem determina os feriados é o estado. Aqui já não há a preocupação de um pai ou uma mãe se sentir subjugado ao peso maléfico de uma religião que ao determinar um dia como feriado para praticar o seu culto está a incutir ideias. Ao menos nos mesmo dias deêm-lhe outro nome, por exemplo em vez da Assunção de Nossa Senhora, Assunção da República ao Poder. Afinal não seria nada de novo, os cristãos deram sentidos novos a festas romanas ou pagãs. Mas de uma vez por todas assumam-se e não se fiquem por meias tintas a coberto do estado laico e do mau uso da tolerância. Que como se vê é tolerar somente os que queremos, não todos. Porque nem todos merecem que o estado laico, tenha misericórdia deles.

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