Capítulo 39: as eleições autárquicas, parte três

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(continua daqui)

Por outro lado, se Ricardo Rio apostou em mostrar-se, Mesquita Machado apostou em esconder-se. Primeiro o tabu sobre a recandidatura, depois o tardio anúncio da recandidatura e, finalmente, a recusa em participar nos vários debates com os restantes candidatos. Não deixa de ser curiosa esta estratégia, tendo em conta as mensagens de campanha dos três outdoors que Mesquita Machado espalhou pelo concelho nos últimos meses.

A primeira, "Muito Mais", com os "émes" a vermelho sugeriam proximidade: "Palavras para quê? Já me conhecem e já sabem o que tenho para vós", pensaria Mesquita Machado naquele cartaz de olhos arregalados e fixos nos cidadãos bracarenses; A segunda, derivações das frases "Diz o que faz. Mostra o que faz.", apresentava um presidente de câmara com obra feita e que não foge aos compromissos que assume durante a campanha. Parece aqui apontar subtilmente o prolongamento do túnel como prova do trabalho; A terceira, "Sempre Presente", afirma-o como um bracarense que não foge aos compromissos nem aos problemas. Esteve sempre no cargo e assim quer ficar, como dizia estes dias em entrevista televisiva: "Braga é a minha esposa e continuo apaixonado" (cito de cor).

Depois das polémicas sobre a Braval e o enriquecimento aparentemente injustificável de familiares e colaboradores de Mesquita Machado, a imagem do presidente da câmara parecia irremediavelmente abalada, podendo ter sido essa a razão do tabu em relação à recandidatura e do constante adiar do anúncio da mesma. Fica a impressão de que a concelhia socialista bracarense não teve outra alternativa a não ser apoiar a recondução de Mesquita no cargo. De notar, ainda assim, a inclusão de Vítor Sousa como número dois, sugerindo que o próximo mandato, se socialista, poderá ser repartido em duas etapas: a despedida do primeiro e a entronização do segundo.

Ora, se a imagem de Mesquita Machado, que já estava desgastada por mais de trinta anos de poder, ficou ainda mais com estas polémicas, a estratégia não podia ser outra: evitar os confrontos públicos com os outros candidatos e apostar em confrontos públicos com os cidadãos, seja directa ou indirectamente. Entre inaugurações e brindes, Mesquita Machado mostra-se sem se deixar ver.

Como a História do nosso concelho mostra, este jogo de esconde-esconde costuma dar resultados nas urnas. Falta saber é se a própria História não se reescreve Domingo, no tabelar constante da confiança que os bracarenses depositarão num ver sem saber bem o quê ou num não ver mas saber bem demais o quê.

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Peço desculpa pelo grande atraso da publicação da terceira parte, mas não foi possível fazê-lo antes.

6 comentários:

  1. Afinal o que acha o autor do texto? Que é legítima esta postura de MM? Que enobrece a democracia? Que vale tudo para ganhar eleições? Lamentável.

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  2. Eis como um blogue originalmente isento, habitualmente culto e crescentemente razoável descambou no apoio acrítico à coligação dos monárquicos ressabiados, dos populares reaccionários e dos laranjas liberalizados, ao mesmo tempo que combate sem causa nem critério a social democracia activa, criativa e progressiva que habita no Partido Socialista.
    Eu posso não saber por onde vou, mas sei que não vou por aí...
    Fernando Castro Martins

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  3. Sai um grande LOOOOL para o último comentário. A social democracia do partido socialista não chega a braga. Aqui ele está comprometido com os piores interesses e só a cegueira partidária pode continuar a alimentar os ímpetos de quem vota nesse senhor mesquita.

    O blog deixou de ser culto porque não embarca na onda caciqueira do mesquita??? Duvido. Aliás, penso que neste blog se demonstra muita inteligência e sobretudo clarividência.

    Quando leio aqui simpatizantes do PS criticarem o Mesquita Machado parece mais do que óbvio que é tempo de mudar a cidade.

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  4. Caro Fernando Martins,

    Este blogue nunca foi isento porque um blogue é essencialmente um espaço de opinião. Quanto ao resto, boa sorte para o seu clube amanhã.

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  5. Obrigado, Dr. Pedro Morgado. Mas eu até acho que o Avenida é maioritariamente isento, ié, autónomo das estratégias e das tácticas partidárias. E um exemplo está na qualidade analítica do texto que me dignei comentar.
    Mas às vezes escorrega um pouco; e também eu me permiti uma picardia boçal, sem exemplo, para não estar calado e para fazer debate.
    Mas o Pedro já me provou, aqui, a sua isenção, ié, a superioridade e a autonomia da sua inteligência. Também eu me procuro isento mesmo quando tomo partido. E sei muito bem que quebrei essa regra de ouro no comentário ao texto do João Martinho. Mas de modo consciente.
    Amistosamente,

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