Manuela... A Outra

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Manuela bem pode ter ganho as eleições com este “Prisagate”, a Moura Guedes claro está. O erro fundamental está, como Sócrates já deveria saber, em tentar mexer na comunicação social. É certo que todos os partidos tentam pôr e dispor dos média consoante as suas conveniências, sendo os do poder os que maior sucesso alcançam. Contudo, há limites para a indecência. Ao entrar em rota de colisão expressa e clara com Manuela Moura Guedes e o seu Jornal “Semanal”, o Engenheiro sobredosou de importância aqueles que nunca o beliscariam caso optasse pela indiferença. Está cada vez mais claro que o Freeport não mata, mas mói.

Melhor teria feito o (ainda) primeiro-ministro se reagisse como Marinho Pinto que, ao invés de se refugiar no “bitaite à distância” (corrosivo, mas pouco relevado pelas hostes não afectas a quem o atira), enfrentou a “besta” e saiu em alta. Muitos argumentarão que este negócio (Prisa/MédiaCapital) vinha inquinado desde a origem, outros dirão que o estilo de Moura Guedes é insuportável e que, apesar de tudo, ainda bem que desapareceu. Haverá teses e cabalas várias que ligarão o PSD a um maquiavélico plano que terá proporcionado a quadratura do círculo: queimar Sócrates, arranjar um culpado - a empresa espanhola - e uma vítima conveniente -Moura Guedes. Mas o que ficará para a história é que José Sócrates, em 2009, perdeu as eleições para as Manuelas.

Não deixa de ser irónico que Sócrates possa ser derrubado pelo mesmo motivo que fez tombar a quem tão retumbantemente venceu em 2005 e de quem disse cobras e lagartos pelas alegadas pressões que levaram ao afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa. Em comum, Sócrates e Santana passam a ter mais três letras T V I.

E não deixa de ser sintomático que o último “olé” desta lide novelesca, tão ao estilo das “produções nacionais" daquela estação, caiba ao chefão Moniz que, do alto do seu sofá, vê validada, mais uma vez, a sua dúbia estratégia de tabloidização da informação.

Da minha parte deixo aqui um até nunca a um engenheiro que, pelo menos no que respeita ao pais, não deixa outra obra aos portugueses que não a triste entronização da propaganda como modus vivendi político.

6 comentários:

  1. A MFL, a dama de mofo, joga tudo nos bastidores. A estratégia é aparecer o menos possível, falar o menos possível, explicar o menos possível.

    Os golpes de teatro tratam de tudo. Para enganar o povo. Na sua boa-fé aceita a primeira e mais óbvia explicação.

    Com a conivência de quem, longe do jornalismo como ele deveria ser, rigoroso, fundamentado, imparcial, só quer ostentar no seu "currículo" o facto de ter influenciado decisivamente umas eleições legislativas e, quem sabe, ter derrubado um PM.

    A verdade? Isso é secundário.

    Ainda vamos ver a MMG numa secretaria de estado ou como presidente de um qualquer instituto público num eventual governo de MFL. E com a bênção do Prof. Aníbal.

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  2. não haverá aqui uma sobrevalorização do efeito MMG já a roçar um pouco o wishful thinking?

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  3. Caro Max, claro que há. O meu "wish" é que se escreva direito por linhas tortas.

    Quanto ao prognóstico do Dr. Jekyll e Mr. Hide só posso dar a minha opinião. Não acredito que tal nomeação possa acontecer. E essa é uma questão lateral à verdadeira história. Sócrates pecou e no Portugal católico cumprirá penitência pelos seus pecados.

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  4. Não é de agora que os governos tentam controlar os media.

    Agora não percebo estas lágrimas de crocodilo. Já se sabia, que com a saída de Moniz, a MMG tinha os dias contados. É parvo e estúpido ouvirem-se frases como esta:" a democracia está de luto".

    Essa senhora, não se preocupa com o jornalismo, ela apenas quer ser vista como a jornalista que derruba governos e intimida políticos.Fica bem no currículo!

    E chamam aquilo liberdade de imprensa? Ela atacava sistematicamente o PS e defendia fervorosamente o CDS e o PSD. Aquilo não era , como Moniz afirmou, " uma linha editorial, mas sim um espaço com nome dela onde ela defendia os seus interesses, CDS e PSD, com comentadores amorfos como é o caso do Vasco Pulido Valente.

    Realmente,como estudante de jornalismo, sinto-me revoltada. Tantos jornalistas que são afastados porque causa do poder político e ninguém se preocupa e alguém que é afastado por incompetência, merece abertura de noticiários. Aquilo não é, nem nunca foi jornalismo de investigação.

    Parabéns pelo blogue e desculpem a extensão.

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  5. A Pide não faria melhor.A censura exercida de forma inteligente enviando recados, sabendo-se antecipadamente os comentários iriam merecer investigação ou inquérito interno.É atirar a pedra e esconder a mão.Mais uma vez o tiro acertou...mas deixou rasto e daí podem surgir maus resultados...porque o povo não é parvo.

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  6. Dividem-se as opiniões entre analistas politicos, mas a verdade é que a questão sendo interna da TVI veio em péssima altura e pode queimar quem acendeu o fosforo.De concreto nada merecerá relevancia, a não ser mais um episódio de jogos do poder, este ao gosto da oposição que até pode tirar dividendos.Quanto ao PS...quer explicações para limpar as palavras inoportunas em fase de pré campanha.Tudo à Portuguesa, quase fazendo esquecer os problemas reais dos Portugueses e esquecendo mesmo que há gente a passar muito mal...

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