Luxos

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Levantei brevemente a questão no meu último post, mas após ver a famosa nova peça, merece reforçados apontamentos: porque é que só a Manuela Moura Guedes é que explora esta questão?

As fontes são semi-anónimas. Sabe-se que são arguidos e, como tal, facilmente acessíveis a qualquer meio de comunicação social, inclusive a própria (restante) TVI (a Moura Guedes trabalhava com uma equipa só dela e à sua imagem, uma equipa autónoma e dissidente mas protegida). Nenhum outro jornal, rádio ou televisão, TVI inclusive, conseguiu deslindar o que quer que fosse nestes últimos dois meses.

Tendo sido o jornal televisivo de maiores audiências sobretudo por causa dessas peças, acho absolutamente inacreditável que ninguém tenha tentado/conseguido preencher esse vazio. Dois meses de férias e nada! Não houve nada! Sorte?! Não colocava muito a questão antes, mas após estas férias, não consigo perceber como é que esta temática só surge com ela e para tal só concebo duas hipóteses: (a) ou ela está a imaginar coisas que, logicamente, mais ninguém pode "descobrir"; (b) ou existe algum estranho acordo de exclusividade.

Mas se alguém me conseguir explicar porque e como é que ninguém preencheu o vazio, estejam à vontade que até agradeço.

19 comentários:

  1. Se elaborar teorias da conspiração é um direito... cá vai a minha colherada.

    E se a direcção do PS sabe de antemão do conteúdo da reportagem?
    E se numa jogada optam por fazer queixinhas ao primo espanhol, que manda a ordem para suspender o programa?
    E se no mesmo dia Sócrates foge para a frente e diz que o PS é o maior prejudicado?
    E se comentadores e bloggers começam a dizer que é tudo muito suspeito porque era um tiro no pé?
    E se a notícia é finalmente exibida, mas encontra-se já totalmente esvaziada pelo movimento "não-dariam-um-tiro-pé"?

    Cenário#1: a reportagem sai sem a dramatização prévia, sem a fuga para frente. Possível resultado? O "povo" não foi preparado e dá maior importância, olhando para o que não devia.

    Cenário#2:pre-emptive atack. Quem é que está a ver a reportagem agora? Toda a gente está a acenar a cabeça, concordando: "não iam dar um tiro nos pés".

    Voltando às citações cinematográficas...

    Catch me, if you can:

    Frank Abagnale Sr.: You know why the Yankees always win, Frank?
    Frank Abagnale, Jr.: 'Cause they have Mickey Mantle?
    Frank Abagnale Sr.: No, it's 'cause the other teams can't stop staring at those damn pinstripes.


    Everyone is looking at the pinstripes, Mr Sousa

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  2. É sempre bom começar o dia com uma gargalhada.

    "(a) ou ela está a imaginar coisas que, logicamente, mais ninguém pode "descobrir";"

    Com certeza. As fontes são imaginárias, as gravações de conversas foram forjadas, é tudo gerado em computador. Vai-se a ver e a Inglaterra não existe, muito menos a polícia deles e, sendo assim, como poderiam fazer perguntas sobre o caso?
    LOL

    Bom, atrevo-me a dar uma pista. Pergunte à Felícia Cabrita por que é que nunca ninguém lhe "rouba" os temas de reportagem...

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  3. Em Portugal, o que existe, é impunidade total para crimes de colarinho branco.

    E se ele realmente recebeu os milhões, quanto não terá já pago para se calarem.

    Repara que até eu, que tenho negócios em Portugal, me escondo atrás de um comentário anónimo porque já sei que dizem que é tudo muito livre, mas eu sei como as opiniões estragam negócios.

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  4. Jorge Coelho,

    Se quiser reveja a peça de ontem. O dvd é o mesmo de há meses e nunca se ouviu dizer que o Sócrates tinha um primo com excesso de peso; como nunca se ouviu falar de dois primos envolvidos, mas de um só. Durante meses e meses foi só um primo, de repente passaram a ser dois. Agora pergunto, daquela peça, donde é que você colhe credibilidade a esse respeito? O dvd nada diz. A foto mostrada nada diz.

    Enfim, eu não abordei isto neste post, tendo sim abordado no twitter, não só a propósito desta peça, a questão de credibilidade da notícia, pela forma como é dada - independentemente da sua veracidade. Sobre o furo, só ouviu narração e uns trechos de texto que dizem que são fruto de emails que, como toda a gente sabe, são bocados de texto, não havendo hipótese de uma mera estação de televisão verificar se foi de facto enviado e recebido no dia x, atráves de tais contas.

    Se me pode apontar alguma coisa, caro Jorge Coelho, é de não ser crédulo e acreditar gratuitamente, sem questionar nada, em tudo o que é dito nos jornais.

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  5. Caro Jorge Sousa
    Pf, leia o Publico de hoje e veja quantas reportagens de MMG foram autorizadas a transmitir por ela.
    Pelos vistos, ainda há mais.

    E já agora, dando sequência aos "eles não iam fazer isso, porque era dar um tiro nos pés":

    Ponte de Lima: apresentação do Magalhães nas mãos dos miúdos, e terminada a cerimónia, retiraram os PCs às crianças.
    "Eles não iam fazer isso, porque se descobre depois. Era dar um tiro nos pés."

    Crianças contratadas via casting para fazerem mais uma apresentação do Magalhães.
    "Eles não iam fazer isso, porque se descobre depois. Era dar um tiro nos pés."

    Hospital inaugurado, e as camas são posteriormente removidas para inaugurar outro.
    "Eles não iam fazer isso, porque se descobre depois. Era dar um tiro nos pés."

    De facto, têm feito poucas nas nossas barbas, têm.

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  6. eis a dúvida que paira na cidade dos três pés! foi um tiro no pé, um tiro ao pé ou um pé no tiro?!

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  7. Caro Jorge Sousa,

    "Durante meses e meses foi só um primo".
    Como é que foi descoberto esse primeiro primo? Por que há-de a existências ou envolvimento desse primeiro primo ter mais credibilidade que a deste segundo? Será por ser referido como "o gordo" e não ser líquido quem seria o tal gordo? Será que foi preciso investigar, coisa a que 99,9% dos jornalistas portugueses têm alergia? Será que foi preciso ver se havia alguma relação entre "o gordo" e "o Bernardo", por não se saber à partida se seria 1 ou 2 pessoas? E quais pessoas? Há muitos Bernardos por esse país fora e ainda mais gordos...

    Mas não, é bem mais interessante construir fantasias no ar.

    "uns trechos de texto que dizem que são fruto de emails (...) não havendo hipótese de uma mera estação de televisão verificar se foi de facto enviado e recebido no dia x, atráves de tais contas."

    Isso seria verdade se se tratasse de mim ou, arrisco mesmo, do caro Jorge Sousa.
    Mas estamos a falar de um PM, coadjuvado pela toda-solícita procuradora Cândida Almeida. A tal que diz que o PM não foi sequer ouvido nem nunca chegou a ser considerado suspeito!!!!!!
    Se os emails não existissem, quantas fracções de segundo demorariam estas duas personagens a fazer piruetas pelos ares e a gritar a plenos pulmões que esses emails são falsos???

    Não, a sério: quão crédulo é preciso ser para ainda ter qualquer espécie de dúvidas relativamente a este caso?

    Não se preocupe que eu já sei que não vou convencer o caro Jorge Sousa de nada. A fé é uma coisa muito poderosa.

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  8. Mas alguém duvida que o Sócrates é criminoso?

    A história está cheia de criminosos políticos que nunca foram condenados no seu país...

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  9. Se calhar a única voz politicamente livre deste país era a MMG.

    Apenas ela se atrevia a lançar a "verdadeira história" do Freeport.

    Se calhar toda a restante comunicação social está sob o controlo de Sócrates/P.S.

    O Jorge Coelho lá saberá...

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  10. Se calhar a Moura Guedes ou outras pessoas à volta dela são influenciadas pelo PSD, ou por outra coisa qualquer, a fazerem este tipo de reportagens que na minha opinião são muito degradantes para a TVI e para o jornalismo...

    Custa a entender que se vejam as pressões políticas apenas num sentido, Governo pressiona os coitadinhos da imprensa, e apenas a guerreira M.Guedes combate corajosamente contra esse polvo rosa.
    Custa-me imenso a entender que haja tanta gente que acredita em tudo o que vê na TVI...ainda por cima num programa que tem apenas um objectivo editorial. Causar polémica lançando notícias bombásticas para atrair telespectadores ao seu circo. Pena é que a miserável oposição que temos não tenha a dignidade de criticar o jornalismo praticado no jornal nacional, apenas para ganharem uns votos PS. Qualquer porta-voz dos partidos da oposição que muito se indignaram na 5ªfeira à tarde, esquece-se que se a perseguição feita pela TVI fosse ao seu líder, não teriam a mesma posição. É muito triste haver uma oposição tão situacionista e previsível, e não haver ideias lógicas.
    Pior ainda é ouvir o Presidente da República...consegue não dizer nada, mas quem é que ensinou estas pessoas a não dizerem nada para não serem criticados? Pelos vistos a líder do PSD aprendeu bem a lição.

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  11. Jorge Coelho,

    Ouviu alguém no dvd a dizer que o primo era o Gordo ou Bernardo? Isso é uma novidade que a TVI relata com base nuns emails - volto a frisar, que são meros documentos de texto - a que só a Moura Guedes (e não a TVI, como está claramente demonstrado pelos últimos dois meses, tem acesso.

    Num ambiente de concorrência feroz, desculpe, mas as coisas não funcionam assim. Não vão de férias 2 meses sem que absolutamente mais ninguém tente/consiga desvendar o que quer que seja.

    Repare que até pode ser a maior das verdades. O que coloco em causa é a credibilidade. Isso não implica que seja mentira. Muito pelo contrário. Significa que, pela forma como a notícia é dada, existem dificuldades em perceber se é verdade ou mentira.

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  12. Jorge Sousa,

    acho que está equivocado. A responsabilidade de determinar "a verdade e a mentira" é da investigação criminal.

    A TVI mostrou imagens, gravações de conversas, trechos de correspondência em que é referido o Gordo e o Bernardo. Procurou saber quem ele era, e pelos vistos alguns arguidos do mesmo caso garantiram-lhe que se trata do primo de Sócrates.

    A partir daqui, a investigação crimial deve fazer o seu trabalho: pegar nos indícios e averiguar se são realmente verdade.

    Agora, depois de todos os indícios encontrados pela TVI, ou pela MMG se preferir, o que não pode fazer é ignorá-los como se não existissem e vir dizer que Sócrates não é suspeito e não foi nem será investigado. Isso é indecoroso e absolutamente inadmissível num estado de direito.

    Que o Jorge Sousa não consiga perceber isso é problema com o qual não mais me irei incomodar.

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  13. Jorge Coelho,

    «A responsabilidade de determinar "a verdade e a mentira" é da investigação criminal.»

    Ao ler esta afirmação, sorri. Tem razão, é sua responsabilidade. Mas isso é uma utopia. Nos tribunais não se apura a verdade. Apura-se a verdade que o processo admite ou "verdade-processual". Que é coisa muito diferente da "verdade".

    De qualquer forma, o papel da CS tem mais a ver com o reportar de factos.

    «A TVI mostrou imagens, gravações de conversas, trechos de correspondência em que é referido o Gordo e o Bernardo. Procurou saber quem ele era, e pelos vistos alguns arguidos do mesmo caso garantiram-lhe que se trata do primo de Sócrates.»

    A TVI não mostrou imagens novas, nem gravações de conversas novas.

    O que fez a TVI? Mostrou uns trechos alegadamente de correspondência, que, em bom rigor, qualquer pessoa pode escrever. Mostrou uma fotografia de Sócrates com um primo. Descobriu que o primo está fora do país há uma semana. Disse que "arguidos anónimos" lhes disseram tal-e-tal. Se os emails existem e a TVI lá chegou, um dos arguidos anónimos é o Charles Smith. Aquela pessoa que, segundo a TVI, dantse falava de um primo e não de dois. Aquela pessoa que se terá lembrado de repente que o primo tinha a alcunha de Gordo/Bernardo, pois, diz a TVI, terá confirmado que era este primo da foto o intermediário.

    Percebe onde é que eu quero chegar com a questão da credibilidade? Existe demasiado fumo. Tanto pode ser verdade como mentira, mas não existe credibilidade na forma como a notícia foi dada.

    Em que é que é esta informação nova, que foi inteiramente narrada, é melhor do que um boato? Qualquer pessoa que saiba que o Sócrates tem um primo gordo pode teoriza-lo numa tasca. E é conveniente que o "nome de código" para o primo com excesso de peso seja o Gordo/Bernardo. Se ainda fosse o Magro/Bernardo... olhe que era capaz de acreditar mais um bocadinho. :)

    As conversas com suporte vídeo/áudio são uma coisa. O que as pessoas dizem em discurso directo são uma coisa parecida. Completamente diferente é toda a informação nova que a TVI apresentou, sem apresentar qualquer suporte que a dote de credibilidade.

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  14. Jorge Sousa,

    "Mas isso é uma utopia. Nos tribunais não se apura a verdade."

    Também já sabemos que para o Jorge Sousa a verdade anda longe da comunicação social.
    Para onde nos devemos virar então quando queremos conhecer a verdade? Para os gabinetes ministeriais??
    Essa é de chorar a rir!


    Digo-lhe mais uma coisa. Não existe uma única pessoa neste país que seja séria *e* inteligente e que esteja convencida da candura deste primeiro ministro. Uma única.
    Há aqueles que têm, naturalmente, que engolir esse sapo e defender o homem com unhas e dentes. Não invejo essas pessoas.

    Por momentos, senti-me mesmo tentado a continuar a forçar este assunto, para ver até onde o Jorge Sousa consegue ir. Mas há limites para o prazer sórdido que é ver um desastre anunciado. Sinceramente, tenho mais que fazer.

    Por minha parte, esta conversa fica por aqui.


    Um abraço e felicidades.

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  15. Jorge Coelho,

    Eu falo de credibilidade e não da verdade ou da mentira dos factos e/ou alegados factos. Mais, falo apenas da credibilidade do que a TVI alegou nesta sexta-feira de novo, que foi basicamente: o Sócrates tem um primo gordo, há uma fonte anónima que é arguida que diz que ele é Gordo e é Bernardo e uns trechos de textos que alegadamente são de um email enviado pelo Charles Smith. Reveja a peça se quiser. Quanto a isto a TVI nada ofereceu de concreto.

    Mas acho que teria percebido isso se tivesse lido o último comentário até ao fim.

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  16. O que este caso demonstrou é o medo que existe em tratar certas coisas. Nos média há muito "respeitinho", o que acaba por ser a forma mais negra de "censura". Os jornais, as rádios, tv´s, e as restantes empresas, foram avisados que "quem se mete com o PS leva". Pelos vistos levaram a sério o aviso e lá saberão porquê. Eu detesto a MMG - não gosto do seu estilo nem daquilo que representa - mas a pergunta é pertinente: porque só ela levantou certas questões?
    É evidente que ela sentia que estava à vontade para quebrar a "omerta". Por outro lado, o Moniz também sentia que à primeira oportunidade a Prisa o corria e que só os resultados (mais a elevada indemnização) o seguravam. Desconfio que as provocações aos patrões não eram inocentes e faziam parte da sua estratégia de desgaste.
    O caso Marcelo foi uma pressão ilegítima do poder político sobre uma televisão. É assim que o recordo. É assim que ele está arquivado no ficheiro dos casos políticos nacionais. Procurando na net sobre ele. Procurando as declarações do então ministro que lhe deram origem e comparando-o as com as realizadas pelo actual primeiro-ministro sobre MMG - e as de diversos ministros e dirigentes do PS - não lhes encontro diferença. Aliás, julgo que as mais recentes foram ainda mais longe.
    Recordo-me ainda que a tosca argumentação de Rui Gomes da Silva (ministro de Santana Lopes que originou o caso Marcelo), foi mais tarde recuperada para justificar o espaço de opinião de Vitorino na RTP. E que mais tarde na RTP o Marcelo avisou sobre certos critérios (http://invirtus.net/in/story.php?title=marcelo-teme-que-o-calem-na-rtp---televis%E3o-p%FAblica-diminuiu-tempo-de-antena-do-professor).
    Quando ouço a teoria “eles não iam dar um tiro no pé” rio-me. É que também me lembro da teoria que defendia que o “caso Marcelo” não teria sido mais do que uma oportunidade do comentador político para aproveitar umas declarações infelizes para causar mais um embaraço a um inimigo de estimação (o Santana Lopes) e arranjar mais uma medalhas.
    A verdade é que comparando os dois casos, as declarações de Sócrates, ministros e do PS sobre a informação da TVI foram muitos mais graves e prolongadas no tempo. E o que foi dito sobre Mário Crespo foi o quê? Pressão ou combate político na versão de Rui Gomes da Silva (http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=769742)?
    É por estas razões que não percebo as teorias do “eles não iam dar um tiro no pé”. É que as semelhanças não são entre o “caso Marcelo” e o “caso Jornal Nacional”. As semelhanças são com as declarações no congresso, as acusações de jornalismo travestido, etc. Sendo que há a grande diferença do Marcelo ter colaborado na “criação” do seu caso.
    A argumentação de Sócrates recordando o “caso Marcelo” é uma falácia. Uma cortina de fumo para esconder os tiques de “animal feroz”. É claro que o que o Rui Gomes da Silva dez estava errado. É claro que ninguém devia ter medo de se “meter” com o PS. É claro que muitos se calaram com medo de “levarem”.

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  17. O Sócrates já processou 9 jornalistas por muito menos. Estará ele à espera de quê para processar a MMG?
    Talvez seja por as notícias e os factos serem pouco credíveis.

    Não sei se é ou deixa de ser, mas para quem sempre se mostrou trigger-happy na hora de processar jornalistas, a relutância actual é no mínimo estranha...

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  18. O que este caso demonstrou é o medo que existe em tratar certas coisas. Nos média há muito "respeitinho", o que acaba por ser a forma mais negra de "censura". Os jornais, as rádios, tv´s, e as restantes empresas, foram avisados pelo Jorge Coelho – ex-ministro, ex-homem do aparelho partidário, actual Administrador da empresa que mais negócios faz com o estado - que "quem se mete com o PS leva". Pelos vistos levaram a sério o aviso e lá saberão porquê. Eu detesto a MMG - não gosto do seu estilo nem daquilo que representa – mas também me interrogo porque só ela levantou certas questões?
    É evidente que ela sentia que estava à vontade para quebrar a "omertà". Por outro lado, o Moniz também sabia que à primeira oportunidade a Prisa o corria. Só os resultados (mais a elevada indemnização) o seguravam. Desconfio que as provocações aos patrões não eram inocentes e faziam parte da sua estratégia de desgaste.
    O caso Marcelo foi uma pressão ilegítima do poder político sobre uma televisão. É assim que o recordo. É assim que ele está arquivado no ficheiro dos casos políticos nacionais. Procurei na net sobre ele já que o recordava apenas os contornos. Comparei as declarações do então ministro que lhe deram origem, comparei-as as com as realizadas pelo actual primeiro-ministro - e as de diversos ministros e dirigentes do PS - sobre MMG e não lhes encontro grandes diferenças. Julgo que as mais recentes foram ainda mais longe. Pelo menos não encontrei nada parecido com a adjectivação com que a MMG foi tratada. Há é uma pequena grande diferença: o Marcelo bateu com a porta, a MMG levou com a porta.
    A tosca argumentação de Rui Gomes da Silva (http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=769742), foi mais tarde recuperada para justificar o espaço de opinião de Vitorino na RTP. E até encontrei este desabafo/temor (http://invirtus.net/in/story.php?title=marcelo-teme-que-o-calem-na-rtp---televis%E3o-p%FAblica-diminuiu-tempo-de-antena-do-professor).
    Rio-me também quando ouço a teoria “eles não iam dar um tiro no pé”, porque os mesmos não recordam que o “caso Marcelo” pode não ter sido mais do que uma oportunidade do comentador político para aproveitar umas declarações infelizes e causar mais um embaraço a um inimigo de estimação (o Santana Lopes).
    A verdade é que comparando os dois casos, as declarações de Sócrates, ministros e do PS sobre a informação da TVI foram muitos mais graves e prolongadas no tempo. E o que foi dito sobre Mário Crespo foi o quê? Pressão ou combate político na versão de Rui Gomes da Silva?
    É por estas razões que não percebo as teorias do “eles não iam dar um tiro no pé”. É que as semelhanças não são entre o “caso Marcelo” e o “caso Jornal Nacional”. As semelhanças são com as declarações no congresso, as acusações de jornalismo travestido, etc. A decisão de retirar da antena um programa é absolutamente inédita e grave. Quanto ao interesse, veja-se que todos estamos a falar do caso TVI e não do caso FREEPORT.
    A argumentação de Sócrates recordando o “caso Marcelo” é uma falácia. Uma cortina de fumo para esconder os tiques de “animal feroz”. É claro que o que o Rui Gomes da Silva fez estava errado. É claro que ninguém devia ter medo de se “meter” com o PS. É claro que muitos se calaram com medo de “levarem”. Esta é a raiz dos problemas

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  19. Pelos vistos não fui o único a achar que existia falta de credibilidade nas novidades da última semana...

    «Entretanto, no final de Agosto, a Polícia Judiciária recebeu uma nova carta anónima onde o autor garantia que a investigação estava a seguir o primo errado de José Sócrates e que deveria ouvir antes José Paulo Bernardo Pinto de Sousa. O nome deste primo foi também avançado na última sexta-feira pela TVI (o primeiro sem Manuela Moura Guedes) como sendo supostamente “o gordo” referido em alguns emails sobre pagamentos de “luvas”. Contudo, a PJ considerou já a denúncia infundada pelo que não deverá ouvir o primo do actual primeiro-ministro.» [Público]

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