Capítulo 36: a numerologia política

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Os números e estatísticas são muitas vezes apreciados pela sua circularidade. Porque permitem interpretações diversas, é comum vermos os mesmos números agradarem tanto aos partidários do copo meio cheio como aos partidários do copo meio vazio.

Em dias em que não há nada a dizer, como estes dias quentes de silly season, procuram-se notícias em todo o lado e, como ontem e hoje, passam-se dias inteiros a discutir subidas e descidas nos números que nos comparam aos países que invejamos; subidas e descidas que são ora substanciais, ora insignificantes, dependendo da posição relativa do avaliador perante o copo.

Ontem era um crescimento do PIB, hoje o aumento da taxa de desemprego. Ontem era o governo que rejubilava com os primeiros sinais de retoma, hoje a oposição que suspira de alívio com o aparecimento de outro trunfo para a campanha. Ontem era a oposição a dizer que a retoma ainda estava muito longe, hoje o governo a afirmar que a melhoria do clima económico reflectir-se-á em 2010 na taxa de desemprego.

Quando não há palavras que cheguem, os políticos agarram-se aos números, como que acreditando que, com eles, serão seus os melhores números das noites eleitorais.

1 comentário:

  1. José António Ribeiro16 de agosto de 2009 às 22:59

    Já há muito que me sentia privado dos seus textos magistrais, mas ainda bem que voltou.
    Não deixe de nos servir destas serenas reflexões, se não for demasiado pesado para si.

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