Do Centralismo de Lisboa

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As televisões perdem toda a credibilidade quando se entregam ao jornalismo dos cidadãos das causas individuais de cada cidadão sem qualquer sentido crítico perante o que é difundido. Na edição de hoje do programa Nós Por Cá, surge a reportagem de um cidadão indignado por ter que ir a Peniche para ser operado a uma hérnia inguinal. Isto sucede, porque os Hospitais de Lisboa não têm, de momento, capacidade para garantir aquela cirurgia ao doente. A situação não é diferente de milhares de outras situações de doentes que têm que se deslocar para receber tratamentos médicos e cirúrgicos no âmbito Serviço Nacional de Saúde (SNS) e é a única opção razoável para manter o SNS sustentável para o erário público.

Como bem se percebe, o SNS não tem capacidade para garantir certos tratamentos em todo o país e, a muito custo, os doentes têm que se deslocar, às vezes diariamente, entre Miranda do Douro e o Porto ou entre Moimenta da Beira e Viseu. É a realidade dura do país real. Do mesmo modo e imagino que com bastante frequência, haverá cirurgias que, não estando disponíveis no Hospital de Peniche, obrigam a deslocações dos doentes deste concelho aos Hospitais de Leiria, Coimbra ou Lisboa.

Não percebo o espanto deste cidadão de Lisboa e muito menos a pertinência da reportagem quando se sabe que há milhares de doentes que fazem o percurso inverso rumo aos hospitais de Lisboa. Será que isto só é notícia porque desta vez é um cidadão a ter que se deslocar para fora de Lisboa?

8 comentários:

  1. Isto só é noticia porque não se procura o contraditório, não se procura ver as opções que existem.
    Num SNS que tem crescido de forma centralizadora, com os hospitais a ficarem só nas grandes cidades, esta até seria uma noticia positiva pela boa pratica de utilizarem bem os recursos hospitalares disponiveis.
    Se este exemplo fosse utilizado em muitas outras situações talvez as listas de espera diminuissem porque em muitos hóspitais a média de utilização dos Blocos Operatórios é inferior a 50%.
    O que o MEP defende é que para além da boa utilização dos recursos do SNS também devem ser aproveitados os recursos de Instituições privadas através da contratualização da actividade pretendida.

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  2. Acreditas que pensei exactamente o mesmo que tu quando vi a "notícia"?

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  3. Dizes que não percebes o espanto mas não verdade. Nem um bocadinho.
    Até o explicas a negrito.
    Mas indo ao assunto, até é uma boa prática não centralizar tudo nos hospitais centrais (bela redundância). Não cabe lá tudo, e coisas relativamente simples não precisam do suporte destes hospitais.

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  4. O simples facto de veres esse programa, diz muito de ti...

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  5. De facto também acho uma notícia inoportuna. Sabes Pedro, esse senhor talvez seja daqueles alfacinhas que nunca sairam da capital a não ser para o estrangeiro. Alguns nem conhecem bem algumas realidades do país. Só consigo aceitar a indignação deste homem por pura ignorância. Como diz o Jorge Sousa, esta prática até seria reveladora de um bom aproveitamento dos recursos do SNS.
    Quanto aos grandes hospitais serem sempre implantados nos grandes centros urbanos, não vejo grandes alternativas, quer pelas suas características de funcionalidade, pelas características de serviço que oferecem, e por muitas outras razões, que poderia perder aqui horas a explanar. Tendo em conta a realidade actual do país, a localização dos serviços de saúde não é a grande barreira, o importante é eliminar a barreira das acessibilidades e da eficiência no atndimento, procurando que toda a população(e aqui especialmente a mais isolada) tenha facilidade em recorrer aos serviços e ser atendido com eficiência, em articulação com os serviços de saúde da comunidade, em zonas mais rurais. Basicamente este senhor do Nós Por Cá talvez preferisse aguardar uns 5 meses ou, 2 ou 3 anos pela cirúrgia num hospital em Lisboa, ou ter acrescidas as dificuldades de mobilização que sentem as populações mais isoladas, com menores recursos económico-financeiros.

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  6. Estranho muito que não perceba. É uma prova de que não conhece a "mentalidade" de muitos lisboetas e suburbanos de lá. São os mesmos que não podem vir apanhar um avião a Pedras Rubras mas que acham natural que os portugueses do Porto, Braga, ... tenham de ir, de propósito, a Lisboa,para apanhar um avião. São os que querem um TGV pelo Alentejo e os que acham que o resto do País deve estar ao seu serviço, apenas por serem a capital.
    Perdõe a sugestão: por que não vai algumas vezes a Lisboa, fala com as pessoas ou ouve-as a falar e depois tira as suas conclusões.Tenho a certeza de que ficava muito melhor elucidado sobre a mentalidade da maioria (felizmente não são todos) dos lisboetas, mentalidade esta que já tem séculos, agravada pela comunicação social que está quase toda lá.

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  7. Antes prefiro imigrar para o Zimbabué ou para a sibéria do que alguma vez ter de viver em lisboa.

    Aquela cidade e tudo o que ela representa causam me colicas.

    PortuCale é o nome do Norte. Portugal nasceu de Braga e Guimarães. Estes são os bastiões da nacionalidade.

    No que em toca, eles é que deveriam deslocar-se ao Minho pois: Aqui Naceu Portugal.

    A mentalidade dos lisboetas, convictos, pela ignorancia (personificada em Fernando Pessoa que disse que Portugal era Lisboa e o resto Paisagem), de que eles são a essência de Portugal resulta nisso.

    Nem sei como este senhor não se espanta pelos Nortenhos terem direito a escolaridade e ao voto.

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  8. A mim também, eu já nem suporto ver as noticias da TV, que são meras tvs locais de lisboa, falam de lisboa para lisboa, o sotaque irritante e mal falado, tudo, já me enoja e não suporto. Lisboa era bonita a arder (e poupavam-se uns bons milhares de milhões do erário publico).

    Como já muita gente parece que chegou à mesma conclusão, é altura de se criar um movimento para remover a capitalidade a Lisboa e colocá-la num sitio pequeno e apenas administrativo.

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