Le Roi-Bâtisseur

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König Leopold II. von Belgien, King of Belgium

Leopoldo II, rei da Bélgica, entre o final do século XIX e início do Século XX, ficou conhecido como o Rei-Construtor ("roi-bâtisseur" no original francês). O impulso empreendedor levou-o à cegueira dos meios para alcançar os seus fins. Queria tornar Bruxelas na nova Paris, quis ser um qualquer Marquês de Pombal, refundando o país não por necessidade, mas por desígnio divino.

Fez das obras a marca indelével da sua existência. Para concretizar o seu infinito apropriou-se de um país (o Congo, ex-Zaire), dando ao colonialismo uma nova dimensão de insanidade e despropósito, com as subsequentes e "necessárias" violações dos mais básicos direitos humanos.

Foi, no fundo, um "visionário" (mais um) que não deixou, contudo, de valorizar algumas "modas" de séculos passados - a dos parques e jardins públicos e a dos caminhos de ferro.

Ora se se diz que a cópia nunca é tão boa como o original, o rei cá do burgo é a confirmação desse velho adágio.

Mesquita Machado quis, qual Leopoldo III, fazer de Braga, ao mesmo tempo, o seu Congo e a nova Paris (ou Rio Tinto, para ser mais exacto). Não foi eleito, mas entronizado. Há 32 anos que desmanda em Braga. Não governa, ordena, o que é totalmente diferente.

Também ele pensou que pela força da "obra", pelo esplendor do betão, seria eternamente lembrado. Tinha razão, as próximas gerações de "congoleses-bracarenses" chorarão o seu legado, desesperarão por não terem a oportunidade de "agradecerem" pessoalmente o cinzentismo da cidade e lamentarão não ter durado mais tempo tão luzidio monarca.

O primeiro olá a Mesquita Machado significou o adeus aos espaços verdes, a uma política de transportes públicos coerente e estruturada em múltiplas valências, à cultura e ao ecletismo no desporto. Valha-nos o facto de o último adeus ser o reencontro com a Braga cosmopolita que ansiamos, onde a tradição e a modernidade não se renegam, mas onde a Sé e a Universidade se unem por amor e não por interesse.

O nosso rei construtor será, tal como o original, despojado do seu Congo, desta feita não por pressões externas (que também as há), mas pela vontade (essa sim) soberana dos bracarenses.

2 comentários:

  1. Mas não ides ter a Braga cosmopolita tão cedo. A Universidade será incontornavelmente cada vez mais sinónimo de Avepark-Azurém-Couros. Resta a Sé.
    E o dilema quase insolúvel para os congoleses:
    4000 postos de trabalho bem pagos nas Taipas valem o que falta do enterro duma Avenida mais uma bancada para 10000 pessoas e um jogo dum qualquer mundial de futebol?

    Algumas minorias chamadas de oposição obstrutiva, tutsis infiltrados ao que consta, continuarão a clamar pelo seu Parque Tecnológico cientes de que estão a perder a corrida do Século XXI para Guimarães, Coimbra, Maia, Aveiro, Oeiras, etc, etc, etc...

    A bancada já não mas inda dá tempo pa enterrar a Avenida toda mêmo pá??!
    Exclamarão num misto de excitação e ansiedade a maioria dos congoleses.
    A bancada não dá mas já ouvi dizer que depois vem o El Corte Inglés, prontos!
    Sentenciará por fim o congolês mais bem informado.

    E após recolherem as viaturas nos parques subterrâneos do Sr. Domingos todos regressaram a suas casas amargurados pelo enésimo episódio do esquecimento por parte da RTP-Porto da existência do S. João de Brazaville!!!.

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  2. A grande diferença, que fez toda a diferença no que hoje é Bruxelas, é que o Rei rodeou-se de sábios e estudiosos para transformarem em concreto os seus ideias...

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