Em Coerência

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Numa das primeiros reflexões que aqui deixei, afirmava que a política só se pode regenerar pela reafirmação categórica da diferença ideológica. Apelava, basicamente, a que se reassumisse aquilo que caracterizava a democracia no pós-25 de Abril, a clareza das diferenças.

Em boa verdade, não me devo (posso) escudar em meras declarações de intenções e não o faço. Por isso mesmo assumo, em primeiro lugar, o exercício do voto (o que, vistas as sondagens, já não é nada mau), mas faço mais, declaro que o meu voto vai para o PSD (parece que já não serão tão poucos assim a fazer o mesmo). Voto no PSD e, obviamente, em Paulo Rangel como cabeça de lista. Penso ser este o único conjunto de candidatos com reais capacidades de realizar em Bruxelas e Estrasburgo uma linha de actuação coerente, no âmbito de um projecto comum, com ideias concretas e exequíveis. Não é grande novidade, dirão vocês. Mas é um acto público que considero ser saudável, porque estimula a discussão e desafia o interlocutor a, pelo menos, reflectir nestes argumentos. E desde já vos digo, se conseguir que alguém se levante do sofá para ir votar no próximo domingo, nem que seja só para me contrariar, tanto melhor.

Numa época em que vingam os independentes, quais virgens da poluta vida política, em que respingam os "movimentos" que só querem o nosso "bem estar", independentemente de apresentarem um conjunto de ideias consistente sobre as eleições a que se candidatam, é bom relembrar que não há democracia representativa sem partidos. Os partidos políticos não são massas anódinas de interesses alheios a tudo e a todos, são agremiações de cidadãos com uma visão semelhante do caminho que a sua sociedade deve trilhar.

Independentemente das razões que tenham para detestar os "políticos" e os partidos, tentem fazer um esforço introspectivo e pensem se, no vosso caso, a bidireccionalidade da democracia se cumpriu. Ou seja, tentem recordar-se das vezes em que se interessaram verdadeiramente sobre o que os políticos, que vocês elegeram, fizeram.

E lembrem-se, o voto é, além do fim de um caminho (de avaliação de quem termina o mandato para o qual foi eleito), o início de um outro (que corresponde ao escrutinar, tanto quanto possível, diário, do trabalho daqueles em quem depositamos a nossa confiança). Não dêem o vosso voto, confiem-no.

6 comentários:

  1. Um apelo descarado ao voto no PSD como se este esteja inocente em tudo de menos bom em que este país "mergulhou".
    Entre "rosas" e "laranjas" se o diabo existe...então ele que escolha.

    ps : João Marques, vc também está nas listas do PSD?

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  2. Não, não estou.

    E sim, é um apelo descarado, porque, em coerência, é meu papel desafiar comentários como o seu. A sua reacção é extremamente positiva. A crítica que faz, justa ou injusta, podemos discuti-la, revela o sentido cívico da participação.

    Oxalá que mais reajam e que um dia passemos todos a ser mais activos do que reactivos, sob pena de condenarmos a democracia ao insucesso.

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  3. PCP
    Os 2 deputados do PCP foram os que mais propostas, apresentações, intervenções fizeram em defesa do país.
    O PS e o PSD fazem parte do beija pés da Europa.
    Já alguém ouviu o PS o PSD ou o CDS a criticarem Durão Barroso e o apoio incondicional a Bush e Blair?

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  4. Já disse isto noutro fórum mas repito-o, no Parlamento Europeu não se trabalha a peso. Uma coisa é trabalho consequente, outra é o barafustar para inglês ver. Não nos esqueçamos de que o PCP, como não tem qualquer hipótese de exercício de cargos executivos, pode propor e defender as coisas mais irresponsáveis e mais inexequíveis de que se lembra.
    Os eurodeputados do PSD são respeitados pelos colegas devido ao trabalho prestado e prestigiam o país.
    Obviamente que, se eles quisessem, podiam aparecer destacados nesses rankings que o PCP gosta de exibir. Seria muito simples, bastava dirigir perguntas à Comissão todos os dias: "Como está o dia?", "Concorda com isto, aquilo e aqueloutro?".
    É preciso ser sério na análise do trabalho dos deputados. Nem disputo o trabalho dos deputados do PCP, agora é uma falácia completa dizer que foram os que mais trabalharam.
    E Carlos Coelho com o relatório dos voos da CIA e Graça Moura com o Relatório Agenda Europeia para a Cultura e Silva Peneda e a defesa das PME e do modelo social europeu, etc.?

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  5. Caro amigo se não conhece o trabalho do PCP no P.E. não diga asneiras.
    O senhor fala de acordo com o seu cartão e mostra que de Europa sabe 0.
    Felizmente eu acompanho esta questão de perto e sei do que falo.
    "não" tem hipóstese de ser poder"?
    Desde quando?
    Felizmente o povo é que decide e quando o povo quiser o PCP lá estará.
    A não ser que seja o senhor a mandar.

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  6. Então, ao menos que seja consequente, defina-se como aqui que é, contrário ao projecto europeu e veja quantos votos tem.

    E posso-lhe dizer que tive a hipótese de viver a realidade do trabalho de todos os eurodeputados portugueses, por isso, sei perfeitamente do que falo.

    E se eu falo de acordo com o cartão, o que dizer do que aqui escreve?

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