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«Tudo quanto procede do homem, criações da sua mão, criações da sua mente, exprime-se por um sistema de formas que é o decalque do espírito que lhe ditou a construção. Assim se classificam pelas formas os estados de civilização: a linha recta e o ângulo recto traçados através do labirinto das dificuldades e da ignorância são a manifestação clara da força e do querer. Quando reina o ortogonal, lêem-se as épocas de apogeu. E vemos as cidades se desembaraçarem da confusão desordenada de suas ruas, tenderem para a linha recta, estendê-la cada vez mais longe. Traçando rectas o homem demosntra que se dominou, que entra na ordem. A cultura é um estado de espírito ortogonal. Não se criam linhas rectas deliberadamente. Chega-se à recta quando se está bastante forte, bastante firme, bastante armado e bastante lúcido para querer e poder traçar linahs rectas.» (pág. 35) Le Corbusier, Urbanismo, Martins Fontes, São Paulo 2000

Le Corbusier em 1925, sobre as cidades.

6 comentários:

  1. Em Portugal não se ouve falar de grupos de intervenção na arquitectura, nem de pessoas com convicções fortes que se agrupam para o progresso da sociedade.
    Licenciamos eiras, canteiros e loteamentos congestionados com base na mentalidade e na cultura agrícola das hortas e caminhos de cabras que compõem grande parte da nossa paisagem.
    Ouvi há dias dizer que uma grande lacuna em Portugal é não ter oficialmente atravessado uma época Industrial. Por isso lanço a questão: De que serve o desenho de cidades se ainda mal saímos das aldeias?
    Acho que nos podíamos servir deste tema para um desenvolvimento arquitectónico e paisaístico único na Europa... mas é só a minha ideia...

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  2. As rectas, meu Deus, as rectas! E o ortogonal. Que bichos de sete cabeças para os nossos planificadores urbanistas.

    Quem é que autoriza as 'urbanizações' com uma entrada só?
    É só descer ali a variante de Real/Frossos para entender as filas de trânsito que se geram, ao criar 'urbanizações' com apenas uma entrada de acesso. É óbvio que entopem!

    Esta gente nunca jogou simsity...

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  3. "Esta gente nunca jogou simsity..."

    ou nunca saiu de Braga ou nunca fez férias...

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  4. Em Braga há uma interessante estratigrafia horizontal que testemunha vários momentos da sua evolução urbana: o Centro Histórico; a nova urbe de D. Diogo de Sousa; as intervenções do século XIX; as quarteirões nobres do Estado Novo; o tempo de Santos da Cunha; e a desarticulação quase total sob a égide de Mesquita Machado. Para os arqueólogos, habituados a interpretar a organização dos povoados calcolíticos e da Idade do Bronze, o proto-urbanismo proto-histórico (Citânia de Briteiros) ou o urbanismo romano de que Bracara Augusta é um exemplo modelar, a análise do complexo de estruturas do Vale de Lamaçães será um verdadeiro quebra-cabeças.
    FSL

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  5. Basta ver a parte nova de Edimburgo... Encaixa como uma luva no teor do texto.

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