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We Are Watching You -  Stencil Braga

O passado espreita-nos. Uma boa expressão para descrever este graffiti, pintado há algum tempo na parede do antigo edifício dos CTT, em Braga. Como se, efectivamente, os nossos antepassados da Antiguidade Clássica, dissolvidos em partículas de pó, observassem atentamente a forma como tratamos o património que nos deixaram.

Na verdade, a forma como tratamos o nosso património arqueológico não é julgada pelo passado, mas sim pelo futuro. As descobertas arqueológicas causam dores de cabeça, mas devem ser encaradas como um desafio. E se a nível do registo dos achados, nada temos a apontar, no caso do centro de Braga, porque a Universidade do Minho se encarrega do mesmo, com toda a mais-valia científica que representa, as soluções de conservação a posteriori deixam mais a desejar. E deixam a desejar sobretudo porque se arrastam longamente (veja-se o caso das Carvalheiras).

Infelizmente, a forma como os vestígios arqueológicos podem vir a ser musealizados quase nunca é discutida publicamente, até ao dia em que se toma conhecimento da solução encontrada, por vezes irreversível. E resta-nos confiar no bom senso e no bom gosto de quem decide. Em Portugal, estas soluções passam frequentemente por decisões políticas, mais do que por decisões de quem investiga e conhece o património. E isto acontece, não raras vezes, porque os cidadãos se desinteressam destas questões.

Voltando ao graffiti, é uma forma de demonstração pública apontada por muita gente como vandalismo (que por vezes é), e é verdade que muitas destas pinturas dificilmente podem ser consideradas como transmissoras de uma mensagem coerente. No entanto, penso que esta acção dos denominados “Stencil Terrorists” é interessante, porque pode ter uma posição subjacente (embora não assumida) e não a considero vandalismo, porque foi feita numa parede que, ao fim e ao cabo, vai ser demolida.

17 comentários:

  1. Boa tarde
    Apontar parte das culpas ao "desinteresse dos cidadãos" relativamente ao património parece-me uma desresponsabilização da função social dos arqueólogos.O caso dos CTT,e a problemática do sigilo acordado entre UAUM e o promotor da obra é um bom exemplo disso mesmo.Como podem os bracarenses e os Portugueses aperceberem-se da grandeza do seu património se este é ocultado através de taipais (grande parte da área da obra do tune), e o mal explicado acordo de sigilo?Já é altura de alguém definir e explicar o que é o projecto "Bracara Augusta", quem constitui e quem lidera um projecto que, penso eu, é de todos , e não uma mera prestação de serviços quando surgem obras no centro histórico.
    Esperemos que em breve exista alguma definição relativamente a este projecto que aparenta não ter nem objectivos concretos, nem metodologia.

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  2. Com a descoberta de um Templo Romano nas obras da Avenida, julgo que seria de repensar todo o projecto de requalificação desta área.

    A melhor opção seria esquecer o túnel, fechar definitivamente o trânsito no topo da Avenida da Liberdade, musealizar estes achados e integrá-los num futuro arranjo urbanístico do local.

    O trânsito da Avenida Central passaria a ser escoado não para a Avenida da Liberdade, mas para o túnel que dá acesso à circular (invertendo definitivamente o sentido).

    Com a escavação integral deste Templo e do Teatro Romano, Braga tem uma excelente oportunidade de valorizar a sua História, o seu património e de se tornar ainda mais monumental.

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  3. Caro anónimo (14:22),

    É evidente que uma parte do motivo porque muitas situações acontecem se deve ao desinteresse dos cidadãos. E não me refiro a cidadãos pouco informados ou tradicionalmente tidos como desinteressados. Refiro-me a cidadãos muito (talvez demasiado) tidos em conta, e com direito a tempo de antena em horário nobre...
    Não é, acredite, uma desresponsabilização da função social do arqueólogo. Eu, enquanto arqueólogo, que já me deparei muitas vezes com este desinteresse, não me importava que os cidadãos se mostrassem mais interessados, recorrendo aos seus próprios direitos (que os têm) para defender o Património. Acontece que em grande parte dos casos em Portugal, os cidadãos que se manifestam contra autênticas destruições são profissionais da área.
    Quanto à “problemática do [alegado] sigilo acordado entre UAUM e o promotor da obra...”, para mim, como já tive oportunidade de escrever aqui, nunca passou de uma especulação desprovida de fundamentos.

    Não sabe o que é o Projecto Bracara Augusta? Então nunca procurou saber. Apenas para lhe dar um exemplo: há dois anos atrás, a Dra. Manuela Martins deu uma conferência no Museu Nogueira da Silva, subordinada ao tema da descoberta e escavação do teatro romano do Alto da Cividade. Na mesma conferência se falou de vários aspectos relativos ao salvamento de Bracara Augusta, e várias pessoas colocaram questões directamente. Mas apesar de ter sido uma óptima iniciativa, apareceram lá algumas dezenas de pessoas, grande parte dos quais estudantes da UM... numa cidade com 175 000 habitantes! Continua a achar que não temos um problema de falta de interesse?...

    Apenas concordo consigo numa coisa: quando diz que o património é “ocultado através de taipais”. Acho que até seria construtivo que os taipais tivessem uns painéis transparentes, para que os transeuntes pudessem observar as escavações, ainda que tal efeito não seria nada agradável para quem trabalha lá dentro, que seria permanentemente observado.

    De resto, não posso concordar com mais nada do que escreveu. Afirmar que o projecto Bracara Augusta, pioneiro e com mais de 30 anos, não tem metodologia, demonstra um total desconhecimento de causa que, aliás, assumiu. Se não conhece, não insulte a competência científica de quem tem desenvolvido muitos esforços pela preservação do passado de Braga.


    Caro anónimo (15:41),

    Concordo plenamente consigo. Penso que o projecto do túnel deve ser repensado, de uma forma ou de outra, em virtude desta fantástica descoberta. É sem dúvida uma boa oportunidade para valorizar a História de Braga, e para repensar o centro histórico da cidade.

    Cordialmente,

    Gonçalo Cruz

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  4. Boa noite
    O exemplo que me deu sobre essa referida conferência padece de um problema, que provavelmente desconhece.O referido teatro foi identificado ainda nos finais dos anos 70.Existem alguma provas dessa descoberta, como um flyer( também dos anos 70),infelizmente é informação que foi desaparecendo ao longo destes 30 anos.Quero dizer que de finais dos anos 70 até 1999 onde esteve a divulgação?Comose informaram os "cidadãos desinteressados"?Nunca se questionou do porquê de se ter preservado uma área tão grande no alto da Cividade?Não estou a questionar pessoas nem entidades.Como Bracarense apenas me preocupa a tal falta de informação que me deixa apreensivo.

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  5. Deve haver aqui algum engano.
    Então não foi a Braga antiga arrasada pelos Bárbaros?

    Parece que sim, parece que sim.... os bárbaros.

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  6. Caro anónimo das 21:13 (que suponho ser o mesmo das 14:22),

    Passo a citar: "Entre 1998-99 quando se procedia à escavação do sector NO da área correspondente à palaestra das Termas do Alto da Cividade, fomos surpreendidos com a descoberta de uma maciça estrutura semi-circular, com poderosos contrafortes, circundada por uma calçada de circulação exterior, cujas características sugeriam estarmos em presença de um teatro."
    Martins, M.(2002) - Urbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta. Balanço dos contributos da Arqueologia Urbana. Simulacra Romae, p. 161.

    Encontrará o texto completo no link que segue:
    http://www.cervantesvirtual.com/portal/simulacraromae/libro/c8.pdf

    Leia e procure informar-se sobre o que é o Projecto Bracara Augusta. A sua tese policial de que o teatro romano era conhecido em finais da década de setenta, e que foi mantido em segredo, não faz sentido nenhum. Se em 1976, o teatro fosse conhecido, então a área preservada no Alto da Cividade teria sido muito maior.

    Uma coisa são hipóteses e especulações, outra bem diferente são evidências. Os arqueólogos procuram evidências, e é com base nelas que publicam resultados.

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  7. Caro Dr. Gonçalo Cruz,

    De facto, enquanto cidadão, aproveito as palavras do anónimo e também lanço a questão:"O que é o Projecto de estudo e Salvaguarda de Bracara Augusta?". Vejamos, a UAUM intervenciona Braga há de 30 anos. Das dezenas ou centenas de escavações efectuadas até à data, quantos sítios estão conservados e musealizados, acessíveis ao grande público? Pelas minhas contas, as Termas, a Fonte do Idolo, as ruínas das Frigideiras do Cantinho, as ruínas da PAULARTE, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e pouco ou nada mais. Isto porque, mesmo havendo conservado vestígios em determinados sítios, onde está a divulgação? Tem percepção de quantos cidadãos desconhecem o património que subjaz em sítios por onde todos os dias passam e que foram intervencionados pela UAUM? Digamos que poucos sabem que no parque de estacionamento da rua D. Afonso Henriques há vestígios, poucos sabem que na Junta de Freguesia da Sé há vestígios (estes tardam em estar musealizados), quase ninguém sabia o que tinha aparecido na Av. Central até ter vindo ao lume esta polémica do túnel, ninguem imagina o que se perdeu na Cangosta da Palha, no Estádio Municipal, a muralha dos Granjinhos ou têm conhecimento dos torreões da Sé de Braga e do Fujacal. Porquê? Porque não houve, nem há divulgação ou alguma memória nos sítios intervencionados. A UAUM, pela voz de Luis Fontes, afirma que passará a dar conhecimento dos achados das obras nos CTT e no Túnel à medida que as escavações se forem desenvolvendo...isto só agora, passados 30 anos de actividade! Diz que a UAUM não se deixa pressionar, mas a verdade é que irá actuar de forma diferente devido à pressão dos media. A época dos vazios e dos reinados estão a terminar. Braga e o projecto Bracara Augusta merecem melhor sorte. E se a credibilidade da UAUM não fosse questionável, que dizer quando o próprio arqueólogo sénior Luis Fontes afirma que as primeiras obras do túnel, em 1994 arrasaram os vestígios romanos. Contudo diz que a instituição liderada pela arqueóloga Manuela Martins há 20 anos seja a mais credível de todas nacional e internacionalmente. Se a arqueóloga Manuela Martins é presidente da UAUM há 20 anos e se as obras do túnel arrasaram os vestígios há 14, temos aqui uma clara contradição.
    Quanto a mim, ainda percebo que estejam a estudar Bracara Augusta para fins próprios, mas não consigo perceber a salvaguarda, porque claramente estamos a ser espoliados. O balanço entre sítios conservados e visitáveis é nitidamente negativo para os últimos e para os cidadãos!

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  8. Já agora, e para não achar que o anónimo 14h22 é adepto de teses policiais, garanto-lhe que eu próprio também vi e li esse flyer...num sítio outrora bastante frequentado por arqueólogos. Mas se dúvidas existem, porque não solicitar esclarecimentos aos senhores arqueólogos de Braga, tendo em conta que durante 20 anos permitiram que os camiões da CMb descarregassem terras e entulho em cima do teatro. Os próprios moradores dos prédios em frente podem confirmar...é só falar com eles!

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  9. Caro Miguel,

    Vamos por partes.
    O Projecto de Estudo e Salvamento de Bracara Augusta é exactamente o que o nome indica: estudo e salvamento. Entende-se por isto que o projecto, e a precedência científica que detém no centro de Braga, obriga à realização de escavações arqueológicas no âmbito de qualquer afectação do subsolo. Entende-se por “estudo e salvaguarda” a realização das escavações, o registo de todos os contextos, a recolha de todos os materiais e respectiva deposição em reserva museológica, e a interpretação dos contextos escavados. A partir daqui, o processo segue duas variantes distintas.

    Primeira variante:
    Estudo dos materiais e análise da documentação, com vista à publicação dos resultados. Aqui entra a responsabilidade social do arqueólogo.
    Este trabalho é da única competência dos arqueólogos que investigaram determinado local ou contexto, partindo do princípio de que obtêm financiamento para isso. Quem paga as escavações, praticamente nunca paga a publicação dos resultados, nem tão pouco a patrocina. Ainda assim, por vezes arranja-se financiamento, e editam-se alguns artigos e monografias.

    Segunda variante:
    Preservação dos vestígios exumados, com vista à musealização;

    ou

    Reenterramento dos vestígios exumados, por não existirem condições de conservação, ou pura e simplesmente por não existirem meios para isso;

    ou ainda

    Remoção dos vestígios exumados, no seu todo ou em parte, sob autorização expressa da tutela do Estado.

    Nesta segunda variante, o papel dos arqueólogos que escavaram os vestígios é extremamente limitado. Findos os trabalhos de escavação, o arqueólogo dá o seu parecer. A decisão final, de musealizar ou não, não depende dos arqueólogos que escavaram o local. Depende de muita gente: depende da Autarquia, depende do Igespar, depende do proprietário do local, e o que é que ele pretende fazer ali... mas seguramente não depende do arqueólogo que escavou lá, que apenas dá o seu parecer científico, vinculativo para efeitos de não remoção.

    Depois estudam-se várias hipóteses: o não ser musealizado, não significa que seja destruído. Os vestígios arqueológicos podem ser recobertos, podem ser removidos em parte, podem ser desmontados, em alguns casos é possível construir-se em cima deles sem os destruir... há várias opções, que estão condicionadas a dois aspectos essenciais: que utilização é que o proprietário pretende dar ao local e que meios existem para investir na conservação e/ou musealização.

    Após esta versão muito simplificada do processo, devo dizer-lhe que o Projecto Bracara Augusta, da iniciativa da UAUM, estabeleceu essa tal obrigatoriedade de se fazerem escavações. Mas não estebelece, nem pode estabelecer, a obrigatoriedade de que os vestígios sejam musealizados e abertos ao público... Quando muito, pode determinar que os vestígios não sejam destruídos, por serem vestígios importantes, e aí, o proprietário decide se os quer musealizar, ou se os quer recobrir. Tão simples quanto isto.

    Pergunta o caro Miguel “Das dezenas ou centenas de escavações efectuadas até à data, quantos sítios estão conservados e musealizados, acessíveis ao grande público?”. Eu respondo-lhe com outra pergunta: qual é a responsabilidade da UAUM e do Projecto Bracara Augusta na conservação e musealização dos sítios?
    Se a responsabilidade do Projecto é a realização das escavações (que se fazem graças ao Projecto, porque há outras cidades no país onde não se faz nada), se elas são feitas e se os seus resultados são publicados, em que é que a não musealização dos sítios contribui para questionar a credibilidade da UAUM?

    Afirma o caro Miguel “a UAUM, pela voz de Luís Fontes, afirma que passará a dar conhecimento dos achados das obras dos CTT e no Túnel à medida que as escavações se forem desenvolvendo... isto só agora, passados 30 anos de actividade!”. Permita-me corrigi-lo, isto agora, passado um ano de escavação daquele local, ao qual se seguirão provavelmente mais uns quantos meses de escavação, no decorrer da qual, e em face dos vestígios que aparecerem, a interpretação do conjunto e o valor dos vestígios, podem mudar.
    Quanto aos outros 30 anos, do tempo que eu me recordo, a UAUM sempre divulgou o resultado das escavações que fez, quer através da comunicação social, quer através das monografias e artigos publicados, quer ainda, através do espólio e documentação acessíveis no Museu D. Diogo de Sousa.

    Afirma o caro Miguel “Braga e o projecto Bracara Augusta merecem melhor sorte. E se a credibilidade da UAUM não fosse questionável, que dizer quando o próprio arqueólogo sénior Luis Fontes afirma que as primeiras obras do túnel, em 1994 arrasaram os vestígios romanos. Contudo diz que a instituição liderada pela arqueóloga Manuela Martins há 20 anos seja a mais credível de todas nacional e internacionalmente. Se a arqueóloga Manuela Martins é presidente da UAUM há 20 anos e se as obras do túnel arrasaram os vestígios há 14, temos aqui uma clara contradição.”
    A instituição liderada pela arqueóloga Manuela Martins é efectivamente das mais credíveis, nacional e internacionalmente.
    Se as obras do túnel da Av. Central há 14 anos, localizadas fora do perímetro urbano da Bracara Augusta romana, e portanto fora do âmbito do Projecto, destruíram vestígios romanos, qual é a responsabilidade da UAUM sobre a alegada destruição? Qual é a contradição?

    Afirma o caro Miguel “Quanto a mim, ainda percebo que estejam a estudar Bracara Augusta para fins próprios, mas não consigo perceber a salvaguarda, porque claramente estamos a ser espoliados.”
    Pois não, não consegue perceber a salvaguarda, porque “salvaguarda” e “musealização”, são coisas completamente diferentes.

    Afirma ainda “O balanço entre sítios conservados e visitáveis é nitidamente negativo para os últimos e para os cidadãos!”.
    Provavelmente queria dizer balanço entre sítios escavados e sítios visitáveis. Nisto concordo consigo, mas é uma crítica que nunca endereçaria à UAUM. Mas endereçaria, sim, aos responsáveis políticos de Braga.

    Quanto ao referido flyer, eu não o conheço e nunca o vi, mas não o contradigo. Quem é que o publicou, e o que dizia concretamente? Falava de um teatro no Alto da Cividade? É normal, já Pereira Caldas, em meados do século XIX, falava de um anfiteatro, não muito longe... Mas são referências e hipóteses, não são evidências, caro Miguel.

    Sobre os camiões de terra, desconhecia a situação. Mas a terra não faz mal nenhum aos vestígios do subsolo. Muito pior seria plantar árvores em cima desses vestígios ou, pior ainda, tirar de lá terra para encher camiões. Agora o contrário, sinceramente não me preocupa.

    Espero tê-lo esclarecido. Muito mais do que eu, outras pessoas teriam dado um esclarecimento mais completo e, quiçá, mais correcto. Mas só o fiz, porque achei a sua crítica injusta.
    Cordialmente,

    Gonçalo Cruz

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  10. Relativamente ao Templo Romano, Mesquita Machado tem agora duas opções:

    1 - Valorizar esta nova Praça, fazendo uma obra que encha de orgulho os bracarenses, em que serão preservados estes achados históricos e integrados no arranjo urbanístico;

    2 - Prosseguir com a execução do túnel, demitindo-se da obrigação que tem para com os bracarenses e para com a gerações futuras, de defender o património da cidade que é do interesse público.

    Esperemos que haja bom senso nesta decisão.

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  11. Caro Gonçalo Cruz
    Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer os esclarecimentos que tentou prestar.É de saudar a tua atitude!
    O melhor a fazer da minha parte será pedir esclarecimentos aos responsáveis do supracitado projecto, já que pelas linhas gerais que indicou o projecto é igual a tantas intervenções arqueológicas que se fazem pelo país, e com as quais já algumas vezes me deparei.Continua a não me parecer um projecto, mas sim a execução de trabalhos arqueológicos que se originam SEMPRE devido a obras publicas ou privadas.
    Mais uma vez obrigado pela atenção.

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  12. Caro Dr. Gonçalo Cruz,

    Agradeço a extensiva explicação sobre o âmbito do Projecto Bracara Augusta, ou pelo menos na forma como o entende. Não sei em que parte da regulamentação do projecto diz entender-se “por “estudo e salvaguarda” a realização das escavações”,porque parece-me algo redutor, tendo em que o restante resulta da própria acção arqueológica.

    Quando afirma que o dono da obra “praticamente nunca paga a publicação dos resultados” parece-me ser algo extremamente contraproducente, uma vez que os trabalhos arqueológicos regem-se por cadernos de encargos e orçamentos, os quais podem e/ou devem contemplar a divulgação dos resultados. Mas até aqui posso concordar que vivemos num país de difícil acesso à cultura e aos resultados de investigações arqueológicas. Contudo hoje há formas quase graciosas para divulgar os resultados.

    Creio que o papel dos arqueólogos pode ser um bocado mais reforçado do que aquilo que apresenta, pois o arqueólogo responsável pela intervenção conhece melhor a realidade do sítio do que o Instituto da tutela ou as autarquias, isto é, a tutela terá de se guiar pelo parecer do arqueólogo. Se ele sugerir conservação e musealização, será nitidamente o conselho que a tutela imporá.

    De qualquer forma, como o anónimo 13h48 refere, e bem, isso não é a exclusividade do Projecto Bracara Augusta, é, antes, um modelo instituído pela prática nacional, igual a tantas outras intervenções realizadas por empresas.

    O Projecto Bracara Augusta pode tentar regulamentar a prática arqueológica no centro da cidade, mas não foi o projecto que determinou a obrigatoriedade das intervenções, mas sim o facto do Centro Histórico (coincidente com a malha romana e medieval, estar classificada pelo antigo IPPAR). Diz o Dr. Gonçalo que o projecto não pode obrigar a musealizar. Estamos de acordo. Mas não deverá competir aos arqueólogos de Braga decidir se ficam aterrados e salvaguardados para os arqueólogos do futuro escavarem. Essa decisão é, novamente da tutela. Mas em Braga há desmontes, aterros e destruições sem pareceres do IGESPAR.

    Não sabe qual é a responsabilidade em musealizar e tornar visitáveis os sítios? Então deixe-me perguntar-lhe porque razão, quando se musealizam sítios em Braga, são os arqueólogos a proceder a essa acção? Quer um exemplo? O balneário pré romano da estação? Porque andaram lá arqueólogos a musealizar e a estabelecer os painéis explicativos? Porque não cederam essa actividade a um museólogo? Porque há uma objectividade científica e uma responsabilidade social e ética profissional subjacente a esta temática.

    ”Se a responsabilidade do Projecto é a realização das escavações (que se fazem graças ao Projecto, porque há outras cidades no país onde não se faz nada), se elas são feitas e se os seus resultados são publicados, em que é que a não musealização dos sítios contribui para questionar a credibilidade da UAUM?” – Nunca se guie por padrões baixos, deseje sempre o melhor para o património. O facto de o fazerem não quer dizer que esteja bem feito. À parte isso, diga-me quantos casos conhece publicados de intervenções efectuadas (e que não pertençam a teses de mestrado/doutoramento)? O torreão da Sé? O torreão do Fujacal? As Frigideiras do Cantinho? As ruínas da Oficina da Sé? As ruínas do estacionamento da Rua Afonso Henriques? As do Balneário da estação? A muralha dos Granjinhos? As ruínas da Misericórdia? As do Largo Paulo Órosio? As do largo de Santiago? As da avenida Central em 94?O Castro Máximo?As ruínas da escola da Sé? Nunca ouvi falar dessa informação…

    Que eu saiba, a UAUM nunca divulgou os resultados de escavações em curso, nunca deixou a cidade ter conhecimento, talvez por isso nunca a cidade pôde dizer se queria ou não aqueles vestígios. Quando tinham conhecimento já as intervenções tinham sido concluídas. Por isso é louvável que a UAUM passe a ter esse procedimento agora…continuo a dizer…é pena que seja só ao final de 30 anos (porque não me cinjo à obra de 3 meses do túnel, nem de 11 meses nos CTT – falo de um procedimento de 30 anos). Poderia novamente citar os casos das intervenções supra-citadas para atestar que a UAUM não tem prática em revelar os seus resultados…Com certeza que se isso fosse prática corrente, a cidade saberia melhor a sua história. Agora pergunte a alguém no Largo de S. Paulo se sabe o que são aquelas fiadas de pedra diferente embutidas na calçada? Pergunte aos cidadãos se sabem o que são aquelas pedras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. E já que falou no Museu D. Diogo de Sousa, sabe que vestígios arqueológicos apareceram lá e foram novamente cobertos (num museu de arqueologia, onde é suposto haver material e vestígios arqueológicos)

    Há alguma declaração que reconheça a UAUM como a instituição mais credível no foro nacional e internacional? Peço desculpa se estiver aqui a minha ignorância, mas de facto, não conheço. Mas ainda que o seja, com certeza que o quer continuar a ser, por isso não pode agir a saque e de forma pouco metodológica.

    “Se as obras do túnel da Av. Central há 14 anos, localizadas fora do perímetro urbano da Bracara Augusta romana, e portanto fora do âmbito do Projecto, destruíram vestígios romanos, qual é a responsabilidade da UAUM sobre a alegada destruição? Qual é a contradição?” . A contradição, Dr. Gonçalo, é que a UAUM é uma unidade de arqueólogos, logo têm responsabilidade ética dentro e fora das muralhas do projecto. E percebo agora que ou é jovem ou não é natural de Braga (ou se calhar as duas coisas), porque a UAUM tem a responsabilidade de ser a entidade que acompanhou as obras do túnel em 93/94. Logo a contradição é imputar responsabilidades dentro da mesmo instituição, não havendo a vontade de evoluir para melhor. Pelo menos culpam-se a eles mesmos.

    E caro Dr. estamos a ser espoliados, porque novamente obriga-me a referir vários sítios onde não houve salvaguarda. Temos o Castro Máximo, a Av. Central, habitações romanas na rua D. Pedro V, várias habitações na Frei Caetano Brandão, Largo da Cividade..etc. Sim, não houve salvaguarda, mas sim saque!

    Flyers e camiões de terra não o preocupam, e acho bem, porque não deve perder o seu tempo a construir teses policiais. Hipóteses há muitas…mesmo a do Anfiteatro que foi arrasado pelo alargamento da rua do Caíres, curiosamente uma rua onde nos finais dos anos 70 inícios dos 80 moraram uma série de arqueólogos…mas são tudo felizes coincidências.

    Agradeço os esclarecimentos, mas se puder interceder para que haja outras pessoas para o fazer, também lhe agradeço…mas alguém que conheça a realidade de Braga e, sobretudo de 30 anos de actividade, porque você, claramente, não conhece.
    Obrigado.

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  13. Caro anónimo (15:25),

    Sim, esperemos que haja bom senso...


    Caro anónimo (13:48)

    Não concordo consigo, não me parece que o projecto seja igual a outras intervenções arqueológicas que se fazem no país. Existem outros projectos no país igualmente credíveis, mas grande parte da salvaguarda do património arqueológico em contexto urbano, está numa situação bastante pior.
    Eu penso que é evidente que a execução de trabalhos arqueológicos é originada devido a obras públicas ou privadas. Poderia ser de outra forma? Podemos demolir os edifícios do centro histórico para fazer escavações arqueológicas? Em que outro contexto, que não o de obras, se pode aproveitar para fazer escavações?
    Mas penso que deve pedir esclarecimentos aos responsáveis do projecto, se assim entender. É uma atitude que revela interesse e preocupação.
    Cordialmente,

    Gonçalo Cruz

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  14. Caro Miguel,

    Isto está a tornar-se cansativo.
    O seu arrazoado não demonstra preocupação pelo património arqueológico, demonstra antes uma intenção cega de por em causa a competência de algumas individualidades e de uma instituição, por qualquer motivo que não me interessa saber.
    Depreendo isto tendo sobretudo em conta a forma como dispara acusações e imputa responsabilidades com pouco fundamento. O caro Miguel não se coibe inclusivamente de alegar a minha “juventude” e o facto de eu não ser natural de Braga, para demonstrar o meu suposto desconhecimento de causa. Isto como quem diz “tu não tens razão, porque não és de cá, e és muito novo para ter razão”. Enfim...

    Mas sobre o seu texto:
    “Não sei em que parte da regulamentação do projecto diz entender-se “por “estudo e salvaguarda” a realização das escavações”,porque parece-me algo redutor, tendo em que o restante resulta da própria acção arqueológica.”

    Claro, o “restante” resulta da própria escavação arqueológica. Mas uma escavação arqueológica, no seu todo, deve constituir esse estudo e salvaguarda que referi, e que enquadrei na responsabilidade social do arqueólogo. Como estudo e salvaguarda não se entende a musealização de ruínas, mas o seu registo, conservação (se possível e quando aplicável) e publicação. A publicação está, ou deveria estar, subjacente a qualquer escavação arqueológica.

    “Quando afirma que o dono da obra “praticamente nunca paga a publicação dos resultados” parece-me ser algo extremamente contraproducente, uma vez que os trabalhos arqueológicos regem-se por cadernos de encargos e orçamentos, os quais podem e/ou devem contemplar a divulgação dos resultados. Mas até aqui posso concordar que vivemos num país de difícil acesso à cultura e aos resultados de investigações arqueológicas. Contudo hoje há formas quase graciosas para divulgar os resultados.”

    É contraproducente, não é? Eu também acho que os cadernos de encargos deviam incluir a publicação de resultados, mas não incluem. Quem elabora o caderno de encargos é a instituição que promove os concursos. Por sua vez, as instituições que concorrem têm que se guiar por ele. É claro que há formas gratuitas de divulgação de resultados (i.e. internet), que na verdade ainda são um fenómeno relativamente recente, e não totalmente seguro para o efeito.

    “Creio que o papel dos arqueólogos pode ser um bocado mais reforçado do que aquilo que apresenta, pois o arqueólogo responsável pela intervenção conhece melhor a realidade do sítio do que o Instituto da tutela ou as autarquias, isto é, a tutela terá de se guiar pelo parecer do arqueólogo. Se ele sugerir conservação e musealização, será nitidamente o conselho que a tutela imporá.”

    Nem sempre o arqueólogo responsável, que muitas vezes é contratualizado para um trabalho específico, conhece melhor a realidade do sítio do que o Instituto da tutela ou as autarquias. Aliás, em Portugal, uma grande parte dos arqueólogos, que hoje trabalham aqui, e amanhã trabalham acolá (sem culpa nenhuma, diga-se), não têm conhecimento nenhum sobre a realidade do sítio que intervencionam. Por outro lado, a tutela não tem que se guiar pelo parecer do arqueólogo, o arqueólogo é que é creditado e autorizado pela tutela, e esta é que fiscaliza o trabalho dos arqueólogos, e aprova, ou não, os seus relatórios.
    Os institutos da tutela não podem “impôr” a musealização de vestígios arqueológicos. Podem impedir legalmente que os vestígios sejam destruídos, mas não podem, pura e simplesmente, obrigar os proprietários ou as autarquias a musealizar e a abrir os vestígios ao público. Claro que, em casos extremos, há medidas legais que podem conduzir a uma musealização quase “compulsiva” como defende. Em casos extremos...

    “De qualquer forma, como o anónimo 13h48 refere, e bem, isso não é a exclusividade do Projecto Bracara Augusta, é, antes, um modelo instituído pela prática nacional, igual a tantas outras intervenções realizadas por empresas.”

    Usando um velho chavão: “olhe que não, olhe que não...”. Ainda que, em Braga, o balanço entre sítios escavados e sítios visitáveis seja desigual, há casos no país onde, com um volume maior de trabalhos arqueológicos, o balanço é ainda mais desigual. Mas independentemente disso, o facto de o método de registo usado nas escavações ser uniformizado, de se fazer cruzamento de dados de umas escavações para outras, de se georeferenciarem as intervenções arqueológicas e de os vestígios serem estudados e interpretados por especialistas na temática em questão, são mais-valias que fazem de Braga um exemplo de excelência a nível de investigação arqueológica. Isto é substancialmente diferente do que termos 20 empresas no terreno, cada uma com o seu método, e sem fazer a mínima ideia do que estão a escavar os “vizinhos do lado”.

    “O Projecto Bracara Augusta pode tentar regulamentar a prática arqueológica no centro da cidade, mas não foi o projecto que determinou a obrigatoriedade das intervenções, mas sim o facto do Centro Histórico (coincidente com a malha romana e medieval, estar classificada pelo antigo IPPAR). Diz o Dr. Gonçalo que o projecto não pode obrigar a musealizar. Estamos de acordo. Mas não deverá competir aos arqueólogos de Braga decidir se ficam aterrados e salvaguardados para os arqueólogos do futuro escavarem. Essa decisão é, novamente da tutela. Mas em Braga há desmontes, aterros e destruições sem pareceres do IGESPAR.”

    Engana-se, caro Miguel. Não existe uma classificação global do antigo IPPAR sobre o centro histórico de Braga em si. Existem, sim, classificações de edifícios e conjuntos específicos, e respectivas zonas de protecção, dentro do centro histórico de Braga. Parte destas classificações são posteriores ou foram feitas no seguimento de intervenções no âmbito do Projecto Bracara Augusta. A obrigatoriedade das escavações arqueológicas, quer dentro de imóveis classificados, quer em zonas não classificadas, mas enquadradas na área da malha urbana de Bracara Augusta, são determinadas pela existência do Projecto, por questões de procedência científica.
    A decisão de aterrar, conservar ou demolir não compete aos “arqueólogos de Braga”, como lhes chama. Tanto que não compete que não o decidem sem parecer do Igespar. Se alega o contrário, está a fazer uma acusação grave, e parto do princípio que o pode comprovar e indicar situações concretas. Por isso sugiro-lhe que formalize as suas queixas junto da tutela, em vez de disparar acusações vagas na blogosfera.

    “Não sabe qual é a responsabilidade em musealizar e tornar visitáveis os sítios? Então deixe-me perguntar-lhe porque razão, quando se musealizam sítios em Braga, são os arqueólogos a proceder a essa acção? Quer um exemplo? O balneário pré romano da estação? Porque andaram lá arqueólogos a musealizar e a estabelecer os painéis explicativos? Porque não cederam essa actividade a um museólogo? Porque há uma objectividade científica e uma responsabilidade social e ética profissional subjacente a esta temática.”

    Precisamente, na maior parte dos casos, a musealização é feita também por arqueólogos. Eu nunca pus isso em causa. O que é um facto é que os arqueólogos não têm uma obrigação implícita de musealizar o que escavam. Tecnicamente podem, e devem, assumir a responsabilidade por um trabalho de musealização que lhes é confiado, mas antes disso, alguém decide se se musealiza ou não, e alguém se compromete a pagar essa musealização. O caso que referiu foi uma musealização feita por arqueólogos da UAUM, cujo trabalho foi pago pela REFER, no seguimento da intenção desta empresa de tornar o monumento visitável, após sugestão dos arqueólogos. Se a musealização do balneário não tivesse sido feita, a responsabilidade por não se fazer, nunca poderia ser imputada aos arqueólogos.

    “Nunca se guie por padrões baixos, deseje sempre o melhor para o património. O facto de o fazerem não quer dizer que esteja bem feito. À parte isso, diga-me quantos casos conhece publicados de intervenções efectuadas (e que não pertençam a teses de mestrado/doutoramento)? O torreão da Sé? O torreão do Fujacal? As Frigideiras do Cantinho? As ruínas da Oficina da Sé? As ruínas do estacionamento da Rua Afonso Henriques? As do Balneário da estação? A muralha dos Granjinhos? As ruínas da Misericórdia? As do Largo Paulo Órosio? As do largo de Santiago? As da avenida Central em 94?O Castro Máximo?As ruínas da escola da Sé? Nunca ouvi falar dessa informação…”

    Sobre as duas primeiras frases, escuso-me a comentar. Sobre a publicação de intervenções efectuadas em Braga conheço muitos casos, algumas integradas em teses de mestrado/doutoramento. Se a publicação de resultados está conceptualizada numa tese académica, isso só quer dizer que os resultados têm mais fiabilidade, porque foram avaliados por um juri académico. Se nunca ouviu falar dessa informação, deve procurar melhor.

    “Que eu saiba, a UAUM nunca divulgou os resultados de escavações em curso, nunca deixou a cidade ter conhecimento, talvez por isso nunca a cidade pôde dizer se queria ou não aqueles vestígios. Quando tinham conhecimento já as intervenções tinham sido concluídas. Por isso é louvável que a UAUM passe a ter esse procedimento agora…continuo a dizer…é pena que seja só ao final de 30 anos (porque não me cinjo à obra de 3 meses do túnel, nem de 11 meses nos CTT – falo de um procedimento de 30 anos). Poderia novamente citar os casos das intervenções supra-citadas para atestar que a UAUM não tem prática em revelar os seus resultados…Com certeza que se isso fosse prática corrente, a cidade saberia melhor a sua história. Agora pergunte a alguém no Largo de S. Paulo se sabe o que são aquelas fiadas de pedra diferente embutidas na calçada? Pergunte aos cidadãos se sabem o que são aquelas pedras na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. E já que falou no Museu D. Diogo de Sousa, sabe que vestígios arqueológicos apareceram lá e foram novamente cobertos (num museu de arqueologia, onde é suposto haver material e vestígios arqueológicos)”

    Os responsáveis das escavações devem decidir quando estão criadas as condições para divulgar resultados preliminares. Pessoalmente, prefiro divulgar resultados de escavações, mesmo preliminares, após terminar o trabalho de campo. Se o fizer durante os trabalhos, estou a divulgar meras hipóteses não comprovadas. Mas mesmo assim, a nível de divulgação na comunicação social, continuo a achar que a UAUM sempre falou das escavações em curso. A cidade sabe melhor a sua História, depois de uma investigação bem conduzida, com princípio, meio e fim. Já passou o tempo do Indiana Jones, em que um arqueólogo desenterrava um objecto e imediatamente dizia o que era (que na maior parte dos casos não era).
    No Museu D. Diogo de Sousa existe material e vestígios arqueológicos, e não são poucos. Nunca viu? Se se entendeu cobrir novamente os vestígios, foi tida em conta uma prática de conservação. Claro que será sempre discutível tapar ou não tapar. Mas em qualquer altura se pode reformular o Museu, e destapar os vestígios, se assim se entender.

    “Há alguma declaração que reconheça a UAUM como a instituição mais credível no foro nacional e internacional? Peço desculpa se estiver aqui a minha ignorância, mas de facto, não conheço. Mas ainda que o seja, com certeza que o quer continuar a ser, por isso não pode agir a saque e de forma pouco metodológica.”

    Esta foi para rir. Conhece alguma declaração que ateste as universidades de Oxford, Cambridge, ou a Sorbonne, como sendo credíveis? E a Universidade de Coimbra? Conhece?
    Eu não disse que a UAUM era a mais credível, caro Miguel, disse que era das instituições mais credíveis. É a minha opinião e não preciso de nenhuma declaração para a manifestar.

    “A contradição, Dr. Gonçalo, é que a UAUM é uma unidade de arqueólogos, logo têm responsabilidade ética dentro e fora das muralhas do projecto. E percebo agora que ou é jovem ou não é natural de Braga (ou se calhar as duas coisas), porque a UAUM tem a responsabilidade de ser a entidade que acompanhou as obras do túnel em 93/94. Logo a contradição é imputar responsabilidades dentro da mesmo instituição, não havendo a vontade de evoluir para melhor. Pelo menos culpam-se a eles mesmos.”

    Caro Miguel, eu, enquanto arqueólogo, não tenho responsabilidade ética sobre trabalhos feitos por colegas meus. Em intervenções de outros arqueólogos, a minha responsabilidade é cívica, como de qualquer outro cidadão. Tanto quanto sei, o acompanhamento das obras do túnel foi da responsabilidade do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal.

    “E caro Dr. estamos a ser espoliados, porque novamente obriga-me a referir vários sítios onde não houve salvaguarda. Temos o Castro Máximo, a Av. Central, habitações romanas na rua D. Pedro V, várias habitações na Frei Caetano Brandão, Largo da Cividade..etc. Sim, não houve salvaguarda, mas sim saque!”

    Tal como referi acima, formalize as suas queixas. Mas convém que as subscreva.

    “Flyers e camiões de terra não o preocupam, e acho bem, porque não deve perder o seu tempo a construir teses policiais. Hipóteses há muitas…mesmo a do Anfiteatro que foi arrasado pelo alargamento da rua do Caíres, curiosamente uma rua onde nos finais dos anos 70 inícios dos 80 moraram uma série de arqueólogos…mas são tudo felizes coincidências.”

    Acredite que não perco o meu tempo com teses pseudo-policiais. Foi arrasado um anfiteatro na rua do Caires? Fotografou-o, ou já não chegou a tempo? Desculpe-me estar a ser um pouco irónico, mas o que é que o facto de terem morado arqueólogos, no fim dos anos setenta, na mesma rua onde supostamente foi destruído um anfiteatro, tem que ver com a suposta destruição?...

    Para terminar, eu não intercedo coisa nenhuma, o caro Miguel é que, tendo em conta que tem conhecimento de tantas situações que eu não tenho (e, note, pelo que o Miguel disse, estamos a falar de crimes), deve denunciar essas situações... enquanto cidadão (ou, provavelmente, enquanto arqueólogo).
    Cumprimentos,

    Gonçalo Cruz

    Nota: Peço desculpa aos leitores do Avenida Central pelo tamanho exagerado deste comentário.

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  15. Caro Dr. Gonçalo,

    Antes de mais, permita-me demonstrar o meu apreço pelo facto de ter em conta os meus comentários, tendo em conta que, não bastando os mesmos, ainda os duplica para tentar assacar uma resposta omissa.
    Se o arqueólogo responsável das intervenções não conhecer a realidade estratigráfica e metodológica da escavação, então, de facto, é melhor que a tutela não deixe decidir, mas também não lhe deverá dar futuras autorizações de intervenções. Seria irresponsável.

    Voltamos aos casos do país e dos balanços desiguais…enfim!

    Existe sim, uma classificação…se não conhece, informe-se!

    Obrigado por me dar razão na questão da musealização. Como é clara, logo vi que ia estar de acordo comigo.

    Se conhece publicações onde estejam referenciados os seguintes sítios, agradeço que assuma a sua responsabilidade social de arqueólogo e partilhe aqui essa bibliografia:

    O torreão da Sé! O torreão do Fujacal! As Frigideiras do Cantinho! As ruínas da Oficina da Sé! As ruínas do estacionamento da Rua Afonso Henriques! As do Balneário da estação! A muralha dos Granjinhos! As ruínas da Misericórdia! As do Largo Paulo Órosio! As do largo de Santiago! As da avenida Central em 94!O Castro Máximo!As ruínas da escola da Sé!

    Hipóteses… é a base do pensamento arqueológico, por isso arrisque-se a fazê-lo. O Arqueólogo Fontes também o fez na nova questão do templo, ainda que não tenha dados para o atestar.

    No Museu D. Diogo de Sousa existe muito material arqueológico, mas referia-me às estruturas subjacentes do sítio…conhece-as?Claro que não, porque como diz, depende das práticas de conservação (mas não deixa de ser estranho, tendo em conta que é um Museu com laboratórios de conservação e restauro)!

    Pode rir-se de pobreza intelectual…geralmente os néscios assim o fazem!
    Obviamente que as instituições referidas partilham de atestados de mérito e reconhecidos valores de prémios. Não os conhece? Consulte os serviços das universidades e dar-lhe-ão essas informações

    As obras do túnel em 94 foram efectuadas pela UAUM, e não pelo Gabinete de Arqueologia da CMB, pois este era acabado de criar.

    Uma vez mais…responsabilidade social do arqueólogo. Destruições e omissões.

    Se acha que não há actos que responsabilizem os arqueólogos em Braga e se acha que as metodologias são perfeitas, então conviva com elas. O Tempo dirá quem tem razão…

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  16. Caro Miguel,

    Se eu duplico os seus comentários, não é propriamente porque gosto daquilo que escreve, é precisamente para não deixar nenhuma questão omissa. O senhor não duplica os meus e deixa questões omissas para não ter que me dar razão.
    Posto isto, os comentários tornam-se extensos, porque o senhor escreve para aqui “testamentos” para descarregar a sua raiva incontida. Além disso, o facto de escrever a coberto de um pseudónimo permite-lhe dizer o que quiser, sobre quem quiser, ainda que não o possa comprovar...

    Não, não existe nenhuma classificação global para o centro de Braga. Informe-se.

    Se ler bem o que escrevi acerca da musealização, verá que não lhe dei totalmente razão, e que a questão não é assim tão clara como tenta fazer crer.

    Conheço bibliografia onde estão referenciados os sítios que referiu, mas não a partilho consigo (se pensar bem, o senhor falhou deontologicamente, por isso não me pesa a consciência). Procure que não é difícil encontrá-la.

    Sobre o Museu D. Diogo de Sousa, conheço as estruturas subjacentes ao sítio, as que foram cobertas e as que não foram, ambas conservadas. Quando lhe perguntei se as conhecia estava a ser irónico, mas o caro Miguel pelos vistos não se apercebeu.

    Sobre os “atestados de mérito” e os “reconhecidos valores de prémios” (documentos tão ao gosto dos portugueses, e da forma como as coisas funcionam neste país), respondo-lhe da mesma forma: é a minha opinião e não preciso de nenhuma declaração para a manifestar.

    Sobre a obra do túnel na Av. Central, não tenho mais nada a acrescentar. Informe-se.

    Apesar de não termos aqui falado de metodologias, devo dizer-lhe que convivo perfeitamente com as metodologias usadas em Braga, apesar de ter consciência que elas não são perfeitas. Conhece alguma perfeita?

    Caro Miguel, por mim a discussão neste post está encerrada.

    Cumprimentos,

    Gonçalo Cruz

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  17. Caro Dr. Gonçalo Cruz…

    Mas eu acho que está correctíssimo na forma como abordaos meus comentários!
    Não reveja o meu nome como um pseudónimo…se calhar é mais chique dizer um heterónimo! Porque não criar vida na internet enquanto uns destroem a memória da vida dos nossos antepassados no campo?! Mas pense como quiser…afinal em Braga é prática corrente enganar com a verdade!

    Sabe a que conclusão chego? É que se não há, devia haver… fiquei muito contente por ver o senhor arqueólogo Sande Lemos reconhecer isso!

    Não seja assim…eu também reconheço quando estou de acordo consigo, por isso não se iniba de estar de acordo comigo!

    Tenho pena que não partilhe essa informação comigo, qual criança birrenta que tem um brinquedo e não o quer emprestar. Perde uma óptima oportunidade para me ensinar a estar calado e para eu próprio engolir os meus sapos e aprender qualquer coisa sobre a cidade de Braga…Mas se calhar, tenho de voltar a pensar que não partilha comigo porque…ela não está acessível ao grande público! Por isso está de parabéns, mente e joga bluff, logo está com uma conduta deontológica muito ao estilo de Braga!

    Não costumo usar figuras de estilo, por isso não devo ter percebido o seu senso irónico…uma vez mais, parabéns, vê-se que deve estar a seguir as pegadas dos seus professores/arqueólogos!

    Sobre a obra do túnel na Av. Central, por certo deve ter sempre algo mais a acrescentar, caso não fosse, não escrevia comentários no post seguinte.

    Encerramos, então a discussão…

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