Penúria no Ensino Superior Público

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A Universidade do Minho anunciou que vai encerrar algumas instalações para poder pagar os subsídios de Natal aos seus funcionários. Isto sucede porque as verbas do Ensino Superior têm sido distribuídas sem qualquer transparência da parte da tutela, aumentando as transferências para universidades com graves problemas de gestão e atirando para a penúria as universidades que não tinham problemas financeiros, numa política de castigo às instituições cumpridoras e de recompensa para com os incumpridores.

Discordo por completo da visão do Jorge Sousa. Antes da sangria financeira começar, a situação económica da Universidade do Minho era exemplar. As reduções drasticamente impostas por Mariano Gago são responsáveis pela situação dramática em que se encontra não só a Universidade do Minho mas todo o ensino superior público. Nada que admire, num país em a educação e a ciência estão longe de ser prioridade...

10 comentários:

  1. O Ministro Mariano,de Gago tem pouco,quando defende a ausência de problemas no ensino superior.

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  2. Esta notícia da Universidade do Minho é ridícula.
    Cortem nos luxos que por lá andam, motoristas e jantaradas dos resposnáveis e pode ser que haja dinheiro.
    Quem é pobre não pode fazer vida de rico.
    Já agora fechem a universidade durante todo o ano e poupam muito mais. Um serviço que se dá ao luxo de fechar é porque não produz e se não produz não faz falta.
    Não percebo como é que os alunos aceitam uma coisa destas.Vão estudar como?Onde?

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  3. «Discordo por completo da visão do Jorge Sousa. Antes da sangria financeira começar, a situação económica da Universidade do Minho era exemplar.»

    Não nego que o tenha sido.
    Mas o campus de Gualtar, particularmente, tinha, nessa altura, menos edifícios. E os que eram construídos tinham um âmbito mais geral (os Complexos Pedagógicos).

    Mas repara, sobretudo porque o Mariano Gago cortou as verbas, é que eu defendo que existiu e existe má gestão. O investimento em infraestruturas foi quase-desenfreado. Construiu-se imenso. Se não havia dinheiro, não se podia/devia ter construído, como se estivéssemos em tempo de vacas gordas.

    Parece-me que certas universidade desenvolveram como estratégia essa não contenção nos gastos, para que pudessem utilizar a falta de recursos financeiras como moeda, como arma contra o ministério. Terá sido uma opção. Eu concordei e concordo com todas as críticas que se fazem ao Ministério do Ensino Superior. Mas quem constrói como constrói, não pode vir dizer que não tem dinheiro para pagar os salários.

    Mas um dos reparos que eu faço, é que existe um "bolo" de capital à disposição da UMinho e em partes desse bolo nem todos podem tocar. Os SASUM são particular exemplo disso. Também questiono, por exemplo, porquê é que foram dados €93M a 4 cursos de Medicina, negligenciando e prejudicando todos os demais cursos dessas universidades e mesmo a própria gestão corrente.

    No caso da UM, defendo que todos têm a sua quota de responsabilidade. Porque se o financiamento se tivesse mantido e as propinas se tivessem mantido, acredito que a UM estaria nesta mesma situação, ou a tender fortemente para esta situação, devido ao investimento feito em infraestruturas, em ambos os campus.

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  4. Pedro Morgado, concordo contigo.
    As divergências de opinião também são normais.

    Nem todas as pessoas podem ser dotadas de inteligência, por mínima que seja, para compreenderem o estado do Ensino Superior em Portugal e quem sabe quiça para entenderem o que se passa na tua universidade.

    As visões mesquinhas e redutoras são normais na sociedade em que vivemos muitas vezes influenciadas pelas simpatias partidárias ou pela falta de princípios que se regem.

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  5. Caro Jorge,

    O financiamento das universidades é mais complexo do aquilo que pintas. O dinheiro para construir edifícios não pode ser usado para pagar salários e vice-versa.

    Isso aconteceria se a autonomia das universidades fosse plena, mas não é. E, aliás, a dependência económica das universidades pode fazer perigar a autonomia científica das mesmas.

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  6. «O financiamento das universidades é mais complexo do aquilo que pintas. O dinheiro para construir edifícios não pode ser usado para pagar salários e vice-versa.»

    Pois é complexo. E eu compreendo isso. Aliás é exactamente a isso que me refiro quando falo no "bolo", ou quando falo nos SASUM, ou quando falo ainda nas verbas exclusivamente dedicadas a Medicina.

    Mas não é isso um problema de gestão? Poderá até advir directamente da lei, mas é um problema de gestão.

    Vês a Universidade a queixar-se quanto a isso? Claramente, há quem tenha mais dinheiro disponível do que outros. Não há reinvindicações. Há queixas. Esta coisa do fecho das instalações não é novidade. Já se pratica há anos, pois, pelo menos restrição de horário era feita.

    Se quiseres ir pela história do Estatuto das Universidades... também verás que a Universidade, como um todo, tem sido muito lenta a processar tudo.

    Tendo em conta que o reitor já fala dos salários há alguns anos, deveria ter dito "basta!", a todas as construções e aos gastos irresponsáveis dos SASUM, mesmo que não tivesse autoridade directa para o fazer, teria de o ter exigido pois, como também acabas por reconhece, afinal até existe dinheiro nas universidades, simplesmente é direccionado para outras coisas.

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  7. «As visões mesquinhas e redutoras são normais na sociedade em que vivemos muitas vezes influenciadas pelas simpatias partidárias ou pela falta de princípios que se regem.»

    Não sei se se estava a referir a mim... Estará no direito de considerar a visão "mesquinha".

    Mas redutora? Eu basicamente digo que o Ministério é responsável, mas os vários órgãos da Universidades estão longe de estar isentos de responsabilidade.

    Digo que existem exemplos concretos de má gestão, quer ela se reconduza às prioridades de investimento (escolas (que servem para os serviços apenas), bares e infraestruturas desportivas, em vez de locais de estudo).

    Quanto às supostas simpatias partidárias, sinceramente não percebo o que quer dizer com isso. Se há forças partidárias a dizer o que digo, que bom para elas. Não foi hoje que pensei nisto. Já o penso e digo há bastante tempo.

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  8. "Também questiono, por exemplo, porquê é que foram dados €93M a 4 cursos de Medicina, negligenciando e prejudicando todos os demais cursos dessas universidades e mesmo a própria gestão corrente"

    O que se passa em relação ao curso de Medicina é aberrante.O luxo que por lá anda contrasta com a penúria de outros cursos (edifício dos Congregados).
    Há filhos e enteados, pois é.

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  9. "O financiamento das universidades é mais complexo do aquilo que pintas. O dinheiro para construir edifícios não pode ser usado para pagar salários e vice-versa."

    Esta frase é muito importante e é integralmente verdadeira. É preciso também ter em conta que o governo mais depressa dá dinheiro para novas construções, do que financia a sua manutenção, ou a reabilitação do seu património, no caso de universidades mais antigas.

    O lobby da nossa "grande indústria" - a da construção - é aí mais do que evidente.

    Também me parece muito claro que o Sr. Ministro quer é descapitalizar as universidades, para lhes reduzir a autonomia: leva-as à penúria e, de seguida, "salva-as" colocando-as sob a sua égide...

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  10. UM PEQUENO APONTAMENTO...

    Quando a TSF deu esta notícia falando sempre em "universidade do minho". Mas concluiu dizendo que uma gestão dos custos levou a encerrar edifícios na "universidade de guimarães"...

    :)

    abraço...

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