Autárquicas 2009: Bloco de Esquerda

| Partilhar
O Bloco de Esquerda parte para o próximo acto eleitoral com muitas probabilidades de novo aumento do número de votos, muito à custa da grande aceitação do partido no eleitorado urbano mais jovem. A menos de um ano das eleições, ainda não se sabe quem encabeçará a candidatura Bloco, mas a abertura dos bloquistas a candidaturas de independentes facilita a escolha.

Em Braga, o Bloco de Esquerda encontrará no eleitorado jovem a sua grande base de apoio e, como tal, a escolha de um candidato capaz de capitalizar estes apoios e de captar a atenção do eleitorado mais velho seria a melhor aposta. Tal como referimos anteriormente, a hipótese de uma coligação com a CDU seria a garantia da primeira representação bloquista no executivo municipal de Braga.

As posições claras do partido em matérias sensíveis como a possível colocação da estátua do Cónego Melo em terrenos públicos ou nas questões da mobilidade são uma mais-valia num tempo em que a política se faz de desmesurados calculismos.

Pontos Fortes
1. O crescimento nacional do partido nas áreas urbanas joga a favor do Bloco na cidade mais jovem do país.
2. A posição clara e coerente do partido nas questões chamadas fracturantes são um ponto muito positivo e que será certamente valorizado pelo eleitorado.
3. A abertura a independentes também joga a favor do Bloco.

Pontos Fracos
1. A fraca penetração do Bloco nos meios rurais é uma das maiores fragilidades do partido.
2. A aritmética eleitoral pode deixar CDU e Bloco fora do executivo caso se repita a repartição de votos das eleições de 2005.
3. Tratando-se de um partido jovem e ainda sem uma base de apoio fiel, os votos no Bloco serão mais vulneráveis ao voto útil nos maiores partidos.

6 comentários:

  1. Curioso, será que o BE não tem uma posição conservadora contra o neo leiberalismo? Ou será o PCP?
    Curioso,muito mesmo.

    ResponderEliminar
  2. De acordo com a análise, exceptuando o ponto 2 dos fracos.

    Juntar PCP com BE pode não ser crescer há muita ortodoxia no PCP e o eleitorado flutuante do BE fugiria. Há muita desconfiança e rivalidade entre os dois partidos.

    ResponderEliminar
  3. O primeiro anónimo que saiba que existe uma larga maioria - no distrito de Braga - de militantes social democratas de esquerda. Uma posição contra o neo-liberalismo, certamente. Mas uma posição forte em relação à via democrática da sociedade, do Partido e da Economia.

    ResponderEliminar
  4. Parece-me que os pontos fracos 1 e 3 irão ser determinantes.

    Quanto aos meios rurais, é quase impossível inverter a situação no pouco tempo que resta. Quanto ao voto útil, esse só será conseguido se existir coligação com a CDU.

    Mas não é assim tão simples quanto isso. São duas forças "inimigas", no plano da política nacional e as direcções centrais poderão muito bem bloquear as intenções de uma coligação BE/CDU (que não sei se será inédita).

    ResponderEliminar
  5. Lisboa, 14 Nov (Lusa) - Fernando Rosas, director do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova, abriu hoje o Congresso Internacional Karl Marx com críticas ao liberalismo, dizendo que se enganou quem proclamou o fim da História e o triunfo do capitalismo.

    Perante um auditório cheio na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, as primeiras palavras do dirigente do Bloco de Esquerda foram de ataque às filosofias mais em voga na década de 90, sobretudo no panorama da ciência política anglo-saxónica.

    Numa referência às teorias de Francis Fukuyama (norte-americano de origem japonesa) e de Friedrich Von Hayek (escola austríaca), o historiador e dirigente do Bloco de Esquerda considerou que se "enganaram os filósofos que proclamaram o fim da História e que nos garantiram um império neoliberal por mil anos".

    "O regresso de Karl Marx como corpo teórico é actualmente incontornável para ler e interrogar a crise do capitalismo deste início do século XXI", contrapôs Fernando Rosas.

    Até domingo, o Congresso Internacional Karl Marx juntará mais de 150 especialistas de diversas áreas científicas.

    Promovido pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, pela Cooperativa Cultura do Trabalho e Socialismo (Cutra) e pela "Transform" (rede internacional de associações culturais), o congresso pretende assinalar os 150 anos dos "Grundrisse", Elementos fundamentais para a crítica da economia política - primeiro manuscrito (completado em 1858) de Karl Marx, que no século XIX revolucionou as concepções económico-políticas e de filosofia da História.

    Numa plateia em que prevaleciam jovens e elementos próximos do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas prestou homenagem a João Martins Pereira, economista e militante do Bloco, que hoje faleceu.

    Na sua intervenção, Fernando Rosas sublinhou que o Congresso Internacional Karl Marx "será o maior fórum do género jamais realizado em Portugal".

    O historiador referiu depois que o Instituto de História Contemporânea recebeu uma "autêntica avalanche de comunicações", cerca de 200, das quais foi forçado a seleccionar 150.

    Comunicações que disse terem vindo de países como o Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido, entre outros países.

    "Este congresso, marcado antes da eclosão da crise económica e financeira, foi ampliado de dois para três dias, e houve necessidade de constituir 48 painéis temáticos", salientou ainda o professor universitário.

    Outra ideia central da intervenção do dirigente do Bloco de Esquerda foi sublinhar a preocupação com a existência de pluralismo ao longo dos três dias de análise à filosófica marxista.

    "Não teremos preocupações de tirar conclusões. Trata-se antes de um debate fundador de muitos outros debates que se hão-de seguir", advertiu

    PMF.

    Lusa/fim


    Agora pergunto: se estas palavras tivessem sido proferidas pelo PCP sairiam os mesmos do costume dizendo que lá vinha o partido da cassete.

    Pergunta 2: mas então o BE é diz o mesmo e não é conservador? Ora explique lá o que significa ser conservador?

    ResponderEliminar
  6. A rivalidade BE/CDU faz-me lembrar aquela do "diz o roto ao nu..." ou "eram piores que inimigos eram irmãos"...
    Mas a corrente "anarca" do BE pode fugir à coligação por ser do BE mas ser anticomunista também, signifique isso o que significar...
    Quanto ao apoio rural ou à falta dele que dizer?Então não é que o MRPP nalgumas freguesias do interior tem mais votos que a CDU ou BE?Será isso normal?Ou serão, curiosamente, esses votos do PCP já que, conscientemente, no MRPP não o serão como é evidente?
    Mas faz falta um vereador dessa área para fazer alguma agitação e arruaça (no bom sentido)...

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores