A Crise da Escola Pública

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A excessiva burocratização do serviço docente com a consequente secundarização das actividades lectivas de contacto com os alunos que sempre se constituíram como o grande encanto da profissão e a imposição de um modelo de avaliação viciado por enormes injustiças na selecção dos professores titulares e eivado de graves deficiências de concretização são os grandes justificativos para o facto de mais de quatro quintos da classe docente estar hoje em protesto.

Uma escola repleta de professores que dão aulas porque não têm outro emprego onde ganhar o suficiente para sobreviver é o saldo dramático destes anos de reiterada teimosia da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues. A estratégia do deliberado achincalhamento público fez grassar o ressentimento docente e a desmotivação é o sentimento mais dominante no seio das escolas públicas. Quem não percebeu que não se pode reformar a escola denegrindo os docentes está a mais no Ministério da Educação.

Ainda que a maioria dos votos venha a confirmar este governo, não é crível que a reforma da educação se possa fazer contra a vontade da quase totalidade dos professores. Como se sabe, o ensino não entra nas prioridades da esmagadora maioria dos portugueses e não será um assunto determinante na hora de escolher o governo. Por isso mesmo, os políticos estão incumbidos de colocar a educação no lugar certo da hierarquia de prioridades do país, criando condições para que o sistema de ensino contribua decisivamente para desenvolver o país, melhorar as condições de vida das populações e o atenuar as desigualdades socias.

Um governo responsável não pode assobiar para o lado quando uma classe inteira sai à rua para protestar. É por isso que Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates, com a complacência do Presidente da República, são os principais responsáveis pelo clima gravoso que se vive na escola pública e que culminará com a sua completa degradação.

Esta Ministra da Educação confunde determinação com intransigência e prepotência, estando numa situação de completo descrédito junto da classe docente, o verdadeiro motor do ensino público português. Quando diz que «não há outro modelo disponível», Maria de Lurdes demonstra uma arrogância que envergonha a democracia.

O afastamento da Ministra e a suspensão imediata deste modelo de avaliação são as únicas saídas possíveis para repor o normal funcionamento da escola pública ainda a tempo de a salvar. Se tal não acontecer, caberá aos professores mobilizarem e sensibilizarem a sociedade civil para a defesa da escola pública. Vergar os professores será trágico.

Das memórias do meu percurso na escola, guardo o entusiasmo com que uma das minhas professoras de português expunha os conteúdos e nos desafiava a reflectir sobre eles. Ainda recordo o dia em que nos contou que encarava a profissão docente como um verdadeiro sacerdócio e que, apesar da dedicação a tempo inteiro, fazia-o com verdadeiro encanto e motivação. Depois de muitos anos sem contacto por via da minha mudança de cidade, encontrei-a na passada quarta-feira. Estava velha, gasta, cansada, desmotivada e lamuriosa. No fundo, era o espelho da escola pública.

19 comentários:

  1. «Uma escola repleta de professores que dão aulas porque não têm outro emprego onde ganhar o suficiente para sobreviver é o saldo dramático destes anos de reiterada teimosia da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues.»

    Sinceramente, não percebi esta parte... dá uma vista de olhos às pensões daqueles que se aposentam todos os meses. Ou então temos conceitos muito diferentes do que é sobreviver... há quem o consiga fazer, por pouco, com 500€ por mês.

    E depois ainda há uma quantidade enorme de professores que dão as suas explicações... até há aqueles que optam por deixar de dar aulas (ou por pura opção ou porque, a dada altura, não conseguiram entrar no sistema ou não conseguiram entrar onde queriam) e passam a dar, exclusivamente, explicações. Diz que é rentável.

    «a excessiva burocratização do serviço docente com a consequente secundarização das actividades lectivas de contacto com os alunos que sempre se contituíram como o grande encanto da profissão»

    Quanto a isto, é verdade que existe alguma burocratização, mas ela já existia antes da avaliação e a avaliação não é tão burocrática quanto eles querem fazer crer. Também é verdade que existe uma "secundarização das actividades lectivas de contacto com os alunos". Mas isso não tem nada a ver com a burocratização. É assim, simplesmente porque cada turma tem cerca de 10 docentes, por ano. Já não é tanto assim na primária, apesar de aí também terem de menos, na minha opinião. A invenção das aulas de estudo acompanhado e de toda uma série de novas pseudo-aulas também me parece bastante negativo, pois não liberta nem os docentes, nem os alunos, para coisas bem mais úteis, do que o mero preenchimento do horário, tal como uma ATL.

    Mas há coisas que o passado não apaga.

    Nomeadamente,

    (a) o facto de que os professores e os sindicatos pouco ou nada terem feito durante as últimas três décadas, como vários disseram, inclusivé o Pedro Romano aqui n'Avenida ( http://avenidacentral.blogspot.com/2008/03/avenida-marginal-silncios-coniventes.html ) ou o Luís Grave Rodrigues ( http://rprecision.blogspot.com/2008/03/uma-grande-vitria.html )

    (b) ninguém se esquece que a primeira manif, a tal dos 100 000, tinha como reinvindicação a abolição do sistema de avaliação. Nenhuma avaliação, era o que se exigia. Mais, até chegaram, durante bastante tempo, a rejeitar qualquer forma de diálogo com as entidades competentes. ( http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1322007&idCanal=58 )

    Enfim, parece-me que esta manif vai acabar por desenterrar alguns textos dos arquivos de muita gente. Aliás, nem é preciso escrever praticamente nada de novo, de tanto que já foi escrito.

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  2. a estrutura em que assenta escola pública está gasta. já está gasta de reformas, atingiu o seu limite e precisa sim de uma revolução.

    Mas a crítica à escola pública não pode servir para vender o cheque ensino ou liberalização do serviço do ensino. Apesar de todas as falhas deste modelo de escola pública aínda estamos muito longe do patamar da selvajaria e de darwinismo social que a visão liberal comporta...

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  3. Na verdade a imagem da escola é em grande parte feita pelos professores, e ela está velha, gasta, cansada, desmotivada e lamuriosa. Mas a autora desta imagem está surda, cega e teimosa.Tal como o pais, a educação não sabe o que quer e a escola não sabe para onde vai. As ideias baralham-se, não há rumo, não se sabe para que serve. Há legislação, documentos, papeis, mas não há sala de aula, estudo, aquisição de conhecimentos. Também ja não faz falta isso, afinal até passa tudo. Transformou-se a escola. Do lugar de aprendizagem passou a armazém de crianças enquanto os pais trabalham. Não é importante que aprendam, necessário é que alguem os entertenha. Aliás seria uma grande ideia que já que os alunos permanecem nas escolas das 7 às 19 horas, porque não pensar os novos projectos de construção dos Centros Escolares com dormitório integrado? Afinal se os alunos só vão a casa para dormir, se o fizessem na escola poupava-se imenso e os pais sempre poderiam divertir-se e aliviar um pouco da azafama laboral diária.

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  4. Caro JLS,
    A frase que citas apenas pretende reforçar que os professores estão desmotivados.

    Caro anónimo (18.45),
    Concordo inteiramente quando escreve que crítica à escola pública não pode servir para vender o cheque ensino ou liberalização do serviço do ensino.

    Caro JMTinoco,
    Muito obrigado pela análise muito lúcida que faz do estado do ensino. De facto, as escolas armazéns de miúdos com os professores a guardá-los não é o que desejávamos para o nosso sistema de ensino.

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  5. «Caro JLS,
    A frase que citas apenas pretende reforçar que os professores estão desmotivados.»

    Imagino que sim, há tantos professores desempregados, que imagino que muitos dos que estão hoje empregados se sintam desmotivados perante a perspectiva de uma real avaliação.

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  6. «Um governo responsável não pode assobiar para o lado quando uma classe inteira sai à rua para protestar.»

    O brutal peso burocrático de que os professores e os sindicatos que se queixam não é maior do que aquele que existe no regime de avaliação que se aplica à generalidade da função pública, pois, em muitos aspectos, o regime dos professores imita esse regime. Esse regime é aplicado desde 2004... pelo que facilmente se percebe a tontice que os sindicatos tentam vender.

    Dizias, no post anterior, que aquela citação servia para descrever a desmotivação dos professores. Que muitos deles andam desmotivados não tenho dúvidas, mas também existem muitos outros que estão. Eu vi algumas partes da cobertura noticiosa e, se é verdade que os sindicatos já moderaram as suas posições, ainda andavam para lá professores em número considerável a dizerem que eram, pura e simplesmente, contra a avaliação.

    «Quando diz que «não há outro modelo disponível»»

    Aparentemente, este modelo foi negociado. Com toda a certeza, este modelo rouba aspectos ao modelo "geral" já vigente desde 2004, que imagino que também tenha sido discutido com outros sindicatos e centrais sindicais. Aparentemente, o que exigem, hoje, é uma renegociação. É inconcebível.

    Os professores que lutem para terem uma Ordem ou coisa do género, porque é demasiado óbvio que os sindicatos, que ao que parece, foi quem negociou, não servem para proteger os seus interesses e acabam por estar subjugados aos interesses de uma classe política. Não serviram para os defender nem para lhes dar uma voz credível e de mudança ao longo dos últimos 30 anos, como continuam a não servir hoje e jamais servirão.

    Como já disse na altura, em março, basta conhecer (tipo.. ler a lei em vez do panfleto do sindicato) minimamente a lei e o pseudo-peso esmagador da burocracia avaliativa, para perceber que as reinvindicações são descabidas. Ajuda ainda mais - ou não deixa margem para qualquer dúvida -, se levarmos em conta o regime geral de avaliação de 2004.

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  7. JLS,
    Os docentes são corpos especiais pelo que, como facilmente se percebe, a sua avaliação não pode ter as mesmas regras da avaliação de um administrativo.

    A questão já ultrapassa os sindicatos. A esmagadora maioria dos que hoje estiveram na rua nem serão sindicalizados. Quem está a contestar a lei são os professores, dia após dia.

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  8. Tenho 25 anos,sou professora do ensino básico e secundário, não sou sindicalizada e fui uma das mais de 120 mil pessoas presentes hoje na manifestação de Lisboa.
    Esta avaliação tem dois objectivos fundamentais: diminuir o número de professores a atingir o topo da carreira (e assim poupar uns trocos ao estado) e facilitar (ainda mais)o sucesso dos alunos.
    Eu poderia referir diversos defeitos desta avaliação, mas um chega para demonstrar o quanto ela é ridícula: o facto de a avaliação dos professores estar subordinada a parâmetros como o sucesso dos alunos, o abandono escolar e a avaliação atribuida aos alunos!!!
    Desprezam-se variáveis inerentes à realidade social, económica, cultural e familiar dos alunos que escapam ao controlo e responsabilidade do professor e que são fortemente condicionadoras do sucesso educativo.
    Esta subordinação das duas avaliações (do professor e do aluno) não respeita o princípio de imparcialidade, já que há uma colisão de interesses entre o professor (interessado na sua avaliação pessoal) e a avaliação que faz dos seus alunos, cujos resultaods têm implicação directa na primeira.
    Simplificando: se dou boas notas sou boa professora, se dou más notas sou má professora. Resultado: o sucesso da maioria das turmas vai chegar aos 100%!!

    Conclusão do governo: esta ministra é optima porque finalmente colocou os professores a trabalhar (até agora não faziam nada) e por isso o nosso país vai subir muito os níveis de escolaridade da sua população...

    P.S. Estou a trabalhar numa escola de Almada e por isso atravessei com muitos colegas o Tejo de barco... Estranhamente os barcos não estavam a cumprir os horários (estavam a atrasar imenso...). Quando um colega meu tentou saber o que se passava, apenas responderam: "Tivemos ordens para reduzir, durante o dia de hoje, o número de travessias no rio Tejo"... Mesmo assim conseguimos ser mais de 120 mil:)

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  9. Há aqui gente que escreve coisas e não faz a mínima ideia do que escreve. 120 mil professores devem estar loucos ou então a esta ministra está a destruir a escola pública.

    Nota-se aqui bastante dor de côto. 500€? Mas tira-se uma licenciatura para ganhar 500€? Estudasses e provavelmente terias um melhor emprego.

    Pois, pois, pimenta no cu dos outros para mim é refresco!

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  10. "O brutal peso burocrático de que os professores e os sindicatos que se queixam não é maior do que aquele que existe no regime de avaliação que se aplica à generalidade da função pública, pois, em muitos aspectos, o regime dos professores imita esse regime. Esse regime é aplicado desde 2004... pelo que facilmente se percebe a tontice que os sindicatos tentam vender."

    Caro jls,

    neste parágrafo denotas que não percebes nada do que escreves! Como podes comparar uma escola a uma repartição pública?

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  11. O melhor é não haver avaliação alguma. É serem todos bons e todos chefes. O melhor é irem á escola 4 dias por semana 5 horas por dia. Já trabalham muito em casa a preparar as aulas.
    O melhor é não propor nada, absolutamente nada. A sombra da ideia de que a final algum professores são bons caucionar todos os incompetentes.
    Não sou socialista ou gosto dos políticos que temos, mas se tivesse que resolver, decidir sobre esta questão PRIVATIZAVA a escola. Garantia que todos os Portugueses em idade escolar tinham acesso ao ensino de qualidade de que o país precisa (e não encontra no ensino público que durante as últimas décadas esteve na mão de professores e sindicatos - todos bons, todos chefes).
    Assim os senhores professores que estão acima de qualquer avaliação que um comum mortal possa produzir podiam aceder a condição a qual acederam muitos dos outros que não trabalham para o estado - AVALIADOS.
    O meu ultimo chefe era uma bosta o sucessor não é muito melhor e a minha carreira é decidida por pessoas que nunca me viram trabalhar. Quando não estiver contente despeço-me e vou procurar trabalho noutro sitio.
    Para o registo sou familiar de professores e muito dos meus amigos são professores. Não me qualifica como entendido em questões de ensino mas dá-me uma boa visão do que foi e é a CLASSE.

    Vitor Silva

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  12. Sem querer ocupar as páginas do teu blog, ainda para mais para discordar de ti, adiciono mais duas ideias.

    1 - Comentário da Catarina Lopes
    Catarina tens toda a razão. Não levam em conta tudo o que dizes e podes ainda acrescentar - o alinhamento do sol e da lua, o grau relativo de humidade e outros factores bem relevantes.
    Olha já agora lê com atenção a literatura disponível on-line sobre os critérios de avaliação e epnsa pela tua cabecinha. Afinal tens 25 anos.

    2 - Comentário de ANÓNIMO que disse "Mas tira-se uma licenciatura para ganhar 500€?"
    Não, claro que não. Tira-se uma licenciatura, paga com o dinheiro dos contribuintes, para se ter um emprego garantido para o resto da vida (um tacho)com salário pago com o dinheiro dos contribuintes. Reclama-se um lugar ao pé de casa, que andar uma hora por dia de transportes é para os que não têm licenciatura, esse promovido como o vinho, deixando passar o tempo, e chega-se aos 100 pontos no Wine Spectator nem que não se passe de reles vinagre. Tudo pago com o dinheiro dos contribuintes.
    Vitor Silva

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  13. Sr. Vitor Silva,
    Os critérios de avaliação disponíveis na net são muito bonitinhos, mas na prática acontece o que eu referi anteriormente… Já vi que não quer perceber, por isso não vou perder mais o meu tempo…
    Só para finalizar:
    1- O grau relativo de humidade das casas de alguns alunos não será assim tão irrelevante… ah… ah… ah…
    2- Trate dessa dor de cotovelo… Ser do distrito de Braga, estar a trabalhar em Almada com horário incompleto e ganhar cerca de 550 euros por mês não é assim tão bom… Quando o ministério não me contabilizar o tempo de serviço porque a minha escola suspendeu o processo de avaliação e quando eu tomar real consciência de que estive a trabalhar para aquecer, vou tentar avisa-lo… Essa dor de cotovelo vai desaparecer completamente e o Sr. Vitor vai conseguir ser feliz para sempre!!! É que, apesar de tudo, eu continuo a sorrir… Vá lá… Tente ser mais simpático… Isso faz mal à saúde…

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  14. Catarina,
    trabalho a 15000 km de Braga ou de Almada, ganho 550€ por dia (ou mais um bocadinho) e sou avaliado todos os dias a mais de 20 anos. Melhor ainda, o facto de ter sido avaliado como muito bom nos últimos 20 anos não garante que tenha emprego amanhã se não tiver um desempenho á altura do que é esperado. Mudei de chefe 8 ou 10 vezes na minha carreira, fui avaliado por pessoas que percebiam muito pouco do que eu faço e cada vez que muda o chefe leva a memória com ele.
    Dor de cotovelo? Não. Memória. Ainda me lembro de quando os professores estavam indignados porque tinham que fazer formação para subir de escalão.
    Se há uma classe que nunca gostou de prestar contas, que nunca fez nada para garantir a qualidade e a ética dos membros da classe, os professores são sem dúvida essa classe.
    Se não queres dar aulas sem horário completo e a trabalhar longe de casa vai para o privado, se gostas mesmo de dar aulas, ou então muda de carreira.

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  15. Critica-se com muita facilidade e sem grande conhecimento de causa.

    Conhecem bem o que está em causa? Não?

    Então isso chama-se PIMENTA, que no cu dos outros, para vocês é refresco!

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  16. "Viagem imóvel", por estar fora do país talvez não tenha a percepção de que arranjar emprego num colégio privado em Portugal não é fácil... Felizmente nos últimos dois anos passei por essa experiência e devo dizer que me agradou bastante. Obviamente que também existia avaliação, mas era feita noutros moldes. Dei muitas horas gratuitas ao colégio na preparação de actividades... Passei muitos sábados e até domingos dentro daquela escola... Trabalhava, mas sabia que aquela trabalho era útil... Nunca fiquei até às 10h da noite em reuniões inúteis (como fico este ano), mas fiquei várias vezes até depois da meia-noite em formações, tertúlias ou debates organizados pelos próprios professores da escola... Era um trabalho provavelmente mais duro, mas que se tornava muito menos desgastante pois estavamos todos a trabalhar para melhorar o ensino daquela escola. Quanto à formação, devo dizer que tinhamos um leque bastante elevado de formações que gratuitamente frequentavamos. Este ano, pela primeira vez na escola pública, não me queixo do excesso de trabalho, mas sim do excesso de trabalho inútil!! As formações, que tal como no ensino particular são obrigatórias, são na sua maioria custeadas pelos próprios professores (média de 100 euros).
    Não quero com isto dizer que não gosto de me formar... Bem pelo contrário, já que estou a terminar (e a pagar) um mestrado na Universidade do Minho... Mas quando pago gosto de pagar por algo com qualidade e não por formações cuja qualidade é muitas vezes duvidosa...
    Quanto à possibilidade de mudar de carreira, tenho que admitir que já me passou várias vezes pela mente. Isso até poderia resolver o meu problema, mas nunca o da educação em Portugal... E é isso que estamos aqui a discutir!!
    Para terminar, o facto de muitas pessoas serem mal avaliadas não implica que nós professores também tenhamos que o ser...
    Bem, acho que já escrevi demasiado:) Tenho que ir corrigir uns testes... :)
    Bom resto de fim-de-semana para todos!!

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  17. Os professores sempre foram avaliados e serão e os incompetentes sempre sofreram com processos disciplinares. Antigamente os que queriam o Bom sujeitavam-se a uma inspecção e se preenchessem os criterios teriam o Bom e não o Satifaz como quase todos tinham. Os que eram incompetentes nas aulas iam para trabalho administrativo.
    Este modelo era bom e os que realmente gostavam de ensinar tinham tempo para o fazer agora este novo modelo tal como a catarina diz só serve para o governo poupar nos salarios e restringir a subida de carreira.
    Que parvoice é esta? Se o professor está a dar aulas é porque queimou as pestanas a tirar um curso para o ensino ou é bom ou insuficiente e acreditem que hoje em dia os que são insuficientes são escorraçados pelos pais dos alunos...

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  18. Anónimo das 19:00

    Então eu devo ser muito azarado para levar com os professores que levei.

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  19. Fico bastante admirado com a profusão de opiniões sobre os professores. Desde um tal Vitor que não percebe nada de Educação, nem tão pouco de ensino, até ao "professor" que já viu mudar o chefe, sentir que foi avaliado por pessoas que não sabiam nada que que estava a fazer (óptima avaliação, não é? E,pasme-se, com muito bom há 20 anos, e que, por isso mesmo, defende que esta avaliação descabida e sem sentido deve ir para a frente. A isto chamo o remediar o nosso mal com o la dos outros. É curisoso que essa é a filosofia de fundo que norteia os procedimentos governativos: dividir para reinar e nivelar por baixo.
    Só se vai perceber o mal que este governo tem causado à escola píblica daqui a algum tempo, quando o ensino privado assumir os destinos da educação no nosso país. Só que, nessa altura, já será tarde e, "por mais que se torça a orelha, já não deitará sangue".
    Já agora, pergunto qual a posição dos pais? Será que se revêem na pessoa do Sr. Albino Almeida, um professor que, por se assumir como empresário, não quer sequer recordar esses tampos, situando-se numa posição de ataque cerrado à classe docente e numa subserviência ministerial que incomoda. Acordem pois são os vossos filhos os que menos culpa têm em todo este processo mas a quem será debita a factura destas "politiquices" que, a troco de um conjunto de interesses económicos e estatísticos mais ocultos, em nada contribuem para melhorar a tão apregoada qualidade do ensino.

    Estou convencido de que chegará o momento de tudo isto ter um fim. Pena é que possa não ser a tempo de salvar a escola pública.

    JCM

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