As gravuras "ocultas" do Minho

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Avenida Monumental
© CNART

A Arte Rupestre, enquanto património arqueológico culturalmente útil, é muitas vezes subestimada, não só pelos “leigos”, como também muitas vezes por especialistas da área do património, historiadores e programadores culturais. É verdade que a questão de Foz Côa veio contrariar uma tendência generalizada que atribuía valor apenas ao que enche a vista, ao que sugere uma interpretação mais evidente ou, resumindo, ao que é património edificado. Tanto para com os vestígios do passado, como para a análise do desempenho de um autarca, por exemplo, os portugueses valorizam essencialmente o que se vê, e que impressiona a visão.

As gravuras rupestres não existem só no Vale do Côa (embora aí, determinadas características contribuíram para que elas se conservassem, e que sejam testemunho de tempos muito mais remotos). A Arte Rupestre conserva-se em rochas de todo o país, e o Minho não é excepção. As superfícies graníticas que afloram por toda a região, frequentemente apresentam os mais diversos motivos gravados, de diferentes períodos históricos. Os líquenes, os fungos, a orientação da luz natural, o sobreaquecimento provocado pelos incêndios... tudo contribui para que as gravuras se tornem cada vez mais ocultas.

De um momento para o outro, acendem-se as luzes, e deparamo-nos com um cenário invulgar. Como vemos na imagem acima, a orientação da luz artificial através de fois focos, torna mais claro o que se encontra gravado num penedo, desde o Neolítico Final. E vê-se então o que, recorrendo unicamente à luz natural, apenas se distingue ao nascer do Sol, ou ao ocaso. Estas gravuras estão em Briteiros, onde foram gravadas de modo a acolher a luz nascente, que irrompe das cumeadas da Serra da Cabreira. Mas os mesmos motivos se encontram em penedos espalhados por toda a região, no meio das “bouças” ou até no meio de jardins de moradias.

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