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Avenida do Mal

SportTV, Estádios Vazios e Quioto

Não gasto agora demasiado do meu tempo precioso, aquele que parece que acelera com a idade, em discussões de futebol e a assistir a jogos, devidamente sentado no Estádio ou no sofá. Pelo contrário, faço parte daquela geração que se alapa em frente ao computador sem saber o que fazer, a saltar da Blogger para o YouTube. Mas como qualquer activista de sofá, interessam-me as questões do ambiente, da gestão de recursos e da eficiência energética. Coisa que não preocupa, por exemplo, à Liga Portuguesa de Futebol e à SportTV, que mais interessados em embebedar-nos desde pequenos (uns de mais verdes que outros) no vício do futebol se vão esquecendo da sua contribuição para a redução das emissões de CO2.

Em Portugal, país rico da West Coast da Europa, a energia abunda graças às suas enormes albufeiras sustidas por paredes de betão de onde jorram jaculados de água por entre as turbinas. Abunda a energia, porque temos Sines e gasodutos. Temos o País, do Marão ao Caldeirão, impregnados de parques eólicos e temos a Central de Energia Solar da Amareleja.

Assim se deve pensar, porque não se percebe que com tantas horas de sol, e sem o breu do Alasca e da Noruega em meses de Inverno se fazem todos os jogos de futebol da Primeira Liga (não me arrisco nas outras) de noite, obrigando logicamente a acender os enormes focos de luzes do Estádio de fazer estourar qualquer contador eléctrico e a comprometer (moralmente) Quioto.

Não se percebe e até se percebe. À SportTV convém manter bem alimentados os assinantes, do obsessivo e quase omnipresente desporto-rei. Tanto que lhes oferece todos os conteúdos em futebol, do campeonato de Inglaterra ao da Mauritânia, e esses encaixa-os à tarde - como é interessante ver jogos de futebol à tarde... Os da Liga Portuguesa ficam obrigatoriamente para a noite, quer agrade aos adeptos de bancada quer não agrade – que se amanhem – vale mais uma assinatura mensal que um bilhete. E como as torres de iluminação alumiam mas não aquecem, os estádios, nem de propósito, não enchem por aí além, domingos e segundas à noite.

8 comentários:

  1. Muito bom texto !!!

    Futebol e para se ver em estádios e horas decentes !

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  2. Excelente texto a que já fiz referência no meu blogue. Com ironia e verdade q.b. E com a mais pura das verdades. A ditadura televisiva do canal codificado continua a prevalecer e sem que os clubes consigam fazer nada para o impedir. Exemplo bastante, é o Vitória jogar segunda às 19h. Para não trabalhador, ver.

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  3. Eu também estou em casa sem fazer nada e a passar de blogger para o youtube mas também vou ao estádio ver o meu clube e dantes havia respeito por mim, os jogos eram ao fim-de-semana a tarde ou no máximo os transmitidos pela tv ao sábado a noite. Agora não, os clubes já não precisam de nós mas sim das televisões e ainda por cima não conseguem perceber(os clubes) que se colocarem os bilhetes a 10 euros e não a 20 como é o normal, vão ter o dobro dos expectadores e o mesmo ou superior montante em receita.

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  4. Não concordo que os jogos à noite sejam um problema. Como os concertos, um bom jogo de futebol é para ser visto à noite. Deixando de lado as preocupações ecológicas, o ambiente gerado em torno de uma partida de futebol à noite é muito diferente do ambiente gerado num jogo de futebol de Domingo à tarde.

    Diferente é o facto de a jornada de futebol em Portugal se estender, frequentemente, entre Sexta-feira e Segunda-feira.

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  5. Concordo que os jogos se realizem à noite durante a semana, pois a maioria das pessoas trabalha durante o dia. Ao fim de semana a única justificação deve ser o share de audiência da TV... Para mim, que gosto de ir ao estádio - e ver pela televisão só me irrita (mas, às vezes, tem de ser...) - não há como um jogo de futebol ao Domingo à tarde!

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  6. Não estou a ver o que de diferente um jogo de futebol pode ter à noite que torne o ambiente mais especial, João. E engraçado que não me parece que na Inglaterra o ambiente de um estádio seja pior de tarde. Pelo contrário.

    O Futebol tinha-se como um desporto de acesso democrático, adaptado o horário dos jogos aos trabalhadores de todas as classes. Quase que apostava contigo que se os jogos fossem à tarde atrairiam muito mais gente.

    E sim, acho um jogo de futebol muito mais interessante durante o dia, domingueiro, de família e amigos como deve ser - ei lá, sinto-me uma Manuela Ferreira Leite.

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  7. Os jogos de Domingo à tarde são exactamente o que dizes: de família e amigos; de convívio. A malta vai ao estádio, ri-se um bocado, insulta aqui e ali e está com amigos.

    Não estou a dizer que o ambiente de um jogo à tarde seja mau, pelo contrário. O que acho é que um jogo de noite, com as sombras artificiais dos jogadores e a brisa fria é outra coisa. Na nossa cultura, já não faria grande sentido um grande jogo num Domingo à tarde. É um ambiente diferente, e julgo que tu também já o terás vivido.

    Há jogos de Domingo à tarde e há jogos de Sábado ou Domingo à noite. A mim agrada-me mais o modelo espanhol: quatro jogos grandes divididos entre Sábado (19h e 22h) e Domingo (19h e 21h) e os restantes num Domingo à tarde.

    Em Espanha assisti a dois jogos no mesmo estádio: o Levante-Getafe, num Domingo à tarde, e Levante-Valência num Sábado à noite. Os dois jogos foram completamente diferentes e tinham de sê-lo: entre um jogo banal e um derby há grandes diferenças. Por essas diferenças, o horário de cada um fazia todo o sentido. Contra o Getafe, que ficou 1-1, a bancada ria-se, insultava e estava entre amigos; Contra o Valência, que ficou 4-2, a bancada gritava, insultava e finalmente ria-se. Rires diferentes, claro.

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  8. Em termos televisivos, porém, em dias de sol em que este não incida a pique sobre o Estádio, o contraste sol/sombra prejudica em muito a qualidade do visionamento...
    Mas claro que isto é uma parte da questão...
    Em Inglaterra joga-se de dia, muitas vezes mesmo a partir do meio-dia e tal, porque o Verão lá é de dois meses.O nosso, apesar de tudo é, pelo menos de 6 meses...
    Mas em Janeiro/Fevereiro jogos às 21 horas na bancada é de rachar...

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