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Avenida Monumental

Preconceito Profissional

Trabalhar com o Património Arqueológico exige lidar com alguns constrangimentos, um deles é a ideia preconcebida, e errada, de que, onde uma equipa de arqueólogos entra, está tudo perdido e ninguém mais pode construir nada naquele local. Por vezes, essa ideia preconcebida parte do cliente, ou seja, de quem paga a intervenção arqueológica. Outras porém, parte de quem, não estando convenientemente informado dos processos, tenta criar um escândalo “à moda de Foz Côa” (a expressão tem direitos de autor), porque estes escândalos normalmente vendem bem.

Na semana passada, veio a público notícia da descoberta de uma necrópole no centro de Braga. Na reportagem do Diário do Minho, além de informações vagas relativamente aos vestígios arqueológicos detectados, deu-se especial ênfase ao invulgar sigilo que teria revestido a intervenção da equipa de Arqueologia, ao alegado pedido de não divulgação por parte do promotor da obra feito aos arqueólogos, e a associação imediata dos achados detectados a outros projectos, como o prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade, o hotel para idosos, etc. Tudo isto baseado em fonte anónima.

Em boa hora, os investigadores responsáveis esclareceram a opinião pública, e anteciparam a divulgação dos resultados da intervenção, de modo a evitar uma visão deturpada dos trabalhos que decorrem.

De facto, a comunicação social tem destas coisas, divulga-se uma descoberta com uma segunda intenção, mais ou menos evidente. Se o objectivo era unicamente fazer uma reportagem acerca de uma intervenção arqueológica, então porque não entrevistar os responsáveis? Ou porque não esperar o término da escavação?

17 comentários:

  1. Deveria falar-se mais, muito mais de arqueologia. Para não cairmos em juízos falaciosos e preconceituosos.

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  2. Se soubesse as peripécias que estiveram por detrás da notícia piblicada pelo Diário do Minho, da "Caça às bruxas" que se seguiu imediatamente à publicaçao, da pressão da UA que terminou no despedimento de um arqueólogo e de oitras "coisinhas" mais, como a tentativa de impedir a publicação da notícia, após "colóquio" da UA com a imobiliária, a sua postagem seria completamente diferente e veria a necessidade de protecção das fontes...

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  3. Será que a descoberta irá prejudicar mais uma obra de regime de Mesquita Machado, não a tornando operacional antes das eleições autárquicas?Será que é possivel compatibilizar o projecto comercial previsto com a salvaguarda em "su sitio" do material descoberto?Ou as descobertas são deslocáveis?
    Pelo seu impacto e qualidade se calhar não...
    E assim - tudo parado em termos constructivos - até parece que nem um "acidente" imprevisto pode destruir a necropole e que jeito daria...

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  4. Caro Francisco,

    Eu tenho conhecimento dessas "peripécias", apesar de não saber até que ponto são verdade (duvido que o sejam).
    Fala em "protecção de fontes". Mas então, qual a necessidade que essas "fontes" tinham de ir contar informações deturpadas a um órgão de comunicação?... Na concorda que a publicação da primeira reportagem foi tendenciosa?
    A não ser que considere que os responsáveis da UAUM mentiram na conferência de imprensa?!! Acha que omitiram factos acerca daquela intervenção?! Se sim, quais?
    A UAUM não coordena o salvamento de Bracara Augusta há mais de 30 anos? Haverá instituição mais fiável, ou com mais experiência?
    O que é que a escavação do quarteirão dos correios tem que ver com o túnel da Av. da Liberdade?...

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  5. Caro contra-corrente,

    A conciliação da preservação dos achados arqueológicos com o projecto comercial é sempre possível. Mas naturalmente que a situação será avaliada à medida que a escavação vai avançando.
    Na minha opinião, a zona comercial só teria a ganhar com ruínas arqueológicas in situ.

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  6. Ola!
    Ma quem questiona as fontes anónimas, por acaso sabe quem é a fonte anónima?
    Mais, será que é jornalista e alguma vez soube o que é jornalismo=
    Acresce, que independentemente de todos os interesses, o jornalismo só tem dois compromissos: com a verdade e com o interesse público.
    Por isso, quando souberem de verdadeiras notícias como estas divulgem-nas, que é para isso que elas servem e não façam "caixinha"...
    Boas escavações.

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  7. Caro José,

    Não sei quem é a fonte anónima, e sinceramente não me interessa saber. Sei bem o que é jornalismo, e como tal, sei que o jornalismo DEVIA ter apenas dois compromissos: com a verdade e com o interesse público. Mas infelizmente, em grande parte dos casos não tem. Lamento que ainda se encante com isso...

    Já agora, sabe o que é uma escavação arqueológica? Sabe que a divulgação de resultados, ainda que preliminares, obedece a determinados timings? Sabe que os arqueólogos apenas divulgam os seus trabalhos para a sociedade civil quando entenderem e como entenderem? É uma questão deontológica...

    Só é pena que as notícias "verdadeiras" afinal não o sejam, como aliás se confirmou neste caso...

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  8. caro Gonçalo:

    Se está assim tão bem informado como afirma estar, pergunte na Unidade de Arqueologia quem levantou a questão da implicação do túnel na necrópole. Vai pergunte sentado, porque ainda tem uma síncope...

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  9. Caro Gonçalo:
    Afinal, continuo sem perceber o que está mal nas notícias??...

    Quando à deontologia dos arqueólogos, lembro-lhe que a principal obrigação que têm é com o dinheiro público que recebem para proteger o património de todos...
    É que sem dinheiro público a Unidade de Arqueologia nem sequer existia...

    boas escavações

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  10. Caro José,

    Se ler a reportagem do DM do dia 28 de Julho, e ler depois a do dia 2 de Agosto (ambas na internet), após a conferência de imprensa da UAUM, verificará que a primeira notícia avançou informações erradas ou, no mínimo, especulativas. É notório... Talvez aí perceba o que esteve mal nas notícias.

    Quanto à deontologia dos arqueólogos, deixe-me lembrar-lhe que a principal obrigação que têm, é para com quem lhes paga, ou seja, o promotor imobiliário, o grupo Regojo. Neste caso, os arqueólogos não estão a receber dinheiros públicos, como referiu.
    A obrigatoriedade de disponibilização dos dados limita-se ao promotor que financia os trabalhos, por um lado, e ao Igespar, que os tutela, por outro.
    A divulgação junto da comunidade é importante, mas faz-se unicamente por boa vontade da UAUM, e eu acho muito bem.

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  11. Continuo sem ver as mentiras das notícias... quer indicar-me onde está o desmentido?

    Quanto às obrigações deontológicas dos arqueólogos, insisto que a primeira obrigação é honrar o dinheiro público que os formou e que os financiou enquanto unidade...

    Em relação às obrigações com os privados Regojos espanhóis, é apenas mais um contrato de trabalho, cujo resultado deveria ser do conhecimento do IGESPAR... e depois tornado público ou publicado, não acha?

    Se é para manter em segredo, então para quê gastar dinheiro e obrigar os privados a pagar os estudos? Só se for para diminuir o desemprego...
    boas escavações.

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  12. Caro José, vamos ver se nos entendemos:

    "Continuo sem ver as mentiras das notícias... quer indicar-me onde está o desmentido?"

    Na reportagem do DM de 28 de Julho: "esta empresa terá dado indicações para que os achados não fossem divulgados publicamente, razão pela qual, a descoberta não terá ainda sido comunicada à Câmara Municipal de Braga". No JN do dia 29 de Julho:"(Manuela Martins)Desmentiu, no entanto, que tenha havido qualquer "pressão" para calar a divulgação, relembrando que há procedimentos científicos a seguir. "Os arqueólogos escavam, estudam e publicam resultados", esclarece". Continua sem ver?

    "Quanto às obrigações deontológicas dos arqueólogos, insisto que a primeira obrigação é honrar o dinheiro público que os formou e que os financiou enquanto unidade..."

    Eu sou arqueólogo, e pelo menos que me tenha apercebido, não fui formado com dinheiros públicos, mas sim com propinas que eu paguei. Aliás, a Universidade que me formou investe muito mais dinheiro na formação de profissionais de outras áreas, e que nem por isso pagam mais propinas que os estudantes de Arqueologia.

    "Em relação às obrigações com os privados Regojos espanhóis, é apenas mais um contrato de trabalho, cujo resultado deveria ser do conhecimento do IGESPAR... e depois tornado público ou publicado, não acha?"

    Sim, acho. Mas quem lhe disse que os resultados não são do conhecimento do IGESPAR? Aliás, nem a escavação podia ter começado se não fosse do conhecimento do IGESPAR... Eu penso que os resultados devem ser tornados públicos, mas conforme referiu Manuela Martins, no devido tempo. Não sei se reparou mas, nesta fase, os resultados da escavação não são ainda conclusivos. Como ficou exposto na conferência de imprensa do dia 1 de Agosto, ainda não se sabe se os vestígios arqueológicos irão, ou não, colidir com o projecto comercial para aquele quarteirão. Ou seja, a notícia do DM acabou por despoletar uma discussão vazia, em que falamos, mas não sabemos muito bem do quê...

    "Se é para manter em segredo, então para quê gastar dinheiro e obrigar os privados a pagar os estudos? Só se for para diminuir o desemprego..."

    Ninguém manteve nada em segredo. O segredo foi sugerido pela comunicação social. Mas como se verificou na conferência do dia 1, não há segredo nenhum.
    A última frase escuso-me a comentar.

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  13. Caro Gonçalo:
    A ingenuidade é sempre uma opção de vida...
    Mas todos sabemos que se não fosse a manchete do DM não haveria qq conferência de imprensa e os resultados finais demorariram anos a ser publicados, se alguma vez o fossem...
    Claro que não era expectável que a Doutora Manuela Martins assumisse as pressões, mas a própria poderá confirmar se recebeu ou não essas pressões e se tb tentou ou não pressionar alguém...
    Folgo em saber que pagou propinas, mas insisto que a Unidade integra da Universidade do Minho e não existiria sem dinheiros públicos...
    boas escavações

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  14. caro gonçalo:

    Se ler bem a notícia do Diário do Minho - a que provocou a apressada conferência de imprensa prometida a troco da não publicação da reportagem - verá que já aí o jornal afirma que a dra Manuela Martins desmente as pressões... mas ignora que ao jornal não compete decidir quem fala verdade mas colocar em confronto as várias versões?... E sabe quem foi obrigado a demitir-se? e sabe quem o obrigou?

    cumprimentos.

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  15. Caro José, o senhor acha que o jornalismo apenas se compromete com a verdade e com o interesse público. Posto isto, subscrevo o que escreveu no seu último comentário. De facto, a ingenuidade é sempre uma opção de vida...

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  16. Caro Francisco,

    Se quiser concretizar um pouco mais o seu pequeno folhetim, e de preferência comprovando aquilo que afirma, talvez possa ser mais levado a sério.
    Cumprimentos

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  17. Caro Gonçalo:
    Registo com agrado a sua significativa inflexão face à sobranceria inicial do preconceito profissional. Se atentar na sua evolução ao longo desta troca de opiniões, nem você se reverá no texto inicial. Daí que me espante a inesperada ascenção do autoritarismo intelectual. a credibilidade - seja ela qual for e a quem se referir - nunca depende dse factores exógenos.Não espere qualquer justificação para crer no que quer que seja. O seu direito à desconfiança absoluta no universo é sagrado. E merece o meu maior respeito enquanto opção de vida...

    cumprimentos

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