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Avenida Monumental

A necrópole das lamentações

Não deixa de ser agradável, ou mesmo reconfortante, verificar como a temática do Património Arqueológico passa, em muito pouco tempo, do mais profundo anonimato e indiferença, para a ordem do dia. Basta uma ajudinha... Normalmente não pelos motivos que nós, profissionais da área, gostaríamos. Muitas vezes, arqueólogos fazem as suas escavações no meio de nenhures, detectam e estudam vestígios interessantíssimos, mas bem podem clamar pela hoje em dia tão desejada ou tão indesejada (consoante os casos) comunicação social.

No entanto, e curiosamente, talvez pela controvérsia que normalmente envolve estas questões, tenho a sensação de que o património e as comunidades não ficam a ganhar no meio de tudo isto. As questões são estrapoladas em demasia, saem do seu âmbito próprio, e rapidamente o património é o fulminante que desencadeia uma explosão. Passada a explosão, tudo fica na mesma...

Não fiquei minimamente admirado pelo facto de o vice-Presidente da Câmara de Braga não ter conhecimento da descoberta de uma necrópole romana no quarteirão dos CTT, e tão pouco fiquei admirado pela oposição naturalmente também não saber (penso que se soubesse, já teria entregue e tornado público o seu requerimento antes da notícia do Diário do Minho), apesar de louvar a atitude de defesa dos vestígios que parece nortear o programa de Ricardo Rio.

O que me admirou, e na verdade de forma positiva, foi constatar a existência de muitos cidadãos preocupados com a história da sua cidade, com o crescimento equilibrado da mesma e com a harmonização entre o seu passado e o seu futuro. Resta esperar, por um lado, que estes cidadãos deixem de ser uma minoria, por outro, que estas questões não sejam colocadas a debate público como se se tratassem do processo “Apito Dourado”, o que implica a discussão de uma temática importante, mas envolta numa desnecessária teia especulativa, e em preconceitos político/partidários.

As estelas funerárias que eventualmente venham a surgir na necrópole do quarteirão dos CTT, têm assim uma nova reutilização: amparam as lamentações de todos os cidadãos, dos que se queixam com razão, e dos que se queixam, simplesmente...

Foto: © MDDS

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