Política à Americana

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Young Obama Supporter in Des Moines, IA
© Joe Crimmings Photography

«But he has his work cut out. The “people” section on his website divides Americans into 17 categories: Latinos, women, First Americans, environmentalists, lesbian, gay, bisexual and transgendered people, Americans with disabilities, Asian-Americans and Pacific islanders and so on. There is no mention of whites, or men[Economist]

Assim termina o artigo que a revista Economist desta semana dedica às eleições presidenciais norte-americanas, deixando entender que Barack Obama negligencia o voto dos homens brancos dos Estados Unidos da América e que isso pode comprometer a sua eleição.

O artigo vem na linha das investidas de uma certa direita que censura de forma repetida todas as tentativas de colocar na agenda mediática as várias discriminações que ainda persistem no quotidiano das nossas sociedades. A mensagem que interessa passar é a de que já não se pode ser um vulgar homem heterossexual branco do interior da América. Mais do que isso, pretende-se inculcar na opinião pública a ideia de que Obama é o algoz das 'modernices' que destroem os equilíbrios naturais da sociedade, assumindo-se como detractor dos valores da família, do direito ao porte de armas e da hegemonia social do homem.

O artigo é tão parcial que ignora a compartimentação de públicos feita por McCain (Mulheres, Veteranos, Advogados e Desportistas). Ironicamente, o sítio do candidato republicano também não menciona "brancos" ou "homens", mas isto são meros detalhes.

2 comentários:

  1. Viva ás campanhas norte americanas...lá não há a chatice de programas eleitorais nem a ideia do que se quer fazer pelo país, o que conta é ganhar por deitar abaixo o oponente e contar os podres todos a todo a mundo :)
    "God bless america" :D

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  2. Permite-me discordar da análise que fazes do artigo da The Economist.

    O fundamento do artigo é o problema (real) que os democratas têm para conquistar o voto dos homens brancos na América. Os republicanos têm insistentemente ganho a maioria dos votos dos brancos, perdendo claramente nas chamadas minorias e nas mulheres. Obama não terá o voto dos brancos porque é negro, mas sim porque é democrata. O que o artigo tenta explicar, é que os democratas poderão manter a Casa Branca por muitos anos se conseguirem fazer progressos. E que Obama está a tentar fazê-los.

    O que o artigo explica as razões dos democratas não conseguirem captar este tipo de eleitorado, e também a forma como Obama está a tentar lutar contra este estigma de ser democrata dentro deste eleitorado. E nisso Obama tem feito esforços, nomeadamente na questão das armas (onde mudou de posição recentemente), a tentativa de captar o voto dos evangélicos, bem assente nas suas ideias de aumentar os Faith Programs de George W. Bush, nas suas tentativas de persuadir os americanos sobre o seu patriotismo ou ainda a sua recente crítica à decisão do Supremo Tribunal em rejeitar a aplicação da pena de morte no caso de violadores. Barack Obama, tal como outros democratas antes dele, têm problemas em penetrar na América profunda e conservadora, dominada por homens brancos. E este artigo da The Economist desmonta, de forma bastante assertiva, de que forma Obama pode ultrapassar este problema.

    Sobre a s Coalitions de Obama, este vai bem mais longe que Mccain, que apenas tem no seu site “Veterans, Women, Sportsmen e Lawyers”. Mas não me parece que faça sentido ter uma de “white men” em nenhum dos candidatos. Afinal, as Coalitions são grupos de interesse, que representam alguém, e que estão organizados como tal.

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