Os Guerreiros do Minho

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Em vários locais da cidade de Braga, há grandes cartazes publicitários apresentando "os guerreiros do Minho". Os romanizados rapazes que neles figuram encimam um convite: "Alista-te na legião". Nos diários bracarenses, há anúncios idênticos que incluem um outro convite: "Cerra fileiras". A linguagem bélica encontra-se ao serviço do Sporting Clube de Braga.

Não se esperaria que o clube pedisse carneiros para o rebanho de adeptos, mas a vontade de romanizar subscrita pelos "guerreiros do Minho" é dispensável. O futebol é, de facto, "uma alegoria da guerra", escreve Ignacio Ramonet no jornal Le Monde Diplomatique deste mês. Revela-o, diz ele, "a sua terminologia: 'atacar', 'defender', 'disparar', 'contra-atacar', 'resistir', 'fuzilar', 'matar', 'vencer', 'derrotar'".

Os diversos verbos guerreiros não são apenas metáforas para usar apenas durante noventa minutos. Antes e depois dos jogos, o futebol tem dado, não raras vezes, um contributo efectivo para a naturalização da violência. É por isso que os anúncios do Sporting Clube de Braga não são bem-vindos. De resto, há mobilizações que apenas se fazem por serem para "combates" que pouco importa travar.

10 comentários:

  1. É de facto um bom argumento de analogia com duas realidades que se podem comparar. boa publicidade

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  2. uma visão diferente da qual discordo mas que não deixa de ter algumas razões de ser.

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  3. uma visão diferente que não tem ponta por onde se lhe pegue....é cada uma que dá vontade de rir.
    agora a publicidade do Braga é uma factor que levará à violência....fantástico!!!!

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  4. Mais um texto bem escrito, como já nos habituou, pelo Eduardo.

    Eu percebo a perspectiva.É a de um intelectual!

    Mas perante a fúria vimaranense dos Afonsinos (o rei...)que ameaçam tomar conta do castelo (do Minho...), indo além do mais à Liga dos Campeões directamente (invejinha sim, mas não se pode ter tudo - Braga na UEFA, Porto fora, Benfica na pré...)há que reagir com paixão e emoção, processando um antidoto com espirito guerreiro, também associado à Braga Romana...

    Mas há que moderar os impetos de excessiva agressividade, mas o futebol é também uma sublimação da violência social e a situação do país não está para brincadeiras com a destruição calculada e estratégica da classe média...

    MAIS ESTADO MELHOR ESTADO MENOS ASAE

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  5. É marketing. Apenas. Tudo o que se disser a mais que isso, é exagero!

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  6. Mas qual o espanto? O Sp. Braga e os seus adeptos sempre se caracterizaram por isso mesmo. Como de resto a máfia da arbitragem de Braga que tem sido um dos eixos da corrupção.

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  7. Benvindo a esta avenida Eduardo Madureira, mesmo que fiques na esquina. É um bom desporto, esse de polir esquinas que eu pratiquei(o) com denodo e afincona esquina da Benamor. Obrigado pela polidela de hoje. Sei que o futebol é a guerra das tribos, mas é oportuno reconhecer isso e assumi-lo. Boas polidélas é do que fico à espera

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  8. veja lá se quer ser empalado na avenida central!

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  9. A Avenida está ainda mais interessante com esta Esquina.

    Eduardo Jorge Madureira pensa e ousa expressá-lo, o que num país como Portugal e sobretudo numa cidade como Braga não é coisa de somenos importância.

    A prova disso mesmo é que consegue elevar o nível da análise da campanha do Sp. Braga, mesmo que o ponto de vista possa não ser consensual, como se pode ler nestes comentários.

    Do que por esta caixa de comentários foi dito, discordo que se desvalorize a tipologia do discurso porque se trata “apenas” de publicidade. Acho que a questão é muito relevante, especialmente quando se recorre ao belicismo em fase de crescente crispação social.

    A publicidade ajuda a moldar mentalidades e a forjar comportamentos. Os anúncios não são inócuos e não podem ser encarados como tal.

    Os próprios anunciantes têm consciência disso, como demonstra o lançamento do programa Media Smart nas escolas.

    O facto de os outros usarem o mesmo registo não diminui a nossa responsabilidade. Aumenta-a.

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