Grupos ou Comportamentos de Risco?

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A tese da importância dos "grupos de risco" na transmissão do VIH é um enorme equívoco que que assenta numa visão conservadora e higienista da sociedade. A tentativa de amontoar as pessoas em "grupos de risco" baseia-se na crença de que, em ciências sociais, é útil segregar as pessoas (não necessariamente no sentido pejorativo) de acordo com características físicas ou psicológicas, independemente dos seus méritos e comportamentos. Esta atitude é avessa aos princípios liberais, encerrando enormes perversidades, a maior de todas assenta na indução de conclusões erradas que instilam o preconceito e multiplicam a ingorância.

É universalmente aceite que o VIH se transmite através de comportamentos de risco e não pelo facto do indivíduo A ou B ser considerado membro deste ou daquele grupo. Como depressa se compreende, o membro de um grupo de risco que não tenha comportamentos de risco tem uma probabilidade igual a zero de contrair a doença enquanto que, pelo contrário, um indíviduo que não pertença a nenhum grupo considerado de risco mas que pratique comportamentos de risco apresenta uma grande probabilidade de a contrair.

O risco só não é independente dos grupos na exacta medida em que os elementos dos grupos praticam determinados comportamentos. Este é um dado que não se pode ignorar. Por tudo isto, parece óbvio que a análise dos comportamentos de risco é muito mais significativa, informativa e precisa do que a mera classificação das pessoas em grupos.

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