[Avenida do Mal] Faixismo

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Não é teoria filosófica, nem ensaio porque longe estou de ter formação que me dê premissas para exercícios notáveis de sabedoria, nem o texto é assim tão grande. É antes exposição livre, quem quiser que a coma. Mas inspira-me gente de cabelo rapado e tatuagens, sentada em barras de tribunal a dar outras voltas aos conceitos. Entre o racista e o racialista. Racialismo, defende Mário Machado, orgulhoso da sua raça – muito céltica e ariana certamente – nada contra as outras. Como se a cada se desenhasse uma fronteira como cerca de curral. Vá cada arraçado no seu galho. E falam eles de homens, a mim parece-me que falam de cães. Mas a termos orgulho, algum que reste, da nossa história e cultura, que se ressalte a lusitana paixão de fazer colonialismo com mais cama que qualquer outro povo: para mal dos seus (nossos) pecados, legamos ao mundo um império de mestiços.

De qualquer modo, o precedente aberto justifica a reflexão e legitima a adaptação de termos. Eu por exemplo, deixei de usar o neo no prefixo de fascismo, nem o fascismo como sufixo de neo. Para mim o (neo)fascismo não existe – quanto mais porque não há já quem use o facho como candeia da reacção, são mais os blogues que os archotes. O que existe é o faixismo. E para o faixismo, a liberdade é um dom (quase de Deus) e deve ser para gente com cabeça, com o dote do privilégio: uma faixa! Esta, composta de boas famílias, título ganho de Aljubarrota a Quibir, de bom dinheiro, burgueses bem-educados, excepções dotadas, impregnados na alta Sociedade e na estrutura do Estado torniquete de favores e charneira de elites.

Para os faixistas, a droga é má, o sexo é mau. As liberdades nos prazeres da carne e nos abusos, o livre arbítrio, o amor livre, a cultura, a boa cultura, a liberdade de expressão, de insulto, de culto, o ateísmo, os cuidados de saúde, as paisagens e os altos cargos devem ser crivados por lei, limitados e proibidos a gente miúda. E esta controlada pela autoridade moral e da polícia, e limada por uma educação burrificadora.

Neste contexto, não admira o fervor cerrado dos faixistas e Direita disfarçada. É que Estado de Direito, Social, Democrático, universal, promotor de igualdade de oportunidades, incomoda-os por um motivo apenas: generaliza o gozo.

3 comentários:

  1. Desculpe, mas queria só dar uma informaçãozinha que se impõe. Ao contrário do que se pode inferir pelo texto, fascismo não deriva de nenhum facho "archote" para iluminar ninguem. Fascismo deriva fasces, que nos tempos do Império Romano era um símbolo dos magistrados: um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do povo. Às vezes damos uma de intelectualite e acabamos por ser bacocos. De qualquer modo o texto está bom "Fascismo nunca mais!"

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  2. Vitor os fascistas apregoam muito do que dizem, mas não cumprem.

    Eles gostam de drogas, sexo ( homossexualidade, basta ver "Saló"),ateismo, cuidados de saúde, etc.

    O grande problema do nazi-fascismo e que eles não admitem são: o medo e o complexo de inferioridade relativamente aos negros. Para os combater fazem fuga para a frente, julgam-se superiores e escolhidos.

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  3. Caro sou-do-contra. Agradeço o apontamento, esclarecedor mas apenas aproveitei o encarrilhamento de facho (como chamam aos fachistas, carinhosamente...)! Não faça de mim bacoco.

    E meu caro JMFaria, era mesmo por aí. O filme de Pier Paolo Pasolini recomenda-se. :)

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