[Avenida do Mal] O Casamento Como Medida de Saúde Pública

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As recentes declarações de Al Gore em prol do casamento entre pessoas do mesmo sexo, pouco abonatórias aparentemente no argumento, têm uma base de razão. Ainda que a palavra “promiscuidade” incomode os homossexuais porque tem conotações de isso mesmo: promiscuidade; e que está muito longe de ser exclusivo destes - Buh!

Eu, de qualquer modo, não tenho de me insurgir contra a "promiscuidade", até no sentido rameiro que lhe possam dar, como opção individual de um hedonismo consciente - até altruísta -, voluntário e que convém ensacado em látex, a bem da saúde alheia e de todos, mesmo que o plástico não faça parte da indumentária coital - mas aconselha-se!

Mas de igual modo, deve-se dizer que, a multiplicidade de parceiros, abrindo o mercado, atrapalha a escolha e, no consumo desenfrenado, aumenta o risco das doenças agarradas como chatos, cravos ou papilomas, sífilis, aftas, piolhos, herpes, gonorreia e, claro, o HIV-SIDA. Este que para alguns, com graças a Deus, veio limpar deste planeta os comportamentos desviantes. Bem, só pena é que os heteressexuais sejam o grupo mais afectado e os homossexuais femininos o menos atingido. Isto porque, embora possível a transmissão por outras vias ou por apetrechos de cópula, pelos vistos, a homossexualidade feminina é muito pouco susceptível à epidemia. Coisas da inserção ou dos gatos talvez... Mas com isto cai por terra o argumento religioso (com as suas condicionante desde já) de que o VIH seria instrumento de Ira Divina. É que a não ser que Deus, como muitos homens (e se calhar algumas mulheres) tenha um paternal fetiche com lésbicas, saiu-Lhe pior a emenda que o soneto, literalmente. [Ou então É simplesmente Uma Grande Fufa...]

No entanto, torna-se de inferência que o casamento civil poderia melhorar em muito, para lá da sexualidade informada per si, o bem-estar dos cidadãos com uma orientação sexual respeitada pela Constituição, mas nem por isso contemplada pelo Código Civil - a conversa, a este respeito, nem vale sequer insistir nela, é como bater com a cabeça numa parede. Arrisco-me a dizer até como medida de saúde pública, preventiva, porque iria melhorar a abertura da comunicação inter-pares, institucionalizar amor livre sem os condicionantes compulsivos e obsessivamente procriativo (como se os e as homossexuais não pudessem ter filhos) e normalizar a natural diversidade das simpatias. E com isto, menos comuns seriam os encontros casuais desinformados, anónimos, frios e impessoais, envoltos em total descuido e em sentimentos de culpa, na morbilidade psicológica do encobro pessoal, da hipocrisia e dos lares desfeitos (por muito que me dê asco a expressão). Vejamos que só a perspectiva de casamento, pelo estado civil que se desenha no B.I., pelas vantagens contributivas, pela afirmação em cunho lacrado de um dueto de afectos, já ajudaria no investimento em relações estáveis a longo prazo, diminuindo a tal "promiscuidade" e com isto a saúde das populações e o controlo das epidemias.

Enfim, uma simples medida entre outras por uma sociedade de cidadãos em pleno, que por enquanto se mantêm adiados só porque a a sociedade não a contempla o largo espectro do amor, para lá do sexo em posição de missionário, de luz apagada ou então o bendito(?) celibato...

8 comentários:

  1. É como bater com a cabeça na parede quando pessoas menos informadas usam todas as intervenções para zurzir de Deus (que até pode ser o racionalismo puro), quando parece pretenderem atacar a religião católica, mais uma vez desinformadamente...
    Gostei de saber que os homossexuais também podem ter (gerar) filhos, o que pode ser muito útil para alguns amigos (seus também) e, claro, para combater o decréscimo populacional...
    Para lá da sagrada liberdade de opinião e do direito à ignorância, quando não sabemos do que falamos perdemos uma boa oportunidade para estarmos calados...

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  2. Não vejo ninguém "perder" tempo a escrever em blogs ou afins sobre os direitos dos heterossexuais, bem como da sua responsabilidade na propagação de doenças...

    Acaso sabem que o Hiv-sida foi contraido por cópula entre mulheres e primatas?????????

    Que têm as opções sexuais (entre humanos) a ver com isso?!?

    Acaso foram os homossexuais a copular com as "senhoras" que estiveram a "macacar" atrás da moita, e a espalhar o vírus???

    Ou foram pseudo-heterossexuais a propagar a doença nos seus encontros (por detrás da moita também) com homossexuais???

    HIPOCRISIA nua e crua!!!

    E mais nada!

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  3. Judie Foster é uma "grande fufa" e tem dois filhos.

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  4. Ninguém colocou em causa a justiça e a verdade sobre a eventual propagação de doenças, mas apenas as insinuações/interpretações religiosas sem fundamento...

    Quanto a Judie Foster não me parece que tenha concebido filhos - que são a única garantia de futuro da sociedade - enquanto "grande fufa"...

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  5. Meu caro anónimo do "fundamento religioso" e penso que o mesmo do "zurzir de Deus":

    Eu não zurzi de Deus, se calhar zurzi de gente que O usa como instrumento moldado pelos seus próprios interesses, como instituição religiosa. E tão pouco me estava a referir especificamente à Igreja Católica. Deve haver ameaças bem piores. Mas é incrível como tão depressa colocam a mitra na cabeça.

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  6. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jodie_Foster.

    Ora leia lá. Mr. Anónimo.

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  7. "Acaso sabem que o Hiv-sida foi contraido por cópula entre mulheres e primatas?????????"

    Se era para ter piada não teve muita. A verdade é significativamente diferente.

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