Do Debate em Guimarães

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Há uns dias tive oportunidade de escrever que andamos todos em estado de letargia, saudando o texto que Francisco Teixeira assinou no Jornal de Notícias sobre o «silêncio social e crítico da massa cívica existente» em Guimarães. Num segundo texto, Francisco Texeira aprofunda a visão crítica, considerando que a blogosfera ainda «ainda é ultraminoritária» e reflectindo sobre «a possibilidade de a blogosfera funcionar num demasiadamente alto nível de “solipsismo”». Os factos encarregam-se de demonstrar alguns dos equívocos desta análise.

Em primeiro, os bloggers vimaranenses foram suficientemente emprendores para, libertando-se das amarras informáticas, se constituirem como legítimos construtores do debate político. Prova disso é a iniciativa que Samuel Silva resume no Colina Sagrada.

Em segundo, António Amaro das Neves faz questão de notar (em comentário) que «ainda recentemente foram publicadas num jornal de Guimarães, pelo menos, duas entrevistas (uma de A. Rocha e Costa e outra minha) sobre os tão falados “5 projectos” que só por absoluta miopia podem ser definidas como laudatórias. Mais: mal abriu o debate público, eu próprio, como tantos outros fizeram, fiz chegar a minha opinião à CMG sobre o projecto em relação ao qual tinha uma opinião mais consolidada (o do Toural), que logo tornei pública (é certo que neste meio “ultraminoritário” que é a blogosfera mas que, mesmo aí, mereceu chamadas de atenção por parte da imprensa escrita, nomeadamente do JN). Não falarei da informação que coligi e disponibilizei sobre o Toural, por ser insignificante, já que terei que aceitar que, como o afirma Francisco Teixeira, faz parte da que, “em quantidade e qualidade, é pouco mais ou menos que nenhuma”.»

Por enquanto, parece que há debate em Guimarães. Se há.

Leitura Complementar: Blogosfera & Media: Da Intertextualidade (II) :: Jornalismo, Media e Minho

5 comentários:

  1. Francisco Teixeira gostava que Guimarães fosse como Toquio, onde há debate televisivo e poderio, mas estámos em Portugal Guimarães, onde se faz o debate em comissões, luta-se com as armas que se tem.
    Convido o Sr. FT, a pesquisar os jornais de Guimarães e ver onde há debate "que não há poucas vezes" e participar, de filosofia esta o mundo cheio, já o meu avô dizia, uns sapatos duram quatro verões,

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  2. Caro Pedro,

    Valerá a pena repetir aqui a minha resposta ao Amaro das Neves?
    Quanto ao anónimo acima, deve ter nascido ontem.

    Francisco Teixeira

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  3. O epifenómeno

    Sim, uma certa comunidade de blogers de Guimarães (e à volta) fez migrar para o ambiente analógico um certo debate. Sim, o mesmo debate digital migrou, uma vez, para o jornalismo analógico. Sim, o Amaro das Neves e o Rocha e Costa deram uma entrevista sobre o mesmo debate a um jornal local (que eu miseravelmente não li, pelo que vou penar para o resto da eternidade, diz o Amaro). Mas isso faz com que, de repente, o ambiente participativo global tenha mudado? Anteontem, a dia e hora certos?! E o resto, tanto do resto, e durante anos e anos de acumulação, aquilo a que de facto me referi nos meus textos, de repente elididos? Não será bom de ver que esta reacção pode ter um tanto de exponenciação emocional em virtude de se falar tão ostensivamente do Toural ou da Veiga de Creixomil, dois dos núcleos identitários dos vimaranenses, podendo bem dar-se o caso dessa exponenciação soar a epifenómeno, como ocorreu já com outros casos? E então onde estavam os blogers e o Amaro quando começaram a retalhar a Veiga de Creixomil com o multiusos, com a pista e as piscinas, com a via de acesso à auto-estrada, com o cerco construtivo em curso, com uma escola, um hospital e outras coisas que se anunciam? Bem gostaria de estar enganado relativamente ao meu diagnóstico. Acontece que a história, no entanto, não muda assim tão subitamente. Vamos falando.

    Francisco Teixeira

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  4. Vamos fazer um exercício de imaginação.

    Se a Câmara de Braga apresentasse agora cinco projectos para a cidade, quem é que aqui protagonizaria o debate?

    Será que chegaria a haver verdadeiro confronto de ideias?

    Seria a blogosfera bracarense capaz de, como escreve o Pedro Morgado, se libertar “das amarras informáticas” e promover uma reflexão séria sobre os planos em análise?

    Que vos parece?

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  5. Para certos vimaranenses, os bons são aqueles cujas críticas se resumem a questionar Braga e a elogiar Guimarães...

    Quem questiona Guimarães, é sempre persona non grata...

    Rebater afirmações infundadas sobre qualquer assunto que seja é um direito que não prescindo.

    A democracia é assim, custe a quem custar!

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