A Fé dos Milagres (II)

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João Miranda pensa bem e escreve melhor. No Blasfémias:

«Todos os anos mais de 1 milhão de pessoas visita Fátima. De entre essas, a Igreja Católica investiga as que se curam com o objectivo de encontrar curas sem explicação científica. Se encontrar alguma considera que houve milagre. Se houve milagre, o milagreiro (um dos videntes, por exemplo) pode tornar-se santo. Este procedimento da Igreja Católica tem duas falhas graves. Primeiro, a Igreja Católica só conta os milagres positivos. Ignora os negativo. Por exemplo, um santo pode fazer carreira se fizer uma cura por cada 10 doenças que provoca. Segundo, a identificação de milagres pressupõe que a ausência de explicação científica para a cura é uma prova científica de que a cura não tem explicação. Mas, como é evidente, o facto de não se conseguir explicar uma cura não implica que ela não tenha explicação. Sendo assim, um santo não precisa de se esforçar muito para que lhe sejam atribuidos milagres. Basta que esteja no sítio certo e à hora certa para que lhe seja atribuida uma cura natural sem explicação científica conhecida.»

3 comentários:

  1. Outra não-questão...

    Até porque a Congregação para as Causas dos Santos não analisa alegados milagres desse "mais de 1 milhão" que visita Fátima, mas sim aqueles que chegam ao seu conhecimento, não sendo necessário, para ser analisado, que o "milagrado" tenha ido a Fátima...



    Assina o Anónimo das 17:23.

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  2. Não é que seja religioso, mas essa é mais uma das teorias rocambolescas do JM...

    Milagres positivos e negativos?

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  3. Acreditar em milagres parece-me ser decorrente da convicção de que há uma entidade superior, omnipotente, omnipresente e omnisciente.

    Confesso que me mete impressão o número de santos, beatos e afins que a Igreja Católica tem produzido nos últimos anos. Dá a impressão de que temos de ter muito cuidado com aquilo que fazemos sob pena de também acabarmos num qualquer altar poeirento...

    Da mesma forma, impressionam-me algumas manifestações de fé, tais como ir de joelhos não-sei-onde para agradecer a graça não-sei-quantos ou coisas ainda mais agressivas. Alguns destes comportamentos parecem-me pouco consentâneos com a Boa Nova.

    No entanto, temos de admitir, na esteira de John Stuart Mill, que se trata de uma manifestação da liberdade individual, com a qual não temos nada a ver.

    Não podemos ter dualidade de critérios. Aceitamos as diferentes orientações sexuais, diferentes modelos de família, diferentes percursos profissionais, diferentes ideologias, mas depois desatamos a desancar as pessoas porque têm fé? Não me parece coerente!

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