Do Provincianismo Lisboeta

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Filipe Moura: «Pela minha experiência pessoal, um aluno em Lisboa que seja adepto da praxe não pode ser lisboeta. Nenhum aluno lisboeta se quer sujeitar a essas figuras; só os de fora de Lisboa. Daí o referido (e eloquente) “querer trazer” a praxe da província para Lisboa.»

Luís Aguiar Conraria: «O problema é ele criticar a praxe por ser provinciana (algo que não contesto), mas, depois, apresentar como único argumento o facto de não conhecer nenhum lisboeta, a estudar em Lisboa, que seja praxista. Ainda se falasse dos lisboetas que foram estudar para fora de Lisboa… Ou seja, naquela cabeça luminosa, provinciano é quem não é de Lisboa. Cosmopolita é o lisboeta que de Lisboa e de casa dos pais não sai.»

A ideia que muitos lisboetas têm de Portugal é exactamente esta: Lisboa é Portugal e o resto é paisagem província. As conclusões de Filipe Moura retira são imprecisas e revelam um profundo desconhecimento da realidade do país e da sua própria cidade. Os lisboetas não são imunes ao fenómeno e o Instituto Superior Técnico, com as suas afamadas praxes, é disso exemplo ilustrativo.

Provinciano é estirpe que não falta no Minho, mas que também abunda na cidade da maior árvore de natal do mundo... Ser provinciano não é um determinismo geográfico ou natalício. É um estado de espírito.

11 comentários:

  1. diria mais, Portugal é uma cidade estado e o norte é uma mera colónia desfigurada e cada vez mais desfigurada da sua identidade.

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  2. Não concordo com o título do post. A última frase é das coisas mais acertadas que li nos últimos tempos. Parabéns pela lucidez.

    Sérgio Lopes

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  3. A minha preocupação aumenta quando vejo que a praxe está para durar ao longo do ano lectivo nas academias, quer sejam ou não de “província”.

    Na minha perspectiva, esta não é uma questão de provincianismo ou cosmopolitismo. Revela isso sim a forma despreocupada como encaramos factores fundamentais para o futuro do país: o ensino superior e a investigação.

    A praxe mobiliza muitas paixões. E a questão é colocada de forma dramática, como se a manutenção das tradições académicas fosse o único propósito da existência do ensino superior, uma fatia significativa do qual é financiada com verbas do erário público.

    Será que o nosso sistema de ensino está assim tão mau que os estudantes ainda não se aperceberam que já estamos em Novembro? E que talvez já fosse altura de começarem a olhar para os livros...

    Vejo com preocupação o alheamento dos alunos em torno de questões fundamentais para o futuro do ensino superior, como por exemplo Bolonha. O processo está em pleno vapor e há quem ainda não tenha percebido o que se passa. Ninguém parece importar-se até o seu caso particular se tornar num problema...

    Que reacções é que há ao anúncio de que o investimento público em Investigação e Desenvolvimento vai atingir, em 2008, as marcas históricas de 1% da riqueza nacional (PIB) e 3,36% do Orçamento de Estado (http://jn.sapo.pt/2007/11/05/primeiro_plano/investigacao_1_pib.html)?

    Como tem sido o debate em torno dos critérios de financiamento das universidades?

    Que movimentações é que tem havido a favor de um ensino que realmente ensine, em vez de um sistema que dá canudos?

    Tirando algumas posições publicas, não se vê um debate aprofundado em torno na questão dos empréstimos bancários para estudantes, que arrancam este ano e abrangerão mais de 30 mil alunos (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=23148&op=all).

    Estas e outras serão, certamente, questões menores. O importante é continuar a incentivar os jovens a cantarem canções repletas de palavrões, a simularem (ou mais do que isso) posições sexuais e a venerarem as figuras que se perpetuam no sistema de ensino muito para além dos anos necessários para a conclusão do curso. Isso sim, isso é que são prioridades!

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  4. Caro Pedro,

    Chamo-te a atenção para um post inserido no blog do Fradique Mendes (sim, o homem mistério) que remete para um artigo saído na Visão "Verde" sobre os danos produzidos pelas alterações climatéricas em Portugal.

    Acho que anti-provincianos o deviam ler, digerir e mudar de país. Como dizia o Outro: o seu Reino não é deste Mundo.

    Cumprimentos

    Pedro Antunes

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  5. Há uns anos,estudando eu no Porto, sempre que chegava a sexta-feira perguntavam-me:
    - Então? vais para a provincia este fim-de-semana? (província = Barcelos)

    Não me chocava, nem chateava, mas ficava sempre a pensar o quão cosmopolitas eles eram por "viver numa cidade"...

    Pfff...


    [e há uns dez anos atrás, tive de dizer, em Lisboa, que era do Porto. Porque nem Braga, nem tampouco Barcelos, sabiam onde era...]

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  6. Mais que provinciana, a praxe é uma cretinice em qualquer ponto do território.

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  7. Ah como eu gostava de ser provinciano, mesmo sem provincia. Não me conformo é com este estado de colonizado eplos colonos de Lisboa

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  8. Vou contar uma história que aconteceu há uns anos com um lisboeta, enquanto tomava café junto a belém.

    "ai és de braga?? ah... ainda o ano passado tive por lá... fui a um parque aquático que há lá."

    "parque aquático?? só se for o de Navarra, mas já está fechado há uns anos.. não estou a ver..."

    "pois. aquilo não era bem bem em Braga, era logo ao lado... acho que em Chaves!"

    "desculpa lá, mas Chaves não é a mesma coisa que Braga.."

    "Oh! é tudo lá pró Norte! é a mesma coisa.."

    ao que respondi:

    "Com essa noções de Geografia tua namorada deve sofrer... tanto deves fazer sexo anal como vaginal, sem sequer dares conta. è tudo lá pra baixo..."

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  9. Só mais uma coisa:

    Irrita-me que Lisboa seja Portugal.

    Mas o Porto não é o Norte.

    Tenho tanto contra o pseudo-cosmopolitismo lisboeta como o pseudo-resgionalismo portista. nunca vi ninguém do porto a defender os meus interesses..

    em relação à praxe.. não digo nada, já foi tudo dito.

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  10. E eu, pobre provinciana ingénua, a achar que já tinha lido muita idiotice...

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  11. sendo eu de braga e morando hj em lx digo-vos de uma forma convicta que actualmente lx é um farrapo de provincianos emigrados que viam na capital a fama e a fortuna. O mal é k estes provincianos renegam as suas origens e vivem deprimentes vidas nos seus míseros apartamentos nos suburbios da amadora ou mem martins...

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