Democracia Participativa, por Paulo Duarte, SJ*

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Governo do povo! É o significado etimológico de democracia. À partida já inclui o atributo, porque se corresponde ao governo do povo, este deve ser participante das decisões a tomar. Será possível? O povo não é uma entidade isolada, é um conjunto de indivíduos, cada qual com a sua história pessoal intra e inter relacional. Cada pessoa forma a sua opinião sobre o que a rodeia, podendo concordar, discordar, ou lhe ser completamente indiferente o assunto a tratar. Por existir a possibilidade da indiferença, para mim, o atributo “participativa” ganha uma razão de ser especial. Afinal, se há um desligar da realidade social, esquecendo a importância do valor do voto, do comentário, da opinião, isso pode provocar o assumir do poder já não democrático, mas com seguimento para o autoritarismo.

No entanto, para haver uma participação tem de se saber o que se passa e pensar sobre isso mesmo. Será que sabemos pensar com objectividade? Será que são postos os dados na mesa para que o povo também possa governar evitando que se descarte, de alguma forma, dessa função? De facto, é possível saber muitas coisas, no entanto esta sabedoria pode-se limitar à superficialidade do conhecimento, em que a pessoa fica-se pelo mero saber de algo. Ora, é no aprofundar deste saber adquirido que se dá o desenvolvimento humano, sendo este, no fundo, uma auto-compreensão que leva à seriedade da vida, num diálogo constante entre o ser humano e a sociedade, havendo, assim, uma maior possibilidade participativa no sentido da construção social. Uma formação adequada, ao nível humano, académico, intelectual, permite que a opinião passe da decisão pela simples emotividade, para uma decisão que seja ponderada num olhar cada vez mais vasto, quer para o indivíduo que toma a decisão, quer para a comunidade/sociedade na qual participa.

Mas, tendo em conta que a nossa democracia é representativa, como é que se pode concretizar, além do voto, a “participação” do indivíduo formado? A meu ver, saindo da indiferença a que se pode instalar e, através os meios que dispõe (blogs, livros de reclamações, direitos de antena), usar da sua palavra resultante do seu pensar, relembrando aos responsáveis eleitos que não são detentores do poder, mas responsáveis pela sociedade que os elegeu.

(*) Companhia de Jesus

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