A Ofensiva Neoliberal - II

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Discordar da comparticipação dos cuidados de saúde em função da evitabilidade da etiologia das patologias é bem diferente que propalar a desresponsabilização de cada indivíduo pela sua própria saúde. Comparticipar em função da causa representa o completo assassinato da relação médico-paciente e a sua implementação, que antevejo seria confrontada com graves problemas de aplicabilidade, conduziria a enormes injustiças sociais.

Diz o Bruno Gonçalves, em resposta ao que aqui escrevi sobre esta matéria,

Provavelmente, o PM considera moderno que um cidadão que não tem grandes gastos de saúde, esteja a pagar a banda gástrica ou a terapia hormonal de um outro cidadão, que aproveitou o que tinha de bom na vida, sabendo que os cuidados de saúde "tendencialmente gratuitos" iriam tomar conta dele, quando a altura chegasse.

Não considero propriamente moderno que, apesar de todas as campanhas que têm sido feitas, continuemos a deparar-nos com alta incidência de patologias cardiovasculares, patologias hepáticas derivadas do consumo excessivo de álcool, doenças sexualmente transmissíveis e doenças profisisonais. Como também não considero propriamente moderno que as crianças estejam expostas tão repetidamente às radiações de telemóveis ou aos décibeis de dispositivos portáteis de música. Mas, apesar de não considerar nada disto moderno, vão ter que me perdoar o "ridículo" e o "insulto" de não conseguir deixar morrer, por falta de cuidados ou de meios para os pagar, o tipo A porque bebia muito ou o tipo B porque fumava ou o tipo C porque comia demais...

Gostaria de ver os nossos impostos aplicados de outro modo e noutros fins, mas não podemos abandonar os nossos concidadãos que estão doentes. No entretanto, devemos apostar na educação para a cidadania, numa verdadeira educação sexual, na difusão do pensamento científico, na promoção saúde, na criação de melhores condições de trabalho (1) e na consolidação da rede de cuidados saúde primários. Esta é a única via.

(1) Por exemplo, através de uma lei do tabaco que proteja os trabalhadores dos cafés, bares e discotecas dos graves efeitos do fumo passivo sobre a sua saúde.

3 comentários:

  1. excelente post e excelente questão.

    esta fúria castigadora dos «bons cidadãos« contra os »párias da sociedade» assusta-me tremendamente.

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  2. Concordo com o Pedro.

    Mas não devemos deixar de ponderar a necessidade de intervir de modo a tornar o cidadão mais responsável, em particular no que toca a certos comportamentos de risco. E isso também passa por tributar fortemente certo tipo de produtos, afectando parte desses recursos financeiros aos serviços/ necessidades de saúde correlativos. O nosso bolso é um bom "travão" a certo tipo de comportamnetos.

    Obviamente, como bem diz, sem descurar a prevenção.

    Cumprimentos

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  3. Caro Pedro Morgado,

    na blogosfera costuma-se dizer:
    "Don't Feed the Troll"...

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