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«Uma notinha prévia para dois tipos de pessoas: a) as que usam o argumento de que os homossexuais já se podem casar, só não podem fazê-lo uns com os outros; b) e aquelas que dizem que o país tem assuntos mais graves e, portanto, este não tem a dignidade da urgência que o faria merecer se discutido.

Vão para o raio que vos parta. Todos. Os primeiros porque são imbecis e os segundos porque não têm a mínima noção do que é um contrato social ou, mais ainda, do que é ser cristão. Em que momento da vossa infeliz e ressabiada vida é que olharam directamente nos olhos de alguém que está a tentar discutir uma coisa essencial para a sua vida e tiveram a coragem de lhe dizer:” — Agora não, pá, que estou a tentar resolver os problemas das exportações”.

Caso consigam identificar esse momento — esse no qual a resolução hipotética de um problema vos ocupa mais disponibilidade mental do que o sofrimento de um outro ser humano — chegou a altura de entalarem as mãozinhas na porta do forno (ligado) para terem mais uma coisinha com que se entreter.» [Laura Abreu Cravo]

2 comentários:

  1. «Vão para o raio que vos parta. Todos. Os primeiros porque são imbecis e os segundos porque não têm a mínima noção do que é um contrato social ou, mais ainda, do que é ser cristão»
    É uma pena, continuamos sem ver argumentos válidos e sérios, para que esta questão ou PROBLEMA para alguns, possa ser analisada por leigos na matéria como eu. Não digo avaliada, porque isso já supõe conhecer, mas sim analisada. E assim, desta forma, nunca vai passar de uma questão ou concessão ao «socialmente correcto» ou medo de ser apelidado de «homofóbico», argumento martelado pelos grupos gays desde há décadas. E que irá colher agora os seus frutos na sociedade portuguesa.
    O facto de ser aprovado ou não o casamento entre pessoas do mesmo sexo não me perturba muito. Aliás até é positivo. Porque isto, como muitas outras questões, sendo repetidamente e exageradamente discutida, acaba por causar em muitas pessoas o efeito de mimetismo. Com o assunto aprovado, deixaremos de falar dele, deixa de ser arma de arremesso em momentos em que é necessário distrair os mais incautos. À semelhança do que se passou com o aborto: deixaram-se de se fazer abortos ilegais; deixaram de morrer ou ter complicações mulheres em razão daqueles; deixou de haver gravidezes indesejadas nas adolescentes; as pessoas «ricas» já não precisam de ir a espanha para o fazer; quem o faz deixou de ser discriminado socialmente. Como alguém disse: depois de aprovado em referendo, na segunda-feira acordou num país do séc. XXI. Vai poder voltar a acordar num país do séc. XXI. O problema é que anda muitas vezes a adormecer para o que é essencial. E estes assuntos, como aqueles, não têm merecido a mesma atenção. Mas acreditemos que um dia surja algum lobby que se dê ao encargo de lutar por eles. Na verdade acabando todas estas questões limite, há alguns que vão ficar sem discurso. Bem, certamente, dirão que estamos no «céu»

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  2. Muito bom artido da Laura. Fantástico a maneira simples como se explica. É que paece que há de facto muitos imbecis que em vez de olharem para o seu próprio umbigo querem a todo o custo decidir a vida dos outros...

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