Mateus 22:21

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«Os senhores padres e bispos, cheios de dons atrás do nome – coisa que ainda não consigo perceber –, vieram a terreiro condenar a prioridade dada à legalização do casamento entre homossexuais. Dizem que «preparam uma resposta» e até se vão reunir em Fátima daqui a uns dias. Eu por mim, acho muito bem que os senhores padres e bispos, mais os seus dons atrás do nome, se divirtam em concílios destes, fingindo que o Estado ainda não é laico e que ainda mandam alguma coisa. Preocupante, preocupante, é que a população portuguesa em geral e a classe política em particular lhes dê algum tipo de importância a não ser aquela que é devida aos comuns cidadãos.

É extraordinariamente interessante que os senhores padres e bispos ainda não tenham percebido que quem decide os contratos civis são os civis e quem decide as matérias religiosas são, por sua vez, os religiosos. Foi Jesus quem o disse e Mateus quem nos fez saber – e julgo que pelo menos esta parte da Bíblia será para ler de uma forma literal. Que os senhores padres e bispos, mais os seus dons antes dos nomes, não queiram, em Igrejas, celebrar matrimónios entre homossexuais, é com eles. Não me interessa. Não nos interessa. O que é importante é que não abusem da sua influência junto de uma boa parte da população, tentando decidir, eles próprios, matérias políticas.»

Texto ostensivamente roubado ao Tiago Moreira Ramalho do Corta-fitas.

14 comentários:

  1. O País tem de se preocupar com os problemas sociais e económicos.Essa realidade não pode ou deve ser adiada, tudo o resto são opiniões, interpretações, publicidade e sensibilidades.O Direito de Opinião esse vai continuar a existir...se possível sem excessos...

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  2. os senhores padres e bispos, as senhoras "Manuelas Ferreiras Leites" e afins, ainda não perceberam que, felizmente, o país já não é o mesmo, que as pessoas prezam a sua liberdade individual mesmo que ainda não se preocupem suficientemente com o que se passa na comunidade. mas lá chegaremos. entretanto, que se reúnam, pois, felizmente, é um direito que lhes assiste.

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  3. Ao ler este post e seus comentários.. lembrei-me do que li na pg. 74 da Notícias de Sábado de 17.10.2009:
    "Vês aquele tipo? Foi com ele que fui pela primeira vez para a cama com outra mulher." Quando uma amiga me disse isto há dias, deixou-me baralhada(...)
    As pessoas estão a fazer tantas coisas para alcançar o que dizem ser a 'felicidade' ou só a satisfação, que me dá a impressão de ver cada vez mais gente sozinha. Há tanto artifício para 'encontrar o amor' que dificilmente o encontrarão. Deve ser por isso que ainda vejo velhotes a passear de mão dada na rua e casais novos de passo desencontrado onde quer que seja".

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  4. Caro Bruno,

    O último comentário é tristemente infeliz e revela um profundo desconhecimento acerca das questões relacionadas com orientação sexual. Lamento-o.

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  5. há quem confunda orientação sexual, que felizmente é livre em portugal, com casamento entre pessoas do mesmo sexo. são coisas muito distintas.

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  6. Caro António Alves,

    E há quem confunda casamento entre pessoas do mesmo sexo com conduta sexual.

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  7. O dever do Estado é criar leis que garantam os direitos e as liberdade de TODOS os Cidadãos e que exigiam o cumprimento dos deveres.
    As questões religiosas interessam aos respectivos fiéis - questões que para muitas pessoas são inexistentes ou desinteressantes.
    Se os homossexuais católicos quiserem casar pela igreja, que se entendam entre católicos.

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  8. Há uma "pequena" diferença entre defender um estado laico e exigir uma religião sem opinião!

    A essa pequena diferença muitos chamam sensatez e outros chamam respeito pela liberdade de opinião.

    Escolha uma e pratique-a.

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  9. pois é verdade caro Pedro: conduta sexual, orientação sexual e casamento entre pessoas do mesmo sexo, são três coisas distintas. há quem faça muitas confusões e tenha sempre uma visão de "seita" - seja qual for o lado da barricada - sobre estas coisas. além de que se nota uma estranha compulsão para a conformidade em pessoas que gostam de alardear a sua suposta diferença.

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  10. Mas será que custa assim tanto?

    Resolva-se logo de uma vez este assunto: permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e ponto final!

    É um assunto pouco prioritário? Talvez, em comparação com dezenas de outros é capaz de ser pouco prioritário.
    Mas por esta ordem de ideias, nunca nenhum tema de uma minoria seria tratado. Isso é Democracia?
    Aliás, quanto mais tempo se atrasa este assunto, é óbvio que ocupa sempre mais tempo.
    Se o resolvessem logo, de uma vez por todas, acabava esse argumento, não era?
    Qual é o problema de haver casamentos entre pessoas do mesmo sexo? Se colocam sempre a discussão no plano pragmático ("há assuntos mais importantes!"), então quais são os motivos práticos contra o acesso ao casamento entre pessoas do mesmo sexo? E qual é o problema prático de esse casamento se denominar... casamento!?

    Façam um pequeno exercício: tentem entender o ponto de vista das outras pessoas e o que sentiriam se vos negassem algo que vocês considerassem que tinham direito. Por uma vez na vida, ponham-se no lugar de outras pessoas.
    O que for odioso para ti, não o faças ao teu próximo!

    E depois lá vem a demagogia: "é um ponto de partida para a poligamia".
    Gostaria de saber porquê.
    Há neste momento poligamia heterossexual? Não.
    Há neste momento casamento heteressexual? Sim.
    Então, a pergunta é simples... o que tem uma coisa a haver com a outra? Onde é que o direito ao casamento homossexual despoleta a poligamia de qualquer género?

    A vida é tão curta, e há quem passe a vida inteira a fazer a vida negra aos outros.

    Há coisas mais importantes para se resolver neste país? Há!
    Então ide lá resolvê-las!

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  11. Pelo post citado e por alguns comentários aqui expressos, a conclusão é lógica, defende-se a liberdade, mas somente para alguns. Por que quando outros expressão a sua opinião e visão sobre a matéria, outros vêm a público relembrar a laicidade do estado. Afinal onde está o medo de que quem pensa diferente expresse a sua opinião? Em última instância não será a Assembleia da República a decidir? ou não será que alguns se advogam defensores de uma opinião que dizem ser maioritária e resultado de uma «sociedade que mudou» quando na verdade estão a falar do seu umbigo e de mais alguns?

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  12. mas qual é o mal da igreja defender aquilo em que acredita? há que respeitar as crenças. não os vi a meterem-se em situações de estado. apenas procuram defender algo em que acreditam.

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