Capítulo 37: as eleições autárquicas, parte um

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Há uns meses, quando se discutiam os prós e contras da coincidência das datas das eleições legislativas e autárquicas, uns falavam da poupança que ela permitiria, outros da possível mistura entre as questões locais e nacionais. Ainda é cedo para ver se, mesmo com datas diferentes, a mistura não será inevitável, mas a tendência parece ser a de as questões nacionais engolirem as locais; logo veremos.

A verdade é que a prolongada discussão de temas nacionais na campanha e pré-campanha para as legislativas tem prejudicado a visibilidade dos temas locais e a discussão autárquica, até há algum tempo bastante acalorada em Braga, tem perdido fulgor. Dela, vão sobrando apenas os mais ou menos estáticos cartazes eleitorais.

Fenómeno interessante, tendo em conta que a população se mostra normalmente mais preocupada com a resolução dos problemas locais concretos do que com a resolução dos problemas nacionais abstractos. Por essa mesma razão, verifica-se - especialmente em meios não urbanos - que, muitas das pessoas que não votam nas eleições legislativas, presidenciais e europeias o fazem nas autárquicas.

Não desatentos a essa tendência, os candidatos às autarquias apelam exactamente à aparente proximidade com os eleitores. Disso são exemplos o cartaz de Avelino Ferreira Torres (Marco de Canaveses), que diz aos eleitores "sabem como eu sou" ou de dois dos candidatos a Celorico da Beira que coincidem no apelo: "vocês conhecem-me", diz um antigo presidente da câmara e "Celorico conhece-me", diz o actual presidente da câmara.

Em Braga assistimos à mesma tendência, ainda que menos explícita: pela coligação Juntos por Braga, Ricardo Rio assumiu desde cedo que se recandidataria em 2009 e começou desde logo a mostrar-se aos bracarenses; pelo PS, Mesquita Machado demorou a confirmar a recandidatura, mas mostra-se agora nos cartazes a prometer "muito mais", apostando na barba e cabelo grisalhos como patente de experiência.

(continua na próxima semana)

5 comentários:

  1. Mesquita Machado "(...) mostra-se agora nos cartazes a prometer "muito mais" (…)"

    É isto o que me preocupa, o MUITO MAIS de Mesquita Machado. Muito Mais do quê?

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  2. ...apostando na barba e cabelo grisalhos como patente de experiência...

    ...apesar das rugas apagadas no Photoshop...

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  3. É verdade que a campanha para as legislativas até 27Setembro (e muito possivelmente na semana seguinte às eleições) vai acabar por abafar as autarquicas, imaginem se as datas fossem coincidentes... Penso que não havia outra solução senão a que foi adoptada.
    Quanto ao MM não sei o que pode ser Muito Mais depois de 30 e alguns anos no poder... e que nos últimos pelo menos 8 tem sido cada vez Muito Menos! Ele(ou alguém por ele) lá deve saber o que lhe vai na alma!

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  4. Amigo Paf, para saberes verdadeiramente o que significa Muito Mais vai ter que votar, como sempre fizeste, no quadradinho que diz Partido Socialista. Depois observas dirante quatro anos e vês o resultado.

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  5. São chavões que pretendem colher aderentes e nada mais...tal como o "é bom viver em Braga", nada disto fará sentido quando o povo decidir em quem votar.É porém evidente que muitos Bracarenses, como noutras terras, têm um dever moral de votar em M ou R, porque lhe devem favores, emprego, empreitadas...todos sabem onde fica a Camara e muitos onde moram o Presidente e os Vereadores(todos).

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