Capítulo 32: quanto custa a cultura?

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Em comentário à minha última crónica, um leitor afirmou que não existia em Braga cultura para ele. Dizia o leitor que para saciar o desejo de cultura tinha de se deslocar ao Porto, porque lá sim, encontrava cultura.

Apesar de não discordar totalmente, lembro que também o Porto atravessou um deserto cultural; e, ironia das ironias, no período pós-Capital da Cultura. Nos últimos dois ou três anos, porém, o Porto voltou a afirmar-se como capital cultural do norte, algo perfeitamente natural dadas as dimensões da cidade.

Importa referir, ainda assim, que este renascimento não se deu por geração espontânea, mas muito pelo trabalho e vontade de algumas pessoas que decidiram devolver a cultura à cidade sem esperar lucros. Num espírito de do it yourself - faz tu mesmo, em tradução literal -, surgiram, entre outras, a Amplificasom e a Lovers & Lollypops, duas promotoras que têm sido responsáveis por concertos de várias bandas internacionais.

Não são caso único no país, mas são dois bons exemplos de como a cultura é fomentada em Portugal; à falta de alternativas institucionais, que normalmente só têm espaço para eventos culturais mainstream, surgem associações - umas mais formais que outras - para promover a cultura que não cabe nos circuitos comerciais.

O problema surge quando a cultura que dizem de todos, em vez de servir para incentivar a diversidade cultural, tenta usá-la para servir uma hegemonização de uma cultura que alguns querem para todos. E por causa disto, a Amplificasom prepara-se para interromper indefinidamente a programação de espectáculos musicais.

Apesar de os concertos organizados pela Amplificasom serem de bandas não afiliadas à Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) nem a nenhuma congénere estrangeira, a SPA tem exigido à promotora a obtenção de licenças relativas a direitos de autor que chegam a ser superiores aos próprios cachets das bandas. Já para não referir o óbvio: o facto de a SPA querer cobrar direitos de autor de bandas que não representam; e se não os representam, servirão a quem esses direitos?

3 comentários:

  1. "à falta de alternativas institucionais"

    Mas porque é que encaramos o problema sob este ponto de vista? Porque é que atribuímos sempre ao Estado o dever de programar ou fazer cultura? Porque não vemos antes o problema ao contrário, de serem os cidadãos a promovê-la e, quando necessário, o Estado apoiar?

    É que, mesmo no Porto, onde todos dizem que a Câmara é "acultural", a cultura tem florescido e vem-se afirmando!

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  2. http://www.petitiononline.com/abzhp/petition.html

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  3. muito obrigado pelo post. Tenha eu razão ou não, acho que vale a pena pensar no assunto. Mas acho que quando saímos para outra cidade reparamos que a nível cultural existe pouca diversidade em Braga.

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