A Nossa Avenida

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Gosto de avenidas. E, talvez porque há 31 anos a subo e desço, gosto da nossa Avenida da Liberdade. Após várias décadas de crescimento contínuo da cidade, a centenária avenida (1909) parece-me ainda hoje a única avenida de Braga.

A avenida que conheci uns anos após esta imagem tinha ainda passeios largos e com desenho, tinha árvores, tinha bancos, tinha passadeiras e semáforos, tinha dois sentidos de trânsito à superfície, tinha paragens de autocarro, tinha quiosques, tinha esplanadas e cafés decentes, tinha importantes edifícios, tinha prédios construídos em épocas e com feitios muito diferentes (mas quase todos com um grande pé-direito no rés-do-chão), tinha comércio e serviços com anúncios em néon e lojas com grandes montras. Não tinha muros nem murinhos, nem rampas para caves, nem passeios de cimento, nem postes de iluminação variados, nem grandes canteiros de relva inúteis entre os prédios e os carros, nem dezenas de caixas de telefone, tv por cabo e electricidade nos passeios.

A avenida perdeu grande parte da sua dignidade mas ao contrário de muitas outras artérias da cidade, não é aborrecido percorrer os seus mil metros. Se em toda a cidade recente tivéssemos mais avenidas como a da Liberdade e menos ruas, pracetas, rodovias, variantes, viadutos, passagens aéreas e afins teríamos certamente uma cidade a sério.

9 comentários:

  1. estava a ver que nunca mais!

    já sabes que concordo... não comento mais.

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  2. Eu acho que está a ficar diferente para melhor.

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  3. a avenida da liberdade será eternamente feia... mas acredito que em tempos tenha sido menos feia.

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  4. Também gosto de Avenidas, e concordo plenamente como este texto, embora actualmente não vislumbre a beleza que em tempos esta avenida teve.
    Faltam a Braga mais avenidas destas, cheias de vida e de movimento.
    Falta e faltou a Braga nos últimos 32 anos uma visão para a cidade, um ordenamento concreto do território que pensasse nas pessoas e considerasse as suas reais necessidades. Faltou à cidade a visão de urbanismo que aqui existiu nos anos 40 e 50.
    Não faltou à cidade nestes anos quem a delapidasse da sua alma e a transformasse num amontoado caótico de urbanizações construído ao sabor dos interesses mesquinhos de uns quantos em detrimento das reais necessidades das populações e da cidade.
    Mas agora já vamos tarde, nem um terramoto como o de 1755 (que é de todo indesejado) permitiria reparar o erro cometido.

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  5. Mas nós temos uma Avenida a sério!
    até tem um túnel por baixo, um túnel grande - o maior urbano do continente -, um túnel a crescer.
    E assim Braga fica um pouquinho mais igual a Lisboa só que aqui os túneis é só p'ra carros e os outros buracos no chão não é património visitável, são parques de estacionamento.

    Braga encanta-me. Braga seduz-me... é bom dormir em Braga!

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  6. Concordo em absoluto, Luis!
    Mesmo falando de uma Avenida violentada desde o seu sub-solo até ao seu charme.
    Já não é o que era, de facto... e já nem o S.João se entusiasma quando a visita uma vez por ano!

    saudações
    Pedro Costa

    PS. Dario... é bom dormir em Braga, mas não te iludas. Dificilmente dormirás com a "beldade loira" dos outdoor's.

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  7. Ainda que só a percorra há 25 anos e de ter conhecido essa Avenida de passeios largos, com árvores e esplanadas terei que concordar que nenhuma outra Avenida que tive oportunidade de conhecer se descaracterizou tanto como a Avenida da Liberdade -o que me leva a concluir que mais uma vez não soubemos preservar a sua história, ter vaidade nela e compreender a sua riqueza.
    Porém, acredito que a dignidade da Avenida continua lá, continua nas fachadas magnificas dos seus edifícios (mal-tratados, é certo, pelo desprezo das pessoas),continua na recordação da criança que fui e na jovem que sou.
    Considero sim, que perdeu a sua magia, a sua beleza e o charme de outrora.
    Até lá -e discordando com o autor do texto, mas talvez seja a opinião de alguém que não conheça tão bem essas ruas, pracetas e rodovias- é aborrecido caminhar na Avenida da Liberdade.É e será sempre até que lhe devolvam o a sua alma.

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  8. Concordo com My Way. Há muito que não sinto prazer algum em passear nessa esburacada avenida que vai perdendo a sua história e a sua humanidade.

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