Revés no Plano de Salvação do Gerês

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Henrique Pereira, um dos principais impulsionadores da adesão do Parque Nacional do Gerês à Pan Parks, a rede europeia dos melhores parques naturais, vai abandonar a direcção daquele parque. A notícia não pode deixar de ser recebida com enorme apreensão num momento em que há muitas pressões para fazer cair o projecto. Em ano de eleições, prevê-se a intensificação dos protestos das populações com o apoio dos autarcas locais.

5 comentários:

  1. Qual salvação ou qual carapuça. Então introduzir mais limitações é salvar o Parque de quê?

    Metê-lo em mais uma Rede?

    Sim agora percebi: salvá-lo dos energúmenos locais que lá habitam há tantos anos e que estão a dar cabo daquilo.

    Era bom que passassem a respeitar as pessoas e depois podiam exigir que os habitantes respeitassem os animais.
    Este governo vai ter que pagar tanta falta de respeito para com os cidadãos daqui.
    Francisca Correia

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  2. Eu não sei se há fortes pressões ou se há apenas a normal reacção dos que se sentem lesados. Acho é muito interessante o título de "plano de salvação do Gerês", que na verdade suponho ser "... do PNPG". É que o PNPG é muito mais que o Gerês! Ainda que o erro não me espante. A maioria das pessoas do PNPG, conhece as Caldas, S. João de Campo e as estradas da Mata da Albergaria.
    Só que se é preciso salvar o Parque, a primeira pergunta não deveria ser porquê ou do quê? Porque o Parque não possui orçamento? Porque o Parque não consegue cumprir a sua missão? Mas então a culpa será de quem? Das populações? Do ICNB? Não será mais deste último?
    Eu não acredito no Pan-Parks. Parece-me uma fuga para a frente. Desde logo por uma razão simples: o PNPG não possui 10.000 hectares de território selvagem. Também não aceito como válido a afirmação de que o Pan-Parks é o clube dos melhores parques. Se quiserem verificar no mapa onde se localizam os Parques certificados, talvez possam ficar com uma ideia sobre a exequibilidade do PNPG integrar essa rede. Procurem informar-se sobre a densidade populacional das regiões dos parques, das histórias de cada um, etc.

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  3. Duas perguntas a quem estiver a par desta questão e tenha paciência em responder:

    1.É totalmente incompatível reter a pastorícia artesanal numa área protegida, de uma forma que lhe permita subsistir como sempre mas sob vigia e planeamento?

    2.Como é que os pastores têm tanta representatividade política (e legitimidade) e não se vêem todos aqueles que estão interessados em que a área protegida se mantenha menor de modo a poderem construir imóveis turísticos de maior escala mais perto do parque?

    Proteja-se a paisagem e os seus habitantes- porque é que isto é contraditório?

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  4. 1. A questão da pastorícia no novo POPNPG não é uma questão ambiental. Esta questão coloca-se simplesmente no âmbito do Pan-Park - ter 10.000 hectares de área selvagem. Ainda que nesta fase seriam ainda apenas 5.000 e ninguém saiba onde estão os restantes 5.000. O que também levanta receios legítimos.

    2. A construção está limitada por vários planos, não é apenas o POPNPG. Mesmo nas área de ambiente rural as limitaçõs são grandes e bastantes penalizadoras para os habitantes. As obrigações são muitas e os apoios são poucos. É normal obrigar as populações com menos recursos a ter custos superiores? Não seria normal que aceitando as restrições, as populações fossem apoiadas para, no mínimo, terem custos semelhantes? Não seria fácil ter gabinetes de apoio com projectos e materiais a custos controlados? A questão está pois centrada no relacionamento Parque/Populações.

    A verdade é que o PNPG continua a ser visto como uma entidade distante e exterior. Que até possui a sua sede fora da área do PNPG.

    Como afirma um pesquisador do Laboratório Agroecológico da Transamazônica - Flávio B. Barros: "A discussão sobre a permanência de populações humanas no interior das áreas protegidas (AP’s) ao redor do mundo é ainda bastante polêmica, e, em pleno limiar do século XXI, este assunto tem suscitado a atenção de gestores, pesquisadores, ambientalistas e grande parte da sociedade civil. Alguns estudos vêm mostrando que, em determinadas situações, a expulsão das populações tem um impacto negativo no equilíbrio da biodiversidade local."

    No entanto, o mesmo autor afirma que ainda existem muitas correntes que defendem o modelo originado a partir de Yellowstone (o primeiro parque natural), que tinha como uma de suas metodologias de implantação a expulsão de populações humanas. Para alguns ambientalistas, principalmente aqueles com formação tradicional, a presença humana nas AP’s é impossível, e ponto final. As Ap´s precisam de ser contempladas, vistas como territórios selvagens, como um mito da natureza intocada, visitadas por turistas que há muito perderam o contato com a natureza nas grandes áreas urbanas do Planeta.

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  5. Joca, obrigado pela sua esclarecedora resposta.

    Os hábitos agrícolas tradicionais são sempre implicitamente sistemas de equilíbrio ecológico (para subsistirem têm que o ser)e neste caso transformaram efectivamente a paisagem de um modo que lhe dá valor acrescentado. Seria impensável expulsar a presença humana no Douro Património Mundial, ele É a presença humana.

    Estou certo que prevalecerá o bom-senso e se possa por esta discussão descobrir e reconhecer que o PNPG é intrínseco á sua agricultura e pecuária tradicionais, protegendo-o do desenvolvimento turístico que não é adequado ou responsável.

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