A Noroeste Nada de Novo

| Partilhar
Public transportation in Gerês
© Nelson Silva

366 dias depois, não podemos dizer que 2008 tenha sido um ano ímpar para o Minho. Mesmo depois de inúmeras tentativas para nos fazerem crer que o país é menos cinzento que rosa, a verdade é que a crise no Minho é completamente indisfarçável.

Asfixiados por uma crise sem precedentes, continuam a cobrar-nos as portagens que se desculpam nas grandes áreas metropolitanas e no Algarve; continuam a esquecer-se de nos pagar a justa subvenção pelos transportes públicos urbanos; e continuam a desviar os fundos do Turismo do Norte para o Porto e o Douro.

Enquanto isso, os nossos políticos-de-trazer-por-casa brindam-nos com referendos bairristas, desperdiçando o potencial reivindicativo que ainda resta junto do poder central. Dividir para reinar é a estratégia dos centralistas que, na ausência de uma política integrada de desenvolvimento regional, vão emprestando, esmola aqui e esmola acolá, um triste contentamento de efémeras ilusões alimentado.

O avanço do Quadrilátero Urbano é um facto extremamente positivo, mas ainda insuficiente para projectar a região numa perspectiva verdadeiramente integrada. Seja como for, parecem estar lançados os alicerces para, com excepção da auto-excluída cidade de Viana, se chegar a um entendimento alargado sobre o futuro do Noroeste português.

2008 foi também o ano em que os vimaranenses se livraram dos desnecessários túneis e parques subterrâneos do Toural ao mesmo tempo que os bracarenses reforçaram a sua dose de betão num processo marcado pelas inúmeras interrogações e inquietações quanto à preservação do património arqueológico da Bracara Augusta. A arqueologia voltou a estar no centro da discussão pública, mas foram demasiados os protagonistas que, por omissão ou deformação, não souberam estar à altura do debate.

Mas tudo está bem quando acaba bem e, como se sabe, 2009 será um ano de várias eleições e muitas inaugurações. A política descerá às catacumbas da mediania e as cidades encher-se-ão de propaganda com exageradas auto-exaltações. Todo o circo será pago pelo contribuinte que assiste impotente ao esbanjar dos dinheiros públicos, enquanto as promessas convenientemente incumpridas são atiradas para as calendas gregas.

No Minho, como no país, estamos quase na mesma, mas um pouco mais pobres.

[Texto publicado nos blogues Colina Sagrada, Abertamente Falando e José Luís Araújo]

5 comentários:

  1. É pena que a região do alto minho seja apenas julgada por um autarca que nã quis entrar numa Comunidade Intermunicipal.

    Nem uma palavra ao cluster de enrgia eolica nem ao maior parque eolico da Europa na zona de Monção.

    Nem uma palavra ao fim das touradas.

    Nem uma palavra à escolha de Viana para receber o meeting europeu das cidades saudaveis, da OMS. Premio merecido pela excelente politica de mobilidade inigualavel, pelo menos no Minho.

    O unico "erro" de Viana foi não ter acenado a Braga na unica vez que Braga se lembrou de acenar a Viana.

    Um bom ano a todos os Minhotos, dos dois lados do Rio Neiva

    ResponderEliminar
  2. Caro Salem,

    Antes de mais, desejo-te um excelente 2009.

    Penso que o post toca em dois assuntos muito importantes para o futuro do Minho.

    Em primeiro, a questão do turismo em que, como se sabe, Viana alinhou pelo diapasão do Porto contra Braga. Tal como prevíamos, os fundos têm sido desviados para o Porto e Douro, mas sobre isto nem uma palavra do autarca de Viana.

    Em segundo, a política isolacionista do autarca de Viana em relação à Comunidade Intermunicipal do Alto Minho é sintomática da forma localista e bairrista como se faz política por cá. É uma postura altamente lesiva para o futuro estratégico do Minho.

    É que a união do Quadrilátero Urbano tem dado bons frutos, embora haja quem teima ignorar a evidência de que só a união pode significar mais desenvolvimento integrado e sustentado.

    Por fim, reconheço que o blogue não dá ao Alto Minho a atenção que esta região merecia. Mas não o fazmos única e excluivamente por falta de tempo. Tentaremos melhorar nesse capítulo.

    Abraço,
    PM

    ResponderEliminar
  3. Sendo que só a união alavanca o desenvolvimento não se entende a doentia fobia em relação ao Porto que é quando de boa saúde como se pretende o motor de todo o Entre-Douro-E-Minho. O novo nome da entidade de turismo é: Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal Excepto Braga. Mais uma mesquitada.

    ResponderEliminar
  4. de divisões para reinações percebem muito neste blogue. há gente que nunca se vê ao espelho e nem sequer lê o que ela própria escreve.

    ResponderEliminar
  5. Que não quiz entrar e bem como fácilmente se provou na "votação" do Presidente da CIM. Mas votação para quê, quanto já se sabia quem iria ser o eleito.

    Esta situação é em tudo identica a 1ª eleição de George Bush , não teve mais votos mas foi o nomeado porque o eleito foi outro, Al Gore.

    Alguém imagina que os Presidentes de Comunidades ou Áreas Metropolitanas não sejam os Presidentes das CM de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra etc.

    É logico que assim seja porque a única legitimidade que têm, advem da dimensão económica, da dimensão populacional, da dimensão cultural entre outras, dos seus municípios, e neste caso Viana do Castelo representa 52%do PIB do Distrito e cerca de 35% da população.

    Já agora para completar o que foi dito por Salem, sobre o Município de Viana do Castelo:
    - nem uma palavra sobre o maior cluster industrial de eólicas da Europa 2.000 postos de trabalho directos(Carlos Pimenta chamou-lhe Auto Europa do Vento;
    - nem uma palavra sobre a Cimeira da Comunidade Europeia;
    - nem uma palavra para as Comemorações do Dia de Portugal;
    - nem uma palavra para o enorme projecto que é a Cidade Náutica;
    - nem uma palavra para os acessos ao Porto de Mar;
    - nem uma palavra para a nova Biblioteca Municipal (recebe visitas dos quatro cantos do mundo);
    - nem uma palavra para o Coliseu que está a ser construído;
    - nem uma palavra para o Programa Polis (o primeiro do país e também o que mais alterou a face de uma cidade);
    - nem uma palavra sobre o desemprego de 5% no concelho,(Viana do Castelo importa mão de obra do Distrito de Braga;

    Tudo isto não são palavras e tudo isto tem um denominador comum que é o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

    Aliada a esta realidade uma outra e esta muito preocupante, é a enorme diferença e ritmo de desenvolvimento entre o concelho de Viana do Castelo e os outros do Alto Minho. E o que é que isto significa? Tão só que a liderança do mesmo está nas mãos de quem já provou não ter competência para tal.

    Já agora a unidade de que tanto se fala nunca existiu. Nos meus tempos do Liceu e quando este era o único estabelecimento de ensino secundário do Distrito, vinha gente de quase todo o lado para cá estudar e digo quase todo o lado porque os de Ponte da Barca, Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez iam para..... Braga.

    Não é a tôa que o Presidente de Ponte da Barca têm como grande projecto uma ligação a ......Braga.

    Quanto ao Turismo e ao futuro estratégico do Minho, desculpa Pedro, mas nós por cá sabemos o quanto isso representa. Queres exemplos. Universidade do Minho, o famoso Plano Estratégico do Minho, as Auto Estradas 11 e 27, uma para na Apúlia (porque não Barcelos - Viana do Castelo), outra ligeiramene ao lado Vila do Conde. Coincidências.

    Para todos e em especial ao Pedro Morgado um excelente 2009.

    De um Vianense do Concelho e do Distrito

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores