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A blogosfera, quando me foi apresentada por amigos que fundaram o Bola na Área, e que entretanto tomaram outros caminhos, pareceu-me inicialmente algo de exótico e de parecido com esses projectos científicos embrulhados numa película a que se deu o nome de biosfera. Ou seja, a blogosfera era para mim uma bolha experimental, um espaço fechado e ao mesmo tempo aberto a novas experiências. Sendo a sobrevivência ainda hoje o grande desafio da humanidade e mesmo dos tubarões das finanças que nos atiraram para as bordas do precipício de bancarrota, atirei-me ao desafio de tentar não morrer no novo oceano que se abria à minha frente. De braçada em braçada, cheguei a uma conclusão que também já foi refrão de uma música: isto de ser blogger é um exercício de natação obrigatória, num ambiente muito diferente da limpeza das experiências biosféricas, ou seja, por aqui não há cú que não dê traques. O ar é bafiento mas ao mesmo tempo perfumado. No fundo, tudo é uma questão de perspectiva.

Quem navega nestas águas livres sabe que está sempre à beira do naufrágio e do consequente afogamento. Porque se navega contra o vento e contra as correntes. A experiência que tenho no blog Porto de Leixões, lançado em Dezembro do ano passado, tendo por tema a discussão de assuntos ligados à vida de Matosinhos, levou-me a encontrar uma espécie de pedra filosofal. Concretamente, sei hoje que o caminho infalível para não agradar mesmo à própria família é escrever num blog as histórias que se contam nos cafés. A guarda pretoriana não tolera a amplificação tertuliana.

De Dezembro para cá, os dois bloggers do Porto de Leixões, hoje apenas um (eu), sentiram o mais diverso tipos de pressões. De início levei a "coisa" para a brincadeira mas rapidamente vi que era a sério. Com dificuldades em conotar o blog, as forças políticas locais – hoje em grande convulsão – tentaram perceber uma conspiração que não era mais que uma constipação, ou melhor, um espirro de dois cidadãos num espaço da Internet. Dois cidadãos sem filiação partidária, sem ligações directas ao poder local e sem aspirações políticos. Porém, desde logo dois perigosos agitadores.

É este lado que francamente me agrada na blogosfera: a facilidade com que, mesmo sem querer, fazemos ferver uma água turva e suja. Onde chafurdam há muitos anos profissionais da política mascarados de democratas. Eles e toda a sua vasta clientela, agarrada aos lugares que ocupam como o mexilhão das rochas das praias do concelho de Matosinhos durante as marés-vivas. Dá para perceber que debaixo do lodo há uma imensidão de criaturas extraordinárias, sendo quase todas acéfalas.

Não sei o que se passa em Braga mas imagino. Apenas lhe faltará ser rodeada de mar para ser considerada um jardim. Por ser uma cidade capital de distrito e com uma dimensão superior àquela onde vivo, pressinto as dificuldades de quem aí bloga mas sinto também o prazer que pode ser proporcionado por um voo rasante sobre a podridão humana. De tal não resultará propriamente o melhor perfume mas também já todos sabemos que mesmo os bons cheiros são muitos vezes resultado dos mais execráveis produtos.

O deleite é, pois, o grande perigo de quem se arrisca nesta aventura. Sobretudo porque é adictivo.

[Eugénio Queirós é jornalista do Record e autor do blogue Porto de Leixões]

2 comentários:

  1. É uma vergonha, este senhor ter sido convidado para falar no Avenida Central, sabendo quem acompanha o seu blog (bna), das barbaridades que frequentemente escreve.

    O seu blog é um circo de aberrações que apenas é conhecido porque um dia se lembrou que ao insultar o clube com a massa adepta mais apaixonada do país iria ver o seu pasquim atingir níveis de popularidade que caso tal não acontecesse, seriam meramente utópicos.

    Desnecessário.

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  2. Parabéns pelo seu artigo sobre o Porto de Leixões.
    Gosto do seu blogue muito bem estruturado, boa visão, excelente objectividade.

    Continue.

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