Arqueologia por terras do Barroso

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Sob os “auspícios” da agreste montanha do Larouco, realizou-se este fim-de-semana, em Montalegre, um Congresso Transfronteiriço de Arqueologia, que reuniu várias dezenas de investigadores num interessante debate e apresentações de projectos e resultados de intervenções arqueológicas.

Ainda que este tipo de eventos seja um pouco considerado como um encontro entre arqueólogos, que se reúnem para discutir entusiasticamente entre si questões que só a eles interessariam, são na verdade espaços abertos de discussão, em que a temática, à partida bastante específica, abarca questões actuais e importantes para o desenvolvimento local e regional. A grande parte destes eventos são abertas a pessoas que não trabalham em investigação arqueológica, e que a eles acorrem para se manterem informados, ou para absorverem alguns aspectos relativamente a um mundo que se revela tendencialmente atractivo. Houve inclusivamente lugar para uma breve, mas muito lúcida, intervenção do conhecido padre António Fontes.

A presença, a dado momento, do ministro da Administração Interna na vila de Salto, que veio inaugurar, curiosamente, o edifício em que o congresso de desenrolava, um pólo do Ecomuseu do Barroso, não impediu os arqueólogos de prosseguirem com a empolgada exposição de ideias (salvo a já costumeira interrupção protocolar).

Como em outras áreas da investigação, os arqueólogos não são todos iguais. Uns há que pensam de forma absolutamente oposta de outros, tendo em conta a sua visão da História, a sua escola de formação, ou mesmo as suas tendências políticas. Por isso mesmo, estes encontros são importantes, no sentido de filtrar, na medida do possível, as interpretações mais tendenciosas ou menos informadas, e de sublinhar, por vezes recorrendo a situações concretas, as normas deontológicas que nos regem.

Por esta iniciativa, que abarcou as investigações no perímetro geográfico de Trás-os-Montes Ocidental, o Município de Montalegre está de parabéns, e que outras iniciativas deste género se sigam. Já agora, um óptimo dia da República!

2 comentários:

  1. Bom dia.Quando pensa pronunciar-se sobre a obra no túnel e as tropelias arqueológicas que se vão sucedendo em Bracara Augusta?

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  2. Boa tarde, caro anónimo!

    Sobre a obra do túnel da Av. da Liberdade, existem dois aspectos a ter conta: a obra em si, e o impacto arqueológico da mesma.

    Sobre a obra em si, a minha opinião, conforme já tinha manifestado, é de que a mesma era perfeitamente dispensável.

    Sobre o impacto arqueológico, os trabalhos estão a ser acompanhados por uma equipa, que tem estado também a proceder a escavações no local. Apenas essa equipa tem conhecimento dos vestígios que estão a ser escavados, e da importância dos mesmos (não é correcto, nem profissionalmente ético, especular sobre o valor científico dos mesmos, sobretudo quando não se conhecem). Espero, como outras pessoas, e a seu tempo, pela divulgação dos resultados da intervenção.

    Sobre possíveis "tropelias", conheço algumas, mas não tenho suficiente conhecimento das situações para escrever sobre elas. Sobre as questões do património, não se devia escrever de ânimo leve, como muitas vezes se faz.
    Cordialmente

    Gonçalo Cruz

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