A inexpressividade do tempo

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Jocosamente, costumo tratá-la como “o E.T.”, devido ao seu aspecto tendencionalmente alienígena, segundo a ideia preconcebida e errada que o incidente de Roswell nos sugeriu. A perda do nariz original, e os olhos em amêndoa acentuam um pouco essa sugestão cinematográfica. Esta quase inexpressiva cabeça de estátua, da qual não se conhece o resto do corpo, foi recolhida no castro de Santa Iria (Póvoa de Lanhoso), em 1876, tendo sido depois oferecida a Martins Sarmento, de cuja autoria é a fotografia acima.

A estatuária proto-histórica, ainda que amplamente inventariada e estudada do ponto de vista técnico-artístico, desperta interrogações quanto ao real significado da escultura. A maioria da estatuária teria aparentemente um carácter ritual ou político, ou ainda militar (note-se que as estátuas de guerreiros podiam ter também um significado simbólico religioso). Mas quando a fragmentação das esculturas limita a sua leitura técnica, como neste caso da “cabeça” de Santa Iria, a interpretação é ainda menos conclusiva.

De facto, este fragmento pode ter integrado uma estátua de um guerreiro em pé, ou de qualquer outro personagem simbólico, mas pode ter integrado também uma estátua sedente, como a que foi recolhida em Braga (visível aqui), na Colina da Cividade, interpretada como representação de uma divindade, ou de um chefe local.

A “cabeça” do Castro de Santa Iria está actualmente exposta no Museu da Cultura Castreja.

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