Portugal Olímpico

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Ao prometer resultados claramente acima das nossas possibilidades e do investimento de um país que só quer saber de futebol a três cores, Vicente Moura é o principal responsável pela depressão colectiva que, segundo as televisões, se apoderou do estado anímico dos portugueses. É preciso dizer com desassombro que a pressão colocada sobre os atletas portugueses, a começar pelas lamentáveis declarações de Vanessa Fernades, é absurda e imoral.

Bem lembra Pedro Sales (1, 2, 3 e 4), «num país em que ninguém gosta de desporto, todos querem medalhas».

18 comentários:

  1. Perante tudo o que foi dito as palavras da Vanessa Fernandes é que são l"amentáveis"?
    A mediocridade daqueles que querem caminha de manhã passa incólume e a excelência acaba po ser criticada.
    Percebo, ou melhor, não percebo nada já...
    E nós é que somos os burros?

    Perante posts destes percebo que dificilmente agum dia a mentalidade deste povo passará além da mediocridade.
    Bem dizia Vicenter Moura: "não posso educar os atletas...".

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  2. Ia agora mesmo escrever sobre isto. Parece-me absurdo pedir "brio", "profissionalismo", "dedicação", "seriedade" a um atleta, porque ele não ganha medalhas (lançando sobre ele a calúnia de que não é sério, profissional, dedicado).

    É como se se se estivesse a falar com um trabalhador, alguém que escreva relatórios, fabrique sapatos, dirija uma equipa de trabalho, atenda telefone ou assente tijolo. Ponham qualquer um destes a fazer a sua tarefa ao lado de mais cinco, todos em competição, e vai-se perceber que o trabalhador honesto, dedicado e sério passa a ser o último a acabar o relatório, a coser os pontos do sapato, a assentar todos os tijolos.

    Um atleta depende da sua forma física, das alterações subtis do seu metabolismo, da forma física dos seus adversários e de muitos factores aleatórios. Ganhar não significa que se encarou o treino com seriedade, que se foi mais profissional que os que perderam. E perder não significa que se é menos sério ou menos trabalhador.

    A juntar a isto tudo há outra coisa, muito importante. A competição desportiva é bom que seja renhida e vigorosa. Mas uma prova desportiva não é uma operação cirúrgica de alto risco nem a adopção de uma nova lei do trabalho, nem a travessia de um rio com crocodilos: se tudo correr mal e não se tiver sucesso, tudo fez sentido na mesma. E ainda bem. Um ginasta que tenha uma queda, um halterofilista que deixe cair os halteres, um futebolista que chute à barra, um saltador em altura que derrube a barra, nenhum deles cometeu um erro imperdoável, uma falha moral, um delito. Acabar em último numa prova desportiva não é vergonha, não é o fim do mundo, não é menos nobre, menos Desporto, que acabar em primeiro.

    (vou publicar este comentário no meu blogue)
    abraço,
    nuno.

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  3. Caro Nuno, não se trata apenas de uma questão de medalhas mas sim de brio.
    Todos sabemos que não se pedia uma medalha a 95% dos atletas que lá foram mas exigia-se que respeitassem o esforço e recursos que se gastou com eles.
    Exigia-se que fizessem igual ou melhor do que aquilo que estão habituados a fazer e que não se resumissem a ficar em último.
    E não me venham com a lenga lenga da falta de condições porque essa já não pega e no passado outros fizeram melhor com muito menos.
    E também não me queiram dizer que países como a Mongólia têm medalhas porque dispõem de melhores condições...
    Basta de fazer a apologia da medicoridade, basta!
    Como disse Vanessa Fernandes~, não basta ir aos JO só pelo simples prazer de lá estar.É necessário dar o máximo, tentar fazer o melhor.
    E muitos dos atletas não o fizeram claramente.Inclusive muitos deles admitiram-no.
    Estamos constantemente a exigir ao Estado que respeite os recursos públicos mas torna-se curioso constatar que muitos desvalorizam o desbaratamento desses mesmos recursos por atletas que nem os mínimos dos mínimos alcançam.
    Enquanto existir esta cultura do coitadinho e do pobrezinho não iremos a lado nenhum.
    As vossas posições são apenas um incentivo à mediocridade.
    Alguns atletas não conseguiram sucesso mas deram o máximo (vela, remo, etc) e não se refugiaram em desculpas insultuosas.

    "Ganhar não significa que se encarou o treino com seriedade"

    Esta frase é sinónimo de alguém que não faz ideia do que fala.
    Acha que Phelps conquistou 8 medalhas por acaso?
    Vanessa Fernandes é recordista por acaso?
    Bolt é campeão dos 100 metros por acaso?
    Enfim...

    Entretanto o 3º mundo continuará a mostrar-nos como se faz, inclusive Cuba.

    p.s. Continuo estupefacto pelo facto de se criticar aqui a declaração de Vanessa ao mesmo tempo que se deixa passar incólume a mediocridade de outros.

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  4. Não percebo certas críticas!

    Os atletas presentes atingiram ou não os mínimos olímpicos para poderem participar?

    Tentaram ou não fazer o melhor que sabiam?

    Posso apenas criticar algumas entrevistas dadas mas isso, é fruto da ingenuidade...

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  5. Caro ASC a conquista dos mínimos olímpicos para a presença nos jogos é precisamente isso mesmo, o mínimo!
    Mas como disse a Vanessa isso não basta.Não basta ir aos JO com um espírito turístico como se a qualificação fosse o fim em si mesmo.Para isso, bastaria a satisfação de saber que se conquistou esse mínimo.Seria desnecessário lá ir.
    O que não se aceita é que esses atletas fiquem abaixo dos mínimos que lhes proporcionou lá ir.
    Como disse e bem um nadador, ir aos JO e não bater um recorde nacional ou pessoal é um fracasso.
    Se quiserem fazer turismo não o façam com o dinheiro dos contribuintes.
    Volto a dizer que a mediocridade é uma doença nacional e o pior é que poucos se importam.

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  6. "E em que é que se distingue uma derrota por 56-10, ainda em rugby, com a Escócia ou uma derrota, por decisão dos árbitros, frente ao campeão asiático, como sucedeu ao judoca João Neto, em Pequim?

    A única diferença, de facto, é que uns cantam o Hino como uns lobos, enquanto os outros (alguns) se portam e falam como uns patinhos… prontinhos para pôr a assar no banquete das frustrações que se repete, em Portugal, todos os quatro anos".
    Foi assim, de derrota em derrota, que se chegou ao surrealismo final: segundo ouvi dizer, o quarto lugar de Gustavo Lima, na vela, também foi considerado um fracasso, em Portugal. Exactamente no mesmo país que se engalanou para receber a selecção de futebol no Estádio Nacional, após uma classificação igual no Mundial de 2006." in Visão - Rui Tavares Guedes.
    O Sr Manuel Postaleiro é mais pelo snoo..ker!

    Toninho Regadas

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  7. Ó Regadas ora diz-me lá onde é que eu disse que a vela foi um fracasso.
    O atleta Gustavo Lima considerou que a medalha era um objectivo que esteve ao alcance por pouco e ele próprio considerou que falhou.Mas pessoalmente dou-lhe valor porque deu tudo por tudo.
    Outros ficam satisfeitos apenas por lá irem.
    Não ter sucesso pelo facto de não conquistar uma medalha é totalmente diferente de falar em fracasso total (bloquear, caminha, árbitros, etc).
    O que me vale é que campeões olímpicos, verdadeiros altetas partilham da mesma opinião (Rosa Mota).O resto é a apologia da mediocridade.O caso do rugby não é um exmeplo pelo simples facto de se cantar o hino.
    Esses atletas deram o máximo dos máximos e foram elogiados pelos adversários.
    Não se limitaram a dizer que foi bom só por lá terem ido.
    Essa é a diferença e se não sabem distingir então continuem a viver nesta mediocridade de país.
    Eu não me conformo.

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  8. Houve meia dúzia de atletas que disseram asneiras para os jornalistas, como o da "caminha". Mas é preciso crucificar os outros todos?? A Vanessa disse que há atletas que não levam a coisa a sério. Disse quantos?

    O leque de modalidades nos jogos é vastíssimo e houve participações portuguesas em modalidades tão diversas como a vela e o ténis de mesa. É verdadeiramente notável que haja assim tanta gente que percebe tanto de tantas modalidades a ponto de poder distinguir os que se esforçaram e dão tudo por tudo dos restantes. Pena que todos esses "especialistas" não sejam praticantes ou treinadores, e só se façam ouvir de 4 em 4 anos!

    Quantas pessoas por aqui é que já se mexeram para ir ver uma prova de atletismo? Ou de vela? E têm a lata de criticar toda uma comitiva de 77 pessoas?

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  9. Caro Nuno Miranda Regadas,
    «Parece-me absurdo pedir "brio", "profissionalismo", "dedicação", "seriedade" a um atleta, porque ele não ganha medalhas.» Ora nem mais.

    Caro toninho,
    Obrigado pela participação. A citação que nos traz é bem exemplificativa do que somos...

    Caro asc,
    Há gente que impõe aos outros mínimos que não gostam para si...

    Caro emanuel,
    De facto a Vanessa foi infeliz em muitos aspectos. Foi um péssimo exemplo de camaradagem. Lamentável.

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  10. "Caro Nuno Miranda Regadas,
    «Parece-me absurdo pedir "brio", "profissionalismo", "dedicação", "seriedade" a um atleta, porque ele não ganha medalhas.» Ora nem mais."

    Não se trata de uma mera questão de medalhas mas de dignificar a bandeira que se representa e fazer o mínimo que os levou lá ou pelo menos um pouco melhor.

    Povo mediocre, país medíocre.

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  11. Não se pode ganhar medalhas sem primeio haver uma verdadeira política para o desporto. Acham que é apenas com um subsídio de cerca de 1000 euros/mês, na maioria dos casos pago a partir de janeiro do corrente ano, que se faz um atleta ganhador de medalhas?
    Por exemplo, atletas como Nélson Évora e Naide Gomes, planearam e conseguiram atingir o máximo de forma precisamente na altura dos Jogos olímpicos. Por outro lado, muitos atleta apostaram em meetings e competições internacionais que lhes dão o sustento financeiro e, desta forma, chegaram "todos rotos" às olimpiadas de Pequim?
    Outra situação: o ciclista Jacinto Paulinho,decidiu à última hora não participar nos JO, não defendendo portanto a sua medalha de prata. Tomou o quê? ele não sabia? não havia outro medicamento alternativo e permitido? Ele queria enganar quem?
    A esses sim, devem ser pedidas responsabilidades, mesmo que passe pelo seu afastamento compulsivo da prática desportiva federada..
    E os burros, somos nós?

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  12. É a ousadia maximalista da gestão por objectivos, que, como diz a doutrina, devem ir até ao tutano da seiva...Eu (como Presidente da SAD) posso dizer que o Braga tem como objectivo a Liga dos Campeões, mas só o digo da boca para fora para animar o pagode e dar crença aos jogadores e treinador (sei para mim que só existem 5% de probabilidades), pelo que no final, se ficar em 3º lugar, (no próximo ano não dá senão UEFA), não vou dizer que não foram cumpridos os objectivos e demitir o treinador só por isso.Vou é esfregar as mãos de contente não cumprindo, porém, os objectivos...
    As medalhas é a mesma coisa...o Braga também tem como objectivo hà 40 anos ganhar um titulo e nunca o obtém, pois ele é tão aleatório...
    Noutros tempos dizia-se que se ia fazer o melhor possível, hoje ladra-se e abre-se a boca...

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  13. Só me resta dizer, no final destes dias, que só se lembram do atletas (aqui Olímpicos) de 4 em 4 anos.

    É como lembrarem-se dos políticos nas eleições e exigirem deles tudo aquilo que não exigiram anteriormente.

    É como quando os políticos reaparecem em força, com promessas e obras pré-eleitorais.

    É abrir as goelas quando nos picam o rabo.

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  14. Olá boa tarde. Penso que se estão a cometer aqui alguns erros de análise. Não me parece sensato comparar atletas como Vanessa Fernandes, Phelps, Bolt com atletas que até há bem pouco tempo nem sabíamos que existiam. Parece-me coerente esperar que estes desportistas supra-citados e de topo a nível mundial, venham a ganhar medalhas. Mas não se pode exigir medalhas ou boas classificações a todos os atletas. Para se ganhar títulos e medalhas são necessárias duas coisas: muito trabalho mas também muito talento. Felizmente que temos tido alguns atletas como a Vanessa, a Rosa Mota, Nuno delgado, etc que conjugam estas duas condicionantes. Infelizmente nem todos os atletas chegam ao topo, uns por falta de empenho e outros por falta de talento. Por não se ganhar medalhas, títulos ou mesmo por se terem obtido classificações menos boas, não significa que não se tenha trabalhado. Às vezes falta talento e noutras simplesmente as coisas correm mal. Há sempre os menos bons, os vencedores e os vencidos. Estamos a falar de olímpiadas meus caros, de alta competição, onde há uma pressão enorme sobre os atletas. Porque insistimos sempre em criticar os atletas portugueses que vão aos jogos olímpicos?! Se eles se classificaram para os mesmos é porque são o que de melhor temos. Mas alguém me explica porque é que se criam expectativas de arrecadar medalhas ou obter bons resultados para Portugal nalgumas modalidades?!?! Vamos supôr que um atleta tem um recorde pessoal dos 5000 metros pista de 15 minutos. Este mesmo atleta vai às olimpíadas competir com outros 30 atletas cujos recordes pessoais se estabelecem abaixo dos 15 minutos. Será legítimo exigir a este atleta medalhas? bons resultados ou boas classificações? É pena que muitos não percebam que a realidade de muitos desportistas que foram representar Portugal nestes jogos seja semelhante ao exemplo que acabei de dar. Muitos foram pela competição em si, e não pela busca desenfreada de medalhas, ou de classificações elevadas. Isso acontece com atletas de todas as nações. É demagogo pensar que todos os que se qualificam para as olímpiadas tenham o objectivo de ganhar títulos ou obter elevadas prestações. Quantos atletas das actuais potências desportivas (China e EUA) não obtiveram resultados e classificações abaixo do esperado? É que a comunicação social procura dar ênfase aos medalhados, já pensaram nisso??? Vejam o que aconteceu ao norte-americano campeão do mundo dos 100 metros - Tyson Gay. Este atleta dos EUA não se apurou para a final. Acham que andou a brincar na competição?! Também acham que a Naíde Gomes ou o Obikwelu não trabalharam durante estes 4 anos?! Mas os desportistas são porventura máquinas que não podem falhar. Será que não têm emoções, vidas pessoais e falhas como qualquer outro ente?! Agora só porque temos alguns atletas que prestaram algumas declarações menos felizes e que obtiveram resultados um pouco abaixo das suas capacidades vamos acusá-los de de falta de empenho e brio profissional. Será que a regra só se aplica para alguns?! Como pode alguem avaliar o empenho e dedicação de 4 anos de trabalho em meia-dúzia de provas??? Nunca vos correu mal um exame para o qual tenham estudado que nem uns loucos??? Mas o que é isto??? Agora somos todos especialistas em modalidades olímpicas. Na minha óptica penso que há um fosso entre as expectativas criadas e os resultados obtidos, e logicamente que os bodes expiatórios são sempre os mais fracos - os atletas, que da boca de alguns são medíocres e andam a gastar dinheiro aos contribuíntes, entre outras coisas.
    Há ainda comentários que realçam o sucesso de alguns países do 3º mundo nestas olimpíadas. E qual é o espanto?! Será que andam bem informados sobre a realidade cultural e desportiva desses países?! Querem exemplos? Por acaso sabiam que na Jamaica as provas de velocidade no atletismo são das mais praticadas e apreciadas pelos Jamaicanos? Por isso não se admirem com as medalhas. No Quénia e na Etiópia as maratonas são talvez o desporto-rei. Por isso não se admirem com as medalhas. Em Portugal "joga-se à bola", logo é de esperar que tenhamos bons resultados no futebol, que ultimamente até têm sido bons. Se invertermos o raciocínio verificamos que países como a Jamaica, Quénia, Etiópia, e até mesmo as grandes potencias desportivas como a China e os EUA não têm qualquer expressão mundial a nível futebolístico. Se não temos uma cultura desportiva que leve a nossa sociedade a praticar modalidades olímpicas, quer por amadores ou profissionais para quê sonharmos com boas prestações nos Jogos Olímpicos. Achei ainda curioso "crucificar-se" a judoca Telma Monteiro por se ter demonstrado descontente com a arbitragem. Mas alguém se preocupou em saber se as arbitragens foram justas? É que se bem me lembro quando Portugal perdeu uma meia-final de um europeu de futebol contra a França no ano 2000, com aquele penalty do Zidane em consequência da mão dentro de área do Abel Xavier, quase todos atribuíram a culpa da eliminação da selecção à equipa de arbitragem. Nessa altura não fomos capazes de adimitir a superioridade dos gauleses e preferimos arranjar culpados que não os atletas. Agora eu pergunto, qual é a diferença entre o futebol e as outras modalidades desportivas? Porque "crucificam" os atletas olímpicos que prestaram declarações menos felizes e, por outro lado, deixam passar incólumes declarações muitas das vezes absurdas e obsoletas de alguns jogadores e dirigentes de clubes e instituições de futebol?! Porque utilizamos dois pesos e duas medidas?! Caros comentadores sejamos ponderados, realistas e acima de tudo justos. Não acho correcto criticar só porque está na moda e muitas vezes sem conhecimento de causa. Para finalizar quero aqui dar os meus parabéns ao Nélson Évora pela medalha de ouro no triplo salto.

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  15. Muito obrigado pelo excelente comentário caro Abel Alves.

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  16. Povo medíocre, bloguista medícore, país medíocre.

    Já agora façam uma petição para mudr a hora de actuação dos portugueses.
    É que de manhã...

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  17. Vicente Moura desistiu quando o barco afundava. Acordou quando Nélson Évora pôs uma rolha no casco. Agora promete reformas. Mas não teve ele 20 anos para as fazer?
    É certo que Portugal tem poucas estruturas ao nível do desporto mas tem muitas mais do que tinha em 1988 quando trouxemos da Coreia uma medalha de ouro e outra de bronze. Um barco com rumo quer um timoneiro que saiba para onde ir, não quer uma lapa que se agarre ao tacho!

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