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Avenida Monumental

Os guerreiros do Douro

Gravura Rupestre
© CNART

Assinalando o 12º aniversário da criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, o único criado até agora em Portugal, gostaria de colocar aqui uma referência ao conjunto de gravuras, do qual se apresenta aqui um detalhe. Trata-se de um painel, a pouca distância da margem do Douro, no lugar da Vermelhosa (Vila Nova de Foz Côa), que conserva representações de guerreiros, cuja gravação remonta à Idade do Ferro (séculos VIII a I a.C.).

Não deixa de ser curioso como estas representações pictóricas coincidem em boa medida com a descrição contemporânea feita por Estrabão, na sua Geografia da Ibéria, ao observar os guerreiros Lusitanos: “usam um pequeno escudo de dois pés de diâmetro, côncavo para diante, suspenso com talabartes de couro (…). Além disso, usam ainda punhal ou gládio. A maior parte usa couraças de linho; poucos, cotas de malha e um capacete de tríplice cimeira, ao passo que os demais têm elmos de nervos. Os peões usam também polainas de couro, e cada um traz diversos dardos; e alguns, lanças com ponta de cobre”. A mesma descrição coincide também com as conhecidas estátuas de guerreiros Calaicos, descobertas mais cá para o Norte.

Olhando para o programa da comemoração do aniversário do PAVC, podemos sem dúvida ajuizar que os habitantes de Cidadelhe (uma freguesia com 52 habitantes), em vez de terem estas actividades de dinamização, de terem quem conserve o seu Património classificado pela UNESCO, poderiam estar bem melhor servidos, com uma linda albufeira que lhes teria descaracterizado o vale, mas que os iria impressionar, sobrepondo a monumentalidade e engenho do homem do século XX, à monumentalidade da natureza.

É certo que não teriam água canalizada nem saneamento (que já vieram entretanto, como investimentos recentes no contexto da implementação do turismo cultural), mas vendo bem as coisas, podiam praticar windsurf na barragem. Que egoístas são, estes habitantes de Cidadelhe, que não pensam nas inundações sofridas a jusante, nem na energia que podia estar a ser produzida...

6 comentários:

  1. Apoio incondicional à iniciativa de vimaranenses e bracarenses, de pressionar a RTP a tratar de forma igual os "ditos 3 grandes" e os restantes clubes portugueses.

    Foi feito um post e colocado o link que dá acesso a petição.

    FORÇA MALTA!!

    www.freamundeallez.blogspot.com

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  2. Que pena o Parque ter proporcionado agua canalizada e saneamento às 52 almas de CIDADELHE.
    Tinha sido um óptimo aproveitamento arqueológico- turisitico, ter uma pequena aldeia iluminada à luz de uma candeia a azeite, os seus habitantes fazerem junto à cepa da latada do quintal, então na horta das couves, estas ficam saborosíssimas, usarem a água do côa transportada em cântaros de barro, enfim, penso que uma aldeia medieval no Parque era o máximo.

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  3. Vejo que há aqui especialistas em Foz Coa...
    Mas tenho uma dúvida, que não é provocatória, embora possa parecer nesta altura do campeonato!
    Na época, lembro-me que surgiu uma tese apontando para que as gravuras pudessem ser de feitura recente não tendo valor arqueológico.Pergunto essa perspectiva foi completamente afastada pela ciência?

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  4. Caro septuagenário,

    É mesmo muita pena que, de vez em quando, os sectores mais tecnocratas da sociedade, gostem de demonstrar a alegada estupidez dos cientistas, dos investigadores, dos ambientalistas e dos cidadãos comuns que se preocupam com aquilo que chamamos DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO. E apregoam frases do género:
    - "Vocês lá sabem o que dizem?! Poupar meia dúzia de rabiscos e dois ou três lobos, para depois ficar às escuras?!!";
    - "Vocês são um entrave ao progresso! Querem lá ver que agora até querem poupar o abate de árvores?!! E depois não tínhamos papel para escrever!!";
    E, já agora:
    - "ter uma pequena aldeia iluminada à luz de uma candeia a azeite, os seus habitantes fazerem junto à cepa da latada do quintal, então na horta das couves, estas ficam saborosíssimas, usarem a água do côa transportada em cântaros de barro...", com a qual pretendeu demonstrar a sua inteligência (ou antes, esperteza), e a minha terrível ignorância.
    De facto, eu não sou engenheiro, não sou "esperto", portanto desconhecia que para ter energia, temos que construir barragens.
    As minhas desculpas se eu tento ver mais longe, e se acho que a energia não deve continuar a ser obtida através de um método tão pouco viável, e simultâneamente tão destrutivo, como as barragens. O primeiro empreendimento hidroeléctrico português, na Serra da Estrela, data do século XIX. Mas pessoas como o senhor, e como alguns senhores do Governo, ainda acham que estes empreendimentos são "alternativos"...

    P.S. - O PAVC não proporcionou água canalizada nem saneamento a Cidadelhe, mas sim a Câmara Municipal de Pinhel. A existência destas infra-estruturas na aldeia, só vem demonstrar que a barragem seria, para os habitantes, perfeitamente inútil, como toda a gente sabe.

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  5. Caro contra-corrente,

    A perspectiva que refere nunca foi colocada pela ciência, mas sim por um investigador, e por algumas pessoas empenhadas na desinformação, como o Sr. MST. Em Portugal é assim, temos gente tão inteligente, que consegue desafiar os especialistas da UNESCO.

    Poderá saber mais sobre essa questão no seguinte endereço http://dafinitudedotempo.blogspot.com/

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  6. Boa Tarde,

    Acabei de criar um novo o site, o "escritores de blogues" (para visualizar o site basta ir ao site http://escritoresdeblogues.crowdvine.com). Este site é uma rede social destinada a todos os escritores de blogues que o fazem em português. O objectivo é criar um espaço comum a todos para que seja facilitado o contacto e a visibilidade de novos projectos independentemente da ferramenta (blogspot, sapo, wordpress) que utilizam.

    Neste sentido gostava de o convidar, e a todos os escritores de blogues que estiverem interessados. Para tal basta seguir o link e carregar onde diz "Join this network".

    Muito obrigado pela atenção,

    Melhores Cumprimentos,

    Stran

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