O Dia de Portugal (II)

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«E qual deveria ser o – verdadeiro – Dia de Portugal? Existem várias hipóteses, diferentes alternativas. 24 de Junho (de 1128), dia da Batalha de S. Mamede, ou 25 de Julho (de 1139), dia da Batalha de Ourique – momentos decisivos da ascensão e aclamação de D. Afonso Henriques enquanto Rei, e, por arrastamento, da formação e da consolidação de Portugal. 5 de Outubro (de 1143!), dia da assinatura do Tratado de Zamora, que reconheceu – pela primeira vez – a independência do nosso país. 1 de Dezembro (de 1640), quando se restaurou a independência. Porém, o dia que mais atributos reúne para merecer a designação de – verdadeiro – Dia de Portugal é 14 de Agosto. Nesta data, em 1385, a Batalha de Aljubarrota – culminar de uma crise que proporcionou (por uma vez) uma notável coesão entre os diferentes estratos da população – assegurou, mais do que a sobrevivência da nação, a sua futura expansão: confirmou como rei D. João I, que fundou a dinastia de Avis e gerou a Ínclita Geração, primeira responsável pelos Descobrimentos.» [Octávio Santos, Público]

A Batalha de Aljubarrota foi tal e qual Octávio Santos a descreve, assumindo-se como um dos marcos da História de Portugal, mas isto não significa que a convertamos em Dia Nacional. E o mesmo poderá ser dito sobre a forma apaixonada como alguns têm defendido o 1º de Dezembro ou o 24 de Junho.

A discussão acerca do verdadeiro Dia de Portugal é essencialmente sentimental e a questão essencial é delinearmos o simbolismo que lhe pretendemos associar. Temo bem que a tarefa seja da mesma índole daquela a que condenaram Sísifo, porque a definição de Portugal, que poderíamos resumir na formulação simplista «o que é ser português?», motiva quase tantas respostas quantos portugueses existam.

3 comentários:

  1. Pessoalmente, sou um defensor do 6 de Abril para dia de Portugal, em memória das Cortes de Coimbra de 1385 que, a 6 de Abril, elegeram para Rei de Portugal o Mestre de Avis. Os esforços que se fizeram antes na Revolução de 1383 culminaram nesse dia e o que veio a seguir - Aljubarrota - confirmou no campo de batalha a decisão das Cortes.

    O que começou também nesse dia 6 de Abril foi a Dinastia de Avis, a mesma que presidiria aos Descobrimentos e ao começo da diáspora portuguesa que ainda hoje perdura. E, já agora, não esquecer que D. João I foi pai da Inclita Geração.

    Portanto, reunia-se as duas dimensões que eu acho um Dia de Portugal deve ter: a afirmação da soberania nacional e o universalismo português. Portugal e as Comunidades Portuguesas, por outras palavras.

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  2. Cada cabeça sua sentença.Deixem lá o dia 10 de Junho em paz e sossego.

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  3. Nada tem começo em coisa alguma. Muito menos um país.

    (comentário de Manuel Anastácio - http://literaturas.blogs.sapo.pt - com uma conta fantasma do Blogger)

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