[Avenida Marginal] A tecla de sempre

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O PCP vai levar à Assembleia da República cinco diplomas para combater a precariedade laboral. A peça do Diário de Notícias não é suficientemente específica em relação ao teor das propostas concretas. Mas, vindo do PCP, também não se esperam grandes surpresas. Afinal de contas, desde há cerca de 30 anos que a coisa cristalizou mais ou menos no ponto granítico em que hoje se encontra.

De facto, desde Abril que a coisa não mudou muito. Os problemas continuam simples e cristalinos como sempre. Quando alguma coisa falha, soluciona-se da forma mais rápida: por decreto. A precariedade faz parte do mesmo lote. Se há trabalhadores precários, a solução é simples: basta proibir o trabalho precário. Em mais de três décadas, não deu para evoluir muito mais do que isto.

A precariedade laboral é um fenómeno multifacetado e no qual participam vários factores. Um deles é a incerteza; incerteza quanto à real produtividade do trabalhador e incerteza quanto à situação futura da empresa. E a incerteza não se regula por decreto. A proibição de vínculos precários não a elimina; apenas acentua os seus efeitos nefastos, porque o risco da contratação aumenta. O resultado é simples: mais desemprego.

E o fenómeno é particularmente perverso porque afecta sempre, ou quase sempre, os desfavorecidos. São os mais jovens – que, por terem entrado recentemente no mercado de trabalho, ainda não têm provas dadas –, as minorias e os trabalhadores com menos qualificações que ficam mais expostos aos piores efeitos de um Código do Trabalho mais rígido. Quando se põe a fasquia muito alta, o mais provável não é que os mais baixos se tornem subitamente grandes atletas, mas sim que acabem por não passar na prova.

A isto acrescenta-se outro problema que é a da reestruturação do tecido produtivo. O comércio internacional provoca desequilíbrios à medida que a produção de determinados bens se desloca para as áreas em que os seus custos de produção sejam, em termos relativos, mais baixos. Sectores em reestruturação terão sempre tendência para recorrer ao despedimento e aos contratos a prazo. O preço da riqueza é uma metamorfose por vezes dolorosa.

Há uma forma de atenuar este problema. Permitir a flexibilidade do mercado laboral para que as adaptações sejam facilitadas, ao mesmo tempo que se garante apoio financeiro a quem é mais atingido pelos choques de reestruturação, é uma possibilidade que permite reunir o melhor dos dois mundos: a agilidade de um mercado livre e a segurança de uma social-democracia. Aliás, até já houve quem o tentasse. Os nórdicos chamaram-lhe flexisegurança. Nós, por cá, chamamos-lhe neoliberalismo selvagem. O tempo frio é lá em cima, mas fomos nós que congelámos no tempo.

34 comentários:

  1. Os comentários do senhor Romano são medíocres por natureza mas de facto este alcança níveis de poluição visual elevados.
    a crítica dirige-se ao pcp e não às propostas em concreto... e qual a razão?primeiramente, atira-se de unhas e dentes às referidas propostas, todavia não as conhece, ignora o seu teor. considera-se no direito de vociferar apenas pelo simples acto de exisitir.ora quem critica desconhecendo, demonstra, para além de uma tremenda ignorância, uma má fé inqualificável.
    porventura o "velho" pcp não deveria pugnar pela defesa dos trabalhadores, pela sua dignificação mas sim embarcar na velha senda populista e auto flageladora dos restantes partidos (nomeadamente do bloco central).urge relembrar que o estado a que isto chegou (como diria Salgueiro Maia) é obra desses mesmos partidos que têm partilhado e regorgitado o poder ao longo do últimos 30 anos (PS, PSD e CDS).O sennhor Romano ataca de forma veemente o PCP e a sua coerência política no entanto olvida os atentados que se têm pepetrado contra quem trabalha.
    quanto à precariedade...porventura vossa excelência preferirá que nada se faça.porventura considera que os recibos verdes se referam a uma nova política ambiental e que a falta de qualificação profissional da larga maioria dos portugueses é um tema menor.urge relembrar que a elavada taxa de desemprego é uma questão prevista à muitos anos pelo pcp.esta é uma questão essencialmente estrutural que deriva da falta de investimento na modernização, numa política baseada em baixos salários, exploração laboral, e emprego sem direitos.fala em flexibilidade?que sabe o senhor sobre isso?a flexibilidade dos trabalhadores portugueses tem sido um emprego onde sobrevive quem come e cala.um emprego que vive da cultura do medo, da chantagem e da incerteza pelo amanhã.as grandes multinacionais pululam de país em país`em busca de "incentivos" largando-os posteriormente quando esses incentivos já não interessam (leia-se salários mais baixos num país miserável qualquer) esta é a cultura que vigora na mente da tão propalada sociedade de mercado dos nossos tempos.uma sociedade que atira milhões para a miséria e despoja as nações das suas riquezas.
    a política da flexisegurança é específica de uma determinada região do globo e por essa razão apenas foi implementada aí.não é simples coincidência mas sim uma consequência da própria mentalidade desses povos.caso contrário todos a aplicariam e o mundo seria um lugar à imagem e semelhança do país das maravilhas.uma política não se resume a um mero transplante.não se pode pegar numa solução e aplica-la padronizadamente noutro lugar.existem questões específicas, mentalidades diferentes, condições diversas, realidades únicas!
    o senhor Romano preconiza o milagre: "a solução é a flexisegurança!"...como se o mundo fosse tão simples quanto escrever umas linhas num qualquer blog...
    e sim, o pcp continuará a puganar pela dignificaçãop do trabalho e dos trabalhadores e se isso implica ser "cristalino" então assim será.

    Afonso C.

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  2. não é assim tão linear. a 'flexisegurança' é um sistema muito caro. exige uma grande capacidade orçamental e também um sistema judicial a funcionar irreprensivelmente. nada disso existe em Portugal a menos que se aumentem os impostos - muito acima do elevadíssimo nível nórdico - para que possamos sustentar tal sistema. com as fragilidades da economia e tecido empresarial portuguêses, os desempregados aumentariam às centenas de milhar caso tal política fosse aplicada. os nórdicos não chegaram a este sistema hoje e de um dia para o outro: foram décadas de construção do estado social que lhes permitiu ter esta flexibilidade e segurança. em Portugal seria contruir a casa pelo telhado, além, obviamente, de ser um crime social digno do mais abjecto capitalismo selvagem. no Minho seria uma desgraça. só um grave desfasamento da realidade - sim, realidade e teorias em livros de gestão são coisas diferentes - ou um dogmatismo ideológico cego é que poderão defender a implementação imediata dum sistema deste tipo em Portugal. os neoliberais são os comunistas do séc xxi.

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  3. «urge relembrar que a elavada taxa de desemprego é uma questão prevista à muitos anos pelo pcp»

    Isso e o fim do capitalismo pelas mãos das suas próprias contradições internas.

    «grandes multinacionais pululam de país em país`em busca de "incentivos" largando-os posteriormente quando esses incentivos já não interessam (leia-se salários mais baixos num país miserável qualquer)»

    Isso é óptimo. Se as multinacionais abandonam os países ricos, isso só que os trabalhadores vão deixar de ser explorados.

    «com as fragilidades da economia e tecido empresarial portuguêses, os desempregados aumentariam às centenas de milhar caso tal política fosse aplicada» - António Alves

    Bom, a ideia é inversa. Facilitando-se os despedimentos, aumentam os incentivos à contratação, porque o risco inerente desce.

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  4. Aliás,

    Isso é óptimo. Se as multinacionais abandonam os países ricos, isso só significab que os trabalhadores vão deixar de ser explorados.

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  5. já agora diga-me a sua opinião sobre o silêncio ensurdecedor dos liberais depois do estado, tanto o americano como o britânico, terem interferido no mercado para salvar bancos que por erros próprios e contigências do mercado livre estavam à beira da falência? não se devia ter deixado funcionar o mercado? os accionistas desses bancos não deviam ter perdido todo o seu capital, os gestores despedidos sem apelo nem agravo, os trabalhadores enviados para o desemprego?

    Nada disso aconteceu, os impostos dos contribuintes salvaram os paradigmas liberais da insolvência e o mais estranho é que os 'liberais' da ordem até aplaudiram. quando o mercado dá lucro é só vozes a clamar contra o estado e a pedir a desregulamentação, quando dá prejuízo toda a gente se mete debaixo da saia do estado sem qualquer prurido. caro Pedro: os últimos acontecimentos mataram de vez o mito do liberalismo que tinha vindo a ser pregado desde os anos reagan e tatcher. kaput, morreu!! e para gáudio dos próprios liberais que na hora da verdade só os preocupa salvar o seu dinheiro e mandam às urtigas o mercado e a sua autonomia.

    "Bom, a ideia é inversa. Facilitando-se os despedimentos, aumentam os incentivos à contratação, porque o risco inerente desce."

    é o que falta provar! tb me diz me diziam que a baixa do IVA faria baixar os preços. tudo isso são belas teorias que encontram muitas dificuldades em se comprovarem no mundo real. o mundo não se reduz à simplicidade de um modelo económico. em portugal uma liberalização do despedimento levaria ao despedimento em massa dos mais velhos e menos qualificados para contratar os mais novos, mais qualificados e a preço de saldo.a crise social seria incomportável. o caminho tem q ser mais sensato e ponderado.

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  6. «já agora diga-me a sua opinião sobre o silêncio ensurdecedor dos liberais depois do estado, tanto o americano como o britânico, terem interferido no mercado para salvar bancos que por erros próprios e contigências do mercado livre estavam à beira da falência? não se devia ter deixado funcionar o mercado?»

    Sim. Mas não vejo o que possa ter isso a ver com a flexisegurança.

    «é o que falta provar!»

    Não é uma conclusão muito brilhante, sequer. Quando o risco diminui, o investimento aumenta. Qual é exactamente a dúvida?

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  7. O problema do senhor Romano é pura e simplesmente a sua linha de reciocínio básica...
    segundo este iluminado o mundo avança de uma forma tão simples quanto um copy paste... ora vejamos:

    «grandes multinacionais pululam de país em país`em busca de "incentivos" largando-os posteriormente quando esses incentivos já não interessam (leia-se salários mais baixos num país miserável qualquer)» afirmação minha

    "Isso é óptimo. Se as multinacionais abandonam os países ricos, isso só que os trabalhadores vão deixar de ser explorados." afirmação do senhor Romano

    caro senhor, este tipo de neo colonização ´causa dois graves problemas: 1ºaproveitam-se dos escassos recursos dos países mais pobres que os utilizam para trazer estas multinacionais.
    2ºpretendem manter um status quo de baixos salários vs défice de formação profissional (lembre-se da afirmação do ministro Pinho aquando da viagem à China...deplorável) impedindo desta forma o desenvolvimento das nações.
    quando abalam desses países sobra apenas o desemprego irresolúvel já que essa mão de obra jamais encontrará trabalho noutra área devido à falta de qualificação.sobra a miséria já que esses trabalhadores auferem um salário de mera sobrevivência. e sobra o desemprego galopante...
    quer mais?
    Senhor Romano, deixe de apresentar argumentos básico...

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  8. É interessante o programa que está a dar na RTP2 sobre os Zo-é

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  9. «caro senhor, este tipo de neo colonização ´causa dois graves problemas: 1ºaproveitam-se dos escassos recursos dos países mais pobres que os utilizam para trazer estas multinacionais.»

    É um conceito estranho de colonização: a colonização consentida.

    E errado, de qualquer forma. Vá ver o que aconteceu ao Golfo Pérsico depois de as empresas estrangeiras se terem fixado lá para extrair petróleo.

    «2ºpretendem manter um status quo de baixos salários vs défice de formação profissional (lembre-se da afirmação do ministro Pinho aquando da viagem à China...deplorável) impedindo desta forma o desenvolvimento das nações.»

    Os salários na China crescem a 10% ao ano. Curiosamente, começarem a crescer precisamente a partir do momento em que apareceram multinacionais a pagar «baixos salários» e a impedir o «desenvolvimento das nações».

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  10. Caro senhor Romano, os seus argumentos voltam a pecar pelo facto de serem tremendamente lineares...chega a impressionar!
    "colonização consentida"?????
    em questões de sobrevivência como aquelas perante as quais a maioria das nações se confrontam urge (infelizmente) pactuar com o inimigo.Mais, a maioria dessas multinacionais, provenientes de grandes nações "democráticas" estabelecem acordos com governos ditatoriais de modo a encher os bolsos das classes governantes (África é o paradigma).
    Quanto ao exemplo que vossa excelência dá relativamente ao incremento salarial que as multinacionais proporcionam resta-me dizer que é no mínimo infeliz.as tremendas desigualdades que estão a acontecer na China são avassaladoras.o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior.os maios pobres são despojados das suas terras, coagidos e violentados pelas multinacionais e governantes corruptos.o próprio ecossistema ambiental da China está a ser completamente arruinado devido à implementação de fábricas que noutro lugar do mundo seriam pribídas.a escravatura e a mão de obra infantil são uma realiade!
    tudo isto levado a cabo por empresas que na europa ou e.u.a. contribuem hipocritamente para fundos e fundações via mecenato.
    mas posso também dar o expemplo da Índia.
    extraordinário o facto de nunca na história da humanidade se ter produzido tanta riqueza e simultaneamente existir tanta miséria...

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  11. «em questões de sobrevivência como aquelas perante as quais a maioria das nações se confrontam urge (infelizmente) pactuar com o inimigo.»

    Isso é irrelevante. O que interessa é que uma multinacional melhora, objectivamente, as condições de vida.

    Claro que não vai pagar os salários que paga na Europa, mas vai pagar salários melhores do que os que por lá se pagavam.

    «as tremendas desigualdades que estão a acontecer na China são avassaladoras.o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior.os maios pobres são despojados das suas terras, coagidos e violentados pelas multinacionais e governantes corruptos.o próprio ecossistema ambiental da China está a ser completamente arruinado devido à implementação de fábricas que noutro lugar do mundo seriam pribídas.a escravatura e a mão de obra infantil são uma realiade!»

    É natural que haja desigualdades. Essa desigualdade é a consequência de todos os anos a China capitalista tirar cerca de 10 milhões de pessoas da pobreza.
    Não se esqueça de que o nível médio de vida é baixíssimo; basta que alguns milhões melhorem a sua condição para que a desigualdade dispare.

    Quanto ao ecossistema, repare que, em níveis per capita, a China polui muito menos do que países como a Alemanha.

    «extraordinário o facto de nunca na história da humanidade se ter produzido tanta riqueza e simultaneamente existir tanta miséria...»

    Não sei em que dados se baseia para dizer isso. O nível de pobreza agregado tem vindo a descer desde há alguns anos. Nunca vivemos tão bem como hoje.

    Já agora, que é que isto tem que ver com a flexisegurança?

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  12. Caro senhor Romano, o conhecimento que o senhor tem do mundo e da vida é pura e simplesmente teórico.
    como alguém disse à pouco tempo, a China é uma catástrofe em potência devido às gritantes desigualdades sociais.
    quanto ao fosso entre ricos e pobres, resta-me relembrar Koffi Annan aquando do apelo desesperado para África.
    segundo o senhor Romano o facto de uma multinacional pagar salários totalemente díspares para trabalhos iguais, o facto de haver mão de obra escrava e infantil em catadupa é irrelevante.
    A China será em breve o maior poluidor mundial juntamente com a Índia e a pressão que estes fazem em torno dos recursos naturais é avassaladora! é a chamada fome capitalista selvagem
    o senhor Romano considera que o facto de se pagar uma migalha a milhões de trabalhadores nestes países, no âmbito de um trabalho despojado de direitos, horas a fio é uma questão insignificante!
    já agora, já ouviu falar na barragem das 3 gargantas na China?
    Capitalismo no seu melhor!
    e já agora, quanto à diminuição do fosso, relembro também que o número de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza em Portugal aumentou...
    onde entra a flexisegurança?é a necessidade avassaladora de alguns enriquecerem à custa de muitos...
    dados concretos: 2% possuem mais de metade da riqueza mundial.
    pegue nos seus dados e continue a viver no seu mundinho!
    P.S. mais 800 trabalhadores despedidos em 2 multinacionais em Portugal...ainda querem mais flexibilidade?

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  13. p.s. (continuação) os trabalhadores despedidos da yazaki e da delphi "concordam" plenamente com a teoria de que uma multinacional melhora objectivamente os níveis de vida...

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  14. (continuação parte 2)...a falácia dos dados do senhor Romano sobre o decréscimo do fosso entre ricos e pobres: http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=575472

    tenha vergonha!

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  15. Mais dados para o senhor Romano se aperceber da sua falácia: http://www.tsf.pt/online/economia/interior.asp?id_artigo=TSF182831

    quer mais?

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  16. «dados concretos: 2% possuem mais de metade da riqueza mundial.»

    Sabe que os restantes 98 por cento são exactamente os países que abdicaram do capitalismo, não sabe?

    «o senhor Romano considera que o facto de se pagar uma migalha a milhões de trabalhadores nestes países, no âmbito de um trabalho despojado de direitos, horas a fio é uma questão insignificante!»

    Não. Mas confesso-me sinceramente preocupado com o facto de o meu interlocutor lhes querer cortar a única maneira que têm de sair dessa situação.

    «os trabalhadores despedidos da yazaki e da delphi "concordam" plenamente com a teoria de que uma multinacional melhora objectivamente os níveis de vida...»

    Decida-se. Se não melhora, então devem estar contentes por terem sido despedidos. Eu sei que a ideia parece descabida, mas se o argumento é pateta, só posso dar uma resposta pateta.

    «a falácia dos dados do senhor Romano sobre o decréscimo do fosso entre ricos e pobres»

    Onde é que eu disse isso? Eu disse o contrário. Só acrescentei que essa desigualdade pode ser boa, porque revela uma melhoria substancial dos níveis de vida - como no caso da China, por exemplo.

    «mais 800 trabalhadores despedidos em 2 multinacionais em Portugal...ainda querem mais flexibilidade?»

    Tem de contabilizar todos os que não são contratados devido à rigidez do mercado laboral. Só não me parece que vá encontrar isso nas notícias da agência financeira.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Já venho tarde a esta discussão, mas digo desde já, importe-se o modelo nórdico da flexisegurança, mas com toda a "bagagem" que o modelo requer. O que o Pedro Romano negligencia é que um modelo de Flexisegurança só funciona com determinados pressupostos (o modelo de segurança nórdico, segurança social, impostos progressivos...), sejamos analíticos e deixemos de usar as supostas incertezas para minorar os direitos dos trabalhadores. Porque as empresas não vivem na incerteza, não acreditem nessa, as empresas muitas vezes têm uma nomenclatura terminada em S.A., isto significa sociedade anónima. São constituídas sociedades com responsabilidade limita, isto implica uma coisa concreta, é que a empresa em termos de dívidas só pode ser responsabilizada pelo seu capital social, ou seja a empresa pode contrair dívidas superiores ao seu capital social que não será chamada a cobrir essa quantia/"responsabilidade". A realidade é bem mais dura, e é o para os trabalhadores, o Estado dominado por políticas lesivas determinou que um mercado para atrair investidores tem de os desresponsabilizar, é efectivamente mais arriscado ser trabalhador do que ser proprietário de uma empresa. A relação de forças entre contratadores e contratados tem sido agravada no sentido de a desequilibrar ainda mais, se por um lado as empresas têm denominações jurídicas e possibilidades inúmeras de assegurar riscos baixíssimos, por outro lado os vínculos laborais tem perdido direitos, muita gente (qualificada) a recibos verdes, sem direito a subsídios, descontos para a segurança social, sem licença de casamento... Se posso subscrever a crítica de o PCP não se ter actualizado sobre os mecanismos de combater a precariedade, não concordo com a flexibilização do mercado laboral. O PCP não sabe combater o problema, mas ao menos identificou-o, este post identifica o problema e põe adubo em cima. Repito, sejamos analíticos, o que significa flexibilização? Significa, sem sombra de dúvidas, a atenuação dos mecanismos de justificação de despedimento, já existe despedimento com justa causa, até já se pode despedir por motivos de reestruturação, com a desresponsabilização já existente ainda querem mais? A solução para acabar com o emprego precário é flexibilizar? É facilitar o despedimento? É que é disso mesmo que se trata.

    Incertezas quanto à produtividade do trabalhador? Nunca a sociedade portuguesa foi tão qualificada, tão produtiva. Cravinho disse uma vez claramente que a produtividade dos trabalhadores tem vindo a aumentar imenso e isso não se tem reflectido nos seus salários. Se a retórica de luta de classes já não é suficiente para perceber os mecanismos da sociedade actual, muito menos a retórica da produtividade e formação pegam como justificação para a não progressão salarial dos trabalhadores portugueses.

    "A proibição de vínculos precários não a elimina; apenas acentua os seus efeitos nefastos, porque o risco da contratação aumenta. O resultado é simples: mais desemprego."

    Asneira grossa, se as empresas forem responsabilizadas, elas responderão a essa responsabilidade, são as bases da democracia e lei. Repare-se, as empresas continuam a poder despedir, agora porque razão não o podem fazer com justa causa? Pois claro, porque a causa que pretendem não é justa, não está em nada relacionada com o desempenho. As empresas contratam pessoas anos a fio sempre com contractos precários, a recibos verdes, o problema é que o Estado permite esta situação, ninguém tem problemas ser temporário um ano...o problema é que as empresas usam esse estatuto de forma desregulada. Um contratado precário se adoecer não tem falta justificada, imagine-s 10 anos de contractos precários sucessivos? Dez anos sem direitos, dez anos sem poder adoecer, sem descontos para a segurança social, com ordenados baixos.

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  19. Ó senhor Romano, das duas uma ou vossa excelência tem um grave défice de vivência real, daquela que se aprende na rua e no dia a dia, lidando com as pessoas ou, de facto, o seu grau de compreensão é reduzido.


    "Sabe que os restantes 98 por cento são exactamente os países que abdicaram do capitalismo, não sabe? "

    não, não sei, pelo simples facto desse argumento ser TOTALMENTE FALSO!
    Os níveis de pobreza nos EUA têm aumentado substancialmente, inclusive com o incremento do recurso à chamada "sopa dos pobres".
    Nova York, 21/12/2006(IPS) - O banqueiro dos pobres, o economista Muhammad Yunus, vencedor do prémio Nobel da Paz 2006, tem razão ao defender um “mercado de valores social”, pois sua ausência está minando o famoso “sonho americano” nos Estados Unidos, afirmam alguns.

    Este país, que conta com o “mercado mais livre e rico” do planeta, não está proporcionando “assistência social a um quinto de sua população”, afirmou Yunus ao receber o prêmio na cidade de Oslo no começo deste mês.
    E cito o prémio Nobel da paz em 2006:
    "Alguns norte-americanos admitem que começam a sentir estes e outros apertos e a se preocupar com o gradual desaparecimento do “sonho americano”, porque cada vez mais diminuem as opções de alcançá-lo, embora muitos imigrantes não compartilhem dessa opinião. A pobreza nos Estados Unidos, mal justificada pela crescente imigração, está aumentando, disse em uma entrevista à IPS Walter Michaels, professor da Universidade de Illinois e autor do polêmico livro “The Trouble with Diversity” (O problema com a diversidade), recém-publicado pela Metropolitan Books, parte da editora Henry Holt and Company, de Nova York."

    QUER CONTINUAR A LER?
    http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=2437

    Pelo que sei, os EUA não "abdicaram do capitalismo"...
    Ridículo!

    "Não. Mas confesso-me sinceramente preocupado com o facto de o meu interlocutor lhes querer cortar a única maneira que têm de sair dessa situação."

    Bem, acaba de me dar razão...de facto o senhor é um perfeito capitalista que partilha da opinião: "trabalham horas a fio, sem descanso, desprovidos de direitos, são escravos e ainda se queixam!deviam agradecer-nos pelo facto de lhes darmos umas migalinhas!"
    ó senhor Romano, não caia no erro de vir para a rua defender a sua extraordinária tese.fique-se pelo blog...

    "Decida-se. Se não melhora, então devem estar contentes por terem sido despedidos. Eu sei que a ideia parece descabida, mas se o argumento é pateta, só posso dar uma resposta pateta."

    Não caro senhor Romano.os trabalhadores não devem ficar satisfeitos por terem sido despedidos mas também não podem gritar alvíssaras a uma multinacional que sugou os apoios estatais, exigiu mundos e fundos a estes trabalhadores durante anos a fio sem compensações e que após tanta dedicação são confrontados com uma proposta de 1,5 salários por cada ano de trabalho...
    e não senhor romano, esta gente não tinha escolha!pura e simplesmente agarraram a oportunidade que lhes surgiu...cidadãos de 2ª num país bicéfalo aproveitaram a migalinha...ao contrário do senhor, estas pessoas vivem no mundo real e não se resumem aos quatro muros de uma universidade e de um gabinete.
    é a velha questão da sobrevivência!sabe que há pessoas que vivem meramente para a sobrevivência não sabe?

    "Onde é que eu disse isso? Eu disse o contrário. Só acrescentei que essa desigualdade pode ser boa, porque revela uma melhoria substancial dos níveis de vida - como no caso da China, por exemplo."

    enfim...valerá a pena discutir com argumentos destes?
    o senhor deu-se ao trabalho de ler os relatórios que lhe apresentei através dos links?deu-se ao trabalho de ler o relatório das Nações Unidas?
    quando falo em aumento do fosso refiro-me ao facto dos ricos ficarem cada vez mais ricos à custa do emporbrecimento dos mais pobres dos mais pobres!
    não vejo nenhum factor positivo quando essas desigualdades aumentam e sabe porquê?
    quando tal sucede, aumentam as injustiças sociais inevitavelemnte!
    constrói-se um mundo baseado na opressão de uma minoria que se agarra ao poder, não o querendo partilhar.
    no mundo pelo qual luto, não concebo que esta imagem seja benéfica a não ser para aqueles que dela usufruem...porventura o senhor encontra-se no seio desta minoria...

    "Não sei em que dados se baseia para dizer isso. O nível de pobreza agregado tem vindo a descer desde há alguns anos. Nunca vivemos tão bem como hoje." isto foi dito por si, senhor romano.ora vejamos o que diz a realidade:
    cito:

    "Silvia Salek, enviada especial à China

    Ao mesmo tempo em que a economia chinesa cresce e fortunas surgem por toda a parte, o país enfrenta também o ônus do capitalismo com o aumento da miséria e da desigualdade social.

    Dados oficiais indicam que, nos próximos cinco anos, o número de pessoas vivendo abaixo da linha pobreza nos grandes centros urbanos deve aumentar cerca de 150%, passando de 15 milhões para 37 milhões."

    quer mais?

    cito:

    "O fosso entre ricos e pobres aumentou na última década, apesar do crescimento sem precedentes e da melhoria das condições de vida em muitos países do mundo, refere um relatório da ONU hoje divulgado, noticiado pela agência «Lusa».

    No documento, intitulado «A Situação Social Mundial 2005», a ONU defende que o crescimento económico por si só não é suficiente para resolver os problemas de desenvolvimento e alerta para a desigualdade persistente e crescente a nível mundial.

    O estudo centra-se no abismo que existe entre a economia formal e informal, entre os trabalhadores qualificados e os não qualificados, assim como o acesso à saúde, educação e as oportunidades de participação social, política e económica.

    «Ao identificar algumas questões mais críticas que afectam o desenvolvimento social nos nossos dias, o relatório pode ajudar a orientar medidas decisivas que visem construir um mundo mais seguro e próspero, em que as pessoas possam usufruir dos seus direitos humanos e liberdades fundamentais», afirma o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

    Segundo o documento, «apesar do crescimento económico registado em muitas regiões, a desigualdade registada a nível mundial é maior do que há dez anos».

    «Estas desigualdades têm tido consequências negativas em muitas áreas, nomeadamente, as do emprego, segurança do emprego e salários», refere o relatório, acrescentando que o desemprego continua a ser elevado e que as taxas de desemprego dos jovens são particularmente altas.

    «Há milhões de pessoas a trabalhar que continuam a ser pobres, quase um quarto dos trabalhadores do mundo inteiro não ganha o suficiente para conseguir ultrapassar o limiar da pobreza de um dólar por dia e melhorar a situação da sua família», alerta o documento."

    senhor Romano, é a ONU que o diz!


    "Tem de contabilizar todos os que não são contratados devido à rigidez do mercado laboral. Só não me parece que vá encontrar isso nas notícias da agência financeira."

    primeiramente deixe-me dizer-lhe que posso apresentar-lhe os relatórios oficias de várias organizações internacionais, todavia considero que seria demasiado esgotante para um fórum de discussão como este.

    mas também lhe posso apresentar os milhares de trabalhadores que são contratados diariamente sem qualquer vínculo laboral, captados em anúncios de jornais falsos.homens e mulheres que trabalham na construção civil ou na lavoura sem saberem quanto irão ganhar ao fim do dia e se no dia seguinte serão chamados novamente.
    quer maior flexibilidade do que esta?
    já agora, já ouviu falar em recibos verdes?flexibilidade no seu esplendor!

    Para terminar, e voltando a pegar no extraordinário argumento de que os 98% de miserávies são aqueles que abdicaram do capitalismo (será o Brasil, a Índia?) volto a lembrar que segundo os dados OFICIAIS (!) Portugal tem vindo a registar um aumento significativo entre ricos e pobres. e da última vez que reparei, Portugal era um país da chamada economia de mercado...

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  20. "O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiram hoje que o aumento dos preços alimentares destruiu grande parte dos avanços no combate à pobreza e avivou a inflação em todo o planeta.

    O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, levou um pacote de arroz e uma carcaça para a sua conferência de imprensa antes da Assembleia da Primavera conjunta de ambos os organismos para ilustrar o drama humano que acarreta a subida do valor desses produtos. "Em muitos países em desenvolvimento, os pobres gastam até 75 por cento dos seus rendimentos na alimentação", afirmou Zoellick, que fez um apelo mundial para responder ao problema.

    "A comunidade internacional deve cobrir pelo menos um buraco de 500 milhões de dólares (315,8 milhões de euros) no Programa Alimentar das Nações Unidas para satisfazer as necesidades urgentes", instou Zoellick.

    O aumento dos preços foi o detonador de manifestações, nalguns casos violentas, em países tão distantes como o Paquistão, México, Egipto ou Haití. Na nação das Caraíbas morreram pelo menos cinco pessoas durante as revoltas.

    O responsável da instituição financeira calculou que o efeito da actual crise alimentar na redução da pobreza no mundo equivale a sete anos perdidos.

    O valor dos alimentos subiu 48 por cento desde finais de 2006 e a escalada dos preços chega num momento especialmente difícil para o planeta.

    Segundo Dominique Strauss-Kahn, director do FMI, a economia mundial está "entre o gelo e o fogo".

    O "gelo" é uma travagem económica brusca, que fará com que o mundo deixe para trás o crescimento de 4,9 por cento registado em 2007, após vários anos de esplendor e passe para os 3,7 por cento de 2008, segundo o fundo.

    O "fogo" é a alta de preços dos alimentos e da energia, que se sente desde Lisboa a Port-au-Prince.

    Não obstante, onde queima mais é em África e nalguns países de outras regiões como o Haití, Mongólia e Afeganistão.

    Para grande parte do continente negro a subida desses preços implica piorar mais de um por cento do seu sector externo entre 2007 e 2008, um impacto que o chefe do FMI considerou "gigante".

    O efeito "é provavelmente maior que a maioria dos choques (económicos) no passado", disse Strauss-Kahn.

    Na Europa, as contas correntes da maioria dos países sofreram um agravamento de menos de um por cento devido a estes aumentos, enquanto ganharam os grandes exportadores, como a Argentina, Brasil, Estados Unidos, Rússia e Austrália.

    A Bolívia e o Paraguai também beneficiaram mas o resto da América Latina ver-se-á "moderadamente" prejudicada.

    Segundo o Banco Mundial, os elevados preços dos alimentos vão prolongar-se durante anos, devido em grande medida à maior produção de biocombustíveis, que está a desviar parte da colheita de cereais como o milho.

    Com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de apenas 3,7 por cento este ano, o mundo não está longe de uma possível recessão, adverte o BM.

    O FMI considera que existe 25 por cento de possibilidades do PIB do planeta só crescer três por cento, cifra que considera "equivalente" a uma recessão mundial.

    Esta taxa implicaria una contracção em países avançados importantes e uma desaceleração acentuada em nações de alto crescimento, como a China e a Índia, explicou Subir Lall, coordenador do relatório de previsões económicas da instituição.

    Os mercados emergentes suportaram melhor a crise até agora, reconheceu Strauss-Kahn, mas assegurou que "não são imunes" a ela.

    Alertou para o risco de "uma paragem súbita ou, pelo menos, uma redução drástica" dos fluxos de capital para os países em desenvolvimento, que afectaria em particular as nações que dependem mais do dinheiro externo para o seu financiamento.

    "Estamos muito preocupados com o que se está a passar na Europa Central", confessou.

    Jornal Público - 11/04/2008

    Após anos de uma ânsia incansável para crescer mais e mais sem olhar a meios, surge o inevitável.

    Já agora, gostaaria de saber a opinião do senhor Romano...para variar...

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  21. após alguns dias regresso

    a flexisegurança não tem problema nenhum nas condições nórdicas. aplicada em Portugal não passaria de uma abjecta redução dos direitos dos trabalhadores. o que os 'liberais' pretendem é impor a precariedade absoluta e escondem-se atrás da flexisegurança sabendo de antemão que Portugal não tem as condições para tal (aqui a ligação com o neo-liberalismo). dizer o contrário é desonestidade intelectual, ou, ignorância de um qualquer estudante inexperiente de gestão que se limita a repetir algumas teorias que leu num qualquer manual sem qualquer espírito crítico.

    "Não é uma conclusão muito brilhante, sequer. Quando o risco diminui, o investimento aumenta. Qual é exactamente a dúvida?"

    levando o seu postulado ao limite, o esclavagismo é o melhor dos sistemas económicos. o risco é nulo!

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  22. e reforçando um ponto já abordado por um comentador: em Portugal a pobreza que aumenta cada vez mais não é a dos que não têm emprego ou qualquer tipo de rendimento. é cada vez mais a dos trabalhadores que apesar de terem emprego são cada vez mais incapazes de sustentar a família.

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  23. Senhor Romano, segundo um relatório recente, sublinhado pelo insuspeito Bagão Félix, a precariedade em Portugal aumentou 21% lançando quase 2 milhões de portugueses para uma situação insustentável...mas segundo a sua tese, sempre é preferível a migalhina do que nada...
    Senhor Romano, a sua perspectiva foi derrotada em toda a linha!
    como diria alguém: "a mesma tecla de sempre".

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  24. Caro João Dias,

    «A realidade é bem mais dura, e é o para os trabalhadores, o Estado dominado por políticas lesivas determinou que um mercado para atrair investidores tem de os desresponsabilizar, é efectivamente mais arriscado ser trabalhador do que ser proprietário de uma empresa»

    Se isso fosse verdade não havia desemprego. Quem fosse despedido criava uma empresa e ficava com o problema resolvido.

    «Incertezas quanto à produtividade do trabalhador? Nunca a sociedade portuguesa foi tão qualificada, tão produtiva.»

    A produtividade portuguesa tem crescido pouquíssimo. Aliás, o crescimento económico em Portugal tem-se dado sobretudo por via do emprego e não da produtividade.

    De facto, se comparar o crescimento dos salários (em termos reais) com o crescimento da produtividade, vai encontrar uma boa explicação para o desemprego de hoje em dia.

    «Asneira grossa, se as empresas forem responsabilizadas, elas responderão a essa responsabilidade, são as bases da democracia e lei»

    Com essa mentalidade não vai muito longe. Se aos custos acrescidos (em termos de risco) não houver uma produtividade acrescida, as empresas vão responder ou diminuindo os salários ou recorrendo aos tais recibos verdes como forma de contornar o risco.

    « As empresas contratam pessoas anos a fio sempre com contractos precários, a recibos verdes»

    É natural. Há imensos portugueses com um emprego estável e praticamente irremovível, a maioria dos quais na função pública.

    Como esta franja é intocável, a adaptação ao ciclo económico por parte das empresas faz-se recorrendo aos mais jovens que ainda não têm contrato e que por isso são mais vulneráveis.

    O precariedade dos segundos é o preço a pagar pela segurança dos primeiros. É um sistema perverso, especialmente porque são estes últimos que ficam sem apoios do Estado quando voltam para o olho da rua.

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  25. Caro António,

    «o que os 'liberais' pretendem é impor a precariedade absoluta e escondem-se atrás da flexisegurança sabendo de antemão que Portugal não tem as condições para tal (aqui a ligação com o neo-liberalismo)»

    Por acaso até me parece que Portugal tem as condições certas:

    1) O desemprego é elevado; está mesmo a pedir flexibilidade para descer;

    2) o défice orçamental está em queda; dentro de dois ou três anos, ou balanço pode estar equilibrado;

    3) o tecido produtivo está em fase de reestruturação; é necessária menos fricção para que o factor trabalho possa ser realocado para onde é mais necessário;

    4) há uma boa franja da população completamente precária e sem direito a apoio quando cai no desemprego; são pessoas destas que a flexisegurança poderia apoiar e que o actual sistema deixa sem protecção.

    «levando o seu postulado ao limite, o esclavagismo é o melhor dos sistemas económicos. o risco é nulo!»

    Por acaso até discordo. Pôr escravos a trabalhar ao som de chicotes é bom para fazer pirâmides ou templos religiosos mas se quiser alguma coisa mais elaborada esse tipo de incentivo não chega. Nunca poderia construir uma economia do conhecimento com escravos, porque o ambiente em que trabalham não é propício à criatividade e à inovação.

    Claro que isto é uma pequena brincadeira. A escravatura não é errada porque seja pouco eficiente mas sim porque é castradora da liberdade pessoal. O esclavagismo seria errado mesmo que fosse um bom sistema económico (e até terá sido nalgumas alturas).

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  26. Caro anónimo,

    «não, não sei, pelo simples facto desse argumento ser TOTALMENTE FALSO! »

    Não diga disparates. Se ler o relatório que com tanta pompa recomenda vai reparar que a riqueza se concentra especialmente no Japão, na Europa Ocidental e na América do Norte. As zonas mais complicadas são exactamente a aqueles em que o capitalismo não singrou, com África à cabeça.

    Quanto aos EUA. A pobreza corresponde ao patamar de <10.000 US$ anuais – cerca de 100 contos mensais. Se usar o patamar que o Banco Mundial usa para definir pobreza extrema (menos de 1 US$ por dia) vai ver que todos os americanos vivem na opulência.

    e não senhor romano, esta gente não tinha escolha!pura e simplesmente agarraram a oportunidade que lhes surgiu...

    Afinal a multinacional já veio dar uma «oportunidade». Ainda assim, o trabalhador «não tinha escolha». Estou a ver que ainda não se decidiu.

    « o senhor deu-se ao trabalho de ler os relatórios que lhe apresentei através dos links?deu-se ao trabalho de ler o relatório das Nações Unidas? quando falo em aumento do fosso refiro-me ao facto dos ricos ficarem cada vez mais ricos à custa do emporbrecimento dos mais pobres dos mais pobres!»

    Li e já respondi. As desigualdades não são necessariamente uma coisa má. Na China, como já disse, aumentam porque todos os anos milhões de chineses abandonam a pobreza. Como já reparei que gosta de recomendar links, deixo-lhe também um aqui: http://econ.worldbank.org/external/default/main?pagePK=64165259&theSitePK=469372&piPK=64165421&menuPK=64166093&entityID=000016406_20070613095018

    Quanto à notícia que cita da enviada especial à China, é perfeitamente compreensível. O que aumenta é «o número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza nos grandes centros urbanos» e não o número absoluto de pobres.

    Este aumento é devido à migração do campo para a cidade. Alguns conseguem emprego e fogem à pobreza; outros não conseguem e permanecem pobres. O número total de pobres diminuiu, mas o número de pobres a viver em centros urbanos aumentou – neste caso, foi mera transferência de pobres de um lado para o outro.

    « já agora, já ouviu falar em recibos verdes?flexibilidade no seu esplendor!»

    E o anónimo defende o actual sistema, que não protege quem está a recibos verdes. Parece-me que é um perigoso selvagem neoliberal.

    «Para terminar, e voltando a pegar no extraordinário argumento de que os 98% de miserávies são aqueles que abdicaram do capitalismo (será o Brasil, a Índia?) volto a lembrar que segundo os dados OFICIAIS (!) Portugal tem vindo a registar um aumento significativo entre ricos e pobres. e da última vez que reparei, Portugal era um país da chamada economia de mercado...»

    Já respondi a isso, mas vou REPETIR (sim, eu também sei usar o caps lock): as desigualdades não são necessariamente uma coisa má. A pobreza é. O problema de Portugal não são as desigualdades. É a pobreza.

    Mas o seu argumento seria pateta de qualquer forma. Não há país desenvolvido que não seja capitalista. Portugal não está no pelotão da frente mas está anos-luz à frente de África, da Ásia e da América do Sul. Um dos milagres do capitalismo é podermos dizer que um país com mais de 10 milhões de telemóveis ainda tem razões para se queixar.

    « Após anos de uma ânsia incansável para crescer mais e mais sem olhar a meios, surge o inevitável. Já agora, gostaaria de saber a opinião do senhor Romano...para variar...»

    Eu dou: é pura e simplesmente mentira que a pobreza esteja a aumentar a nível mundial. Aliás, está a diminuir. Leia o Relatório da ONU com os números da pobreza desde 1990 a 2004: http://www.un.org/millenniumgoals/pdf/mdg2007.pdf

    E tenha lá calma com o tamanho dos comentários. Com o tempo que demoro a lê-los quem acaba no desemprego ainda vou ser eu :)

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  27. Caro Pedro Romano:

    "Se isso fosse verdade não havia desemprego. Quem fosse despedido criava uma empresa e ficava com o problema resolvido."

    Não é com análises simplistas que vamos lá, vou ter mesmo de explicar porque é que nem todos os portugueses abrem empresas? Acho que não preciso, repare-se que você não nega nada de eu que disse, pressupõe uma realidade alternativa disparatada como pressuposto suficiente para negar a realidade concreta. As SAs são uma realidade...falemos de coisas reais. É por demais óbvio que o que eu digo é verdade, por um lado porque as SA são uma realidade, por outro o que eu disse e repito é que há uma redução de riscos dramática para as empresa, o que não significa dizer que abrir uma empresa esteja ao alcance de todos...não vamos fingir que somos tolos.

    "A produtividade portuguesa tem crescido pouquíssimo. Aliás, o crescimento económico em Portugal tem-se dado sobretudo por via do emprego e não da produtividade.

    De facto, se comparar o crescimento dos salários (em termos reais) com o crescimento da produtividade, vai encontrar uma boa explicação para o desemprego de hoje em dia."


    Asneira grossa outra vez...
    Com o cenário de aumento de desemprego, você quer fazer crer que o crescimento económico tem sido feito à custa do emprego? Mas você tem estado atento ao que se passa em Portugal? O cenário que você relata é que a contribuição do emprego seria maior do que a da produtividade, o que mesmo que fosse verdade (que não é) seria o suficiente para desmentir que é a produtividade que precariza as pessoas, porque ela está a crescer como você próprio admite. Ora se a produtividade cresce, mesmo que timidamente, como pode a situação dos trabalhadores ser precarizada baseada na produtividade? Claro, não pode.

    Segunda asneira, o que tem caracterizado o mercado neste momento é que a produtividade tem aumentado acima dos salários reais, os EUA confirmam essa tendência. Além de a produtividade não depende só dos trabalhadores, também depende dos investimento/inovação das empresas. Mas se quiser ver a asneura, em Portugal os salários tem, ora decrescido ora crescido pouco, mas sempre, sempre abaixo dos níveis de aumento de produtividade. Veja o quadro no fundo deste site. Não adianta reclamar que é da CGTP porque os dados são fonte de documento do governo.

    "«Asneira grossa, se as empresas forem responsabilizadas, elas responderão a essa responsabilidade, são as bases da democracia e lei»

    Com essa mentalidade não vai muito longe. Se aos custos acrescidos (em termos de risco) não houver uma produtividade acrescida, as empresas vão responder ou diminuindo os salários ou recorrendo aos tais recibos verdes como forma de contornar o risco."


    Qual mentalidade? A de achar que as empresas responderão responsavelmente se assim lhes for exigido? É essa mentalidade que está a criticar? Leu o que eu escrevi?
    A resposta que dá, em nada responde à citação que tira de um comentário anterior. As empresas têm lucro, que raio de justificação é que você procura? As empresas tem lucro, as que se deslocalizam só procuram mais lucro, as que contratam a prazo tem muito lucro. A PT tem contratos precários, têm dúvidas de que tem lucro? A Sonae contracta a prazo, tem dúvidas de que tem lucro? As empresas de emprego temporário, tem dúvidas que tem lucro? Você tem noção do que está a defender e como negligencia sistematicamente as razões da clivagem social que temos em Portugal? Somos recordistas na Europa em clivagem social, vai continuar a pôr adubo em cima? E qual risco? Já não sabe o que são SAs?



    "É natural. Há imensos portugueses com um emprego estável e praticamente irremovível, a maioria dos quais na função pública.

    Como esta franja é intocável, a adaptação ao ciclo económico por parte das empresas faz-se recorrendo aos mais jovens que ainda não têm contrato e que por isso são mais vulneráveis.

    O precariedade dos segundos é o preço a pagar pela segurança dos primeiros. É um sistema perverso, especialmente porque são estes últimos que ficam sem apoios do Estado quando voltam para o olho da rua."


    Não acerta uma, mas qual ciclo económico? Mas você não sabe que estamos em crescimento, miserável mas em crescimento? Quer dizer quando é para a propaganda estamos a crescer, quando é para justificar patifarias arruma-se o crescimento para o lado...
    E que raio de relação existe entre a estabilidade da função pública (que está ser minada) com compensações de ciclos económicos? É curioso, porque se propõe políticas económicas anti-ciclicas "ai minha nossa que vêm ai o comunismo", mas depois usam os ciclos económicos para tentar justificar o injustificável.
    Os problemas que se falam aqui nada têm a ver com ciclos económicos, eles persistem independentemente desses ciclos.
    O que acontece na função pública é que está correcto (ou estava), os empregos devem ter estabilidade, qualquer pessoa incompetente é passível de despedida, portanto não vamos atirar a areia para os olhos a dizer que o mal da sociedade são trabalhadores qualificados com empregos estáveis, porque isso não é o problema, é a meta a atingir, pelo menos para quem tem um pingo de sensibilidade social.

    E eu a pensar que as franjas intocáveis eram as classes ricas e poderosas, o patronato, o poder económico em geral. Ainda parodia com o facto de cá ser apelidado de neoliberalismo selvagem, você já pensou bem no que disse? Já viu que considera as classes médias e baixas classes privilegiadas, e que estas é estão acomodadas a privilégios e não é capaz de atribuir uma responsabilidade à classe patronal/gestores? E ainda não percebe aonde está o neoliberalismo selvagem? É que está translúcido nas suas ideias/palavras, se dúvida informe-se sobre as ideias neoçiberais.

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  28. “Pôr escravos a trabalhar ao som de chicotes é bom para fazer pirâmides ou templos religiosos mas se quiser alguma coisa mais elaborada esse tipo de incentivo não chega. Nunca poderia construir uma economia do conhecimento com escravos, porque o ambiente em que trabalham não é propício à criatividade e à inovação”.

    Caro Pedro, tem a certeza do que diz? Já experimentou olhar para o que se está a passar nas nossas universidades?! E mesmo em algumas das (infelizmente ainda) poucas empresas que têm núcleos de investigação e desenvolvimento…

    Compreendo que os argumentos de expurgar o mercado de trabalho dos mais velhos, que têm contratos blindados, possam ser atractivos. Assim saíam os mais velhos, com menos qualificações e com remunerações mais altas, fruto de subidas na carreira mais ou menos automáticas, e abriam-se vagas para os novos, qualificados, inovadores e mais baratos.

    Esta é uma ideia interessante: o “velhadas” vai para a rua, a troco de um subsídio generoso e de formação para não ficar deprimido com a inactividade (quais são os resultados efectivos do investimento que tem sido feito em formação profissional?!). Eu fico-lhe com o lugar, depois de ter vencido a competição com algumas centenas de jovens aguerridos mais ou menos na minha situação.

    Em termos ideais, é mais ou menos este o raciocínio? Só que a experiência no nosso mercado laboral mostra que se o “velhadas” for para a rua o mais provável é nunca mais ninguém venha a ser contratado para aquele lugar, em condições similares. O posto de trabalho extingue-se. E quem vier a seguir será um estagiário não remunerado, alguém a recibos verdes ou um trabalhador a contrato para a empresa poder receber os incentivos previstos na lei. Se posso ter de graça, para quê pagar?!

    Sem ironias, é evidente que as nossas leis do trabalho têm de se adaptar ao contexto social e que já muito poucos acreditam num emprego para toda a vida.

    Só que a excessiva flexibilização das relações laborais – e é preciso ter em conta que, por cá, teoria e prática são normalmente realidades muito distintas – pode traduzir-se em mais empregos precários e com remunerações mais baixas.

    No mundo real, há sempre alguém disposto a dar piores condições de trabalho e há sempre alguém disposto a trabalhar mais, por menos, a aproveitar a migalhita para poder pagar algumas contas. Mas também há sempre alguém disposto a ficar em casa, sem trabalhar, a viver à custa dos dinheiros públicos. E estas faces da mesma moeda existem, mesmo numa suposta sociedade do conhecimento...

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  29. Este Pedro Romano é de uma inteligência precoce...
    os argummentos são tão pueris, tão incipientes que até dói...

    "Já respondi a isso, mas vou REPETIR (sim, eu também sei usar o caps lock): as desigualdades não são necessariamente uma coisa má. A pobreza é. O problema de Portugal não são as desigualdades. É a pobreza"

    para este senhor, pobreza não cria desigualdades e as desigualdades não derivam da pobreza...
    caro senhor, olhe-se ao espelho, saia do seu mundinho fechado, veja e viva o mundo real!
    o senhor Romano foi batido em toda a linha por todos aqueles que comentaram este post, no entanto continua a persisitir na velha falácia.
    e sim, as desigualdades aumentam, tal como aqueles que se vêem a braços com situações absolutamente insustentáveis.
    segundo o responsável do FMI, a recente escalada de preços dos alimentos pode proporcinar um cenário "terrível" (palavras do responsável do FMI).em países como o Haiti ou mesmo em África o pesadelo é interminável e crescente!
    Senhor Romano, a simplicidade dos seus argumentos aliados a uma ignorância tremenda da realidade resultaram numa derrota brutal da sua posição.admita, porque o pior cego é aquele que não quer ver.
    p.s. e não sou anónimo.identifiquei-me no primeiro post (Afonso C. ou Costa)

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  30. Como é possível que alguém em pleno século XXI diga tamanhas barbaridades?
    E ainda se considera com razão.

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  31. "Este aumento é devido à migração do campo para a cidade. Alguns conseguem emprego e fogem à pobreza; outros não conseguem e permanecem pobres. O número total de pobres diminuiu, mas o número de pobres a viver em centros urbanos aumentou – neste caso, foi mera transferência de pobres de um lado para o outro." - Romano dixit

    Uma das principais causas para o aumento da míséria, noemadamente na China, consiste no despbravamento de terras cultiváveis que até então representavam o sustento de milhões de pessoas, especialmente de famílias numerosas.com a instauração da política de um filho por casal´, aliado ao deslocamento massivo de pessoas tendo em vista o crescimento desenfreado das indústrias, a miséria ganhou terreno.aqueles que outrora sobreviviam recorrendo aos seis terrenos, hoje são forçados a apodrecer nas cidades.estas pessoas não abandonaram as suas aldeias por vontade própria mas por causas de força maior.portanto, o argumento de que a miséria se transferiu dos campos para as cidade és falso.estas pessoas tinham um sustento, uma forma de vida baseada na subsistência, no entanto, agora, vêem-se a braços com duas mão cheias de nada.O senhor Romano fala do mundo como se este se resumisse a uma mera soma aritemética...



    "Já respondi a isso, mas vou REPETIR (sim, eu também sei usar o caps lock): as desigualdades não são necessariamente uma coisa má. A pobreza é. O problema de Portugal não são as desigualdades. É a pobreza.

    Mas o seu argumento seria pateta de qualquer forma. Não há país desenvolvido que não seja capitalista. Portugal não está no pelotão da frente mas está anos-luz à frente de África, da Ásia e da América do Sul. Um dos milagres do capitalismo é podermos dizer que um país com mais de 10 milhões de telemóveis ainda tem razões para se queixar."

    O senhor Romano demostra toda a sua "puerilidade" através de argumentos como este... os níveis de vida medem-se por telemóveis...
    então significa que aqueles que não têm tantos como nós são mais pobres?em África não há capitalismo?há e do mais puro e duro!um capitalismo selvagem que atira milhões para a miséria existêncial, que permite que pequenas elites sobrevivam à sombra das grandes multinacionais através de uma corrupção militante enquanto outros não têm nada para comer.
    Mas também podemos dar o exemplo da grande Rússia e do seu novel sistema.povo com barriga cheia, saudoso do seu passado soviético, mas com um sistema totalmente mafioso onde pululam os assassinatos colectivos e a lei da rolha...talvez o senhor Romano venha dizer que a Rússia não é capitalista...
    já agora, 1+1=2 e o mundo é tão simples na cabecinha de alguns...

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  32. Caro João,

    «É por demais óbvio que o que eu digo é verdade, por um lado porque as SA são uma realidade, por outro o que eu disse e repito é que há uma redução de riscos dramática para as empresa»

    Não, não é. A única coisa que é óbvia é que, se abrir uma empresa comportasse menos riscos do que ser assalariado, teríamos empresas a nascer todos os dias para absorver os milhares de desempregados.

    «Asneira grossa outra vez...
    Com o cenário de aumento de desemprego, você quer fazer crer que o crescimento económico tem sido feito à custa do emprego? Mas você tem estado atento ao que se passa em Portugal?»


    Se está a pensar na taxa de desemprego, lembre-se de que pode haver criação líquida de emprego e ainda assim a taxa de desemprego aumentar. Basta que a população activa aumente, que é o que tem acontecido em Portugal.

    Quanto à produtividade, tem aumentado pouquíssimo. Durante os últimos anos, tem andado à volta dos 0,4 ou 0,5%. Na Europa, é do mais baixo que por aí se vê.

    «As empresas tem lucro, as que se deslocalizam só procuram mais lucro, as que contratam a prazo tem muito lucro. A PT tem contratos precários, têm dúvidas de que tem lucro? A Sonae contracta a prazo, tem dúvidas de que tem lucro?»

    E vão continuar a procurar o lucro. As políticas têm de ser decididas com base naquilo que o mundo é e não com base naquilo que achamos que o mundo devia ser.

    Neste caso concreto, o João Dias deveria manter presente que o aumento da rigidez fomenta o desemprego de longa duração. E que diminui a produtividade, por exemplo.

    Note que eu não estou a justificar (no sentido de legitimar) seja o que for. Estou a apontar um facto da vida que os decisores políticos deveriam levar em consideração na altura de escolher as políticas.

    «Não acerta uma, mas qual ciclo económico? Mas você não sabe que estamos em crescimento, miserável mas em crescimento?»

    O ciclo económico não encerra necessariamente uma recessão económica no sentido técnico. Pode ser apenas um período de fraco crescimento, como o que estamos a atravessar agora. São flutuações em torno da tendência de longo prazo.

    «E que raio de relação existe entre a estabilidade da função pública (que está ser minada) com compensações de ciclos económicos?»

    Durante a fase baixa do ciclo o risco aumenta. Se for necessário contratar mais pessoal, e tendo em conta que o pessoal já contratado é inamovível, é lógico que se recorra às formas atípicas de contratação. A insegurança absoluta para uns é o preço da segurança absoluta para outros. Qual é exactamente a dúvida?

    «O que acontece na função pública é que está correcto (ou estava), os empregos devem ter estabilidade, qualquer pessoa incompetente é passível de despedida»

    Fui aluno de muitos professores, fui atendido por muitos médicos, já lidei com juízes e já passei passei muito tempo em repartições públicas. Lamento mas não posso concordar com a tese de que os incompetentes são despedidos.

    «Já viu que considera as classes médias e baixas classes privilegiadas, e que estas é estão acomodadas a privilégios e não é capaz de atribuir uma responsabilidade à classe patronal/gestores?»

    Por favor, procure nos meus comentários a passagem em que eu digo que as classes médias e baixas são privilegiadas.

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  33. Caro Afonso Costa,

    «para este senhor, pobreza não cria desigualdades e as desigualdades não derivam da pobreza...»

    Bom, cria tantas desigualdades como a riqueza. As desigualdades são uma medida do diferencial entre a pobreza mais baixa e a riqueza mais alta.

    Se está a falar de correlação, então volta a não ter razão. As desigualdades estão muito mais correlacionadas com a riqueza do que com a pobreza. As sociedades mais igualitárias (o Leste comunista, a China maoista, a Rússia soviética e por aí fora) foram, historicamente, as mais empobrecidas.

    «com a instauração da política de um filho por casal´, aliado ao deslocamento massivo de pessoas tendo em vista o crescimento desenfreado das indústrias, a miséria ganhou terreno»

    Qus miséria? A miséria que tem diminuido na China a um ritmo alucinante? Já que gosta tanto de relatórios da ONU e do FMI, podia ao menos ter-se dado ao trabalho de ler aquele que lhe recomendei. Embora os dados acerca dos salários reais chineses não sejam propriamente uma novidade.

    «estas pessoas não abandonaram as suas aldeias por vontade própria mas por causas de força maior.portanto, o argumento de que a miséria se transferiu dos campos para as cidade és falso»

    Compare os níveis de pobreza do campo com os níveis da cidade. Compare os deslocamentos migratórios. Se quiser posso recomendar-lhe uns links, mas a vontade de os ler tem de partir de si. O abandono de preconceitos é um processo complicado.

    «O senhor Romano demostra toda a sua "puerilidade" através de argumentos como este... os níveis de vida medem-se por telemóveis... então significa que aqueles que não têm tantos como nós são mais pobres?»

    Não. O nível de vida mede-se pela riqueza produzida. Num contexto de bens escassos em que o consumo ter de ser canalizado segundo uma ordem hierárquica de importância, o número de telemóveis existentes revela que as necessidades mais importantes já estão preenchidas.

    «em África não há capitalismo?há e do mais puro e duro!»

    Diga-me onde, e há quanto tempo. Mas não confunda capitalismo com selva, por favor.

    «o senhor Romano foi batido em toda a linha por todos aqueles que comentaram este post, no entanto continua a persisitir na velha falácia (...) Senhor Romano, a simplicidade dos seus argumentos aliados a uma ignorância tremenda da realidade resultaram numa derrota brutal da sua posição.admita, porque o pior cego é aquele que não quer ver.»

    O Afonso parece um menino traquina que quando sofre um golo a meio do jogo protesta com o árbitro dizendo que toda a gente viu que o marcador estava em fora-de-jogo e que o Afonso é que tem razão. Vai ter de fazer melhor do que isto.

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  34. Antes de mais apresento estes dois factos para o senhor Romano:
    Portugal é o 5º país da U.E. com maior precariedade laboral.
    Novas bolsas de pobreza estão a surgir devido ao aumento galopante do preço dos alimentos (fmi)
    quanto à falta de vontade para ler...volto a colocar algumas citações para que o senhor arregale o so olhos:


    "fosso entre ricos e pobres aumenta

    Segundo o documento, apesar do crescimento económico registado em muitas regiões, a desigualdade registada a nível mundial é maior do que há dez anos.

    «Há milhões de pessoas a trabalhar que continuam a ser pobres, quase um quarto dos trabalhadores do mundo inteiro não ganha o suficiente para conseguir ultrapassar o limiar da pobreza de um dólar por dia e melhorar a situação da sua família», alerta o documento.

    O relatório sublinha também que, apesar dos progressos registados em alguns contextos, as desigualdades nas áreas da saúde e da educação aumentaram e que a violência é muitas vezes fruto de desigualdade».

    Não conseguimos promover as prioridades de desenvolvimento sem superar os desafios da desigualdade dentro dos países e entre os mesmos, salienta, por seu lado, José António Ocampo, secretário-geral Adjunto para os Assuntos Económicos e Sociais da ONU"


    «violência é muitas vezes fruto de desigualdade». - pobreza incentiva desigualdade! qualquer criança de 10 anos consegue chegar a esta conclusão!



    Faça o favor de ler! é um relatório da ONU!
    Diga-me, qual é a parte que não percebeu?

    facto, a pobreza tem aumentado inclusive entre as classes trabalhadoras, algo que por si só é deveras preocupante.tal facto é o resultado de políticas laborais exploratórias e atentatórias aos direitos dos trabalhadores.vivemos num mundo sedento de produtividade e que não olha a meios para atingir os fins.
    milhões de pessoas são lançadas para uma arena na qual se regem pela velha máxima do "salve-se quem puder".
    a aceitação de um emprego não é uma mera questão de escolha mas sim uma questão de pura sobrevivência...ou julgará porventura que os trabalhadores apreciam o facto de serem explorados?

    mas vejamos mais factos: o senhor Romano, curiosamente, nunca colocou em causa o facto do mercado português se basear numa política de baixos salários e mão de obra pouco qualificada.nem sequer chega a referir-se a este "problemita" de pouca relevância.para o senhor Romano basta pegar num sistema de um país nórdico qualquer e formata-lo à nossa medida.
    a nossa classe empresarial assume uma mentalidade terceiro mundista e tem sido apontada como uma das principais culpadas pelo atraso estrutural do nosso país.todavia, o senhor romano coloca consecutivamente o ónus sobre os trabalhadores.sim, os mesmos trabalhadores que lá fora dão cartas.são estes que se devem sujeitar à flexibilidade, são estes que têm de estar sujeitos, à precariedade, são estes que devem arcar com a factura do sistema milagroso que o senhor preconiza...enfim...
    a classe empresarial portuguesa não investe na qualificação dos seus trabalhadores, preferindo persistir na sua política de distribuição de dividendos fabulosos entre os seus administradores.curioso, ou talvez não , é o facto da diferença de remuneração entre assalariados e patronato ser das mais díspares em toda a Europa.
    todavia, o senhor Romano nunca aborda estes temas.alguém lhe disse que a flexisegurança representava a aspirina para as nossas dores de cabeça e este senhor tomou-a sem se questionar, sem sequer ler as contra indicações.
    o senhor fala em flexisegurança mas em nenhuma circunstância explica o que esta significa ou o que tal implica.limita-se a constatar os excelentes resultados obtidos no norte da Europa.
    ora estes países apresentam um sistema de segurança social forte,sempre pronto a apoiar o trabalhador em caso de necessisdade.em Portugal tal não sucede. o nosso sistema de S.S. é precário, extramamente limitado e não é capaz de suprir as carências mais básicas da sociedade (veja-se o caso do aumento da miséria extrema em Portugal - 2 milhões de Portugueses-vai negar?).
    a diferença de remunerações entre as várias regiões do país é gritante.um cidadão de Lisboa tem um nível de vida muito superior ao de um bragantino ou a qualquer outro cidadão do interior profundo.como é possível falar-se em flexisegurança se estas pessoas não estão ao mesmo nível?como é possível exigir-se a um cidadão que se desloque de Viseu para Lisboa quando o seu salário médio é gritantemente inferior?
    mas podemos falar noutros factores sociais.para haver deslocalização, é necessário que os trabalhadores tenham condições para tal.porventura na cabecinha do senhor romano bastaria fazer as malas e rumar em busca do el dorado (qual Linda de Suza!), contudo as coisas são um pouquito mais complicadas.
    confrontado com um custo de vida superior, um cidadão de vila real teria uma primeira dificuldade: encontrar habitação.sabendo que um t2 na região de lisboa tem uma renda de 1000 euros, porventura superior ao salário que este recebe, torna-se evidente que terá de dormir debaixo da ponte nos primeiros tempos (algo que não incomoda o senhor romano já que tal se justifica como na China...)o agregado familiar, ver-se-à a braços com a impossibilidade de colocação, começando pelos filhos (escolas, infantários, etc) até ao cônjuge (os empregos não estão à nossa espera em cada esquina senhor romano).considerando também que a maioria dos portugueses têm um créidito habitação, torna-se difícil explicar como se procederá à liquidação da prestação mensal ao mesmo tempo que tem de pagar a renda da segunda casa...
    a segurança social portuguesa não tem capacidade para suprir estas dificuldades, tal como as restantes estruturas não estão preparadas para tal mobilidade.
    o senhor romano fala em flexisegurança mas em nenhum momento aborda as questões da segurança. para este senhor, apenas a flexibilidade interessa, esquecendo-se que sem a segunda, a primeira não se faz.
    porventura, o senhor romano dirá que primeiramente temos de mudar tudo e só depois poderemos lograr aplicar este sistema.pois, caro senhor, Lewis Carrol não diria melhor!
    os apologistas deste sistema em Portugal são os mesmos que mantêm uma política de baixos salários e fraca qualificação.são os mesmos que mantêm uma política laboral precária, de contratos a termo e recibos verdes.são os mesmos que coagem os trabalhadores não respeitando o actual código de trabalho nomeadamente no que toca ao pagamento de horas extraordinárias.são os mesmos que querem facilitar os despedimentos sugando a mão de obra e lançando-a no abismo sem qualque tipo de defesa.esta é a flexisegurança que estes senhores apregoam.é de uma falta de carácter brutal fazer-se a apologia da flexisegurança quando não se aborda a temática dos baixos salários!como é que alguém com o mínimo de inteligência pode suscitar este tema quando o salário mínimo nacional é dos mais baixos da europa?pergunto, que raio de flexibilidade podemos exigir quando não temos o mínimo?
    flexibilidade exigiria salários condignos algo que o patronato nacional não está disposto a oferecer.implicaria mão de obra qualificada, algo em que o patronato nacional não investe.exigiria uma segurança social forte, e não um sistema que está constantemente à beira da falência. exigiria que as grandes empresas não fugissem ao fisco e pagassem religiosamente os seus impostos, tal como na Finlândia.
    no entanto, o senhor romano olvida todos estes factores...porque será?
    volto a sublinhar que, por exemplo, a míseria tem aumentado nos EUA, país capitalista.
    o próprio nobel da paz de 2006 afirmou-o!o aumento nas chamadas "sopa dos pobres" tem assistido a um incremento brutal.para tal passo a citar:

    "Quatro décadas depois de um presidente norte-americano ter declarado guerra à pobreza, mais de 37 milhões de pessoas no país mais rico do mundo são classificadas oficialmente como pobres, e o tamanho dessa população vem aumentando há anos.

    WASHINGTON (Reuters) - Em 2004, segundo dados do governo, 1,1 milhão de norte-americanos caíram para baixo da linha de pobreza, o equivalente à população inteira de uma grande cidade como Dallas ou Praga.

    Desde 2000, o número total de pobres vem aumentando ano a ano em um total de quase 5,5 milhões. Mesmo os mais otimistas vêem poucas chances de essa população diminuir em breve, e isso apesar de um acalorado debate sobre o problema, provocado pelas imagens chocantes exibidas nas TVs e que expôs aos olhos do mundo um lado da vida nos EUA que poucos conhecem.

    O presidente que declarou a guerra contra a pobreza foi Lyndon Johnson. "Infelizmente, muitos norte-americanos vivem na periferia da esperança, alguns por causa de sua pobreza, alguns por causa de sua cor, e um número excessivo deles devido a esses dois fatores. Esse governo declara uma guerra total à pobreza nos EUA".

    Isso foi em 1964. Na época, 19 por cento da população norte-americana vivia abaixo da linha oficial da pobreza. O número caiu nos quatro anos seguintes e, em 1968, estabilizou-se em 12,8 por cento. Desde então, tem flutuado pouco. No ano passado, a taxa foi de 12,7 por cento, um indício de que a pobreza é um problema crônico.

    A situação da pobreza nos EUA é medida uma vez por ano pelo Censo do país, cujo relatório, com mais de 70 páginas cheias de estatísticas, é usado por vários académicos, mas raramente provoca debates públicos ou chega às TVs. Mas em 2005, foi diferente.

    O lançamento do relatório coincidiu com a passagem do Katrina, o violento furacão que matou mais de 1.100 pessoas nos Estados da Louisiana e do Mississippi. Imagens de mortos e pessoas em desespero transmitidas ao vivo por canais de televisão mostraram de perto a realidade que os mapas do Censo avaliam numericamente.

    CENAS CHOCARAM O MUNDO E ENVERGONHARAM PAÍS

    As imagens chocaram o mundo, deixaram muitos norte-americanos envergonhados e detonaram comparações com as condições de vida em países em desenvolvimento como a Somália e Bangladesh.

    Em Nova Orleans, a cidade mais atingida pelo Katrina, os EUA viram muitos negros pobres implorando por ajuda. A maior parte das equipes de resgate, quando finalmente chegaram, era integradas por brancos apenas.

    A porcentagem de norte-americanos negros que vivem na pobreza é de 24,7 por cento, ou quase o dobro da taxa total, que inclui todas as raças.

    Em Nova Orleans, uma cidade de maioria negra, essa disparidade traduziu-se no seguinte cenário: os que possuíam dinheiro e carros, quase todos brancos, fugiram do local, enquanto 100 mil negros desprovidos de carro ficaram presos em meio a uma grande inundação.

    Alguns comentaristas perguntavam-se se a crise mostrava que a segregação política, uma versão norte-americana do apartheid que terminou com a Lei de Direitos Civis de 1964, havia sido simplesmente substituída pela segregação econômica.

    Várias outras cidades dos EUA apresentam essa divisão social: negros pobres de um lado, brancos ricos de outros.

    Entre essas cidades estão Newark, Filadélfia, Detroit, Atlanta, Baltimore, St. Louis, Oakland, Miami e Washington. Leva-se dez minutos para ir de carro da Casa Branca para o coração de Anacostia, o bairro mais pobre da cidade. E essas áreas poderiam pertencer a mundos diferentes.

    No entanto, as cenas com negros pobres como as vistas em Nova Orleans não retratam toda a realidade. Há três vezes mais brancos pobres que negros pobres nos EUA e a taxa de pobreza entre os brancos subiu mais rápido do que entre os negros e os hispânicos.

    Académicos também afirmam que os dados do governo minimizam a verdadeira escala da pobreza porque estão defasados. A fórmula para determinar o nível de pobreza foi criada em 1963, partindo-se do pressuposto de que um terço do orçamento familiar era gasto com comida.

    Isso não é mais verdade. Os gastos com a habitação transformaram-se na maior despesa de uma família e dezenas de milhares de "pobres que trabalham," como são conhecidos os que ganham um salário mínimo ou pouco mais que isso, são obrigados a dormir em carros, trailers, motéis ou abrigos.

    "A taxa de pobreza foi criada pensando em subestimar o problema porque o governo queria mostrar avanços no combate. Se levarmos tudo em conta, a taxa real é de cerca de 18 por cento, ou 48 milhões de pessoas. A pobreza nos EUA é mais disseminada, de longe, do que em qualquer outro país industrializado", disse.

    A pobreza é um problema universal, como a desigualdade. As 500 pessoas mais ricas do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), possuem uma renda igual à recebida pelos 416 milhões mais pobres.

    As cenas de pobreza mostradas depois do furacão Katrina causaram um impacto tão grande devido à imagem de que os EUA são uma terra de riquezas e de oportunidades ilimitadas.

    Nenhum país gasta tanto dinheiro -- bilhões de dólares -- para manter longe estrangeiros sedentos por trabalhar ali. Nenhum outro país possui uma loteria anual na qual milhões de pessoas jogam para tentar ganhar um dos 50 mil vistos de residência permanentes (os "green cards"). Nenhum outro país possui tantos imigrantes legais e ilegais, todos atraídos por sonhos de prosperidade.

    Para muitos norte-americanos, porém, eles continuam sendo isso exatamente: sonhos.

    O salário mínimo, de 5,15 dólares por hora, não é suficiente para manter alguém acima da linha de pobreza. Ainda assim, empregos que pagam esse salário, que não oferecem seguro de saúde ou férias remuneradas, são os únicos disponíveis para milhões de pessoas que possuem apenas o ensino básico.

    Os empregos com bons salários na indústria pesada e que no passado ajudaram a levar os operários norte-americanos para a classe média são, em grande medida, coisa do passado -- e a diminuição no número deles continua. Desde 2001, os EUA perderam mais de 2,7 milhões de postos nas indústrias.

    Um outro presidente norte-americano, Ronald Reagan, parece ter acertado ao dizer, em 1988: "O governo federal declarou guerra contra a pobreza, e a pobreza venceu."

    A pobreza venceu no país mais poderoso do mundo!sintomático!

    mas o senhor romano continua a negar o inegável! são 37 milhões senhor romano, 37 milhões!

    "As desigualdades estão muito mais correlacionadas com a riqueza do que com a pobreza. As sociedades mais igualitárias (o Leste comunista, a China maoista, a Rússia soviética e por aí fora) foram, historicamente, as mais empobrecidas."

    puro engano, após a queda do muro de berlim surgiu-se um período de escassez e de pobreza galopante.durante a vigência do período soviético todos os cidadãos tinham acesso às necessidades básicas (embora mantidas de forma artificial): educação (nível muitíssimo superior ao nosso), saúde (idem), etc...segundo o seu argumento, se tal acontecia devia-se ao facto das necessidades básicas estarem preenchidas...
    quanto à china maoista, nota-se perfeitamente que vossa excelência percebe 0 de história!desde quando este regime era igualitário?baseava.se sim numa política de extermínio e de coarctação dos direitos fundamentais!

    "Não. O nível de vida mede-se pela riqueza produzida. Num contexto de bens escassos em que o consumo ter de ser canalizado segundo uma ordem hierárquica de importância, o número de telemóveis existentes revela que as necessidades mais importantes já estão preenchidas."

    significa então que um indivíduo que não consegue pagar a renda de casa, tem dificuldade em sustentar os filhos, está individado até ao tutano, só pelo simples facto de ter um telemóvel já atingiu o patamar elevado?senhor romano, todos sabemos como as estatísticas podem ser falaciosas.o grande problema reside no facto do seu conhecimento do mundo se basear em números.

    outra grande descoberta do senhor romano é o facto de em África não haver capitalismo?faça o favor de me esclarecer...que raio de sistema vigora por lá? comunismo? nihilismo?
    Angola é o quê?marrocos,tunísia,áfrica do sul, nigéria,moçambique, quénia...
    não são países com economia de mercado?
    oh meu caro senhor...
    segundo a sua extraordinária concepção, todos os países que lograram alcançar sucesso são capitalistas, os outros não!extraordinário!


    "O nível de vida mede-se pela riqueza produzida." A GRANDE FALÁCIA!

    Então como explica que 2% dos mais ricos possuam mais de metade da riqueza mundial?sabe onde pode encontra-los?na Forbes...
    como explica que num mundo onde se produz tanto, tanto que poderíamos alimentar a população mundial 2 vezes (!) exista tanta miséria e desigualdade?como explica que se gaste mais em alimentação para os animais domésticos e cosméticos do que em auxílio aos mais pobres dos mais pobres?

    quando falo em desigualdade não me refiro apenas a números senhor Romano...falo de questões concretas que se vivem no dia a dia.homens e mulheres que não têm acesso às mesmas oportundidades, homens e mulheres que não podem almejar um lugar cimeiro na sociededa.pessoas que são atiradas para as filas do desepmprego, dos hospitais públicos sem condições, homens e mulheres que não têm acesso ao sistema judicial pelo simples facto de não terem possibildades para suportar os custos que este implica.homens e mulheres que não podem aceder a uma universidade pelo facto de não terem o suficiente para suportarem os encargos que daí derivam...é disto que falo senhor romano...
    eu sei que o senhor não percebe.

    fico-me com estes dados:
    "
    Neste momento, o discurso habitual quer do governo quer das entidades patronais, quer do próprio governador do Banco de Portugal, e mesmo de muitos órgãos de comunicação social, é que a crise que enfrenta o nosso País exige sacrifícios, mas do que normalmente acabam por referir é sobre a "necessidade de contenção salarial", ou seja, de sacrifícios sim mas apenas para os trabalhadores.

    E um dos argumentos mais matraqueados é que a produtividade dos trabalhadores portugueses é muito baixa, procurando assim fazer pensar que a culpa da baixa produtividade é dos trabalhadores. Interessa, por isso, continuar a desmontar este discurso governamental e patronal.

    Num estudo anterior provamos que, tendo em conta os salários que recebem os portugueses, a produtividade dos trabalhadores portugueses até é superior à que se verifica na maioria dos países da União Europeia.

    No entanto, a produtividade referida no estudo anterior foi calculada tendo como base a população total. No entanto, o mais correcto seria fazê-lo com base na população empregada, ou seja, tomando como base os que estão ligados directamente à produção da riqueza"...

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