Avenida MarginalNem os horários escapam

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Na Sexta-Feira Santa, a ASAE encerrou seis hipermercados. Nada que espante, dado o percurso recente. Desta vez, a única coisa original foi mesmo o motivo. A ASAE costuma fechar estabelecimentos dizendo que não servem bem o consumidor; na sexta-feira, a acusação era de servirem bem demais. Nota negativa pela inteligência, mas uma menção honrosa pela criatividade.

Convém, ainda assim, temperar o tom da crítica. Afinal de contas, a ASAE só faz o que lhe pedem. No caso, impedir que estabelecimentos com mais de dois mil metros quadrados tenham liberdade para escolher o horário de funcionamento aos domingos e feriados. A lei parece inadequada, incompreensível para o consumidor, lesiva para os hipermercados e, de forma genérica, pouco inteligente? Pois esperem até ver os argumentos.

Basicamente, há dois. O primeiro defende que há que moderar o consumismo nos domingos e feriados. É o argumento religioso. Consumir é aceitável, mas consumir muito é demais e tudo o que é demais é erro. Aliás, para quê consumir quando a Igreja está aberta durante os domingos e feriados? Então se for possível meter o povo lá dentro à força de lei, perfeito.

O segundo argumento é mais subtil. E menos bafiento, também. Vem do pequeno comércio. Se a Igreja quer consagrar em lei os dias devotados ao Senhor, o comércio tradicional quer implementar os dias sem concorrência. É, no fundo, a ideia velhinha de que a voragem domingueira das grandes superfícies tem de ser limitada por lei caso contrário destrói os empregos das lojas da esquina. O argumento tem de ser disparado de rajada, antes que o interlocutor pergunte se uma lei desse género não acaba também por inviabilizar a criação de empregos nas próprias grandes superfícies.

Ironias de lado, convenhamos que faz sentido usar a lei para fechar os hipermercados ao domingo. Provavelmente não para o consumidor, mas para o «comércio tradicional» é ouro sobre azul. É muito mais fácil apelar ao Governo para solucionar um problema do que inovar no atendimento, flexibilizar horários ou adaptar os serviços aos clientes. Os outros que concorram. Nós, por cá, somos pela tradição. Desde que salvaguardada pela lei. E por tratamento especial. E por apoio estatal. E um subsidiozinho até vinha mesmo a calhar.

22 comentários:

  1. Por esta ridicula ordem de ideias, o mundo parava em todos os dias Santos. É realmente incrivel tal medida.

    Cumprimentos

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  2. As actividades económicas e sociais públicas ou privadas poderiam estar abertas 24 horas por dia. Caso as suas direcções e os trabalhadores assim o determinassem.

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  3. Ao que consta, Brandão será o novo director artístico da Casa da Música do Porto, uma vez que Pedro sairá em 2009. Uma perda para Braga, a ser verdade. Parabéns Porto, parabéns Belmiro.

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  4. Para que raio se chama a Igreja para este tema? Entre um laico e um anticlerical há a diferença do bom senso.

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  5. Ninguem vê o ponto de vista dos trabalhadores, católicos ou não, que queiram gozar o seu domingo a descançar?

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  6. «Para que raio se chama a Igreja para este tema?»

    A Igreja tem sido das grandes apoiantes da ideia. Aliás, até queria ir mais longe e fechar todo o comércio aos domingos e feriados.

    «Ninguem vê o ponto de vista dos trabalhadores, católicos ou não, que queiram gozar o seu domingo a descançar?»

    Desde que quem não quer descansar não seja obrigado a fazê-lo, não vejo qual é o mal :)

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  7. "Desde que quem não quer descansar não seja obrigado a fazê-lo..."
    Como diz o povo: mas tu és burro ou comes m....?
    Desde quando um trabalhador não quer descansar?
    Que o patrão não queira que ele descanse, ainda entendo, agora o trabalhador não querer descansar ou estar um pouco de tempo com a família, acho difícil!!!
    Quem trabalha ao Domingo, folga à semana, mas nesse dia da semana não está com os filhos (que têm aulas) nem com o marido/mulher (que está a trabalhar ou tem a folga noutro dia qualquer)...
    Mas para si o que interessa isso? Provavelmente não tem filhos, nem quer passar os domingos com a sua família, provavelmente nem trabalha ou se trabalha é das 9 às 5, de 2ª a 6ª, por isso desde que possa fazer as suas compritas aos Domingos à tarde (as que não conseguiu fazer durante a semana à noite, nem no sábado todo o dia, nem no domingo de manhã...)"tá-se bem".
    Ana Matias

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  8. "A Igreja tem sido das grandes apoiantes da ideia."

    E daí? É por causa disso que os hipermercados estão fechados ao Domingo?

    "Aliás, para quê consumir quando a Igreja está aberta durante os domingos e feriados? Então se for possível meter o povo lá dentro à força de lei, perfeito."

    Sim, realmente, é isso que acontece. Quem não tem vontade ou dinheiro para gastar nas compras, não lhe resta alternativa senão ir para a igreja, coitadinho!

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  9. Até que enfim que vieram alguns iluminados a contestar este texto, sem dúvida que este texto, é de uma pessoa q olha ao seu umbigo e não consegue ver para lá disso... contexto de familia não existe. E claro a igreja é sempre a culpada dos problemas e das intrigas...
    Deixemo-nos de coisas e pensemos no geral...
    Domingos e Feriados, sem comércio!!

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  10. Ana Matias,

    Belo paradoxo. É preciso uma lei que obrigue as pessoas a descansar porque as pessoas querem descansar.

    Emanuel,

    Ninguém vai à missa apenas porque não pode ir ao hipermercado. Mas há quem deixe de ir à missa porque o hipermercado está aberto. A relação é esta, e não a que o Emanuel propôs.

    E claro que não é por causa da Igreja que os hipermercados não podem abrir ao domingo. Já ninguém liga tanto à Igreja.

    Mas isso é uma sorte dos tempos que vivemos. Se a Igreja ditasse regras como há uns anos, desconfio que nem ao domingo de manhã os hiper's podiam abrir portas :)

    Anónimo,

    Gostei da ideia de pensar no geral. Notei que tomou a liberdade de pensar pela generalidade dos restantes 9.999.999 milhões de portugueses e exigir o encerramento do comércio. Muito democrático, sem dúvida.

    Quanto ao meu umbigo, está bem de saúde, obrigado. A nível de argumentos, parece-me que é pelo menos tão capaz como o seu cérebro ;)

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  11. José Moura" o anónimo"26 de março de 2008 às 10:10

    Eu não entendo qual o problema de o domingo e feriado estar reservado para a comunidade em geral, foi com essa ideia que deixo de ser democrático?? mas quem é q prejudico gravemente!!?? as grandes empresas comercias, o consumo desenfriado!!...
    Mentecaptos como tu, só podiam discordar de um encerramento geral aos domingos e feriados.
    E digo-te mais, onde está a democracia no teu argumento, quando ele discorda de uma intervenção dos elementos da ASAE, que não faziam mais que cumprir a Lei do horário dos estabelecimentos comerciais. Democrático deve ser essas empresas, que obrigam os seus trabalhadores a trabalhar para além do seu horário, sem que isso influencie favoravelmente no seu ordenado.
    Democrático é incentivar o trabalho precário, o consumo, e os Lucros das grandes empresas... não és mais que um pobre de espirito, que vê na pobreza social dos outros, a maneira de preencher as tuas necessidades...
    Umbigo é para onde tu olhas, e com esse espirito, a Saúde não deve ser muita...

    Abraço

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  12. Este texto só pode vir mesmo de alguém da geração mcdonalds. O problema do comércio são as "lojas de esquina" ou são grandes superfícies que estão a destruir todo o tecido económico tradicional? O tradicional é antigo, retrogrado e é para abater? Para si não deve ser estranho que um país ao Sul tenha mais área quadrada de grandes superfícies que os países frios do Norte da Europa. O seu ideal são as novas catedrais? Terá substituído o Cristo pelo Consumo? Eventualmente já terá escrito, ou virá a escrever, alguma coisa sobre os centros urbanos desertos, mas sabe quantas grandes superfícies estão para abrir em Braga nos próximos 2 anos? Eu percebo que está a fazer o tirocínio para ser um grande jornalista, mas procure não disparar contra tudo que mexe. E procure deixar os seus ódios de estimação fora dos seus textos, ou pelo menos cuide da sua dosagem. Não gosta da Igreja, tudo bem. Só não tem que ver nela a força maléfica que tudo controla. Ainda que seja saudável que haja irreverência nas universidades, saber doseá-la é um sinal de inteligência. O anticlericalismo é tão estúpido como qualquer reacção pela negativa.

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  13. «Eu não entendo qual o problema de o domingo e feriado estar reservado para a comunidade em geral, foi com essa ideia que deixo de ser democrático??»

    A ideia é que o José pode passar o domingo e o feriado com a família sem obrigar as outras pessoas a fazerem a mesma coisa. Se o José quer ficar em casa, fica. Se o António quiser ao hipermercado, vai. Chama-se liberdade.

    «O problema do comércio são as "lojas de esquina" ou são grandes superfícies que estão a destruir todo o tecido económico tradicional?»

    O problema do comércio não é nem um nem outro. O problema do comércio é ser ditado pelos caprichos de um legislador e não pelas preferências do consumidor.

    Porque é disso que se trata: de preferências. E de liberdade de escolha, que tanta urticária parece fazer por esta caixa de comentários.

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  14. Sim, eu gosto de ter o Domingo e os Feriados para a minha familia. Mas os caprichos de uns, aos quais tenho de te incluir, retiram a liberdade de outros..
    Mas Pedro, não existe mais nada nos teus interesses do que passar o Domingo e Feriados metido em zonas comerciais, ou necessitar delas para uma inventualidade. Para essas inventualidades, só devemos tomar uma atitude, acautelar em relação ás necessidades imediatas...

    Abraços

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  15. «Sim, eu gosto de ter o Domingo e os Feriados para a minha familia. Mas os caprichos de uns, aos quais tenho de te incluir, retiram a liberdade de outros..»

    O facto de o hipermercado estar aberto aos domingos obriga-o a ir lá visitá-lo?

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  16. "Se o José quer ficar em casa, fica. Se o António quiser ao hipermercado, vai. Chama-se liberdade"

    O José quer ficar em casa e não fica, porque trabalha num hipermercado, e o patrão obriga-o a trabalhar ao Domingo para o António poder ir comprar caramelos. A isto chama-se... sei lá!!

    "O facto de o hipermercado estar aberto aos domingos obriga-o a ir lá visitá-lo?"

    Não, mas obriga milhares de portugueses, em especial mulheres, a trabalhar e a perder qualidade de vida e tempo familiar. Mas tu queres lá saber da "pobreza social" dos outros, não é? Desde que possas ir comprar os teus caramelos...

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  17. «O José quer ficar em casa e não fica, porque trabalha num hipermercado, e o patrão obriga-o a trabalhar ao Domingo para o António poder ir comprar caramelos. A isto chama-se... sei lá!!»

    Chama-se ignorância. Se o Governo limitar os horários, os salários vão descer. Lá se vai a qualidade de vida.

    Mas se é assim tão partidário da ideia, não sei por que se contenta com os domingos e feriados. Pode exigir que lhe concedam também a quinta, a sexta e o sábado. Já viu, tanto tempo para a família?

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  18. Tu e os teus argumentos!!??? Primeiro vai pesquisar, depois peço-te para argumentar com exactidão, e vais saber que esmolas é o que são oferecidas por essa empresas...
    O Problema não esta no subsidio que se recebe ao Domingo, mas sim no ordenado que se recebe ao fim do mês, que para lá de serem pagos a 404 euros base, receberem 3 e migalhas por sub. aliment. e de terem de ser obrigados a fazer horas a mais, sem ser pagos, e quando esses trabalhadores são geradores de lucros enormes para essas multi-nacionais da distribuição. Sem te dizer, a quantidade de gente que se formou, que gastou as suas poupanças e dos seus pais para acabarem o curso, e veêm-se nesta teia, que são estas empresas.
    Tu, que não sabes o que é trabalhar ao Domingo é que te sentes com a barriga cheia. Porque mesmo ao domingo vais comprar os teus "caramelos"...
    Eu sinto-me bem, porque para lá de ter a sorte de trabalhar á semana, e de estar bem, defendo aqueles que têm o direito a ter um Domingo e um Feriado diferente...Isto sim, é não pensar simplesmente no meu umbigo...

    abraços Sr. Pedro

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  19. «O Problema não esta no subsidio que se recebe ao Domingo, mas sim no ordenado que se recebe ao fim do mês, que para lá de serem pagos a 404 euros base»

    Já reparou que aceitar trabalhar ao domingo pode ser um bom começo para aumentar os 404 euros de base?

    «Sem te dizer, a quantidade de gente que se formou, que gastou as suas poupanças e dos seus pais para acabarem o curso, e veêm-se nesta teia, que são estas empresas.
    »


    Sim, o melhor é mesmo fechar as empresas. Os licenciados ficavam muito melhor. Se funciona com os cubanos, com os norte-coreanos e com os venezuelanos, por que não haveria de funcionar connosco, não é?

    «Tu, que não sabes o que é trabalhar ao Domingo é que te sentes com a barriga cheia. Porque mesmo ao domingo vais comprar os teus "caramelos"...»

    Mais um argumento muito evoluído. Acho que vou passar o teclado ao meu umbigo :)

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  20. Ainda não percebi se este colunista é só intelectualmente desonesto ou simplesmente possui um prazer especial por gerar de polémicas.

    A forma como apresenta os seus argumentos, moldando-os para se ajustarem ao seu ideário, e a forma parcial como rebate os comentários, sem se inibir de ataques de mau gosto sobre a suprema superioridade intelectual do seu umbigo sobre os leitores discordantes, não é um bom prenúncio sobre o jornalista em formação. Mais parece a formação de um evangelizador para nos libertar a todos da escuridão medieval da ignorância. Salvé.

    Cumprimentos ao umbigo.

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  21. Ainda não percebi se este colunista é só intelectualmente desonesto ou simplesmente possui um prazer especial por gerar de polémicas.

    A forma como apresenta os seus argumentos, moldando-os para se ajustarem ao seu ideário, e a forma parcial como rebate os comentários, sem se inibir de ataques de mau gosto sobre a suprema superioridade intelectual do seu umbigo sobre os leitores discordantes, não é um bom prenúncio sobre o jornalista em formação. Mais parece a formação de um evangelizador para nos libertar a todos da escuridão medieval da ignorância. Salvé.

    Cumprimentos ao umbigo.

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  22. Eu acho que este colunista :) é as duas coisas, intelectualmente desonesto e com um prazer especial por gerar polémicas.

    Esquece-se é que a carroça que faz mais barulho é precisamente a que vai vazia (como o seu cérebro)...

    Pelos vistos a única coisa que se aproveita mesmo é o umbigo, já que ele fala dele com tanta reverência :)

    Eu estou como o anónimo: cumprimentos ao umbigo!
    Ana Matias

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