Da Roma Portuguesa

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«Hoje vou contar uma história. Então é assim: era uma vez um imperador e um construtor. O imperador governava há mais de 30 anos e dizia-se que o seu âmbito de influência já tinha ultrapassado as suas competências de governante, a ponto de, em surdina, recaírem sobre ele suspeitas…

Este imperador, como homem que gosta das coisas da sua terra, sempre se empenhou muito no circo da cidade e sempre procurou colocar na liderança do mesmo pessoas da sua confiança. Ao longo de muitos anos, apesar dos esforços do imperador para que o circo fosse bem sucedido, este passou por vários momentos de instabilidade directiva e financeira. Até que um dia, o imperador conseguiu recrutar para o seu circo um jovem construtor de sucesso.

Apesar de não ser grande adepto do circo da cidade (era conhecido por gostar de outro, numa localidade próxima) o construtor conseguiu, em poucos anos, resultados históricos a todos os níveis, tornando o circo uma referência além-fronteiras, quer na qualidade dos espectáculos, quer na gestão financeira.

Tudo correu bem até um dia. O construtor teve uma birra com o imperador: ou era fortemente apoiado pelo império para edificar uma academia de circo, ou então batia com a porta! O imperador, pouco habituado a ultimatos, não gostou. Inicialmente, deu a entender que não cedia a birras e caprichos. No entanto, o esforço de algumas semanas para encontrar um substituto para a liderança do circo foi infrutífero. O construtor tinha colocado o circo num patamar tal, que era difícil ser substituído sem comparações ou sem o risco de se voltar à instabilidade do passado. E o imperador não queria chatear-se muito com o tema.

Perante tal situação, o imperador cedeu e fez a vontade ao construtor e este continuou como líder do circo. Mas com uma contrapartida: o construtor teria que dar trabalho ao filho do imperador. Acordo selado, o filho do imperador começou a trabalhar no departamento comercial do circo. Qualquer semelhança com alguma realidade é pura coincidência. Ou não…»

Difícil resumir tudo em tão poucas palavras. Daniel Lourenço teve esse mérito ao publicar este excelente texto na edição de ontem do Diário do Minho. Quem serão os gladiadores?

8 comentários:

  1. Li o texto e achei-o bem urdido. No entanto noto-lhe uma pequena imprecisão que gostava aqui de referir para que possa ser corrigida. Na verdade o Imperador não pediu ao construtor trabalho para o filho, ele solicitou foi um emprego para o filho.

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  2. Este jornalista merecia ser promovido por escrever com tamanha sabedoria e limpidez. Ele escreveu o que toda a gente sabe sobre o Império, o Imperador, o Circo, a Academia e o Filho do Imperador...

    Texto certeiro e fabuloso.

    Pedro,
    Para ti também parabéns. Pelo Blog e pela forma como a Avenida está atenta a tudo o que acontece e se vai escrevendo por Braga. Parabéns!

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  3. Costuma dizer-se "in vino veritas".
    Felizmente que há gente que demonstra que à verdade não tem de estar ligada a loucura ou embriaguez. Texto magnífico e, sobretudo, corajoso numa cidade como a nossa. Os meus parabéns.

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  4. "Pão e Circo" era assim que os senhores de Roma calavam o povo, mas em Braga o "Pão" é azimo de mais e o "Circo" é prenhe de actores corruptos.

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  5. Ele há coisas fantásticas não há...
    Assim vai Braga!!!

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  6. Pedro,
    vou confessar que não li o post com olhos de ler (o tempo aperta e isto de estar na net tira pontos...) mas depreendi que a falar de construtores e 30 anos de poder só te podes estar a referir a Braga, uma das cidades mais "desorganizadas" em termos de construção que já vi (será que em Portugal há alguma +/-?).
    mas por falar de roma e de impérios penso que a notícia que hoje vem no JN, sobre a Ryanair, é bastante importante. Importante na medida em que uma empresa pública como a ANA está a boicotar o crescimento nortenho com o embargo de novas rotas da ryanair.
    Isto apenas demonstra a pobreza de espírito que existe em Portugal. Cada um pensa no seu bolso e depois que todos se safem na "selva"...


    bom estudo (desculpa a pobreza de escrita, mas não consigo pensar...)

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  7. Vamos ter que fazer em Braga o que fizeram ao Socrates e investigar o curriculum deste menino ... ;)

    Ja' agora no fim da historia o Imperador podia ficar maluco e incendiar a cidade com bilhetes a 25 euros para socios para ver o Bayern ...

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  8. Para o curriculum do Francisquinho júnior, delfim do imperador, eu posso dar umas achegas. Depois de longos estudos, pelo menos longos tempos de frequência escolar, o Francisquinho achou que não tinha jeito para livros e descobriu que a carreira empresarial estava mais ajustada à sua maneira de ser. Depois de longas discussões domésticas e alto poder dissertatório, o rapaz lá convenceu o pai a construir-lhe um café-bar no Campo da Vinha e a dar-lhe uma loja no mesmo local para escritório, já que o espaço era pequeno. Ele bem disse ao pai para fazer uma coisa em grande, já que aquela praça tinha imenso espaço desperdiçado, mas o pai ai não lhe deu ouvidos, porque já andava com os ouvidos cheios de criticas à porcaria que tinha feito no Campo da Vinha. Por isso o Chiquinho nunca se sentiu bem naquele bar exíguo. Era claustrofóbico e redutor para a sua veia empresária. Disso mesmo deu conta ao imperador que se apressou a comprar-lhe uma coisa maior. O café Astória. E para ajudar o Delfim em inicio de carreira sempre lhe alugou a lojita do Campo da Vinha para a internet da Câmara.
    Como o negócio do Astória estava a correr tão bem como o do Campo da Vinha, ficando provado que não é o tamanho que faz os homens nem os cafés, arranjou-se um AMO-TE BRAGA para remediar os prejuízos.
    Agora este emprego no departamento comercial do Circo não é mais do que o culminar de uma grande carreira empresarial e é uma mais valia para a agremiação, dado o alto capital empresarial adquirido pelo filho do Imperador.

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