Avenida dos Leitores: A Imprensa de Braga

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Pensar na imprensa em Braga implica necessariamente recordar os tempos do semanário Minho, em que houve verdadeiros momentos de jornalismo. Implica também lembrar a época do Público Minho, quando Teresa Lima ousou fazer trabalho a sério, a trazer à memória os momentos áureos do jornalista João Paulo Mesquita, mas sem a afeição partidária que tantas vezes lhes toldava a visão. E o Diário do Minho, já no pós JPM, mas no tempo do outro senhor, com destaque para os artigos de José Carlos Lima.

O panorama ficou seguramente mais pobre com o fim dos projectos regionais dos diários nacionais, que não tiveram tempo e/ou habilidade para se consolidar. Temos agora um caderno regional no Jornal de Notícias com claros problemas de identidade e algumas notícias esporádicas ou breves no Público. O Diário de Notícias, que nunca apostou em Braga, continua fiel ao seu rumo. Quanto ao Correio da Manhã, confesso que não leio.

O Correio do Minho e Diário do Minho – diários bracarenses ou regionais? –, tal como já tive oportunidade de comentar aqui no Avenida, estão actualmente a cumprir os serviços mínimos. A agenda dos dois jornais vive claramente alheada de muito do que se passa na cidade de Braga e na região, continuando a destacar quase sempre os mesmos protagonistas, que se repetem ano após ano. A falta de memória é impressionante!

O Correio do Minho vive num limbo entre o desporto, os casos de faca e alguidar, os insólitos mais espantosos – tipo um poste de iluminação pública inclinado uns centímetros ou abóboras e tomates gigantes – e a transcrição de comunicados. Pelo meio, é preciso olhar atentamente para o dito e também para o não dito, pois é nesta dialéctica que se percebe a verdadeira filosofia do jornal.

O Diário do Minho vive num adro imenso, a ver as procissões a passar, normalmente com o Arcebispo à cabeça. Os trabalhos dignos de serem apelidados de jornalismo são esporádicos e surgem no meio de um cinzentismo atroz, em páginas repletas de comunicados também transcritos quase na íntegra. Os sucessivos acertos gráficos ainda não conseguiram torná-lo num jornal apelativo.

Em relação aos comunicados, servidos em abundância, há uma coisa que me perturba: será que os jornais ainda não se aperceberam de que a maior parte das instituições já disponibiliza essa informação nas respectivas páginas na Internet e que lhes fica muito mal apresentarem a informação tal e qual?!

O panorama jornalístico bracarense tem agora dois novos projectos profissionais (?) de cariz gratuito: o jornal Balcão e a Revista Sim, surgindo esta com os nomes dos ex-Público Alexandre Praça e Nuno Passos.

Estes projectos mantêm a dinâmica de aparecimento cíclico de novos produtos no mercado bracarense. As experiências anteriores, e foram várias, falharam. Os projectos do passado tiveram um prazo de validade curto. Estes a ver vamos, embora o início não tenha sido brilhante.

Apesar deste cenário, corremos o risco de cometer uma injustiça. Braga tem muito mais oferta do que outras localidades. Não nos podemos esquecer que ter dois jornais diários é, em Portugal, um luxo.

Quantos valorizam isso? Quantos compram efectivamente os jornais dos quais reclamam qualidade? Quantos contribuem na medida das suas possibilidades, quer seja com informações ou com comentários, para que eles sejam efectivamente melhores? Não estaremos de pedras na mão à espera que, como se costuma dizer, dêem pérolas a porcos?

Enviada por Lois Lane.

10 comentários:

  1. O meu contributo é ler ambos todos os dias. Para dar achegas penso que os sites de ambos são francamente maus. Considero apesar de ateu que o DM é "mais" jornal; mais estruturado. Aquela última página do Correio é demais!

    É preciso que não morram. Só quatro cidades têm dois ou mais jornais diários.

    Conforme se pode comprovar pela 1ª página de hoje de um deles são jornais regionais. Pode afirmá-lo com absoluta certeza. Abordam questões de Braga, Cávado, Ave e Alto Minho. Nada têm a ver portanto com a abordagem jornalística do Notícias de Guimarães ou Aurora do Lima. Daqui a pouco passa por cá o Sr. Suevo a chamá-lo de localista, ele que é um assumido "calaicista" ou seja adepto daquela região que tinha sede administrativa em Braga e de os mapas não referem onde ficava guimarães, porto, barcelos,etc.
    São os ossos do ofício.

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  2. O meu contributo é ler ambos todos os dias. Para dar achegas penso que os sites de ambos são francamente maus. Considero apesar de ateu que o DM é "mais" jornal; mais estruturado. Aquela última página do Correio é demais!

    É preciso que não morram. Só quatro cidades têm dois ou mais jornais diários.

    Conforme se pode comprovar pela 1ª página de hoje de um deles são jornais regionais. Pode afirmá-lo com absoluta certeza. Abordam questões de Braga, Cávado, Ave e Alto Minho. Nada têm a ver portanto com a abordagem jornalística do Notícias de Guimarães ou Aurora do Lima. Daqui a pouco passa por cá o Sr. Suevo a chamá-lo de localista, ele que é um assumido "calaicista" ou seja adepto daquela região que tinha sede administrativa em Braga e de os mapas não referem onde ficava guimarães, porto, barcelos,etc.
    São os ossos do ofício.

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  3. Conheço mal a história da imprensa bracarense. Mas sou crítico da portura da imprensa diária que se diz regional. O DM e o CM podiam ser DB e CB sem que ninguém notasse especial diferença.
    É verdade que, volta e meia, os temas de Guimarães ou Barcelos são tema de capa nas referidas publicações. Mas isso acontece normalmente por imposição da própria agenda, ou seja, quando o que acotnece nas demais cidades do Minho se torna incotornável. Caso contráro, vale mais um qualquer arrufo de paróquia em Braga para fins jornalísticos.
    O CM, por exemplo, não tem jornalista para Guimaraes há mais de dois anos. E falo de Guimarães por ser a realidade que melhor conheço.
    No entanto, o panorama dos diários regionais não é muito diferente do panorama dos nacionais. E aí concordo com a opinião expressa no post. Infelizmente as edições regionais do JN e doPublico não vingaram. Infelizmente os jornais nacionais raramente dão tratamento informativo ao que se passa no Minho, especialmente o DN, mas também o Público. Também nos nacionais qualquer arrufo na paróquia de Lisboa é mais importante que o que quer que seja na "provincia". E mesmo no caso quando há edições regionalizadas, caso do Caderno Norte do Jn e o Local Porto no Público, o que se passa no Porto tem sempre prioridade sobre o Minho ou Trás-os Montes. Infelizmente!

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  4. Deixem-me acrecentar uma coisa: ontem ouvi na RUM (que musicalmente admiro) em que o Alexandre Praça e dois convidados comentam a actividade politica em Braga. Não sei se o programa será alargado a Guimarães, mas a RUM informativamente também peca por se centrar demasiado em Braga e esquecer que também serve Guimaraes.

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  5. Quer o DM quer o CM,são ambos a voz do dono,só têm sons diferentes.E tudo música em "ré de porco"................

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  6. Região do Minho, ali na foto... ainda fui colaborador desse semanário.

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  7. Tanto o CM com o DM, são propriedade privada obedecendo a uma estratégia empresarial de mercado. Apesar dessa estratégia, é saudável ver uma cidade com dois diários, demonstrando o interesse dos bracarenses do que se passa na sua cidade e região.
    Se este tipo de imprensa não satisfaz todos os bracarense, julgo estar aberto um nicho de mercado capaz de sustentar um novo projecto jornalístico bracarense.

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