Paus de Marmeleiro ou Colheres de Pau? (II)

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A academia deve aproveitar os lamentáveis incidentes desta semana para reflectir séria e profundamente. No dia em que uma colega foi a enterrar vítima de leucemia, os estudantes do Minho, desrespeitando o «código» e o luto académico, praxaram, guerrearam e deram ao país uma triste imagem da sua condição.

Não podemos continuar a branquear a boçalidade, o desrespeito e o disparate. Elmano Madaíl escreve no JN de hoje que «conforme demonstrou a peleja absurda que envolveu, anteontem, estudantes universitários do Porto e de Braga, é difícil alcançar tais objectivos quando a perspectiva desses meninos mimados, e a quem tudo é permitido, se tolda tantas vezes com a bebedeira frequente para que julgam estar licenciados.»

Conta quem viu que se tratou uma rixa. Para a organização, tudo decorreu com «normalidade». Diz o 'Dux do Porto' que a rixa afinal não passou de um «arrufo de namorados», acrescentando que «o que se passou foi apenas que, entre picanços e desafios, houve um aluno que descarregou o pó químico de um extintor sobre outro, intoxicando-o». Mas que estranho apanágio da violência doméstica. Haverá inspiração no sábio devaneio do Reitor do Santuário de Fátima?

Pouco me espanta tudo isto. Os que mandam nas praxes, os que cacicam eleições académicas e muitos dos que representam os alunos são os mesmos que mandavam, que cacicavam e que representavam quando lá entrei há 6 anos. Essa gente não estuda?

[imagem via abnoxio]

15 comentários:

  1. Não sou nem nunca poderei ser defensor da mentira ou do abuso. Contudo Pedro entendo perfeitamente as posições tomadas pelos responsáveis pela praxe. O que se passou está mais que badalado, e na minha opinião, o que começou por ser uma praxe acabou mal e por estupidez, sim mas estupidez de alguém que não soube ter respeito pelas pessoas e que não sabe o que é o limite da praxe. Agora duvido que esse mesmo arauto do saber (sim porque sabia tanto que não sabia que pó químico intoxica), seja o mesmo responsável por caciques. Aliás, as minhas dúvidas estão mais ligadas com a consciência dessa pessoa do que é ou não é correcto e não estou a falar num contexto de praxe académica, mas sim num contexto de sociedade.
    Agora, e quando todos criticaram a imprensa inglesa com todo o sensacionalismo inerente ao caso maddie, apenas valorizam o sensacionalismo de algo que correu mal (poderia ter corrido pior, mas assim não aconteceu) e não valorizam todo o movimento e toda a recriação cultural para Braga. Algo Pedro que tu próprio defendes acerrimamente para Braga.
    Desafio-te a escreveres um "Paus de Marmeleiro ou Colheres de Pau? (III)". Mas desta vez esquecendo a rixa, as bebedeiras e falando do que realmente o Comboio do Porto veio fazer a Braga e por andaram na parte da manhã, o colorido que trouxeram a cidade e a própria organização.
    Se calhar também vale a pena pensar nisso.

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  2. caro luis,

    a ver se percebi bem:

    1. tu achas bem que o líder da praxe do porto tenha dito que foi um "arrufo de namorados"?

    2. tu achas bem que se usem extintores na praxe?

    3. tu achas bem o tipo de comportamento que se verificou naquele dia?

    4. tu achas bem que tenham partido vidros e danificado portas na cantina da universidade?

    5. tu achas bem que os praxantes andem alcoolizados pelas ruas?

    tu achas bem???

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  3. Quando vi o texto do Pedro pensei: "finalmente alguém com bom senso!".

    Mas tinha que vir aqui um Luís Caldas, provavelmente estudante ou ex-estudante recente, a defender o que não tem defesa. Foi um comportamento lamentável. Qualquer que seja o ponto de vista!!!!

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  4. engraçado...
    Nunca fui praxada, nunca praxei.

    A minha vida como estudante não foi diferente por isso.

    E tantos, tantos! que vivem na ilusão...

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  5. caro anonimo:
    respondendo a todas as perguntas uma por uma
    1º - Disse e volto a dizer que entendo que o tenha dito para desmentir o exagero que foi veiculado na comunicação social. Dizer que compreendo o que fizeram, não diz que concorde.
    2º e 4º - Sou totalmente contra qualquer prática de vandalismo, como tal, abrir um extintor ou danificar instalações sejam elas qual forem são condenáveis. As quais não associo sequer à praxe, mas sim a falta de cultura cívica das pessoas. Gostava de saber se eles também o fazem em casa.
    3º - Condeno completamente esse exagero, que está associado infelizmente à praxe e que nada tem a ver com esta. Como tal, a estupidez, palhaçada que se gerou no início daquela rua é lamentável.
    5º - Não acho bem que ninguém ande alcoolizado nas ruas, todavia cada um é livre de o fazer, tendo que ter em conta que tem de manter o respeito por todas as outras pessoas que na rua circulam.

    Quanto a si senhor João Sousa, compreendo o ataque fácil. Sim sou Licenciado e como tal, ex-estudante. Não defendi, nem nunca poderia defender um incidente destes. Apenas estou a alertar e a lembrar as pessoas que o dia em causa não foi só marcado por incidentes, mas por um convívio saudável e intercâmbio cultural entre estudantes de Braga e Porto. Já agora pergunte a pessoas que estiveram de manhã, nos locais emblemáticos da cidade o respeito e a educação que pautou toda a parte matinal do percurso.

    Entendam que tal como vocês condeno este tipo de atitudes, que para mim nada têm a ver com a praxe, mas sim com a falta de civismo, com a ausência de conhecimentos de cidadania e de dever cívico.

    Aliás, defendo que os membros das duas academias devem investigar e tirar ilações do sucedido. Punindo severamente os prevaricadores quer academicamente, quer procedendo a acções cíveis, denunciando às autoridades os autores de tais crimes (nomeadamente, roubo do extintor e partir de vidros e portas).

    Como vê, Sr. João Sousa o seu ponto de vista apenas difere no meu, no aspecto que não associo isto a um exagero de praxe, porque na minha opinião foi bem mais que isso.

    Agora, apenas deixo o conselho para todos os que associam todos os males dos estudantes universitários à praxe ou a irresponsabilidade. Se calhar o problema está enterrado bem mais fundo.

    Por último Claudette Guevara, concordo consigo no ponto que a sua vida de estudante não foi diferente. Porém, se a arte de transmissão de saber académico, vulgarmente apelidada de praxe, for feita de uma forma integrante e adaptadora a adaptação de tantos estudantes ao Ensino Superior (e aos desafios que este acarreta) será facilitada. Porém, não penso que esta seja, a única nem "A" forma por excelência de o fazer, mas sim apenas mais um meio que pode e tem de ser bem utilizado para que não se torne na antítese do que o quer ser.

    Um bem-haja todos.

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  6. Não sou contra a praxe. Mas sou absolutamente contra a praxe estúpida, boçal e sem imaginação. Ora, infelizmente, isto é o pão nosso de cada dia (a este propósito, ver o texto “Universidade sem urros”, do Victor Ferreira, em http://www.comumonline.com/index.php?option=com_content&task=view&id=97&Itemid=69).

    Tirando alguns episódios que a minha turma recorda com um sorriso, a fazer figas para que ninguém na cidade nos reconheça, passámos por uma praxe que cumpriu os objectivos de ficarmos a conhecer os colegas, a Universidade do Minho e Braga. Tenho traje e sei o que ele significa. E é isto que é suposto ser a praxe.

    O que se passou na Rua Nova de Santa Cruz não foi praxe. Foi CRIME! Por isso, dificilmente esse dia poderá ficar para a história como aquele em que os alunos do Porto deram outro colorido às ruas de Braga. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que nada se passou. Passou, apesar das dúvidas iniciais, e foi grave.

    A cidade tem tradições académicas? Tem. O convívio dos estudantes para além das salas de aula é importante? Sem dúvida. É vergonhoso que as festas estudantis sejam conhecidas pelos litros de cerveja que são ingeridos? Muito. É grave que pessoas que têm estes comportamentos se perpetuem num sistema de ensino que é financiado pelos contribuintes? Sim. É este o investimento que queremos fazer na qualificação? Duvido.

    Não podemos ser indulgentes com práticas criminosas. Nem na suposta praxe nem noutros aspectos da vida colectiva. Sob pena de voltarmos rapidamente à época das cavernas, só que com muitos “doutores” e “engenheiros”.

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  7. Meus caros...não sou dono da verdade!!!
    Apoio totalmente o Luis Caldas, é um caso de excepção e ponto final! Medidas estão a ser tomadas!
    Pelo vejo aqui, temos uns anti-praxe difarçados atrás de comentários como o tipico, eu até gosto da praxe e afins... Comentarios que já nem leio porque são todos iguais e ja FARTA ver pessoas aproveitarem-se de casos isolados e fazerem deles acontecimento nacional, nao falando que ler e ouvir esses velhos dos restelo é entediante...
    Como praxado, digo a praxe é divertida e até em certos aspectos pedagógica e serve para ser vivida como tal... Fui muito bem praxado, 2 anos da minha vida, não falando da praxe de Tuna da qual também fiz parte. Cresci forte e saudavel e foram os melhores momentos de uma vida académica vivida de uma forma extremamante intensa, quem me conhece sabe como era.... Como praxante digo, a praxe é uma actividade desgastante na sua preparação mas no final, aquando dos resultados, extremamente gratificante... Ouso soltar um grande VIVA ás praxes académicas...
    E desafio o Pedro Morgado, tal como fez o Luis Caldas, a postar sobre tudo de bom que aconteceu no comboio dpo caloiro!!!

    Um bem haja

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  8. Caros Luís e Abílio,

    Sei que reconhecem que costumo elogiar a Universidade e o que nela sucede. Neste caso entendo que não o devo fazer. O desrespeito pelo luto académico causa-me repulsa.

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  9. As praxes quer gostem ou não os seus defensores, são uma m...., num mundo Académico em que desejamos que os nossos filhos vão à U. aprender é triste ver que, os estudantes passam parte do tempo do ano em praxes, e Queimas, que afinal não passam de queimas de alcoól, e outras coisas un tanto ou quanto perversas.
    -Quem disse que os que como eu são contra as praxes, pois até tenho dois filhos Universitários que participam, mas não é que seja com o meu apoio, e sempre lhes faço ver que esses rituais ou lá o que lhes chamam, são condenáveis, nós não podemos de manhã ser "pacifistas" e à noite "corrécios", pois a meu ver por estas e por outras é que nós temos os Políticos que temos, pois formados em rituais de Alcoól e outras drogas à mistura, é claro que não podem dar bons tecnicos, e o resultado está à vista, Um pais à beira do terceiro mundo, quando já deviamos ir a par do pelotão da frente.
    -Não sou bronco nem coisa que o pareça, nem sou contra as Festas académicas, desde que elas não colidam com a Liberdade individual, e o respeito pelos outros...Por isso eu digo; As Praxes e as queimas académicas são uma M.... Tenho dito.

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  10. o artigo começa logo com um toque 24 horas

    "No dia em que uma colega foi a enterrar vítima de leucemia, os estudantes do Minho, desrespeitando o «código» e o luto académico, praxaram, guerrearam e deram ao país uma triste imagem da sua condição."

    Para que saibas o luto academico foi quinta e sexta feira, pois é necessario tempo para que todos saibam disso.

    Acho que a noticia levou um arranjo "hollyodesco" gigante.

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  11. Caro Veg@. Fiz o meu curso no percurso académico que me estava destinado, isto é, dentro do tempo que estava programado. Porém, digo-lhe não me limitei simplesmente a ser um mero estudante, facilmente confundivel com um estudante do ensino secundário e com a sociedade em geral amorfa, pouco interventiva e sem sentido cívico. Lutei, manifestei, intervi, estudei, diverti-me. O que ganhei com isso? Muito, ganhei algo que não se aprende num banco da faculdade, aprendi o que é o mundo cá fora e como viver nele de uma forma não conformista. Foi isto que passei a todos os meus amigos que tive a honra de praxar e que agora são meus amigos.

    Meus senhores compreendam que a beleza e importância da Universidade não reside somente no seio da sua fronteira, mas em toda os seus vizinhos.

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  12. "-Não sou bronco nem coisa que o pareça, nem sou contra as Festas académicas, desde que elas não colidam com a Liberdade individual, e o respeito pelos outros...Por isso eu digo; As Praxes e as queimas académicas são uma M.... Tenho dito."
    Nem mais. Numa palavra apenas "ge nial". Isto há cada um.....
    Decida-se se faz favor que me está a fazer espécie.....


    Cumprimentos

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  13. Para informação de todos o luto académico pela Alexandrina, por acaso minha colega de estágio na Edit Value, foi decretado para sexta dia 26 e segunda dia 29... Portanto, sexta estive o dia inteiro na UM e não vi desrespeito nenhum, bem pelo contrário!!! E amanha também não haverá de certeza...

    Caro Sr. Veg@,
    Entendo o receio dos pais em ver os seus filhos passarem por "determinadas situações". Mas não existe forma de integração mais pró-activa e enriquecedora do que as praxes académicas. Aprende-se algo chamado, amizade, camaradagem e acima de tudo a viver e a olhar a vida como algo que não pode ser desperdiçado, tudo com uma mentalidade aberta e sem preconceitos...
    Sou licenciado pela Universidade do Minho e o ano de caloiro, como toda a gente sabe, é o melhor da vida de um estudante...
    Como estudante, não me limitei ás salas de estudo e à biblioteca. Fui aos jantares de curso, fui aos bares, mas também estive no espaço de discussão sobre os nossos direitos e intervim activamente em várias decisões...
    Com isto quero dizer-lhe, os seus filhos estão nos melhores anos da sua vida...deixe-os vive-los...

    bem haja

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  14. Caros participantes deste blogue,
    Para quê praxes que duram 1 ano inteiro?!????
    Dois dias seriam suficientes e o resto do tempo, toca a estudar ou, tal como acontece nas restantes universidades europeias e norte-americanas, toca a ir trabalhar, para aprender, desde cedo, que a vida não é um mar de rosas! Isso sim, é que seria uma verdadeira e eficiente integração!
    Já fui aluno universitário, já conclui o curso, fiz pós-graduações e trabalho que me farto, não porque ganhe mais (o ordenado é sempre o mesmo, independentemente de fazer 35 horas ou 80 horas/semana), mas porque a vida não é fácil e a produtividade assim o exige! Meus senhores, sei que ainda têm 20 anos, mas, por favor, acordem antes que seja tarde demais!

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  15. Acrescento que não tenho contra a amizade, a camaradagem, os jantares, os bares e a vida académica! Também a vivi intensamente.
    Mas, vida académica é uma coisa, praxes, com algumas cenas tristes e inconvenientes para alunos maiores de idade, é outra totalmente diferente!
    Cumprimentos

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